O meu ponto de vista

Junho 01 2020

Segundo a previsão, nos próximos dias irá chover. Encontro-me dividido. Por um lado, adoraria que chovesse, uma vez possuir culturas a necessitar imenso de água. Por outro, gostaria imenso que o tempo permanecesse estável, sem carecimento de calor extremo, de modo a que o sol brilhasse num céu completamente limpo. Estou naquela posição em que o nosso povo costuma dizer “quero chuva no nabal e sol na eira”.

Uma coisa é certa: este tempo deixa-me constrangido. Este tempo de “não chove nem faz sol”, para além de me fazer doer a coluna, é um monte de doenças para a vinha e não só. O míldio e o oídio aí estão a comprová-lo. As noites frias que se avizinham, por outra via, faz surgir a podridão no cacho, sobretudo devido ao excesso de humidade.

Bom, como isto interessa a ninguém, vá lá, quanto muito, a meia-dúzia de pessoas, termino por aqui este não-texto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:05

Março 20 2019

Será por isto que o mundo não se vira? Em determinados locais, para além de um ciclone devastador, continua a chover demais, colocando em risco milhares e milhares de pessoas. Moçambique, sem menosprezo para outros países, é o exemplo que mais de perto nos toca. Isto por falarmos a mesma língua. Todavia, enquanto por aquelas bandas todos rogam para que não chova mais, por aqui passa-se precisamente o contrário, i.e., todos ou quase todos ansiamos por chuva e abundante. Como se sabe, apesar de alguns apenas preferirem o sol, sem a dádiva caída dos céus nada se produz.

De acordo com os primeiros doze dias do ano, aos quais os antigos consideravam os arremedos do ano, este será seco ou com muito pouca chuva, uma vez o sol ter brilhado praticamente em todos os momentos. Todavia, pensando noutra tradição, a de Nª Srª das Candeias, a qual diz que se, no seu dia, Esta estiver a rir, está o Inverno para vir, se estiver a chorar, está o Inverno a passar. Ora, em 02 de Fevereiro p.p., dia da sua celebração, um sol radioso iluminou-nos de manhã à noite. Assim, a acreditar nesta crença popular, muita água há-de correr debaixo das pontes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:12

Janeiro 11 2019

transferir.jpg

Hoje, tal como no pico do Verão, há uma caça ao registo dos termómetros. Aliás, é comum aparecer nas redes sociais fotos do tablier do carro registando temperaturas negativas ou muito perto disso, como isso fosse algo de excepcional. Nada disso. Extraordinário, extraordinário, é ir para o campo ou outro local exterior e trabalhar com tais temperaturas. Agora, queixar-se por ir no carro com ar condicionado, a vinte e tal graus, e a seguir entrar num edifício com mais ou menos a mesma temperatura, por muito que no exterior estejam temperaturas negativas, é, no mínimo, hipocrisia.

Uma coisa é certa: as temperaturas muito baixas anunciadas nos media não passaram de notícias pífias. Aliás, hoje esteve menos frio que em dias anteriores. Penso, que estas épocas – pleno Inverno e Verão – são óptimas para aquilo que, em jornalismo, se designa de “encher chouriços”. À falta de melhor, “mete-se umas e outras buchas, para além de se insistir, insistir…”

Já agora, reproduzo uma conversa que ouvi outro dia entre duas colegas citadinas. Dizia uma: “adoro este tempo, pois durante o dia está um sol maravilhoso, dando possibilidade de sairmos, almoçarmos fora e ainda dar uns passeios”. A outra respondeu: “concordo inteiramente contigo, tanto mais que apenas a noite é desagradável devido ao imenso frio, mas nessa altura já estamos em casa e no quentinho”. O facto de não chover e de haver regiões que já estão em seca, não as preocupa em nada. E, infelizmente, tantas pessoas com pensar semelhante existem!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:02

Janeiro 17 2018

Todos sonhamos. Aliás é uma necessidade, pois um homem sem sonhos é alguém sem futuro. É nestes dias de imenso frio e abundante chuva, em que o Inverno - principalmente este - é pródigo, que digo, com toda a sinceridade, que me apetece falar de férias. E, para mim, falar de férias é, para além de nada fazer, calor e praia.

Bem sei que férias e escapadelas não são, pelo menos para já, para marcar na minha agenda. Não quero decidir o destino concreto e muito menos desejo iniciar os preparativos. Não estou minimamente preocupado com passaportes e vistos, guias de viagem, que roupa levarei ou, então, onde deixar o cão ou o gato. A questão das vacinas, caso o rumo me possa levar a um local mais exótico, também não se coloca.

Verdadeiramente, o que, neste momento, gostava era de gozar umas férias. Económicas, uma vez que o dinheiro está pela hora da morte, e bem acompanhado. Durante o dia, muito sol e o mar a banhar os pés. Saborear um peixe acabado de grelhar, acompanhado por um bom vinho branco fresco. A terminar o dia, um passeio tranquilo para apreciar a noite cálida, bebendo aqui e/ou ali uma cerveja gelada.

Careço de me perder num trajecto qualquer, deixando-me seduzir pela beleza da sua paisagem – todos os locais são belos -, de modo a conhecer o seu património natural e descobrir os seus locais pitorescos e a sua gastronomia.

Há quem afirme que sozinho ou acompanhado o bom é ir. Não comungo, de modo algum, desta opinião. Por isso, mais concretamente, por falta de companhia, é que não parto já amanhã.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:15

Maio 05 2017

Nas margens do rio, bem pertinho da foz e junto a Alfomelos, aldeia onde nasceu, Mariana vai salgando a conversa. Dá sede. O que, por sua vez, proporciona a vontade de saber mais e mais de uma vida que parece sempre nova a cada frase, a cada desafio, como naquele dia em nasceu.

