O meu ponto de vista

Junho 07 2018

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Não gosto de ter razão antes do tempo. Todavia, a notícia de hoje afirmando que “a França se encontra a um passo de proibir os telemóveis nas escolas” avivou-me a memória sobre aquilo que há muito venho pugnando. As últimas novidades em TIC (smartphones, iphones, tablets, entre outras) à mão de semear, se, por um lado, têm contribuído para estarmos quase constantemente em contacto com o mundo mais próximo e o mais longínquo, têm, por outro, a enorme desvantagem da (extrema) dependência. Aliás, não é por acaso que existem psiquiatras a proclamarem que o telemóvel é a droga dos tempos de hoje. Imensas pessoas existem que, antes de dormir, a última coisa que sentem é o “carinho” do telemóvel, tal como ao acordar é a primeira sensação que registam.

Todos sabemos que a esmagadora maioria da sociedade sofreu, nos últimos anos, as agruras da crise económica. Contudo, a referida adversidade não atingiu todos por igual. Por exemplo, alguns sectores, muito poucos, aliás, passaram entre os pingos da aludida crise, ou sejam foram imunes à aludida crise. Falo do sector que vive à conta dos telemóveis. Pode não haver dinheiro para comer, estudar ou até vestir. Porém, possuir um telemóvel de última geração e usá-lo quase 24 horas por dia é norma indispensável.

Como anteriormente dizia, imunes à crise e em total contraciclo com a conjuntura económica, as TIC que operam em Portugal, ou a partir de Portugal para o mundo, continuam em alta e têm já metas muito bem definidas para os anos vindouros: sempre a crescer e acima do que mais imaginamos.

Nas escolas, sendo impossível ter Net zero - basta lembrarmo-nos que os sumários e grande parte das aulas são impossíveis de decorrer sem recurso a esta ferramenta – há que implementar, sem margens para dúvidas, o uso nulo daqueles dispositivos por parte dos discentes, não só durante as aulas como durante todo o tempo que passam na escola. E há dispositivos electrónicos, não muitos caros, que impedem isso. A questão de uma urgência não se coloca já que não há escola sem comunicações externas e internas. Mais: como era há trinta, quarenta ou mais anos?

Não basta estar escrito no RI a proibição do telemóvel na sala de aula. É absolutamente necessário dizer-se que o uso da mencionada Net é uso exclusivo dos docentes, ao contrário do que hoje acontece em que os uns e outros têm acesso às mesmas passwords, com todos os inconvenientes daí advenientes e que me escuso de enumerar.

Em tempos que já lá vão, quando nos encontrávamos uns com os outros falávamos, discutíamos e, por vezes, irávamo-nos. Hoje, os nossos jovens, teclam. Sozinhos, é claro!

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:42

Novembro 01 2017

Vivemos tempos conturbados. Nunca como hoje a incerteza relativa ao futuro foi tão forte. E olhem que, por natureza, sou optimista. Neste tempo que vivemos, o olhar que lançamos sobre os que nos rodeiam está necessariamente orientado pela perspectiva económica, já que se espera que os outros participem no esforço de diminuir custos e promover a competitividade.

Neste contexto, o futuro parece depender mais que nunca do valor económico que formos capazes de extrair do facto de vivermos juntos em espaços cada vez mais restritos. Além da racionalização dos quereres e da melhor gestão do que já possuímos, bem como da necessidade do planeamento do emprego e da oferta de bens e serviços, também se deve repensar o ensino.

Todavia, se existe mais oferta que procura, donde poderá vir a procura para o ensino? E, se a procura esteve contraída pela recente diminuição do poder de compra, porque comprará hoje algo a que se desabituou? Ou o ensino poderá garantir o espaço ocupado por outras carências? Estas e outras contas parecem estar por fazer, num quadro onde, é certo, nem sempre tudo pode ser definido pelo mercado e considerado apenas pela matemática do deve e haver.

Sabemos que a proximidade do ensino face aos empregos e às precisões do dia-a-dia trás vantagens, desde logo nos custos e, sobretudo, nos proventos vindouros. Neste sentido, num ambiente fortemente activo e altamente favorável - a menos que exista melhor planeamento e que acabem as imposições sectoriais – é um desafio permanente para todos mudar de pensar, viver e intervir de modo distinto do que tem sido prática nos últimos anos.

E não venha o ME, Tiago Brandão Rodrigues, carpir mágoas pelo fim do “Magalhães” e quejandos – saudades de Sócrates e MLR? -, aludindo a um défice oculto nas novas tecnologias, uma vez que em vez de défice temos, sem margem para dúvidas, superavit neste campo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:17
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Outubro 08 2014

Nos tempos que correm podemos de todo dizer que nada é como antes. Momentos em que se parava para literalmente nada fazer é coisa do passado. O dia ou a noite, os dias de trabalho ou o fim-de-semana, o emprego ou o que se faz no Verão, sinónimo de férias, são praticamente iguais, sem direito a paragens ou quebras, principalmente nalgumas actividades.

Todos estamos à distância de um telefonema, de um email ou de uma notícia que nos sobressalta e nos faz acordar para a crua realidade. Bem sabemos que a adversidade não tem horas de lazer e muito menos tira férias, o que, por consequência, acarreta um alerta quase constante com evidentes prejuízos para o nosso bem-estar.

É compreensível para todos que a culpa não é apenas das organizações, sejam elas estatais ou privadas. Os actuais desenvolvimentos tecnológicos, aos quais queremos sempre aderir e de preferência aos de última geração, significam que estejamos constantemente online, sendo muito fácil sucumbir à tentação de consultar o correio electrónico e, deste modo, realizar o que, muitas vezes, por esta via, nos é solicitado.

Por outro lado, quantos de nós – eu pecador me confesso – não estamos dependentes dos nossos smartphones e notebooks? Quem, hoje-em-dia, não leva o seu PC portátil para férias ou para um simples fim-de-semana?

Já não bastava a praga – sim, muitas vezes o é (!) – da televisão, para ainda estarmos constantemente pespegados no computador ou tablet, consultando a internet ou outro assunto qualquer. Não quero dizer que estas TIC não possuam virtualidades, umas vez que as têm e são por todos reconhecidas. O problema assenta na dependência.

Por isso, não admira a falta de diálogo nas famílias, onde os progenitores geralmente vêm televisão e os filhos escrevem mensagens no telemóvel ou no Facebook. Daí a saudade pela ausência dos longos serões passados em amena cavaqueira durante a frescura de uma noite de Verão ou à lareira nas noites gélidas do Inverno.

No fundo, queixamo-nos de quê? Só se for de nós próprios!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:51
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