O meu ponto de vista

Janeiro 28 2021

Para além do número de mortos e infectados diariamente pela Covid-19 ter atingido valores astronómicos, chega-nos a toda a hora a falta de vergonha, a inexistência de pudor e o salve-se quem puder por parte dos socialistas no que concerne à vacinação contra aquele virús.

Só hoje tivemos conhecimento da vacinação de dirigentes e administrativos do INEM, bem como a direcção e dirigentes de topo e outros quadros da segurança social de Setúbal. Todos muito, mas mesmo muito, longe da linha da frente no combate da pandemia. As desculpas são as mais esfarrapadas e deixam nas ruas da amargura a ética republicana de que o governo tanto apregoa.

Vergonha! Máxima vergonha!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:50

Julho 19 2020

Com toda a franqueza dir-vos-ei que não tenho tido muita vontade para escrevinhar o que quer que seja neste ou noutros locais. Não por falta de temas ou por me doer a pena, mas simplesmente por outras ocupações me atraírem com maior acutilância. Conforme dizia a minha falecida mãe, semear não custa, a trabalheira é tratar e depois colher. E, em verdade, esta vaga de calor não me tem dado descanso. A água escasseia e a terra anseia diariamente por ela.

Todavia, os últimos dias têm-se revelado tão pródigos em notícias, as quais para o interesse comum são de somenos importância, mas que neste país são notícia de primeira página em tudo o que é órgão de comunicação social. E não resisti. Eis, então, a minha prosa para incómodo de todos vós.

A maioria das empresas detentoras de jornais, rádios e televisões receberam recentemente, a propósito da pandemia que nos assola, chorudos benefícios na ordem dos milhões de euros com vista a fazerem face à natural quebra de vendas e, sobretudo, à baixa de publicidade. Até aqui, com uma ou outra ressalva, direi que estava tudo bem. Porém, tudo se altera quando as empresas, como é caso da TVI, com recurso àquelas mercês, pagas com os nossos impostos, como é óbvio, se arvora no direito de recontratar Cristina Ferreira, a nova dona (e diva) disto tudo, por milhões de euros anuais. É uma vergonha!

Por outro lado, Luís Filipe Vieira, presidente do SL e Benfica, acusado e reacusado por imensos crimes fiscais e branqueamento de capitais, tal como a SAD deste clube, resolve em tempos de crise – recordo que o futebol continua a jogar-se sem assistência nos respectivos estádios e consequente inexistência das respectivas receitas -, recontratar Jorge de Jesus por três milhões de euros/ano líquidos (!!!), a que acresce toda a sua equipa técnica, perfazendo no mínimo sete milhões e meio de euros brutos/ano. Alguém tem dúvida que se trata de mais uma vergonha?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:32

Novembro 18 2019

Sei que o teor deste texto não é, hoje-em-dia, politicamente correcto, mas não o escrever seria uma forma de cobardia. Muitas pessoas, felizmente muito longe da maioria, irão crucificar-me na árvore mais alta que encontrarem, mas, e desculpem a expressão menos prosaica, estou-me c@g@ndo para isso.

Vamos, então, ao assunto. Como é possível haver casos pendentes nos tribunais sobre a tutela de um animal, enquanto os humanos esperam e desesperam que as instâncias judiciais lhes façam justiça? O caso que tem sido badalado na comunicação social diz respeito à guarda de uma cadela por parte de um casal desavindo que, em vez de procurarem harmonizar-se, pois foi para isso que se juntaram, e consequentemente ter filhos, buscam dirimir na Justiça a futilidade das suas vidas.

Já agora, existe ou existiu algum caso nos tribunais em que os filhos procuram que os juízes lhes outorguem a guarda dos pais? Falo, como é evidente, sobretudo dos mais idosos, doentes e sem meios de sobrevivência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:36

Dezembro 21 2018

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Sim, bem sei que é Natal e isso deve-nos levar a contemplar os dislates com alguma, para não dizer total, benevolência. Todavia, há alguns que não consigo engolir. Então, não é que a Administração (xuxalista) da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, segundo o Observador, decidiu dar aos seus cerca de 5500 funcionários um bónus em cartão que vale 200 euros em compras no El Corte Inglés? Agora é só fazer contas …

Com tanta gente a passar privações de ordem alimentar e sem um tecto minimamente digno desse nome onde possa deitar a cabeça e descansar, numa altura em que o acesso à saúde e respectivos medicamentos é colocado em causa diariamente, onde a justiça social e judicial apenas funciona para os mais fortes, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa apenas olha para o seu umbigo.