Nunca pensou sair daqui. Aliás, nem gosta de pensar nisso. Vai vivendo a vida dia-a-dia. É um pé à frente do outro. E a vida não é uma metáfora. A maior parte do dia de Mariana, a mulher que quis mudar Alfomelos, é para se reconfigurar consigo própria.

É missão. Juntou-se a vários grupos e foi neles que encontrou a força para recomeçar todos os dias e é através deles que quer continuar a dar a mão a quem chega.

Gosta de ver os barcos. Não que sinta desejo de embarcar em qualquer um deles, mas simplesmente da beleza que o recorte das águas produz. Contudo, agora decidiu embarcar num. Não, não é contradição. Este é feito de esperança. É o barco do amor.

Mariana solta as amarras e nesses momentos deixa o rio, o sol, os amigos e a família, e parte para aquele cantinho só deles, lá longe, a norte.

Sabes o que andas a fazer? Responde com redobrada alegria:

- Ainda não sei bem. Ou melhor, até sei … vivo intensamente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:04
Tags: , ,

Julho 19 2016

Que se lixe a dívida. Estou-me marimbando para o BES, ou melhor, para a resolução do Novo Banco, bem como para a solução da CGD. Não quero saber de sanções da CE relativamente ao défice excessivo de 2015 e a falta de garantias de correcção para o corrente ano. Direi mais: apesar de poderem chamar-me de egoísta, incoerente e insensível, manda a verdade dizer que não quero saber de quaisquer problemas.

É que a partir de hoje, inclusive, estou de férias. Por isso, até 31 de Agosto, apenas me dedicarei a agricultura, praia e passeios. E já agora, na medida de possível, em boa companhia e degustando a excelente gastronomia que, de norte a sul, somos tão ricos.

Bem, abro parênteses, para dizer que o ano passado também pensava o mesmo e, a meio, fui obrigado a interrompê-las. Faço votos para que 2016 seja diferente. Vade retro Satana!!!

Nesta ordem de ideias, esta rúbrica – a não ser em casos excepcionais – também vai a banhos.

Boas férias para todos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:34

Maio 24 2016

DSC_0040.JPG

 À medida que percorro o passeio ribeirinho, coloco os olhos na calçada: as pedras negras e brancas sugerem as linhas que um velho lobo-do-mar riscou na areia da praia, para contar uma aventura imensa que envolve heróis e fantásticas figuras marinhas, tempos de bonança e de tempestades, histórias felizes e cruéis.

Levanto o olhar e reparo nos barcos que ainda persistem na praia, voltados de casco para cima, porque a faina do mar começou muito cedo. Reparo na tez morena de quem enfrenta o sol, o vento e o ar marítimo, as tempestades, as ondas, a força de quem puxa as redes do mar fundo…

A hora do almoço aproxima-se e começo a sentir o aroma do peixe na grelha, dos petiscos e das caldeiradas que apuram ao lume. A um deles nos dirigimos …

Depois, é tempo de voltar à estrada. Os pinheiros mansos descem ao longo da encosta da colina, ensombrando os caminhos de terra que culminam num talude, feito de troncos de madeira, que alongam o caminho a perder de vista. A separar-nos da estrada, do lado direito, há canteiros de flores e plantas aromáticas, típicas das regiões mediterrânicas.

De vez em quando o rio espreita por entre as casas construídas ao longo da costa, onde as águas e o mar já se misturam. E, chegados ao fim do dia, numa das casas repousamos.

A noite, sim a noite, essa é apenas nossa!!!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:44

Abril 20 2015

Quando, como aliás foi amplamente noticiado, 90 % do país sofre de seca média e o restante de severa, é criminoso dizer para a chuva nos abandonar.

Quando as estatísticas demonstram que este ano foi o menos chuvoso das duas últimas décadas e o mais frio dos últimos 15 anos, é aviltante afirmar que é tempo do bom tempo se instalar. É caso para perguntar: ainda querem mais?

Já agora, a talhe de foice, como pensam que os produtos agrícolas se criam? Sem água e apenas com muito sol? Bem, o outro dia, a alguém a quem colocava esta e outras questões interrelacionadas, foi-me respondido: “mas, qual é o problema? Se não produzirmos, os produtos vêm do estrangeiro!” Oh, santa ignorância! Então, não são capazes de se lembrar que existem muitos e muitos portugueses que dependem única e exclusivamente da agricultura e se esta não produzir vão engrossar ainda mais a crise económica e social já fortemente instalada? Depois, sem produtos genuinamente portugueses, sobretudo aqueles criados com a água da chuva, como ficaria a nossa gastronomia? Terceiro: se passássemos a comprar todos ou quase todos os produtos agrícolas que consumimos como ficaria a nossa dívida?

Ah, pois, esquecia-me que todos os desejos manifestados têm como único fito o irem para a praia e esparramarem-se ao sol ou, então, sentarem-se numa esplanada qualquer a beber uns finos e a comerem uns bons pratos de caracóis.

Em jeito de conclusão, direi que, pelo menos aparentemente, a crise no sistema de ensino em Portugal já tem mais de 40 anos, uma vez constatar que pessoas existem que o pensar não é o seu forte e, ainda por cima, o que é pior, possuem um ego que de aluído nada tem.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
Outubro 2021
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


arquivos

Outubro 2021

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO