O meu ponto de vista

Maio 15 2020

Por vezes é necessário insistir, insistir, ameaçar até, ou ainda ir a algum lado para tratar de um problema específico. Por muito que nos digam que existem uma multiplicidade de opções, o certo é que só com ameaças concretas, i.e., quando as pessoas sentem – desculpem a linguagem menos prosaica - o rabo bem perto das calças, aprendem e se não fazem o idealmente correcto, pelo menos cumprem o mínimo dos seus deveres.

Sou optimista por natureza e peço desculpa por o repetir à saciedade. Todavia, isso não basta, tal qual não chega possuir um plano devidamente estruturado, uma vez que, quando do lado de lá está alguém disposto a não cumprir o mínimo estabelecido, não há estratégia que valha. Alterem-se as metodologias, usem-se alternativas variadas, apliquem-se as melhores pedagogias que, perante a recusa pura e simples, a “coisa” não dá.

O sucesso está apenas no querer. Podemos sorrir, fazer festas, brincar, falar disto e daquilo, ou seja, podemos produzir tudo e mais alguma coisa - desde lavar o rabo com água-de-colónia e até servir chá com biscoitos - que quando o outro está com o “cu para a porta” nada vale.

A (re)conquista será possível? Claro que sim, tanto mais que enquanto houver vida há esperança e esta é a última a morrer.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:56

Maio 10 2020

Vivemos tempos de incerteza. Ora, perante os desafios impostos pelo impacto de uma pandemia que está a colocar obstáculos inauditos à vida de todos os cidadãos e à sobrevivência de empresas e famílias, são principalmente estas últimas que se dispõem na linha da frente da batalha que nos une a todos, assegurando - muitas vezes fazendo das tripas coração e fazendo-se de cego, surdo e mudo - o funcionamento da rede mais intrínseca das comunidades, de modo a que o país não pare.

As famílias procuraram e procuram ajustar-se e ainda sem certezas sobre o que as espera ao longo do caminho, seguem em frente, empenhadas em dar o seu contributo para que todos ultrapassem da melhor forma as dificuldades que a conjuntura impõe.

Numa altura em que, em Portugal, decorre ainda a fase preambular de uma crise cuja exacta dimensão é impossível de prever a esta distância, o núcleo familiar, contra tudo e contra todos, encontra-se a afinar estratégias para poder acompanhar as demandas de uma sociedade em mudança. Todos temos consciência de que existem poucas certezas. Não obstante, há sinais de confiança que não devem ser ignorados.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:27

Janeiro 07 2020

Qual é o nosso intrínseco papel no dia-a-dia da sociedade que nos rodeia. Como resposta, devo dizer que, em primeiro lugar, o que diariamente fazemos tem de ser entendido como algo multifacetado, dinâmico e ao, mesmo tempo, essencial para o futuro de todos. Deve ser, por isso, encarado como um processo contínuo, uma filosofia e uma forma de vida e não apenas como uma meta, definida e quantificada, a atingir. É, acima de tudo, um elemento essencial da cultura que professamos, qualquer que seja o lugar que ocupamos.

Neste sentido, enquanto filosofia de actuação do nosso modo de estar e ser, moderna e competitiva, a opção pelo “estar de bem com a vida” obriga a técnicas de gestão actualizadas, com forte pendor emocional/afectiva, a par da necessária capacidade de inovação, algumas vezes em detrimento da rentabilidade económica. Não que esta última não seja importante, mas como se costuma dizer o dinheiro não é tudo. Sem entrar em aventuras ruinosas, fazer o que se gosta, o que nos dá prazer é primordial, principalmente em determinadas alturas da vida.

O factor financeiro, per si, não é condição exclusiva para o sucesso. Contudo, numa sociedade de mercado, como a que convivemos diariamente, não existe competitividade e sucesso sustentado sem bem-estar pessoal. Nesta ordem de ideias, bem me podem chamar louco. Faço o que gosto, sem um olhar, sem uma postura de um homem com um sorriso de alguém futuramente muito rico. O prazer do trabalho cumprido acima de tudo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:27

Setembro 20 2018

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Ontem falei da caridade. Hoje, porém, prosarei sobre a misericórdia. Esta, numa definição muito simplista, é a busca de uma relação verdadeira com aquilo que existe. A civilização que temos vindo a desenvolver caracteriza-se, cada vez mais e infelizmente, pelo que é material e, por isso, a cada um de nós está associado uma quantidade enorme de materiais a que uma sociedade de pastores ou caçadores não tinha acesso.

