O meu ponto de vista

Maio 01 2023

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Apetecia-me dizer que o meu 1º de Maio foi igual ao 25 de Abril. Contudo não vou o fazer, uma vez que, hoje, em vez de capinar, andei, durante toda a tarde, a colocar sulfato nas minhas vinhas.

Isto após durante a manhã, para além de tratar dos animais e de regar o quintal, ter confeccionado umas favas estouradas num guisado de costela de porco e chouriço. O prato foi concluído com ovos escalfados e folhas de alho, cortadas de forma miúda. Tudo produção caseira.

Ah, já me esquecia que as favas foram acompanhadas com um vinho reserva de 2020, mistura de baga (70%) e merlot (30%), com uma graduação de 13,6º.

Sou suspeito, mas quem me acompanhou no repasto afirmou, variadíssimas vezes, que estava soberbo. O número de vezes que se serviu atesta estas declarações.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:33

Abril 16 2023

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Foram quinze dias a cuidar vinte e quatro, sobre vinte e quatro horas, durante quinze dias, da minha adorada neta, Laurinha. Fez-me recuar trinta anos, só que agora com mais idade e consequentemente menos força. Todavia, foram dias de muito amor, carinho e dedicação. As preocupações e os trabalhos advenientes foram também muitos. Sendo isso uma realidade insofismável, também não é menos verdade que, como dizia a minha falecida mãe, “não são as dores dos braços que matam uma pessoa, mas as do coração”.

Para além do cuidar do minha Joiinha, esta semana tudo se acumulou, uma vez que o calendário não perdoa. Houve que lavrar, fresar e abrir regos para semear milho, feijão e abóboras. E para quem acha que tudo é fácil, experimentem andar três dias seguidos em cima de um tractor e depois digam algo. Como sempre honra e louvor aos amigos que nas horas difíceis não falham.

A terminar a semana, a matança de dezenas de frangos e da porca. Perguntarão os meus caros leitores? Qual o problema em adiar estas últimas tarefas para a(s) próxima(s) semana(s)? Pois, à primeira vista é o que a todos parece mais curial. Contudo, nem sempre o óptimo é possível. Falo por estas aldeias em redor. Conseguir alguém para matar frangos, depená-los e amanhá-los, bem como encontrar uma pessoa para matar um suíno é cada vez mais impossível, pelo que temos de estar sujeitos às respectivas agendas. Aliás, não me admira nada que um dia destes não se consiga ninguém para tais serviços por muito que se queira pagar e bem. Não é por acaso que, hoje-em-dia, a esmagadora maioria das casas aldeãs nem uma galinha cria.

Bem, resta falar do melhor: ontem com uma sarrabulhada reuni variadíssimos amigos à mesa. Hoje com umas iscas de cebolada e rojões outros amigos estiveram presentes. Sou suspeito, mas, de acordo com os comentários, a gastronomia não deslustrou. Bem pelo contrário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:57

Fevereiro 01 2023

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Uma pequena aldeia não passa de um microcosmo. O que se passa a nível global, algo semelhante se sente naquela. Existem os pobres, os remediados, classe média e os ricos. Claro que toda esta estratificação é, como em tudo na vida, relativa. Os ricos, aqui, não são multimilionários, bem com o os pobres não são, de modo algum, gente que passa fome.

Todavia, as diferenças continuam a notar-se. Quem nasce de famílias de “bem”, por muito que pouco trabalhe, nada se esforce ou, até, seja estroina, tem o beneplácito da sociedade local, isto em comparação de quem descende de quase indigente, o qual, para progredir na vida, tem que denotar mais insistência e, sobretudo, perseverança e resiliência. Para sair deste estigma, por muito que se esforce, geralmente, não basta uma geração.

Ainda existe, numa aldeia, por muito que negue o contrário, por muito quem não queira olhar para o lado ou não tenha a consciência politica/social para observar tal espírito, um género de sistema de castas. É invisível numa primeira análise, é dissolúvel no marasmo do dia-a-dia e imperecível a quem não conhece os ditames e as meias-palavras. Mas que existe, existe.

