O meu ponto de vista

Julho 16 2021

Não tenho a certeza absoluta, mas penso nunca ter tido tanto trabalho no final de um ano como neste. Bem sei que a nossa memória é curta, mas seja pelos já muitos anos de serviço, seja pelo excesso de trabalho, o que sei é que ando numa roda-viva, ou, como hoje se ouve dizer, percorro caminhos de enormíssimo stress.

São reuniões e mais reuniões, algumas delas apenas, segundo nos dizem, por a legislação obrigar, actas e outras actas, relatórios atrás de relatórios, cujo conteúdo repete quase na íntegra o teor daquelas ou vice-versa, são avaliações dos discentes e dos colegas docentes, são os trabalhos finais dos alunos do 12º ano, via profissionalizante, são documentos em suporte de papel e outros, obrigatoriamente, no Google Drive, isto para não falar nos exames.

Somos um país de burocratas e, sobretudo, de uma administração sempre desconfiada com a arraia-miúda. Daí pedir papéis e mais papéis. Tudo tem de ser confirmado e reconfirmado. O aluno efectua a avaliação sobre o professor, este diz de sua justiça sobre aquele e sobre os colegas. A direcção volta a dizer o mesmo, já mil vezes dito e … o mais importante fica para trás. Sim, não se aguenta tudo e o dia só tem 24 horas e há mais vida para além da profissão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:27

Maio 28 2020

Não temos emenda e, por isso, acho que estou a mais neste rectângulo à beira-mar plantado. Não é sempre, mas por vezes tenho a nítida sensação que isso é mesmo verdade.

Em primeiro lugar ninguém trabalha mais que nós e respectivos familiares, por muito que passamos a vida no sofá, passeamos ou vemos tudo e mais alguma coisa na televisão, sobretudo a CMTV. Como costumo dizer: com tanta gente a trabalhar incomensuravelmente como é que o país não avança? Aliás, há três coisas que somos sempre os maiores: excesso de trabalho, falta de tempo e escassez de dinheiro.

Agora, falando mais a sério. Sou imensas vezes acusado de trabalhar muito, principalmente no que respeita à agricultura. Embora reconhecendo que alguns dias exagero, pergunto: o que vale mais? Trabalhar demais ou nada fazer? Sim, é que amiúde sou confrontado com o panegírico daqueles que nada fazem, recordando-me daquele conselho “se não atrapalhares já fazes muito”.

Com toda a franqueza vos digo que constato a existência de muitas pessoas, sobretudo homens, que nada fazendo em casa, são motivo de constantes encómios. É caso para dizer: quanto menos fazes, mais gosto de ti.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:49

Maio 24 2020

É um lugar comum mas atrevo-me a anunciá-lo: a vida é feita de desafios, obstáculos, mas também de sonhos. Ora, como é do conhecimento geral, é essa a força motriz que faz com o que o esforço e o trabalho de cada um seja recompensado. Obviamente que o sonho varia de pessoa para pessoa, mas uma coisa é certa, para alguns, como é o caso deste vosso escriba, o sonho é produzir um vinho com marca própria.

O processo inerente à aquisição da vinha já lá vai. Agora, o trabalho árduo, a dedicação, o investimento e a atenção para com aquela, resultarão, estou certo, num produto final único.

Por isso, deixo-vos duas fotos do serviço efectuado na semana que findou, razão mais que suficiente para não vos acompanhar tão de perto como gostaria.

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publicado por Hernani de J. Pereira às 20:39

Março 10 2020

Ando cansado e algo confuso. Este ano lectivo não tem parança. Depois de auditoria aos cursos profissionais, surge agora uma inspecção aos mesmos. Caramba, já não basta o Coronavírus para ainda haver mais este arreliamento?

Não é, no que pessoalmente me diz respeito, algo que me tire o sono. Os que me conhecem sabem que não brinco em serviço e, por isso, tenho sempre os dossiers em dia. Mas que incomoda isso é verdade. Todos nós sabemos – por experiência pessoal e profissional sei do que falo – que quando a Inspecção quer, chateia mesmo e encontra sempre - nem que seja um “pintelho” - uma questão a esclarecer e/ou um papel, mesmo que não tenham importância nenhuma, em falta.

