O meu ponto de vista

Março 07 2019

Costuma-se dizer que tudo o que é de graça não é apreciado e muito menos considerado. Ora, tendo os sucessivos governos, com especial pendor para o actual, tornado o ensino totalmente gratuito, com a oferta de manuais até ao 12º ano, a administração está efectivamente a desvalorizá-lo e a hipotecar a sua viabilidade a médio prazo, a não ser que se continuem a verificar cada vez mais fortes investimentos por parte do Estado, opção que na presente conjuntura parece pouco provável.

Não advogo, de modo algum, que haja alguém impedido de prosseguir os seus estudos por causa de motivos económicos. Agora subsidiar todos por igual é reduzir o incentivo à poupança e sobretudo à preservação do que custa dinheiro. Por isso, ao contrário, advogo um forte aumento dos subsídios para aqueles que verdadeiramente necessitam, ao mesmo tempo que gostaria de ver aqueles que financeiramente podem suportar os respectivos custos o pagamento destes.

Por outro lado, igualmente apreciaria ver reforçado toda e qualquer bolsa alcançada através do mérito. Não pela apologia da meritocracia, mas como incentivo à procura de mais-valia. A valorização dos resultados é sempre salutar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:05

Março 17 2017

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Imaginem que eram donos de uma empresa e tinham determinado número de motoristas. Firma que, devido à conjuntura e algo comum à maioria das suas congéneres, passava por certas, para não dizer muitas, dificuldades financeiras. Até aqui, nada de inexplicável ou, como costumo amiúde dizer, a “oeste nada de novo”, roubando o título a um famoso livro do já falecido Erich Maria Remarque.

A incompreensão, porém, surge quando, por exemplo, diz a um dos seus motoristas:

- Zé, hoje de manhã, como o número de entregas não justifica a saída, vai limpar e lavar a carrinha.

E, este, com toda ou sem nenhuma bonomia estampada no seu rosto, responde:

- Desculpe, mas sou motorista e não lavador de carros. Por isso, se quiser que faça este serviço terá de me pagar, mensalmente, um subsídio de 43 euros.

Acrescentando, sem o deixar sequer abrir a boca, logo a seguir:

- Aliás, não estou a pedir nada de mais. Veja o caso dos motoristas do Estado. Por acaso, não leu a notícia que vem no Público de hoje?

O desenrolar do resto da história deixo ao critério dos meus caros leitores. Todavia, faço notar que não custa imaginar o seu “the end”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:00

Novembro 28 2013

Se existem assuntos que não consigo engolir são os despudorados. Como bem sabemos, nem tudo o que é legal é ético e, por isso, devemo-nos abster de usar os instrumentos ao alcance dessa situação.

Vêm estas palavras por causa de Fernando Ruas, ex-presidente da CM de Viseu e um dos autarcas-modelo do PSD. Se não sabem, ficam a saber: este ex-político, que durante 24 anos governou aquela autarquia, há muito que se reformou, continuando, porém, a usufruir do salário camarário, uma vez que a lei permite que se possa optar. Até aqui, como costumo dizer, “a oeste nada de novo”.

Todavia, o caso muda de figura, quando Fernando Ruas, acompanhado de mais dois dos seus ex-vereadores, solicita o subsídio de reintegração por ter abandonado as funções que até aí ocupava. Ora, este subsídio foi criado para que os governantes que o deixassem de o ser, pudessem fazer face às despesas enquanto aguardavam por nova colocação, prorrogativa que, aliás, nunca concordei e que, entretanto, foi extinta em 2005, mas que permitiu que os ex-políticos já com direitos adquiridos pudessem usufruir de tal.

Como é óbvio, as perguntas sacramentais impõem-se: mas Fernando Ruas está a guardar a reintegração? E onde e em que posto de trabalho? Será que estar dependente da Caixa Geral de Aposentações é ocupação laboral?

E pregam estes a moralidade e os bons costumes? Com situações destas e outras que lhe sucederão, um pouco por todo o lado, não nos podemos admirar do modo como o país está. Depois da enorme contribuição para o défice público, que foram a construção de rotundas e chafarizes pelas câmaras municipais, ainda têm a lata de assim procederem?

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:33

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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