O meu ponto de vista

Outubro 11 2019

Nada em ti exageres ou excluas. Sê tudo quanto és, no mínimo que fazes.

Fernando Pessoa

 

Ah, o Ensino, essa realidade que nos é tão cara. Não sabemos conceber e apreciar a responsabilidade e eficiência nas escolas sem nos interrogarmos sobre a natureza e o processo da tomada de decisão. Decidir é escolher de entre os vários cenários possíveis, aquele que aparece como o mais pertinente para atingir um resultado desejado, dentro de um espaço de tempo possível, utilizando as informações e recursos disponíveis. Ora, de acordo com este pensar o ensino/aprendizagem é uma questão de método, de saber fazer e de estar, ou seja, é um quesito de técnica ou processo. Será?

A resposta é negativa, uma vez aquele raciocínio preponderar a mera transmissão de conhecimentos, desvanecendo a felicidade e o humanismo como filosofia de gestão do esforço diário. Um paradigma a não esquecer assenta no pressuposto em que a ética e a rentabilidade andam de mãos dadas, emergindo desta forma verdadeiros exemplos de sustentabilidade e sucesso. O grande objectivo será, assim, levar a felicidade às pessoas e não às escolas, enquanto instituições, sabendo com toda a certeza que esta também será sinónimo de rentabilidade e de perenidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:42

Outubro 17 2017

Ouvi ontem, à semelhança de muitos outros, o primeiro-ministro, na sua comunicação ao país, discorrer sobre mais uma catástrofe que se abateu sobre este rectângulo à beira-mar plantado neste último fim-de-semana.

Palavras, palavras e mais palavras. Muitas até dizer chega. Comunicação cheia de promessas até dizer basta. Zero de responsabilização e muito menos em termos de sentido de Estado.

Pelo menos até agora, não existe qualquer assunção de responsabilidade política. Afinal, tudo se deveu a ondas de calor, imponderáveis da natureza, seca extrema, bem como outros adjectivos similares.

A demissão da ministra da Administração Interna não resolvia o assunto? De todo não. Mas, pelo menos, havia alguém com espinha dorsal que assumisse o encargo político. Aliás, por muito menos, se demitiu Jorge Coelho, aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, apesar de todos sabermos que não foi ele o culpado técnico e/ou prático por tal desastre.

As contingências do clima não podem ser a fuga e a desculpa para todos os fogos, assim como a não estruturação da floresta, a qual tem décadas de atraso. Por falar nisto, corre pelas redes sociais, com bastante insistência, a ideia peregrina e desculpabilizante de que a desgraça que nos assolou neste Verão é culpa de todos os governos pós-25 de Abril. Com este e outros argumentos análogos, um dia destes ainda vão culpar o Afonso Henriques.

Para este governo e seus correligionários geringonciais tudo o que é bom é da sua inteira lavra. Algo de mau é culpa dos governos anteriores, principalmente do último, ou, então, é fruto das circunstâncias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:05

Setembro 29 2017

Em cima da hora de fechar mais uma campanha para as eleições autárquicas, sem tabus, vamos falar delas. É certo que a política jamais deixará de existir. Que anda pelas ruas da amargura é algo que poucos contestam. A culpa é sobretudo dos políticos, mas também dos cidadãos, daqueles que votam e principalmente daqueles que, ano após ano, não colocam os pés numa assembleia de voto, mas não deixam de criticar fortemente quem foi eleito.

Sim, a forma de fazer política alterou-se essencialmente no que concerne ao ónus da sua concretização. Se no passado a responsabilidade parecia exclusivamente das instituições e estas condicionavam a carreia daqueles que as serviam, hoje o gestor público, governamental ou autárquico, está no centro da decisão, devendo contribuir activamente para a prossecução do bem da res publica, o que, infelizmente, em grande parte, não o faz.

O prestígio, a segurança, as condições económicas e a estabilidade de que gozam os nossos políticos deviam, cada vez mais, caminhar para a autoconfiança e o desenvolvimento de competências que se adequassem às necessidades dos governados. É verdade que os políticos, quando querem, são capazes de se superarem, de se adaptarem e de se reconverterem dia após dia e isso, com toda a certeza, não é necessariamente motivado por um descontentamento latente, mas antes por uma vontade indomável de progredir e de bem-servir.