Não tivessem eles o monopólio das apostas e haveriam de ver para onde ia o meu dinheiro.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:56

Dezembro 12 2018

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A expressão designada pós-verdade ganhou foros de habitualidade. O que era um facto de ontem, verdadeiro e indesmentível, passe-se o pleonasmo, passou, nos dias de hoje, a ser contado de forma distinta, invertendo autenticamente o ónus da prova. Os que no passado cometeram toda uma série de crimes, passaram agora a ser virgens autenticamente inocentes, bem como aqueles que se sacrificaram pelo bem comum são actualmente apelidados de malandros, reais selvagens, isto para usar uma linguagem muito soft.

Aqueles que, por opção, quiseram andar na filha-da-putice, por ser essa a sua verdadeira índole, em vez de trabalharem e, sobretudo, sacrificarem -se por si e pelos seus – sim, não tenhamos medo das palavras, já que uma vida não é vivencial sem oblações -, passam agora a justificar as suas atitudes com a observância dos enormes tempos de crise que passámos há muitos e muitos anos, querendo fazer crer que os anos que vivemos, desde sempre, foram de apuro.

A falta de vergonha não tem limites. Aliás, já os antigos diziam que “uma pessoa sem vergonha acha que todo o mundo é seu”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:35

Setembro 24 2018

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Quando lhe convém, este governo promete o céu, a terra e até os arredores. Acalma as hostes, fica bem na fotografia e, na maior parte das vezes, recebe múltiplos aplausos. No fundo, as pessoas, tal como no passado e assim será no futuro, iludem-se com as falácias, aprazem-se com as promessas e lá vão deixando passar a onda. É evidente que não são todas, mas a maioria, por muito que o negue, segue este raciocínio. Por muito que digamos mal dos políticos/governantes, o certo é que ainda há muito “respeitinho” pela palavra de um ministro e ainda mais se for primeiro dos primeiros, fruto ainda de uma longa ditadura e de uma democracia muito recente.

Geralmente esta forma de gerir um país designa-se de populismo. Todavia, no caso do actual governo, mercê de ter nascido com o dito cujo virado para a Lua, por muito que prometa e depois não cumpra, poucos são os que o apelidam de demagógico.

Vejam-se apenas dois exemplos. Prometeu, quando lhe convinha – vai fazer para Novembro próximo, um ano -, a contagem de todo o tempo de serviço congelado aos professores. Agora, dando o dito pelo não-dito, afirma que apenas prometeu o descongelamento das progressões e que é impossível satisfazer as (justas) reivindicações dos docentes.

Outro caso paradigmático. Asseverou, sem estudar devidamente as consequências, ou seja, tendo por base apenas uma ideia repentista, que o Infarmed iria para o Porto. A não ser os respectivos funcionários, cuja vida pessoal e familiar viram, de um momento para o outro, completamente ameaçada, bem como alguns comentadores mais avisados, a maioria bateu palmas rejubilando de deleite. Agora, o ministro da Saúde, sem reconhecer que errou clamorosamente, tentando passar as culpas para os outros e ensaiando uma fuga entre os pingos da chuva, vem dizer que afinal aquele já não vai para a Invicta.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:24

Julho 04 2018

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Sim, bem sei que quando se começa a falar muito do passado é, segundo dizem, porque se está inexoravelmente a caminhar para velho. Contudo, pergunto inocentemente(!): não é o que acontece com todos?

Assim sendo, volto, de certo modo, aos idos mais ou menos recentes, concretamente ao assunto que agora que está na ordem do dia – já esteve mais, admito –, i.e., a justa reivindicação dos docentes para que, faseadamente, repito faseadamente, lhes sejam contadom os 9 anos, 4 meses e 2 dias, em que a sua progressão esteve congelada.

