O meu ponto de vista

Novembro 28 2016

Escrevi o outro dia que nas recentes eleições americanas não foi apenas Hillary Clinton que perdeu. Clamorosamente quem saiu derrotado foram as sondagens, as quais, como é do conhecimento, geral, previam a vitória clara de ex-Secretária de Estado.

Pois bem, neste fim-de-semana, cá no burgo, também deram à estampa as mais recentes sondagens, as quais dão quase a maioria absoluta ao PS, colocando este em autêntica maré eufórica e até polvorosa. Pudessem eles ter a certeza absoluta da fiabilidade de tais previsões e, estou certo, tudo fariam para provocar a queda do actual governo, de modo a ganhar a maioria absoluta em novas eleições.

Ora, os consultores de imagem e os profissionais de publicidade mais resilientes aprenderam há muito que, tal como as tempestades e as mudanças de clima tendem a fazer-se anunciar aos idosos pelas dores reumáticas, também o desvanecer de alguma crispação social e, sobretudo, o facto de as pessoas sentirem mais algum dinheiro nos bolsos tendem a fazer-se sentir com antecedência e a manifestarem-se de maneira igualmente mais colorida nas sondagens.

Até que um dia, obedecendo às leis da impermanência que regem a Humanidade, surgirão novos sinais, não digo diabólicos mas, com toda a certeza, não benéficos. Nessa altura podem apostar que os homens das sondagens serão os primeiros a notá-los. É evidente que a sorte protege os audazes e se António Costa tem sido algo é corajoso. Porém, já lá diz o ditado “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”.

Adenda: com esta solução governativa a Caixa não encaixa. Voltarei a este assunto, apesar de desencaixar das mais elementares normas de bom senso.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:09

Novembro 09 2016

Se estou descontente? Claro que sim. Se estou desolado? Denoto algum dano. Se estou apreensivo? Nem tanto. Pelo menos, tanto quanto nos querem fazer crer, i.e., que vem aí o fim do mundo.

Donald Trump ganhou e, parafraseando alguém, limpinho, limpinho. Não pelos seus grandes dotes, mas essencialmente pela má estratégia delineada pela sua opositora e/ou assessores. Acima de tudo, Trump ganhou porque prometeu a mudança e estando o americano médio cansado da camarilha política de Washington, ou seja, ansioso por uma lufada de outro ar, ainda que desconcertante, explosivo, imprevisível, não hesitou e deu-lhe o seu voto. Pasme-se, mas houve votos que passaram directamente de apoiantes de Obama para Trump!

Uma última nota. Quem perdeu mesmo foram os homens das sondagens. Tal como ontem dizia, estas não voltarão a ser trabalhadas da mesma forma. Nada melhor que uma hecatombe para que a renovação se verifique.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:31

Setembro 28 2015

Desde que o Homem pré-histórico descobriu a capacidade de se expressar culturalmente através da fala, bem como de outras formas, tal como foram as pinturas nas paredes de cavernas, o ser humano nunca mais deixou de se fascinar consigo próprio.

Naturalmente, o grau de sofisticação dessa fascinação foi evoluindo desde esses tempos imemoriais, e, actualmente, as formulações que deveriam visar não só embelezar o dia-a-dia, mas também conferir propriedades de entendimento entre as pessoas, andam, por vezes, pelas ruas da amargura.

Para ilustrar o anteriormente dito veja-se a presente campanha eleitoral. É tal o despudor, a falta de ética, a inexistência de princípios balizadores e, sobretudo, moralizadores, que há uma parte substancial de portugueses que rejeitam qualquer abordagem, por mais breve que seja, sobre o nosso panorama político. Outro exemplo: em princípio, à medida que a campanha avançasse deveria, à luz do bom senso, diminuir o número de indecisos. Bem, o efeito é precisamente o contrário, uma vez que, segundo as sondagens mais recentes, os portugueses que não sabem onde votar ou se vão ou não, no próximo domingo, às assembleias de voto está exponencialmente a aumentar. É caso para pedir, principalmente ao PS, que parem imediatamente com o (pseudo) esclarecimento dos eleitores.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:38

Setembro 25 2015

Tirar o máximo partido das situações que no quotidiano nos acontecem deve ser uma bandeira diária. Todos devemos ser gestores de pessoas e, sobretudo, de nós próprios.

Por isso, ainda que mal relacionado, gerir uma campanha política é como dirigir uma orquestra, onde cada um é peça-chave, com uma melodia própria, mas que o som final deve ser o mais harmonioso possível.

Na verdade, as pessoas estão cada vez mais activas na partilha de informação e, principalmente, acoroçoadas nas redes sociais, pelo que não admira ser nestes novos “lugares” que muito da política dos nossos dias se faz.