Sinceramente, não há pachorra que aguente!

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:28

Janeiro 07 2020

Qual é o nosso intrínseco papel no dia-a-dia da sociedade que nos rodeia. Como resposta, devo dizer que, em primeiro lugar, o que diariamente fazemos tem de ser entendido como algo multifacetado, dinâmico e ao, mesmo tempo, essencial para o futuro de todos. Deve ser, por isso, encarado como um processo contínuo, uma filosofia e uma forma de vida e não apenas como uma meta, definida e quantificada, a atingir. É, acima de tudo, um elemento essencial da cultura que professamos, qualquer que seja o lugar que ocupamos.

Neste sentido, enquanto filosofia de actuação do nosso modo de estar e ser, moderna e competitiva, a opção pelo “estar de bem com a vida” obriga a técnicas de gestão actualizadas, com forte pendor emocional/afectiva, a par da necessária capacidade de inovação, algumas vezes em detrimento da rentabilidade económica. Não que esta última não seja importante, mas como se costuma dizer o dinheiro não é tudo. Sem entrar em aventuras ruinosas, fazer o que se gosta, o que nos dá prazer é primordial, principalmente em determinadas alturas da vida.

O factor financeiro, per si, não é condição exclusiva para o sucesso. Contudo, numa sociedade de mercado, como a que convivemos diariamente, não existe competitividade e sucesso sustentado sem bem-estar pessoal. Nesta ordem de ideias, bem me podem chamar louco. Faço o que gosto, sem um olhar, sem uma postura de um homem com um sorriso de alguém futuramente muito rico. O prazer do trabalho cumprido acima de tudo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:27

Dezembro 17 2019

Há quem continue a afirmar que a felicidade de cada um só depende do próprio. O seu grau de maturidade, a sua condição de “bom”, bem como os resultados palpáveis alcançados chegarão para alcançar o “el dorado “, o pináculo do nirvana constante. Aliás, defendem também que o granjear deste “prémio” decorre naturalmente do sucesso interno efectivo, e não da implementação de um conjunto de dogmas, os quais nos foram inculcados simplesmente com o fim único de apenas alguns atingirem tal estado.

É claro que esta forma de pensar é extremamente individualista, algo que não admira nos dias de hoje. Aliás, não foi e não é por acaso que foram e continuam a ser criados mecanismos para “premiar e reconhecer” para o exterior, repito, para o exterior, as pessoas que lograram executar estes modelos com “sucesso”.

O que importa a família, o próximo, o que acredita e intrinsecamente possui outra forma de pensar? Absolutamente nada. Acima de tudo está tu. Hoje-em-dia, num contexto económico em que cada um de nós se vê forçado, cada vez mais, a racionalizar recursos, a analisar cuidadosamente as suas finanças e de preferência no recanto mais rebuscado da nossa vivência, a obter ganhos em períodos cada vez mais curtos, dificilmente a partilha e a solidariedade subsistem.

Por outro lado, caso persista em implementar outro modo de existência com o fito de obter visibilidade, não diante dos homens, mas perante em quem acredita, é vilipendiado, senão mesmo crucificado na árvore mais alta que encontrem.

É altura de dizer que a nossa vida é feita de alegrias, tristezas e, algumas vezes, de lágrimas, bem como de ranger de dentes. Cada um terá que diariamente carregar a sua cruz. Não a carguejar é viver na mentira.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:30

Outubro 04 2019

Trabalho por quem não pode, mas pior – ou será melhor? - para quem não quer trabalhar. Não contabilizo quilómetros e/ou horas, pois não é isso que faz a diferença e muito menos me move. A quem, então, se destina tudo isto? Antes de mais, sou dos que pensa e, sobretudo, sente que quanto mais dá mais recebe. Poderia também advogar que tais préstimos entrariam no rol do perdão das minhas imensas culpas. Sim, humildemente me confesso como pecador. Por outro lado, ao pensar fazer o bem apenas e só com o intuito de um dia, após deixar este corpo térreo, usufruir dos bens espirituais doados por Alguém superior não estaria, de certo modo, a também comungar de um sentimento egoísta, i.e., fazer agora o bem para depois ter o melhor no Além?

