O meu ponto de vista

Março 15 2017

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Pois, pois … Reforma é reforma e eleições são eleições! Tantas “ideias” lançadas ao vento, tantos projectos, tantos planos colocados a circular nos media afectos, tantas reuniões com a gratificação das respectivas deslocações – paga Zé! -, para … puf ! Foi um ar que lhe deu!

De acordo com a imprensa desta manhã, António Costa terá dado ordens a Tiago Brandão e à sua equipa para travarem a implementação da tão propagandeada reforma curricular. Sim senhor, o nosso primeiro percebe muito disto! E sabe, melhor que ninguém, que um início de ano lectivo atribulado, via implementação da dita, podia esbodegar as eleições autárquicas.

Vai daí, não hesitou. Mandou que a “5 de Outubro” travasse a fundo, que é como quem diz, “tiro-vos o tapete e vocês equilibrem-se como puderem”. Quem manda, pode e o resto são cantigas. Não é por acaso que aqueles já dizem “a vida Costa, Costa!”

Numa tentativa de salvar a face, o ME tenta que a “coisa” avance numa de experiência piloto em cinquenta escolas e segundo se conta nos “mentideiros” já se encontra em campo uma indagação de quem se oferece para tal.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:46

Março 14 2017

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Afinal a tão propalada reforma curricular pode não passar do papel. O que foi afirmado ontem, é desmetido hoje e alterado amanhã. Veja-se o caso do emagrecimento das disciplinas ditas essenciais – Português e Matemática. Com o (re)ssurgimento de outras e não podendo aumentar a carga horária dos discentes, a qual já é pesadíssima, uma das maiores da Europa, só havia um caminho, ou seja, retirar horas lectivas daquelas. Algo, aliás, com que a presidente da Associação de Professores de Matemática, mancomunada com a actual equipa do ME, concordou publicamente, vindo agora desdizer-se, afirmando que tal nunca tinha estado em cima da mesa. Bem, farinha do mesmo saco!

O certo é que tudo não tem passado de fogo-fátuo, em inúmeras reuniões promovidas, um pouco por todo o país, à porta fechada como convém, pelo SE da Educação, João Costa. Lançam-se umas ideias para a esquerda, outras para a direita, para cima também se notam, para baixo por ser conveniente, em diagonal uma vez que pelos lados também se joga, do género “vamos ver qual o barro cola à parede”.

Como é necessário mudar o edifício crátrico de alto a baixo, independentemente dos estudos e das soluções, em tempos tomadas, terem surtido efeito, e uma vez não se ter uma ideia própria, i.e., com “cabeça, tronco e membros”, toca de lançar uns bitaites, tipo spin on e skeel out.

É que esta “coisa” da reforma curricular é bonita e fica bem na lapela. Todavia, quando se começa a escarafunchar vê-se que não existe outra solução que não pode deixar de passar pela alteração da carga horária semanal das disciplinas. E se, por um lado, ninguém quer ficar sem a sua disciplina, por outro ninguém quer perder qualquer regalia e assim, como é óbvio, ficamos nesta ambivalência: concordo com a alteração se não for na minha aldeia. Mais: também concordo com a redução horária desde que não seja na minha casa.

Por isso, digo que, para já, esta nova história de Cinderela não passará de uma história de bruxas más da Bela Adormecida ou da Branca de Neve.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Fevereiro 24 2017

Volto ao tema da nova reforma curricular. Perdão, pois “não é uma reforma curricular, mas uma nova forma de gerir o currículo”, de acordo com as palavras do secretário de Estado da Educação. No fundo, desde logo, trata-se do “emagrecimento dos currículos”, que deverá passar, já em Setembro, pela definição das “aprendizagens essenciais” nas disciplinas do 1.º, 5.º e 7.º ano de escolaridade.

Depois há a registar o regresso da Área Projecto e da Educação para a Cidadania, como já aludi no artigo anterior. “Há quem considere que não compete à escola fazer educação para a cidadania. Que a escola serve para ensinar a ler, escrever e contar. Nós consideramos que todo o desenvolvimento científico e tecnológico que tem ocorrido não chega se não tiver uma base humanista. É para nós evidente que o horário tem de a [Educação para a Cidadania] contemplar”, afirmou o secretário de Estado, João Costa. Isto é lindo e de aplaudir, uma vez trazer de volta os grandes educadores do povo!

Não menos importante é o convite a que todas as escolas possam gerir 25% do currículo, dedicando esse espaço a projectos interdisciplinares e experimentais. Já estou a ver fulano A ou beltrana B a usufruírem destas horas pois os seus horários terão de ser completados. Se pretendem ou gostam de metodologias de projecto? Isso é irrelevante e dos fracos não reza a história!

Por outro lado, é bom não esquecer que João Costa falou também na “possibilidade de semestralizar algumas disciplinas, dobrando a carga horária dessas disciplinas, o que faz com que os professores tenham metade dos alunos, potenciando algum trabalho de diferenciação”. Em suma, parece que aumenta a carga horária das disciplinas mas, no final, diminui. Não acreditam? Então, observem as análises já feitas sobre este campo. Mais areia para os olhos.

Finalmente, com o novo perfil pretende-se, em traços gerais, que concluído o ensino obrigatório o jovem adulto seja “livre, autónomo, responsável e consciente”, capaz de “pensar crítica e autonomamente”, “dotado de literacia cultural, científica e tecnológica que lhe permita analisar e questionar criticamente a realidade” e que “rejeite todas as formas de discriminação e de exclusão social”. E, para rematar, "as competências são determinantes no perfil dos alunos, numa perspectiva de construção colectiva que lhes permitirá apropriarem-se da vida, nas dimensões do belo, da verdade, do bem, do justo e do sustentável, no final de 12 anos de escolaridade obrigatória”. É lindo, poético e fica bem no final deste texto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:37

Outubro 12 2016

O grau de exigência e o tipo de controlo do ensino devem ser proporcionais ao risco para o interesse público que é preciso acautelar e proteger. Por isso há, antes de proceder a mudanças, que perceber com algum rigor e profundidade o contexto onde as normas foram e são aplicadas. Tal exige não apenas o cumprimento da formalidade da “consulta”, mas sobretudo um espírito aberto às recomendações oriundas de todas as fontes e não de onde - neste momento - sopram os ventos. Caso contrário somos iludidos, propositada ou despropositadamente, não nos tendo precavido com um princípio fundamental que é de analisar os resultados depois dos mesmos terem sido produzidos. Verdade lapalassiana e que no presente caso não foi atendida.

Vem esta introdução a propósito de mais uma reforma curricular. Corra-se por onde correr, fale-se aqui e acolá, os governos neste campo não resistem a fazer sempre o mesmo: mal se alocam no poder há que mudar, senão toda, quase toda a legislação anteriormente produzida. E, nós, meras cobaias, lá vamos gemendo e chorando, mas baixinho para que a casa não venha abaixo.

Fala-se em encurtar os currículos de modo a aumentar o sucesso escolar. É o make it easy no seu esplendor máximo. Não se trata de simplificar os processos burocráticos e/ou a eliminação dos encargos administrativos desnecessários, os quais sobrecarregam extraordinariamente os docentes. Muito menos se trata da eliminação ou redução daquilo que se pode designar como actividades sem valor acrescentado e são tantas. Trata-se, sim, de retomar uma cultura do facilitismo, já encetada nos governos de José Sócrates, e que tão maus frutos deu.

Como é evidente o comportamento ético e deontológico dos docentes é atirado às malvas. Porém, em face de valores tão elevados que a esquerda e extrema-esquerda cultivam nada nos admira.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:25

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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