O meu ponto de vista

Maio 24 2020

É um lugar comum mas atrevo-me a anunciá-lo: a vida é feita de desafios, obstáculos, mas também de sonhos. Ora, como é do conhecimento geral, é essa a força motriz que faz com o que o esforço e o trabalho de cada um seja recompensado. Obviamente que o sonho varia de pessoa para pessoa, mas uma coisa é certa, para alguns, como é o caso deste vosso escriba, o sonho é produzir um vinho com marca própria.

O processo inerente à aquisição da vinha já lá vai. Agora, o trabalho árduo, a dedicação, o investimento e a atenção para com aquela, resultarão, estou certo, num produto final único.

Por isso, deixo-vos duas fotos do serviço efectuado na semana que findou, razão mais que suficiente para não vos acompanhar tão de perto como gostaria.

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publicado por Hernani de J. Pereira às 20:39

Junho 25 2019

A não ser cerveja ou água, fora das refeições muito raramente bebo algo que não seja acompanhado de petisco. De manhã, então, apenas leite, café e/ou sumo. Todavia, à tarde e/ou à noite, desde que acompanhado de umas tapas, conforme dizem os nuestros hermanos, um bom vinho ou um “fino”, dependendo da ementa, vem sempre a calhar.

Convívio, saúde, gosto pessoal, benefícios nutricionais … há muitas razões para beber, ainda que moderadamente, um bom vinho. Certo, certo é que os portugueses apreciam cada vez mais esta bebida. Então, num final de tarde de Verão, quando o calor aperta forte, numa esplanada qualquer à beira-mar plantada, acompanhada de uns caracóis, de uma salada de atum ou de polvo, de umas petingas ou de outro peixe de escabeche, entre tantos outros pratos extraordinários de que a nossa gastronomia é tão rica e que seria fastidioso aqui numerar, é sempre boa altura para um vinho verde ou branco maduro bem fresco. Isto para não falar de umas ostras, escoltadas por um espumante bem gelado, como são aquelas que se nutrem em Cacela Velha, concelho de Vila Real de Santo António.

Conhecem-se e apreciam-se muitos tipos de vinhos e descobrem-se continuamente mais propriedades e benefícios dos variados taninos que os compõem. Todavia, o mais consumido em todo o mundo continua a ser o vinho tinto. Rico em antioxidantes e polifenóis, substâncias que ajudam a prevenir doenças graves como as de coração e alguns tipos de cancro, têm, enquanto bebido moderadamente, repito, igualmente efeito benéfico na pele e no cabelo, pois contém peróxido de benzoila.

Há quem afirme que Deus criou uma planta para curar cada doença e, para os mais cépticos, a ciência também já comprovou que o vinho, enquanto hábito comedido e regulado, pode beneficiar a saúde e, segundo as propriedades da cada um dos vinhos, combate e previne muitos males.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:07

Março 14 2019

Não passo de um pequeno viticultor que está a dar os primeiros passos numa senda assente em vias – presumo eu – devidamente estruturadas. Afirmo isto devido há muito produzir uvas, coisa aliás diferente de produzir vinho, pois há quem o faça e muito bem sem ter uma cepa sequer.

Algo insofismável relativamente aos vinhos, porém, mudou quase radicalmente nestes últimos vinte anos. Mudou a filosofia de produção de vinho. Deixou-se, aos poucos, de apostar na produção em volume, para abastecer um país que bebia vinho - e talvez demais -, para apostar na qualidade, com vista a servir um país que gosta cada vez mais de vinho e, sobretudo, dos seus vinhos.

Com a entrada de uma nova geração de enólogos, mais conhecedores e informados, mudou-se a filosofia da adega, com a aposta em novas tecnologias, usadas para aproveitar todo o potencial de qualidade das uvas. Contudo, também se mudou a filosofia na vinha, com a introdução de novas formas de maneio da cultura, mudança de vinhedos para lugares com maior potencial de qualidade, bem como a introdução de novas castas de maior potencial enológico e/ou apetecíveis pelos consumidores.