A misericórdia é algo que está em contínua conquista e sendo excelente é inatingível. Viemos de um passado agrícola/conservador e estamos a aprender como agir numa sociedade avançada. Só que o fazemos mais com a razão do que com o coração. Por outro lado, temos de convir que o alvo a atingir não está parado no tempo, move-se constantemente. Assim, o que interessa é o esforço de aproximação ao outro, com a finalidade de não podermos continuar a sermos alguém com o futuro eternamente adiado.

O presente e o futuro, o curto e o longo prazo, começam ao mesmo tempo e competem entre si, cuja solução passa, sem sombra para dúvidas, pela misericórdia. Isto porque todas as sociedades devem ser, por definição, sociedades constituídas por Homens misericordiosos, uma vez que as pessoas que não praticam a comiseração já se encontram mortos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:16

Junho 19 2018

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Durante as últimas décadas, os sucessivos governos, mas sobretudo a sociedade, usaram e abusaram dos professores, assim como das respectivas mais-valias, sem se preocuparem com a degradação junto da opinião publicada - p.f., não confundir com opinião publicada. A preservação do património natural/científico/tecnológico, pertencente inequivocamente à docência, foi lançada “às urtigas”. Tempos não muito longínquos, senão mesmo agora, todos os agentes sociais se arvoravam no direito de ser leccionadores de tudo e mais alguma coisa. Mais: o métier de tal era perfeitamente desvalorizado, inclusive pelos próprios. Quem não se recorda de haver instrutores a gabarem-se de somente trabalhar uma dúzia de horas por semana e ter três meses de férias?

Portugal enfrenta, hoje-em-dia, os desafios de um ensino característico de qualquer país subdesenvolvido, por muito que os nossos governantes digam o contrário. A eficácia da resposta pressupõe profundas alterações no estilo de vida e nos modelos de desenvolvimento vigentes, o que implica uma mudança clara de atitudes e a adopção de comportamentos que permitam estabelecer uma relação mais saudável e equilibrada com a sociedade.

Cada um de nós representa uma peça do puzzle e, através de pequenos gestos diários, podemos desempenhar o papel que nos cabe: prevenção e minimização dos riscos quanto ao analfabetismo. Sim, porque nos dias que correm não basta ler e escrever. A interpretação de um simples mapa é uma dificuldade sentida e sinónimo daquele.

Por isso, a presente luta dos professores - apesar de não me tocar monetariamente, uma vez já estar no último escalão – deve ser uma batalha de toda a sociedade, i.e., alunos, pais e restante comunidade. Somente com docentes “presenteados” com um estatuto condigno – condições de trabalho, salário, respeito, força e dedicação – poderá elevar o país mais alto. Alguém tem dúvidas que se queremos ter bons médicos, engenheiros, advogados, gestores, etc., etc., temos que lhes dar mestres de bem consigo próprios e com o mundo que os rodeia?

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:05

Outubro 12 2015

Hoje, na prática, deixámos de conversar, falar ou de usar outro verbo semelhante. Presentemente comunicamos. Seja por email, SMS, MMS, ou outros meios que o mundo digital coloca diariamente ao nosso dispor. Por isso, não nos admiramos de ouvir o colega, o vizinho, o amigo ou mesmo o familiar dizer que vai enviar a fulano ou beltrano uma mensagem, um email ou contacta por FB ou outra rede social qualquer. Estranhamos, sim, é quando ouvimos alguém declarar que mais logo, amanhã ou quando a encontrar falará com certa pessoa.

Contudo, regularmente surgem alertas, mais ou menos dramáticos sobre os malefícios do uso quase sistemático destes instrumentos mágicos que tornaram possível comunicar sem limites, através de fios invisíveis, no mágico universo das TIC.

Não digo que tudo isto é triste, tudo isto é trágico, como se ouve num conhecido fado, mas que a dimensão do espaço humano que o mundo electrónico já conquistou tem custos psicológicos, os quais se reflectem no trabalho e nas famílias, destruindo lentamente a grandeza mais nobre da comunicação, i.e., o contacto humano, não tenho a menor dúvida.

Diz-se, com graça ou sem ela, que antigamente quando se chegava a casa de alguém se indagava pela família, pelos afazeres do dia-a-dia, entre outras abordagens. Hoje, porém, pergunta-se pela chave de acesso à rede de wireless. Sintomático!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:50

Fevereiro 26 2015

O outro dia ouvi algo sobre as oportunidades que a vida nos oferece, as quais, na maior parte das vezes, não nos apercebemos da sua existência ou, pura e simplesmente, as desperdiçamos. E o exemplo era pragmático: “enquanto uns choram, outros têm de produzir lenços”.