Quem, por exemplo, foi um “grande” – mais uma vez alerto para relatividade do termo -produtor de vinho, raramente ou nunca admite alguém que nada teve, de um momento para o outro, possa ter algo “substancial” e se for em escala superior então é inaceitável.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Julho 16 2021

Não tenho a certeza absoluta, mas penso nunca ter tido tanto trabalho no final de um ano como neste. Bem sei que a nossa memória é curta, mas seja pelos já muitos anos de serviço, seja pelo excesso de trabalho, o que sei é que ando numa roda-viva, ou, como hoje se ouve dizer, percorro caminhos de enormíssimo stress.

São reuniões e mais reuniões, algumas delas apenas, segundo nos dizem, por a legislação obrigar, actas e outras actas, relatórios atrás de relatórios, cujo conteúdo repete quase na íntegra o teor daquelas ou vice-versa, são avaliações dos discentes e dos colegas docentes, são os trabalhos finais dos alunos do 12º ano, via profissionalizante, são documentos em suporte de papel e outros, obrigatoriamente, no Google Drive, isto para não falar nos exames.

Somos um país de burocratas e, sobretudo, de uma administração sempre desconfiada com a arraia-miúda. Daí pedir papéis e mais papéis. Tudo tem de ser confirmado e reconfirmado. O aluno efectua a avaliação sobre o professor, este diz de sua justiça sobre aquele e sobre os colegas. A direcção volta a dizer o mesmo, já mil vezes dito e … o mais importante fica para trás. Sim, não se aguenta tudo e o dia só tem 24 horas e há mais vida para além da profissão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:27

Maio 28 2020

Não temos emenda e, por isso, acho que estou a mais neste rectângulo à beira-mar plantado. Não é sempre, mas por vezes tenho a nítida sensação que isso é mesmo verdade.

Em primeiro lugar ninguém trabalha mais que nós e respectivos familiares, por muito que passamos a vida no sofá, passeamos ou vemos tudo e mais alguma coisa na televisão, sobretudo a CMTV. Como costumo dizer: com tanta gente a trabalhar incomensuravelmente como é que o país não avança? Aliás, há três coisas que somos sempre os maiores: excesso de trabalho, falta de tempo e escassez de dinheiro.

Agora, falando mais a sério. Sou imensas vezes acusado de trabalhar muito, principalmente no que respeita à agricultura. Embora reconhecendo que alguns dias exagero, pergunto: o que vale mais? Trabalhar demais ou nada fazer? Sim, é que amiúde sou confrontado com o panegírico daqueles que nada fazem, recordando-me daquele conselho “se não atrapalhares já fazes muito”.

Com toda a franqueza vos digo que constato a existência de muitas pessoas, sobretudo homens, que nada fazendo em casa, são motivo de constantes encómios. É caso para dizer: quanto menos fazes, mais gosto de ti.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:49

Maio 24 2020

É um lugar comum mas atrevo-me a anunciá-lo: a vida é feita de desafios, obstáculos, mas também de sonhos. Ora, como é do conhecimento geral, é essa a força motriz que faz com o que o esforço e o trabalho de cada um seja recompensado. Obviamente que o sonho varia de pessoa para pessoa, mas uma coisa é certa, para alguns, como é o caso deste vosso escriba, o sonho é produzir um vinho com marca própria.

O processo inerente à aquisição da vinha já lá vai. Agora, o trabalho árduo, a dedicação, o investimento e a atenção para com aquela, resultarão, estou certo, num produto final único.

Por isso, deixo-vos duas fotos do serviço efectuado na semana que findou, razão mais que suficiente para não vos acompanhar tão de perto como gostaria.

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publicado por Hernani de J. Pereira às 20:39

Março 10 2020

Ando cansado e algo confuso. Este ano lectivo não tem parança. Depois de auditoria aos cursos profissionais, surge agora uma inspecção aos mesmos. Caramba, já não basta o Coronavírus para ainda haver mais este arreliamento?

Não é, no que pessoalmente me diz respeito, algo que me tire o sono. Os que me conhecem sabem que não brinco em serviço e, por isso, tenho sempre os dossiers em dia. Mas que incomoda isso é verdade. Todos nós sabemos – por experiência pessoal e profissional sei do que falo – que quando a Inspecção quer, chateia mesmo e encontra sempre - nem que seja um “pintelho” - uma questão a esclarecer e/ou um papel, mesmo que não tenham importância nenhuma, em falta.

Sinceramente, não há pachorra que aguente!