Com tudo isto, os resultados são sabidos. A concorrência ficou mais intensa, o que aguçou o empenho do sector em toda a fileira, desde a parte agrícola à venda final aos consumidores, os quais, aliás, ganharam e muito com isso.

Hoje-em-dia, as pessoas encontram-se mais informadas e muitas já sabem o que comprar e, principalmente, porque compram. É praticamente impossível não beber bom vinho. A questão está em beber bom e excelente vinho, uma vez que o preço ainda – e bem – diferencia tal.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:37

Junho 04 2018

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O vinho mais que uma bebida é uma paixão. É para a esmagadora maioria dos portugueses o ponto de encontro onde se revêm. Por isso, não admira que aprendamos a beber vinho em casa desde novos. Todavia, saliente-se que, para além de paixão, é também moderação.

Nos últimos anos vencemos a batalha da qualidade. E estamos a avançar na apresentação do produto, como são exemplos o caso dos rótulos, rolhas, tipo de garrafa, entre outros. Já agora sabem que 70 % dos nossos vinhos são vendidos em hipermercados e principalmente a homens?

Um outro aspecto a reter nesta matéria é o profissionalismo. Somos óptimos a produzir, mas depois não sabemos comercializar. E, como é do conhecimento geral, o que não se promove não se vende. Por exemplo, ainda há relativamente pouco tempo, num supermercado da capital londrina, os únicos vinhos portugueses à venda eram o verde e o do Porto. Maduros, brancos e/ou tintos, sejam eles do Douro, Bairrada, Alentejo, etc., pura e simplesmente não existiam. Contudo vinhos do Chile, Austrália e de Itália, só para citar alguns países, eram prateleiras cheias.

Uma outra curiosidade. O Marquês de Pombal demarcou o Douro para o fabrico de vinho licoroso. Aliás, foi a primeira região vitivinícola do mundo a ser demarcada. Porém, ele sabia que esse vinho também se podia produzir na região de Oeiras, da qual era conde. Então, quando aprovou o Vinho do Porto determinou que somente as uvas da região do Douro é que podiam entrar, sob pena de morte. Houve até casos de enforcamentos. Mas como não há bela sem senão, abriu uma única excepção: as uvas de Carcavelos. Se assim podemos dizer, foi uma corrupção ensaiada pelo próprio governante, uma vez que foi juiz em causa própria, i.e., fez uma lei em que podia vender as suas uvas para uma região onde elas valiam dez vezes mais.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:16

Março 19 2018

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Ano após ano, década após década, o número dos “resistentes” é cada vez mais baixo. Os jovens procuram outras paragens, sobretudo os grandes centros urbanos do litoral, deixando aldeias, solos e paisagens votadas a um abandono profundamente desertificador em termos humanos, económicos e ambientais.

São muito poucos aqueles que se podem classificar como instrumentos de futuro. Não são certamente muitos e nem os únicos, mas são uma garantia para aqueles que ficarem, uma aposta para os quiserem regressar e uma oportunidade para os que se vierem instalar.

Estas terras bairradinas são grandes e grande é também a vontade de crescer, razão pela qual tem vindo a recolher, junto da população, um forte desejo de concretização, uma concretização quantas vezes interrogada, tantos foram os avanços e recuos ao longo de décadas.

Hoje, porém, estamos em condições de reafirmar o que ficou dito há muitos anos atrás: a Bairrada - principalmente os seus vinhos - é irreversível. Hoje também começam já a revelar-se novas dimensões agrícolas e turísticas, duma região capaz de desenvolver num contexto de equilíbrio ambiental e social.

