O meu ponto de vista

Fevereiro 15 2017

Volto de novo ao tema da função pública. Muita água tem corrido em torno das medidas colocadas em prática relativamente à reposição de salários e número de horas de trabalho semanal dos funcionários públicos. Trata-se de algo eficaz? Haverá uma relação directa com a produtividade? E os encargos salariais não aumentaram?

Pessoalmente, muito mais que salários e outras regalias, penso que existe um problema de motivação no sector público. Por um lado, não se fomenta a motivação positiva: em imensos casos não há diferença remuneratória entre os colaboradores que têm um desempenho medíocre e os que fazem um bom trabalho. Por outro, a improdutividade não tem consequências se o trabalho feito é de baixa qualidade, bem como não é possível substituir o trabalhador por outro com melhor performance.

Neste contexto, acredito que o facto de o posto de trabalho não ser assegurado de forma vitalícia faz com que o colaborador tenha de demonstrar a cada dia o seu valor, traduzindo-se num incremento de mais-valia.

Historicamente, o modelo da função pública foi muitas vezes tido como sendo demasiado complacente quando comparado com as regras do sector privado. E, em termos de equidade entre estas duas vertentes da economia nacional, não me parece que o modelo adoptado por este governo seja mais eficaz. Muito embora compreenda que o número de votos em questão não seja, de modo algum, despiciendo. Este governo não se está “lixando” para as eleições!

O sector público está a travessar uma reestruturação. Duvido é que seja para melhor, apesar de ainda ser cedo para antever todas as consequências, nomeadamente a nível económico.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:45

Março 25 2014

Já lá diz o ditado “ tristezas não pagam dívidas. Por isso, enquanto aguentamos as querelas partidárias, bem como as lutas pelo poder, continuamos a respirar, a aspirar, a trabalhar - os que podem, é claro -, a viver lutando contra a adversidade e a divertirmo-nos. Sim, porque não só do pão vive o homem! Por outro lado, bem sabemos que “entre mortos e feridos alguém há-de escapar” e, sem dúvida, cada um de nós, a seu modo, quer fazer parte do grupo dos que conseguem escapar.

Novas medidas de austeridade estão na forja e não são anunciadas já porque daqui a dois meses realizar-se-ão eleições. Mas esperem que elas surgirão.

O que não surgirá - pelo menos tão cedo ou até nunca – é a tão propalada reforma do Estado. Paulo Portas, “macaco velho”, está calado e vai dando palpites sobre tudo e sobre nada. Porém, daquilo que é mais importante nada diz. Implementar medidas – reduzir a burocracia, agilizar o investimento, reformular toda a teia de impostos, fomentar e financiar as PME, apoiar e facilitar as exportações, diminuir os gastos supérfulos do Estado (fundações, junção de organismos) entre tantas outras - há décadas que se fala, que se afirma, até à saciedade, que é urgente, mas … nada.

Ter em atenção ao quê, ao como, quem e ao quando relativamente às medidas em concreto que ditarão o nosso futuro é importantíssimo, mas o certo é que somos como o caranguejo: um passo à frente seguido de dois atrás.

Não adianta utilizar a estratégia da avestruz ou do velho do Restelo, não fazer nada porque nada resolve ou porque não vale apena. Não é verdade e muito se resolveria se as medidas forem exequíveis e, sobretudo, suprapartidárias.

Acreditar que as coisas mudarão se nós quisermos que elas mudem é fundamental.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:59

Outubro 24 2013

Antes de começar por escrevinhar este texto, recordei-me de Paulo de Carvalho. Um músico, mais do que cantor, como ele próprio diz, por considerar que “toca a voz”, um músico que caminha a passos lagos para as bodas de ouro da fundação dos «Sheiks», que celebrizou um tema onde proclama que “Dez anos é muito tempo/muitos dias, muitas horas a cantar”.

No caso dele, aos primeiros dez anos sucederam-lhe outra década, sempre com o apoio do público, com uma matriz tão harmónica que há canções velhinhas que ainda hoje se ouvem com agrado, como é exemplo “Nini” dos 15 anos de todos nós, que vestia de organdi e dançava, dançava uma dança sem fim.

Voltando ao presente, e com os pés bem assentes na terra, o que também parece não ter fim é a vocação política de retardar soluções, sobretudo pelo esquecimento de pequenas e médias decisões sem as quais os grandes objectivos não avançam. É o caso da reforma do Estado.

De facto, esta última década, e principalmente estes últimos anos, foi tempo perdido quanto à reestruturação e reorganização do Estado, algo que deu origem à mais recente crise governamental, protagonizada por Paulo Portas, o qual ficou de a apresentar até finais de Agosto p.p. e que tem sido adiada sucessivamente, acreditando eu que jamais chegará a ver a luz do dia. O homem de palavra, que proclamava aos quatro ventos que sempre foi “de quebrar antes de torcer”, afinal vê-se que é um mau pagador de promessas.

Os interesses instalados, o facto de «mexer» com muito «boa» gente, levam à inacção, cumprindo o adágio popular “faz-se tudo e mais alguma coisa para que tudo fique na mesma”. Vá lá, quanto muito “mudam as moscas, porque a …”

As sucessivas boas declarações de intenção de vários governos sobre esta matéria esbarraram, como hoje esbarram, na morosidade das acções e na ausência de iniciativas lógicas e maturadas.

Nós, os que perseguimos o objectivo de reabilitar o bom nome de Portugal, facto que jamais se fará sem uma verdadeira reforma do Estado, não temos mais dez anos para desperdiçar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:48

Agosto 01 2013

A comunicação social noticiou que as câmaras municipais só irão colocar os funcionários, que têm a mais, no quadro de disponíveis depois das próximas eleições autárquicas, ou seja, após Setembro que se avizinha. Pergunto: mas alguém tinha dúvidas que era isso mesmo que aconteceria, apesar da lei, entretanto aprovada, o permitir?

Como se costuma dizer “quem vier atrás que feche a porta” e já agora, porque os tempos são de extrema crise, que também apague a luz. Quem, na verdade, ficará com a “batata quente nas mãos” serão os futuros autarcas, i.e., na sua larga maioria, outros políticos, os quais, durante a sua campanha eleitoral, irão dizer, até à saciedade, que não colocarão ninguém naquelas condições, quando, o certo, é que sabem não ter outra alternativa.

Como é evidente, posteriormente irão (re)afirmar, o já ouvido pela “trigésima quinquagésima vez”, que, afinal, não contavam com as contas em tão mau estado e, por isso, com o coração dilacerado - onde é que já ouvi isto? -, terão que tomar essa e outras medidas, cuja culpa jamais é deles.

Aliás, o governo, como todos já compreendemos também não fará qualquer reforma do Estado. Por um lado, porque até 2015 várias eleições se avizinham e os lobbys aí estão para lhe recordar tal e, por outro, porque nenhum dos partidos da coligação tem genuína vontade de reformular seja o que for. Como tal, irão “remendar” aqui e além, irão cortar a torto e a direito, usando simplesmente a folha de Excel ou, como se costuma dizer mais popularmente, a régua e a esquadro.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:51

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