O meu ponto de vista

Novembro 15 2019

Até agora os professores flexibilizaram, ou seja, foram, de certo modo, obrigados a dobrar a espinha e ir ao encontro das novas pedagogias/estratégias preconizadas pelo Secretário de Estado da Educação, João Costa, e sua corte – leia-se, de entre outros, Ariana Cosme, a coqueluche do novo eduquês. Uma nota: a flexibilização não tem outros fins que não a facilitação da  progressão escolar.

Agora, o governo de António Costa, já que o ME, Tiago Brandão Rodrigues, não conta para nada, quer, de uma vez para sempre, fazer rastejar os professores, obrigando-os a acabar com as retenções até ao 9º ano. Por agora, uma vez ter a certeza que tal medida, mais ano menos ano, se estenderá até ao final do secundário. A defesa de tal medida é feita com recurso à demagogia mais rasteira que já se viu. Por um lado, argumentam que tal medida ira poupar aos cofres públicos cerca de 200 milhões de euros por ano – já ouvi 500 e até 600 milhões -, e, por outro, que para tal bastaria que os professores e as escolas trabalhassem mais e melhor, acompanhando, deste modo, mais amiúde os alunos com dificuldades e em risco de reprovação. Aqui para nós, como se já não fizessem.

Ora, se o primeiro argumento já é, para a uma boa parte dos portugueses, tentador, uma vez acharem que o ensino é um enormíssimo sorvedouro dos dinheiros públicos, o segundo é tipo cereja em cima do bolo, uma vez que, nos últimos anos, se tem feito passar insistentemente a ideia de que os professores são uns privilegiados, i.e., ganham muito bem, não fazem nenhum e, ainda por cima, têm três meses de férias por ano. Por isso, se o ME vai fazer com os professores façam o pino, subam pelas paredes, passem 24 sobre 24 horas a trabalhar com este tipo de alunos, a maioria dos quais não quer aprender e tem raiva a quem queira, há sempre quem os aplauda.

Aliás, o desprimor relativamente à classe docente já vem do tempo de José Sócrates, cuja Ministra da Educação má memória, Maria de Lurdes Rodrigues, numa tentativa de domesticar aquela proclamou que a poderia perder, mas, em compensação, ganharia a opinião pública.

Por fim, não ficaria de bem comigo mesmo se não aludisse ao proferido por David Justino, há cerca de quatro anos, ainda na qualidade de presidente o CNE, o qual defendeu algo idêntico ao que este governo actualmente defende. Como se costuma dizer, no melhor pano cai a nódoa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:36

Novembro 21 2018

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De acordo com os relatos da imprensa de hoje, o ano lectivo 2016/17 foi o que registou menos “chumbos” na última década. Igualmente, a este propósito, a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Emília Brederode dos Santos, vem hoje afirmar que “a medida mais inútil e mais cara é a retenção”.

Estamos entendidos. Por um lado, o governo com a implementação (à força) de medidas de flexibilização e, por outro, afirmações da mais alta responsável pelo CNE, como é lógico, contribuem – e não é pouco – para criar a sensação de que todos os alunos devem sempre transitar de ano.

Perdoem-me o exagero, mas por este andar não tardará muito que todos os nossos jovens, um dia destes, serão todos “doutores”. Podem não saber nada de nada, mas que terão um canudo lá isso terão.

É por estas e outras faltas de exigência – já me contentava com a mínima - que estou cansado de “levar” com alunos no secundário sem saber sequer a tabuada, quanto mais uma simples conta de multiplicar e/ou dividir, isto para não falar no escrever, já que cada palavra é um erro, quando não são mais.

P.S. - A sério! Chateia-me enormemente que venham com o argumento financeiro, em desprimor do aspecto pedagógico.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:20

Maio 10 2017

Anda por aí, ainda que, na maior parte das vezes, de forma sub-reptícia, até mesmo subterrânea, uma campanha contra as retenções fundamentalmente dos alunos do ensino básico, vulgarmente conhecidas por chumbos. A última moda é o torcimento das estadísticas de modo que as mesmas demonstrem, e de forma exponencial, que tal acontece em muito maior escala nos discentes provenientes de estratos sociais mais baixos.