Neste momento quero deixar duas palavras de agradecimento. Em primeiro lugar aos meus pais, pois foram os pioneiros na estrutura do meu ser enquanto amante deste “sujo” que lava, que é a agricultura. Depois, uma palavra de esperança e de confiança num futuro certamente melhor. A criação de um espaço digno e com novos horizontes, onde os meus vindouros irão ter um papel decisivo naquilo que será o futuro. E não é muito diferente daquilo que queremos todos … uma vida digna, onde o “amanhã” deixará de ser uma incógnita e o “hoje” se viverá com maior intensidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:29

Maio 08 2014

Na continuação do artigo anterior, e ao falar da Bairrada é forçoso curvarmo-nos sobre essa nobre casta que é a baga. Uva difícil de trabalhar, não o nego, é, contudo, com esta que são elaborados alguns dos vinhos mais marcantes e sofisticados que se pode degustar nesta região, sejam eles de lote ou monocasta. Desta igualmente se fazem excelentes rosés e brancos, tanto mais que, hoje-em-dia, técnicas existem que permitem incluir a baga em extraordinários espumantes brancos.

Todavia, a região não vive só da casta baga. Os seus vinhedos exibem também a touriga nacional, tinta-roriz, e até as internacionais merlot e syrah, as quais tão bem se têm adaptado ao clima e aos solos locais. Devido à forte adstringência, principalmente enquanto vinho novo, à baga tem sido adicionada com óptimos resultados quantidades apreciáveis, dependendo dos gostos, de mostos provenientes destas últimas castas. A inovação é também sinónima de qualidade.

Nas castas brancas destaque para a maria gomes, bical, arinto e cercial. É com base nelas que são elaborados a maior parte dos vinhos brancos de mesa e espumantes que dão nome à região.

A todos os seus vinhos a Bairrada empresta frescura e identidade. São exactamente estas características que, aliado aos investimentos feitos e ao aprofundado conhecimento dos seus técnicos que fazem dela uma excelente produtora de vinhos e, fundamentalmente, de espumantes.

Este último é, sem dúvida, o produto que mais identifica a região bairradina. Em caves seculares, com túneis infindáveis, repousam milhões de garrafas de espumante num estágio que serve para atingirem as melhores características e qualidade até chegarem ao consumidor final.

Com o leitão assado vai sempre bem um espumante. Já a chanfana saboreia-se melhor com um tinto baga, desde que este já tenha uns anos de vida. Para o peixe grelhado nada melhor que um branco jovem, cuja estrutura, frescura e complexidade de sabores a frutos silvestres complementa excelentemente bem a refeição.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:03

Maio 02 2014

Após mais dois dias de intenso trabalho nas vinhas, nada mais apropriado que falar de vinho, produto feito para nosso prazer. Então, nesta altura do ano, em que o calor, há tanto aguardado, começa a fazer sentir-se com maior intensidade, para além daquela que resulta da composição aromática e da estrutura da boca, acrescenta-se a sua capacidade refrescante.

Estamos na Bairrada e, por isso, justifica-se plenamente falar dos vinhos aqui feitos. Terra de espumantes, mas também de brancos com estrutura, bons para guardar alguns anos e apreciar com pratos mais fortes, como carnes brancas guisadas, peixe asado no forno e um bom queijo. Não esqueçamos, porém, os tintos, vinhos bem encorpados e com uma estrutura bem definida, devido aos fortes taninos que compõe fundamentalmente a principal casta, a baga.

A Denominação de Origem (DO) Bairrada é uma das mais antigas regiões demarcadas de Portugal, desenvolvendo-se entre o litoral atlântico e as serras do Buçaco, Lousã e Caramulo. Aqui se podem encontrar alguns grandes produtores, a par com pequenos e médios viticultores.

Num mundo cada vez mais globalizado, a Bairrada tem conseguido manter a diferença. É algo que resulta, não só das castas e solos de cada um dos seus terrois, mas também da marcada influência atlântica que se faz sentir na região e do saber e profissionalismo dos seus produtores.

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:14

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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