Todavia, os políticos esquecem-se ou fazem-se esquecidos de que têm um histórico, o qual não se confina apenas ao seu passado. Há muito mais futuro pela frente. Fazer política é muito mais que ser presidente ou vereador, tanto mais que ninguém estuda para ser tal. É essencial contribuir para a sociedade, é preciso relacionar-se com os outros quando estes interagem em diferentes papéis, é necessário ganhar mais mundo mesmo sem sair do seu país.

O contributo do político não deve estar relacionado com o vínculo contratual, mas sim com a oportunidade de desenvolver e de ganhar experiência para a colocar ao serviço do bem comum. O que é fundamental é a valorização das pessoas, garantia legal e social, mesmo que se trate de uma experiência temporária. Aliás, a política deve ser a prazo e não uma forma de vida. Ninguém deve ser político, mas estar na política.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:54

Novembro 20 2015

A maioria de esquerda na AR começa a detonar toda a legislação, de rigor e responsabilidade, construída nos últimos. Não acreditam? Então observem:

- Os casais homossexuais já podem adoptar;

- O aborto irá ser ainda mais liberalizado e sem quaisquer custos para quem o faça;

- Os alunos do 1º CEB deixam de fazer exame;

- A Prova de Avaliação de Conhecimento e Competências dos professores, conhecida por PAAC, irá acabar;

- Os funcionários públicos irão novamente trabalhar apenas 35 horas por semana e verão reposto integralmente os seus salários;

- A nacionalização dos transportes será revertida a curto prazo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:38

Fevereiro 09 2015

Cada cabeça sua sentença, diz a sabedoria popular. Contudo, há limites para tudo e o sentido de responsabilidade deve imperar sempre. Abandonar os outros à sua sorte, não fazendo uso dos poderes que o cargo lhe confere, é indigno, por muito que haja ou tenha havido erros em todo o processo.

O exercício de uma acção é sempre um risco e fazê-lo com assertividade nem sempre é possível. Mas a não actuação, a omissão, o cruzar de braços é um sinal inequívoco definidor do carácter de uma pessoa. De longe é preferível agir, mesmo que posteriormente se demonstre que o modo foi errado, do que fingir ou olhar para o lado.

Os nossos ditames não podem ser guiados exclusivamente pelos riscos. Fazer algo quando se vê ou sabe que daí advirão apenas vantagens é pura hipocrisia.

Meter as “mãos na massa”, enfrentar o “toiro pelos cornos”, pelo que se vê, não é para todos. É para quem, como diz o nosso povo, os “tem no sítio”.

A realidade de hoje é muito diferente da que era há dez, quinze ou vinte anos. E, por isso, as estratégias para enfrentar os problemas têm forçosamente de ser diferentes. Não compreender isto é não saber ocupar o lugar. A reorganização da sociedade e as suas implicações em todas as instituições exige profissionais que proporcionem segurança e, sobretudo, uma rectaguarda de confiança.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:47

Maio 23 2011

Por vezes, algumas pessoas, isto é, as poucas que costumam pensar, interrogam-se acerca da culpa que tiveram na enorme crise económica, entre outras, que o nosso país atravessa. A minha resposta, invariavelmente, vai para o sim. Como é evidente, os governos não são escolhidos por estrangeiros ou ao acaso. São fruto de escolhas pessoais e, sobretudo, a sua acção governativa é, essencialmente, ditada pela maior ou menor pressão que os mais diferentes sectores da sociedade lhes fazem.

E a certeza absoluta é que tal situação nos conduziu a mais que uma crise económica, obrigou-nos a suportar uma crise política. Não vale a pena disfarçar e enlamear seja quem for. A insistência, ou, como, hoje, as pessoas gostam de lhes chamar, a persistência em práticas contraproducentes, levadas a cabo pelo presente governo, felizmente demissionário, conduziu a maioria das pessoas à desilusão.

Todavia, verdade seja dita, a presente crise política só tem sentido se não atrasar ainda mais o processo de reformas de natureza estrutural, o qual é indispensável para garantir o desenvolvimento sustentado do país e, em consequência, também pelo efeito de arrastamento, vital para o crescimento económico e para o emprego.

Mas, tendo presente a prática governamental do PS, será que devemos estranhar? Penso que não. As mudanças de arquétipo são, frequentemente, associadas, numa fase inicial, a perturbações menores, às quais, a maior parte das vezes por autismo político, não lhes damos importância. Aliás, os principais destinatários são os primeiros responsáveis pelo erro de análise, uma vez que, após constatarem a surpresa provocada pelas alterações, atribuem, quase sempre, as culpas a circunstâncias externas. Depois do primeiro erro, vem o segundo, e atrás deste … o hábito.