Em boa verdade, um dos nossos maiores problemas é o facto de não existir uma cultura efectiva de desenvolvimento, aproveitamento e de validação da formação técnica e tecnológica. As medidas, neste âmbito, têm servido, fundamentalmente, como paliativo e jamais como tratamento eficaz.

Sei, por dever de ofício, do que falo. Por muito que se procure adequar a formação às competências das pessoas e às necessidades do mercado, se os usuários se recusam sistematicamente a aproveitar as oportunidades que lhes são literalmente “servidas em louça fina”, então não existe solução que lhes valha.

Não nego que muitos dos programas de formação resultam em medidas generalistas, gerando algum descrédito na sociedade. No entanto, se os próprios interessados nada, mas mesmo nada, fazem para inverter aquela impressão, nesse caso é que tudo está perdido. E tanto dinheiro gasto sem a menor utilidade!

Salvam-nos aqueles, os quais, felizmente, ainda são a maioria, embora escassa, pretendem ser formados e possuírem maiores habilitações e novas experiências.

É que, na prática, a utilidade depende da forma como depois é potenciada pelo beneficiário e encarada pela sociedade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:22

Março 26 2012

Os que habitualmente visitam este local, sabem que muito raramente faço citações ou remeto para textos de outros autores.

No entanto, hoje, abro uma excepção para aqui colocar a letra de uma canção que anda por aí na rádio, infelizmente sem o sucesso que merece. Refiro-me concretamente à canção de Miguel Araújo, intitulada “Os maridos das outras”.

Já agora, para quem tiver a curiosidade de ouvir,aqui fica o vídeo

 

 

Toda a gente sabe que os homens são brutos
Que deixam camas por fazer
E coisas por dizer
Muito pouco astutos, muito pouco astutos


Toda a gente sabe que os homens são brutos

Toda a gente sabe que os homens são feios
Deixam conversas por acabar
E roupa por apanhar
Vêm com rodeios, vêm com rodeios
Toda a gente sabe que os homens são feios

 

Mas os maridos das outras não,
Porque os maridos das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação
Dóceis criaturas
De outra espécie qualquer
Que servem para fazer felizes
As amigas da mulher
Tudo o que os homens não
(Tudo o que os homens não)
Os maridos das outras são

 

Toda a gente sabe que os homens são lixo
Gostam de músicas que ninguém gosta
Nunca deixam a mesa posta
Abaixo de bicho, abaixo de bicho
Toda a gente sabe que os homens são lixo

 

Toda a gente sabe que os homens são animais
Que cheiram muito a vinho
E nunca sabem o caminho
Na na na na na, na na na na na
Toda a gente sabe que os homens são animais

 

Mas os maridos das outras não,
Porque os maridos das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação
Dóceis criaturas
De outra espécie qualquer

Que servem para fazer felizes
As amigas da mulher
Tudo o que os homens não
(Tudo o que os homens não)
Os maridos das outras são

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:39
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Maio 19 2011

Para quem não se resigna, para quem acha que, para além de um direito, é um dever intervir activamente na sociedade, este é um mau momento para se encontrar o quadro perfeito. A conjuntura agreste veio lançar para a indisponibilidade profissionais muito competentes acabando o status quo por ganhar face à ausência de concorrência.

Mas será que, face ao actual momento de enorme crise, cansaço, receio pelo futuro, entre outros motivos, os que se agacham hão-de prevalecer sobre os que, independentemente de cada vez serem em menor número, assumem, contra ventos e marés, as suas responsabilidades? Ou seja, será que basta, em tempos de elevada penúria, ganhar pontos mesmo quando demonstrem incapacidade para desenvolver funções que não vão sequer além das suas competências básicas? Arrepender-se-ão aqueles que pensam que tal postura fará a diferença. No momento actual até poderá ser que sim, mas o futuro encarregar-se-á de os desmentir. Recordo que jamais alguém conseguiu passar, sem se molhar, por entre os pingos da chuva.

Por outro lado, desenganem-se aqueles que pensam que por muito que “percam” metade ou mais dos talentos – dedicação, eficácia, ideias inovadoras, reivindicações e questionações, principalmente estes últimos –, mesmo assim tal é menor que a metade que julgam poder ganhar. Aliás, duas metades só são rigorosamente iguais quando as olhamos no plano teórico, desprezando as alterações que a realidade pode alterar, como, por exemplo, a acomodação.

Tal como não aceitamos que ao pedir uma garrafa no restaurante apenas nos seja servido apenas meia garrafa, ou quando nos calçamos não fazemos apenas num só pé, também neste campo há que jogar com o baralho todo e ir a jogo mesmo que, à primeira vista, tal nos pareça absurdo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:01

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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