É complexo este raciocínio e sei que estou a entrar por caminhos dúbios, para não dizer perigosos, os quais teologicamente não domino por infelicidade minha. É evidente que fazer a diferença na vida das pessoas é, e sempre será, a razão mais válida para a dedicação de alguém e a força para construção de algo que todos reclamamos, mas que poucos perseguem: um Mundo melhor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:46

Junho 10 2019

Dois dias de casamento. Não o meu, felizmente. Não digo que desta água jamais beberei, mas … lagarto, lagarto! Boa gastronomia e, sobretudo, excelente companhia. Falo essencialmente da minha neta para que não surjam mal entendidos.

No final do dia ontem, Portugal venceu a primeira edição da Liga das Nações. O que se pode pedir mais? Sim, pode. Mais trabalho e menos rambóia.

Por isso, hoje, feriado, Dia de Portugal, achei por bem ocupar o físico e tentar dar cabo do excesso de calorias absorvidas ontem e anteontem. Assim, para além de recolher favas para que sequem e, assim, tenha semente para o próximo ano, fresei uma terra com abóboras e um olival. Foi um dia duro, com muito pó, mas excelentemente produtivo. Isto interessa de algum modo a quem me lê? Duvido. Não é nenhuma forma de desculpa, mas de certo modo foi para fazer uso do teclado e ocupar alguns momentos neste final de dia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:11

Dezembro 17 2018

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Costumo dizer, e já não é a primeira vez que aqui o registo, que existem três coisas que unem os portugueses. Estejam descansados que não é Fátima, futebol e fado. A ordem dos factores é, neste campo, arbitrária e algo desusado. O que actualmente nos une são três queixas: falta de dinheiro, excesso de trabalho, bem como ausência de tempo (para isto e/ou para aquilo).

Independentemente da condição social, não existe ninguém que não se queixe destes itens. E dai daquele que primeiramente se lamente, pois leva com os “gemidos” de todos à sua volta e, sobretudo, de toda a ordem. Uns com razão, outros, contudo, perfeitamente falaciosos, para não dizer de tendência completamente hipócrita.

Se uma pessoa trabalha para além do que está estritamente obrigado pela sua profissão é ganancioso, quando não dizem que é maluquinho disto ou daquilo. Se, pelo contrário, passa umas horas por dia no café, vai frequentemente ao restaurante ou passeia por aqui ou por acolá, não passa de um malandro ou apenas gosta de “boa-vai-ela.”

Argumentar que, apesar da idade – autonomamente ainda me considero um jovem pré-senioridade -, ter objectivos é perfeitamente viável e, sobretudo, saudável, para muitos é risível.

Tais considerações fazem-me sempre lembrar história do velho, do rapaz e do burro, a qual até aqui contava, não fosse o politicamente correcto do PAN …

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:06

Dezembro 01 2018

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Sou exigente, ou melhor, sou muito exigente. E apesar de nos últimos anos ter moderado este ímpeto, o certo é que ninguém me pode acusar de ser rigoroso com os outros sem o ser comigo mesmo. Dito por outras palavras: antes de impor aos outros dou o exemplo.

Sim, eu sei que a palavra é muito importante, mas mais ainda é o exemplo. Há quem fale muito e de forma extremamente eloquente, mas depois, na prática, professam como aquele ditado “bem prega Frei Tomás …”

A vida é dura e difícil? É verdade, independentemente da condição familiar, profissional e afectiva. Mais para uns que para outros, é verdade, mas, no geral e no cômputo do nosso modus vivendi, aquela premissa é totalmente verdadeira. Pensar que todos temos direito a sermos sempre felizes e, sobretudo, para sempre é pura falácia. Aliás, tal como a sorte, também a felicidade dá muito trabalho e carece de muitos sacrifícios.

Querer o melhor de amanhã já hoje não é honesto. Dar tudo sem mostrar o essencial, i.e., não denotar espírito de sacrifício, não ser exemplo de perseverança, não demonstrar que o amanhã será melhor que hoje, não revelar resiliência nas piores situações, não é NADA.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:02

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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