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:28

Janeiro 07 2020

Qual é o nosso intrínseco papel no dia-a-dia da sociedade que nos rodeia. Como resposta, devo dizer que, em primeiro lugar, o que diariamente fazemos tem de ser entendido como algo multifacetado, dinâmico e ao, mesmo tempo, essencial para o futuro de todos. Deve ser, por isso, encarado como um processo contínuo, uma filosofia e uma forma de vida e não apenas como uma meta, definida e quantificada, a atingir. É, acima de tudo, um elemento essencial da cultura que professamos, qualquer que seja o lugar que ocupamos.

Neste sentido, enquanto filosofia de actuação do nosso modo de estar e ser, moderna e competitiva, a opção pelo “estar de bem com a vida” obriga a técnicas de gestão actualizadas, com forte pendor emocional/afectiva, a par da necessária capacidade de inovação, algumas vezes em detrimento da rentabilidade económica. Não que esta última não seja importante, mas como se costuma dizer o dinheiro não é tudo. Sem entrar em aventuras ruinosas, fazer o que se gosta, o que nos dá prazer é primordial, principalmente em determinadas alturas da vida.

O factor financeiro, per si, não é condição exclusiva para o sucesso. Contudo, numa sociedade de mercado, como a que convivemos diariamente, não existe competitividade e sucesso sustentado sem bem-estar pessoal. Nesta ordem de ideias, bem me podem chamar louco. Faço o que gosto, sem um olhar, sem uma postura de um homem com um sorriso de alguém futuramente muito rico. O prazer do trabalho cumprido acima de tudo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:27

Dezembro 17 2019

Há quem continue a afirmar que a felicidade de cada um só depende do próprio. O seu grau de maturidade, a sua condição de “bom”, bem como os resultados palpáveis alcançados chegarão para alcançar o “el dorado “, o pináculo do nirvana constante. Aliás, defendem também que o granjear deste “prémio” decorre naturalmente do sucesso interno efectivo, e não da implementação de um conjunto de dogmas, os quais nos foram inculcados simplesmente com o fim único de apenas alguns atingirem tal estado.

É claro que esta forma de pensar é extremamente individualista, algo que não admira nos dias de hoje. Aliás, não foi e não é por acaso que foram e continuam a ser criados mecanismos para “premiar e reconhecer” para o exterior, repito, para o exterior, as pessoas que lograram executar estes modelos com “sucesso”.

O que importa a família, o próximo, o que acredita e intrinsecamente possui outra forma de pensar? Absolutamente nada. Acima de tudo está tu. Hoje-em-dia, num contexto económico em que cada um de nós se vê forçado, cada vez mais, a racionalizar recursos, a analisar cuidadosamente as suas finanças e de preferência no recanto mais rebuscado da nossa vivência, a obter ganhos em períodos cada vez mais curtos, dificilmente a partilha e a solidariedade subsistem.

Por outro lado, caso persista em implementar outro modo de existência com o fito de obter visibilidade, não diante dos homens, mas perante em quem acredita, é vilipendiado, senão mesmo crucificado na árvore mais alta que encontrem.

É altura de dizer que a nossa vida é feita de alegrias, tristezas e, algumas vezes, de lágrimas, bem como de ranger de dentes. Cada um terá que diariamente carregar a sua cruz. Não a carguejar é viver na mentira.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:30

Outubro 04 2019

Trabalho por quem não pode, mas pior – ou será melhor? - para quem não quer trabalhar. Não contabilizo quilómetros e/ou horas, pois não é isso que faz a diferença e muito menos me move. A quem, então, se destina tudo isto? Antes de mais, sou dos que pensa e, sobretudo, sente que quanto mais dá mais recebe. Poderia também advogar que tais préstimos entrariam no rol do perdão das minhas imensas culpas. Sim, humildemente me confesso como pecador. Por outro lado, ao pensar fazer o bem apenas e só com o intuito de um dia, após deixar este corpo térreo, usufruir dos bens espirituais doados por Alguém superior não estaria, de certo modo, a também comungar de um sentimento egoísta, i.e., fazer agora o bem para depois ter o melhor no Além?

É complexo este raciocínio e sei que estou a entrar por caminhos dúbios, para não dizer perigosos, os quais teologicamente não domino por infelicidade minha. É evidente que fazer a diferença na vida das pessoas é, e sempre será, a razão mais válida para a dedicação de alguém e a força para construção de algo que todos reclamamos, mas que poucos perseguem: um Mundo melhor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:46

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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