Deste modo, e novamente, a Escola é chamada a intervir. Não nego, bem pelo contrário, que as crianças e jovens provenientes de famílias com inferior poder de compra tenham menor preponderância para os estudos, tanto mais que são aquelas a, numa primeira linha, desvalorizarem a importância do conhecimento e consequentemente da Escola.

Todavia, não é por imposições administrativas e muito menos pela aplicação de pedagogias salvíficas que o dito problema é debelado. Esqueçam, de uma vez para sempre, em solicitar à Escola a resolução de todos e quaisquer problemas da sociedade. Se a questão se encontra a montante da Escola, como todos dizer estar, então que a comunidade, os governantes, os gestores públicos e privados se mobilizem para acabar com tais bolsas de pobreza.

Não tenho a menor dúvida que jamais a pobreza, e pior ainda a sua perpetuação, será combatida com facilitismo, pancadinhas nas costas, solidariedade balofa, punhos no ar e batidas no peito jurando fraternidade eterna. O combate será feito através da consciencialização, da entrega denodada, do querer ir mais longe, e nunca através de “dar o peixe sem lhe dar a cana e/ou ensinar a pescar”.

Por muito que todos os alunos transitassem ano após ano se desvanecia a desigualdade. Reafirmo veementemente o oposto. Acentuava-se e não era pouco, pois a sociedade encarregar-se-ia de, mais cedo que tarde, premiar quem sabe ou não sabe.

Já agora e em tom irónico, pergunto: não seria melhor, então, entregar, logo à nascença, o diploma de licenciado?

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:04

Julho 07 2016

Nos últimos dias tem-se falado muito da diminuição do insucesso escolar registado, principalmente, em 2013/14 e 2014/15. Pois bem, mesmo assim, o actual governo é de opinião que a taxa de insucesso ainda é muito alta e apresenta como objectivo final – a palavra meta foi considerada maldita – a retenção zero, pelo que direi que o melhor é, sem exagero, um dia destes darem às crianças, logo à nascença, o canudo da licenciatura, quiçá mesmo do doutoramento.

É por demais sabido que a regeneração depois de um forte impacto é lenta, mas absolutamente necessária. E é demorada porque exige uma avaliação dos danos, mas mais do que isso uma reinvenção tendo por base a (re)aprendizagem após insucesso. Olhar para onde e como se falhou é repensar prioridades e estratégias. O pós-insucesso é uma fase mais ou menos longa, mas indispensável, repito, e que não se deve cingir à estatística de curto prazo, que é ainda, obviamente, desanimadora. É certo que ainda não existia uma proporcionalidade entre a criação e cessação, o que não permite equilibrar rendimentos ou desempenhos. Mas lá iriamos.

Contudo, e apesar disso, também olhando para os números, o gap já não é um fosso enorme, parecendo, assim, que lentamente o tecido escolar estava a entrar em fase de renascimento. Por isso, o argumentário contra a existência de exames no quarto e sexto ano de escolaridade cai por terra e muito menos entendo a fúria contra uma evidência do dia-a-dia das escolas, i.e., a existência de alunos que não estudam e, pior ainda, não deixam estudar, pelo que, na minha óptica, é da mais salutar lógica reprová-los. Caso contrário, beneficiamos o infractor.

Tirem da mão dos professores a “brasa” usada sistematicamente “se não estudares chumbas” e será, então, o descalabro total. E não me venham com a cantilena que existem países mais evoluídos que nós onde os alunos até ao nono ano não reprovam. Nós não somos os países nórdicos e muito menos acredito na importação de medidas para aplicar género “chapa 5”. Estou cansado de experimentalismos dos cientistas da educação!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:18

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