Como sabem aqueles que mais directamente se encontram ligados ao sector do Ensino, há cerca de um mês realizou-se uma manifestação de professores, em Lisboa, convocada pela Plataforma de Sindicatos. Foi muita gente - não tanta como em 2008 -, mas algo muito substancial. Acontece, porém, que alguns – um dia chamarei os bois pelos respectivos nomes – que, outrora foram extraordinariamente reivindicativos, tanto interna como externamente, apresentam-se, neste momento, não digo com simples cordeiros, mas imensamente distantes da designação de lobos que ostentavam. E, atenção: os motivos de luta não são menos relevantes, bem pelo contrário. O que mudou, entretanto? As personagens e, sobretudo, os principais “guerrilheiros” terem “o rabo entrilhado”.

Estou a recordar-me, por exemplo, de uma senhora(!!!) que, em tempos idos, fazia gala da sua sobranceria, denotando gozo em não cumprir o que regularmente estava estipulado. Hoje-em-dia, porém, cumpre religiosamente o que a tutela emana sem que da sua boca se ouça o menor queixume. Relembro também uma outra colega que, em contraponto, por aquelas alturas, lutava pela prossecução da razão, fazendo a ligação efectiva ao que era a sua ideologia e o que a prática vivencial na Escola lhe ditava. Nos dias que correm, no entanto, é não sei o quê a nível sindical e político.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:39

Março 21 2018

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Mário Centeno pediu, por várias vezes, bilhetes ao Benfica, clube que tem um vastíssimo contencioso com as finanças, para assistir, de camarote, aos jogos deste. Argumenta que face à figura que é, com os riscos de segurança inerentes a tal função, não pode ir para o meio do people. Lá saberá porque é que o comum dos mortais o tem em tão má estima. Por exemplo, o Marcelo Rebelo de Sousa não teria problema algum. Até adoraria e seria adorado.

Soube-se agora que António Costa também solicitou bilhetes para o Estádio da Luz. Só que foi para os filhos. E ninguém se revolta com esta promiscuidade? Há direito de usar um cargo para favorecimento da família?

O que diriam se fosse o Passos Coelho?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:36

Abril 04 2017

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Já suspeitávamos, mas agora temos a certeza. Este governo, apoiado, como é do conhecimento público, pelo PCP e BE, e principalmente o Ministério da Educação (ME) tem dois pesos e duas medidas. Senão vejamos.

Em Alfândega da Fé, concelho maioritariamente católico, o Agrupamento de Escolas quis celebrar uma missa dentro das respectivas instalações e o ME, através do seu delegado para a Região Norte, proibiu tal. Acrescentou ainda ser completamente vedada à Escola a permissão de ensaio de cânticos de cariz religioso nas aulas de Educação Musical.

Todavia, numa escola básica do Alentejo os alunos andaram a ensaiar cânticos, também nas aulas de Educação Musical, de índole política, com vista à comemoração do centenário da revolução russa. Apresentada, de modo igual, uma queixa na “5 de Outubro”, este disse e passo a citar: a participação de alunos em cerimónias partidárias - mesmo aquelas que eventualmente decorram em período escolar - é permitida e gerida no quadro de autonomia de cada escola.

Então, como é? Para uma escola que apresenta no seu plano de actividades algo muito ligado ao sentir da sua comunidade, como é a celebração pascal em Alfândega da Fé, não é permitido, a não ser fora da escola e desde que esta proporcione actividades aos alunos que não queiram participar? Já no outro caso, só porque esteve em causa matéria extremamente conexa ao PCP, é permitido?

Ou há moralidade, ou comem todos!

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:15

Junho 14 2016

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Jogámos hoje contra a Islândia, país que pela primeira vez chegou a uma final de um Europeu de futebol. Depois há considerar o nível de futebol praticado nos dois países, não esquecendo que somos 10 milhões, enquanto os finlandeses não vão além dos 300 mil.

Todavia, apesar dos nossos craques e super-craques, pagos a peso de oiro, não passámos de um mero empate. Vir argumentar que se sabia que era uma equipa difícil é mero paleio e falta de sinceridade.

Não jogámos nada e ponto final. Garganta é o que apenas demonstrámos.

Faço votos para que tenha sido unicamente uma entrada de sendeiro para que haja muitas saídas de leão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:09

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