O meu ponto de vista

Julho 15 2016

O terrorismo fere? Claro que sim! Ninguém coloca isso em causa. Todavia, o verdadeiro problema coloca-se noutro campo, i.e., no âmbito de o combater. É sabido que o mundo ocidental, a partir de certa altura, tomou a luta ao terrorismo como caminho inevitável, sob pena de males muito maiores.

No aludido combate, misturado embora com um agudo sentimento de revolta contra os seus autores, entrou muita resignação e resiliência, que foram fazendo o seu caminho, até porque a culpa, sendo imputável a agentes mais ou menos definidos, se diluía em parte naquela fatia de colectividade que tinha assumido um certo de modo de vida.

Hoje – o atentado de Nice aí está, mais uma vez, a prová-lo – sabe-se que o batalha que se tem travado contra os jihadistas não tem tido, de todo, o resultado que se esperava. Por isso, a questão assenta noutros pilares, sobre os quais teremos de reflectir de modo conciso e assertivo. E um desses pilares consiste em uma maior informação, a qual colide com a liberdade e, sobretudo, com a privacidade de cada um de nós.

Eis o cerne da questão. Estamos nós dispostos a uma menor privacidade - matéria extremamente sensível e delicada – em favor de uma maior segurança? Se sim, ganharemos tal guerra. Caso contrário esqueçam.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:21

Novembro 16 2015

Como, aliás, já imensas vezes aconteceu, não vou escrever sobre os que os media falam e escrevem a toda a hora, sobre tudo e, na maior parte das vezes, sobre nada. Recuso-me a alinhar na carneirada.

Não quer esta minha tomada de posição dizer que desvalorizo o assunto. Bem pelo contrário, pois dou-lhe a máxima importância. Todavia, sei, por experiência própria, que de tanto se falar no assunto, o mesmo acaba por ser banalizado, para além de ir ao encontro das pretensões dos terroristas.

Debruçar-me-ei, sim, sobre as relações entre o ocidente e o mundo islâmico. Tal como Vasco Pulido Valente defendeu em artigo no Público, não há volta a dar-lhe: as relações entre um e o outro devem ser as mínimas possíveis, i.e., resumir-se ao estritamente necessário: compramos-lhe petróleo e vendemos-lhes tecnologia. Atenção: não confundir com armamento.

Tudo o que vá para além disso dá e, cada vez mais, dará asneira. Senão vejamos: ao longo de séculos, tentámos sempre moldá-los ao nosso modo de sentir. Não digo, hoje-em-dia, cristianizá-los, pois as cruzadas há muito que deixaram de ser úteis, mas não nos cansamos de lhes impor o nosso modo de viver, ser e estar. Assim aconteceu no Iraque, no Líbano, na Líbia e, de certo modo, também no Egipto, nos quais “forçámos” a designada Primavera Árabe, com todos os males que daí advieram. Num aparte, não podemos olvidar que é preferível um ditador à anarquia, pois com aquele já sabemos com que contamos.

Em segundo, eles pensam o mesmo. Ou seja, principalmente os radicais que vêem no Corão todos os argumentos e mais alguns, têm como pensamento comum que deve ser a sua religião a comandar e a ditar as leis de todos os povos. E, como vemos diariamente, mártires não lhes faltam.

Nesta ordem de ideias, por muito que o nosso espírito de tolerância seja máximo, que o nosso amplexo de paz consubstancie uma abrangência para com todos, tal não é possível. Consciencializamo-nos disso.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Janeiro 12 2015

Todos temos acompanhado a sequela ao cobarde ataque ao “Charlie Hebdo” e o quanto à maioria das pessoas tal vil acto revoltou. Não existem palavras para descrever tal acontecimento e mesmo quando estas existem a emoção, na maior parte das vezes, embarga a voz e nada sai. É natural e, simultaneamente, humano.

Refiro-me anteriormente à maioria, uma vez que algumas pessoas existem – infelizmente poucas - para quem tal ocorrência ou nada lhes disse ou, pior ainda, rejubilaram em surdina.

Não é por acaso que nas várias manifestações, ocorridas por quase todo o mundo, com execepção dos países muçulmanos, como é óbvio, e principalmente em Portugal não vimos um único individuo ligado aos partidos da esquerda ou da extrema-direita.

Por outro lado, existem colunistas e comentadores – de todos os quadrantes - que, apesar de condenarem tais nefandos actos, acrescentam sempre um “mas” ou um “porém”. Ora, sem querer afirmar que tudo se pode resumir a preto ou a branco, no caso da liberdade não existem “mas” ou “poréns” que se possam invocar, e muito menos o que disse a eurodeputada do PS, Ana Gomes, a qual, ultimamente não acerta uma, de que tal se devia à austeridade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:01

Abril 22 2013

Atentado de Boston. Dois indivíduos, de origem tchetchena, fazem rebentar dois engenhos explosivos no final da respectiva Maratona, matando inocentes e fazendo dezenas de feridos.

A polícia e restantes forças de investigação uniram esforços e em pouco mais de dois dias os terroristas eram descobertos, acabando um por ser morto e o outro capturado gravemente ferido.

Até aqui, unicamente a realçar o facto da forças de segurança americanas não brincarem em serviço, dando a entender a todo o mundo que quem comete um crime contra cidadãos nacionais, seja em que parte do globo for, não fica impune.

No entanto, de salientar mesmo é o facto dos cidadãos de Boston, os quais, durante horas, ficaram enclausurados em suas casas com receio de serem atingidos por alguma bala perdida, quando souberam da captura do último daqueles, saíram para a rua aplaudindo a polícia, cantando e, sobretudo, agradecendo os esforços que esta fez para levar a cabo, com êxito, a sua tarefa.

Tão diferente do que se passa em Portugal. Aqui, a polícia dispara contra o pior dos assassinos e é logo aberto um inquérito para apurar se a força usada foi a mais adequada. Para além disso, surge, de imediato, um sem número de associações - pagas por todos nós, como quase tudo em Portugal -, desde o Apoio à Vítima, passando pela SOS Racismo, entre tantas outras, afirmando, até à saciedade, que houve brutalidade e que a polícia jamais deveria ter disparado, mesmo quando é o caso em que é sovada e disparam contra ela. É que no nosso país, todo o assassino é uma potencial vítima e por isso deve merecer o melhor dos carinhos.

Depois queixamo-nos da ausência de segurança!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:20

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
Julho 2024
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


arquivos

Julho 2024

Junho 2024

Maio 2024

Abril 2024

Março 2024

Fevereiro 2024

Janeiro 2024

Novembro 2023

Outubro 2023

Setembro 2023

Agosto 2023

Julho 2023

Junho 2023

Maio 2023

Abril 2023

Março 2023

Fevereiro 2023

Janeiro 2023

Dezembro 2022

Novembro 2022

Outubro 2022

Setembro 2022

Agosto 2022

Julho 2022

Junho 2022

Maio 2022

Outubro 2021

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

pesquisar
 
blogs SAPO