Assim, não admira que os departamentos de marketing, de comunicação e de recursos humanos das principais forças políticas estejam a trabalhar de forma alinhada para identificar os melhores sound bites e comunicar as suas actividades junto do eleitorado.

Do lado dos candidatos há, em função das sondagens, fruto destes serviços, uma extroversão ou introversão conforme os resultados, o que, aliás, não é para admirar.

Importa, porém, realçar que, desde a antiguidade, sempre deu mau resultado matar o mensageiro para, desse modo, não encarar a realidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:49

Maio 12 2011

Pouca gente há que fique indiferente a uma sondagem. Quando o resultado nos agrada, empolgamo-nos e, ufanos, divulgamo-lo aos quatro ventos, mesmo que, por falsa modéstia, aparentamos não lhe ligar muito. Quando, pelo contrário, não nos é favorável, desvalorizamos e argumentamos que tal não corresponde, de modo algum, à realidade. Mais: acrescentamos que no dia X haverá, com toda a certeza, uma surpresa.

Sem querer ser diferente do comum dos cidadãos, tentarei, sem parecer irónico, não desanimar e mostrar que não existem ganhos antecipados. Contudo, denotar uma postura optimista faz toda a diferença na forma como se aborda a vida e na receptividade que temos em quem nos escuta.

O primeiro grande trunfo é conhecer os nossos valores, as nossas competências, pontos fortes e limitações. Apenas esta consciência permitirá delimitar as funções de onde poderemos retirar satisfações e realizações políticas, mas também fazer perceber aos eleitores o nossos potencial e convencê-los de que somos as pessoas certas para os lugares certos. A nossa convicção faz milagres no momento de decisão final.

Mas marcar a diferença perante os demais passa também por uma exemplar capacidade de planeamento e noção dos limites. De nada nos servirá aceitar um desafio onde sabemos, à priori, que não vamos “permanecer” por muito tempo, pois não temos o perfil político adequado para tal. Ser rigoroso no que procuramos e na imagem que queremos transmitir, eis “ meio caminho andado …”

Ter sempre um plano de acção é, segundo os especialistas, importantíssimo, já que evita dispersão. Em momentos de adversidade económica, como são os que atravessamos, é relevante que os nossos objectivos estejam centrados nas metas que queremos alcançar e, por isso o nosso discurso e prática devem estar imbuídos desse espírito. Dispersar as nossas energias em várias frentes não só dá maus resultados, como pode até complicar o nosso percurso. Foquemo-nos no essencial – quatro ou cinco, no máximo, ideias-chave – se quisermos ser bem sucedidos.

Por outro lado, há que delimitar tarefas e metas fundamentais e, sobretudo, segui-las à risca. Se ainda não fizemos um levantamento das prioridades – culpa nossa, máxima culpa (!!!) –, é urgente que o façamos. Depois adequamos a nossa linguagem e preparemo-nos para responder, concisamente, isto é, com frases curtas e inteligíveis a todos a quaisquer quesitos que nos possam ser colocados.

Recolher o máximo de informação sobre o local ou interlocutor é crucial e jamais devemos menosprezar quem quer que seja. Numa luta eleitoral, “produzir” papéis é o mais fácil. Contudo, se negligenciarmos tudo o resto, dificilmente seremos bem sucedidos. Não é à toa que se diz que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Não desprezar o poder de uma forte rede de contactos, assim como manter-se informado sobre o que pensam os amigos e militantes – não obrigatoriamente por esta ordem – é, igualmente, de capital importância.

E, já que estamos na era da informática, as redes sociais são de manutenção obrigatória, pois, como bem sabemos, são poiso de pessoas e organizações que aqui encontram o meio ideal para divulgar as suas ideias e partilhar a sua cultura.

Uma outra vertente a explorar diz respeito à importância que damos ao marketing pessoal, ou melhor, ao charme que cada um, à sua medida, possui. É fundamental que os eleitores percebam que nós somos os melhores e é, desta forma, que nos devemos apresentar. Aliás, é dos livros, que a forma mais eficaz de conseguir uma abordagem positiva, ou seja, que não deixe quaisquer margens para dúvidas aos cidadãos, é que estão perante as únicas pessoas que conduzirão o barco a bom porto. Marcar a diferença, embora sem esquecer que os excessos também não são boa política, é indispensável.

Por último, qualquer vantagem que queiramos criar em relação aos demais adversários exige, acima de tudo, muita sensibilidade na forma como abordamos quem nos interpela. Repito, mostrar que fazemos a diferença, sem sermos elementos de ruptura e nunca apresentar quaisquer intuitos de desistência são para levar totalmente a sério. Manter uma atitude positiva, mesmo perante uma rejeição é sinal de força, pois, assim, demonstramos que os erros são pedagógicos. E se algumas tentativas falharem, há que procurar avaliar o que correu mal para nos reposicionarmos e conseguirmos o lugar que merecemos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:59

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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