O certo é que demorou alguns anos até que se adquirisse consciência plena de que não era possível às famílias e ao país continuar a sustentar o crescimento acelerado do endividamento. Conceder crédito a tudo e a todos para aquisição de tudo, era, como hoje está demonstrado, insustentável, quer em termos de recursos financeiros do sistema bancário nacional, quer em termos de capacidade de endividamento de uma boa parte delas, realidade que nem os sucessivos alargamentos dos prazos de empréstimo conseguiu ultrapassar.

Bem sei que isto não é aceite de bom agrado por uma parte substancial da população, pois, politicamente, não é correcto. Porém, a realidade diz-nos que todos – governantes, empresas, bancos e famílias – demoraram a perceber que a economia pode ser conduzida, distorcida e até “enganada”, durante algum tempo, mas, no fim, sempre prevalecerá a tendência para a justa valorização dos recursos e para a sua afectação mais eficiente.

Tardámos, culpa principal de quem nos governou nestes últimos seis anos, em reconhecer os problemas e demorámos a construir soluções fiáveis, as quais apenas foram possíveis de encontrar com ajuda da troika. Agora, encontradas que foram aquelas – para aplicar de forma obrigatória e, de certo modo, imperiosa -, sobre as quais foi possível estabelecer, a priori, consensos efectivos e alargados na sociedade portuguesa, é o momento para não continuar a esconder, por motivos eleitorais ou outros, a verdade aos portugueses. Bem pelo contrário.

Tendo presente os erros cometidos durante a I República e que conduziram à morte da democracia, ocorrida em 28 de Maio de 1926, e reconhecendo a urgência da implementação das ditas soluções, tem que ser possível que as principais forças políticas façam um esforço para, de imediato, cessarem com demagogias e populismos sem sentido.

Os muitos milhares de portugueses que afincadamente e de um modo honroso trabalham em prol de um país melhor ficariam eternamente gratas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:43

Abril 04 2011

Somos um país sui generis. Apesar de possuirmos, muitas vezes, e de forma denodada, conceitos e atitudes perfeitamente dispensáveis, a verdade é que, também, somos capazes do melhor. Pena é que estes últimos casos sejam escassos. Ou melhor, sejam em número menor do que as posturas ineficazes.

Por exemplo, quem cumpre os requisitos e está dentro da lei não deveria precisar de percorrer o “caminho das pedras” de um velho “calvário”. Bem pelo contrário. No entanto, infortunadamente, não é o que se passa. É que, para além da inveja de quem tem sucesso na vida, um péssimo hábito que nos atinge maioritariamente, desconfiamos sempre do vizinho, do colega e até do amigo, enfim de todos que vemos ser bem sucedidos.

E, nesta ordem de ideias, logo comentamos, se não denunciamos mesmo, que tal pessoa só pode ter o que tem, porque teve tonos menos honestos. Querer saber se a pessoa em causa implementou ou não processos e métodos mais eficazes, se trabalhou mais e, sobretudo, de forma mais eficaz, isso não. Preferimos duvidar dos outros do que informarmo-nos e tomar as mesmas medidas. No fundo, em termos de metodologias de trabalho e, principalmente, de eficiência no desempenho, optamos quase sempre por um nivelamento por baixo. Já no que concerne aos resultados, porém, somos sempre os primeiros a achar que merecemos o primeiro lugar, a maior promoção, isto para não falar dos que pensam merecer uma casa em condomínio fechado, andar em automóvel topo de gama, fazer férias nos melhores resorts, frequentar os melhores hotéis e restaurantes, por muito que nada façam para isso.

Aliás, deixem-me dizer que, para além de conviver mal com o sucesso dos outros, bem pior é o facto de admirarmos quem não cumpre a lei, bem como o “chico-esperto” que consegue ludibriar o fisco. Mais: detestamos aquele que cumpre e faz cumprir a legislação, estando, à mínima possibilidade, prontos a apeá-lo. Não é por acaso que adoramos que seja aplicada a máxima – negativa, direi eu - de que “a lei não pode ser aplicada de forma cega”. Verdadeiro princípio para abertura de toda uma série de excepções, com os consequentes atropelos à lei, dos quais a nossa sociedade é tão pródiga.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:45

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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