O meu ponto de vista

Junho 21 2019

O meu tempo não é o teu. Constatação pura e dura. Como é costume dizer, contra factos não há argumentos. Aliás, antigamente dizia-se que o prometido é devido. Hoje, porém, proclama-se que o prometido é recebido. E como não recebi nada …

Existem flutuações? Oh se existem! Então hoje é o pão nosso de cada dia. Actualmente nada é igual ao que se passava há um, dois e muito menos há dúzia de anos atrás. A volatilidade dos critérios é algo que começa, infelizmente, a ser causa comum.

Não sou estereotipo de quem que seja. Bem pelo contrário. Sou tudo e jamais sou nada. Não sou arco-íris, pois tenho cores bem definidas e, sobretudo, não surjo de vez em quando. Estou onde sempre estive, de alma e coração, com erros e defeitos, admito, mas também com virtudes e talentos, não tantos como gostaria de ter, é certo. Porém, os perfeitos que atirem a primeira pedra.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:48

Dezembro 19 2017

É tempo de Natal e as reflexões (!!!) consumistas em torno desta temática tendem a colocar um líder, ou uma figura de chefe de armazém, no centro das estratégias de dádivas. Falo, como já compreenderam, do Pai Natal, algo que não existia na minha meninice. Há cinquenta, sessenta anos quem dava as parcas prendas, quando as havia, era o Menino Jesus. Hoje Este está esquecido no presépio e é onde ele é montado, i.e., numa minoria de casas.

Todavia, há que lutar contra este mundo materialista em todo o momento e, sobretudo, neste tempo do Advento. O papel d’Aquele que veio e virá não pode nem deve ser minimizado. Por muito que tentem demonstrar que Ele não é determinante, nada há, porém, de tão motivante.

Todos, ou melhor, a maioria de nós revela que estamos mais inclinados para prestar um bom serviço ao seu irmão quando nos sentimos comprometidos/motivados e envolvidos verdadeiramente – sem crendice ou beatice – com um ente Superior. Ora, isto sugere que um elevado nível de compromisso com os seus semelhantes é sinónimo para alcançar um maior desempenho em todos os sectores.

Afinal, os líderes terrenos não são os que mais motivam. Bem pelo contrário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:01

Agosto 23 2017

Não, não nos podemos esquecer de que a dimensão de compromisso espiritual se encontra em permanente ameaça, a qual se consubstancia no nosso afastamento e fechamento em relação aos outros. Esta é uma realidade que não podemos ocultar e muito menos escamotear. Muito desta atitude de distanciamento está relacionada com o facto de não nos querermos expor perante situações que afectam os outros e que podem interferir ou colocar em causa o nosso conforto e tranquilidade ou, com maior impacto no fechamento, a nossa segurança.

Na realidade, somos diariamente confrontados com problemas sociais que revelam de forma inequívoca a instabilidade e complexidade do mundo em que vivemos. Muitos destes problemas revelam-se através de iniquidades injustas e das desigualdades incompreensíveis, das falsas promessas e das corrupções que nos deformam, das interpretações irracionais estereotipadas do outro que desconhecemos e que nem sequer queremos compreender.

Felizmente, alguns de nós, há muito “vacinados”, encontram-se “equipados” com um conjunto de modelos e ferramentas que permitem enfrentar com maior competência os problemas sociais que se nos vão colocando.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Maio 09 2017

Isto de acharem que uma pessoa possui capacidades quase ilimitadas, de abraçar mais e mais tarefas, aliado ao facto, de algumas vezes, não saber responder não, é o que dá. Nem tempo para coçar os … e muito menos para escrever algo que dê gosto de publicar.

E, segundo contam os “mentideiros”, a coisa parece não ficar por aqui. Novas atribuições, novos poisos, novas deslocações aparecem no horizonte. Cuidado, pois tenho dito que o meu limite não é céu. É bastante mais abaixo. E eu que gosto cada vez mais de ficar no meu canto. Bem, ser sessentão não é um acaso, é um facto.

A esperança tem, de certo modo, estado sufocada por algo velho (agora não me refiro à idade!), mas, teimosa como é, usurpa e estrebucha para manter o seu lugar. Enquanto não inspirei a confiança que gera esperança assumi, em plenitude, que não valia a pena pensar que retinha talento. Quanto muito apenas fechei fronteiras. Contudo, novas atitudes também acarretam custos. O principal é a dupla marginalização: por um lado ser considerado um outsider e, por outro, ser acusado de “abandonar o barco” em dificuldades.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:19

Abril 29 2016

O texto que se seguirá, falará essencialmente da mulher. Todavia, pode ser lido independente do género. Por isso, quem assim o entender, onde está escrito mulher pode ler homem. Feito o aviso prévio à navegação, vamos à reflexão que hoje me anima.

As mulheres não se escolhem nas revistas ou em páginas dos jornais, isto apesar de saber que proliferam por esse vasto mundo da Web imensos sítios onde se podem catrapiscar. Mesmo que o mediatismo de determinada mulher possa gerar a ilusão de ser, automaticamente, e sem qualquer processo de comparação prévia com outras, aquela tal, a especial, não é conveniente ir por aí.

Conseguir a mulher dos nossos sonhos não é matéria fácil e, na maior parte das vezes, tal só acontece cirurgicamente e quando pensado ao detalhe, exigindo estudo, paciência e, sobretudo, assertividade elevada a um exponencial muito alto.

O desafio para o homem é ser seleccionado o melhor de entre os melhores. Focalização na beleza, ainda que esta seja relativa? Ser, simultaneamente, carinhoso e másculo? Estar orientado para a afectividade, para a visão do conjunto ou da parceria, para a criatividade e inovação, bem como para a resiliência? Bem, são muitos os factores a ter em conta e bastante complexos, tanto mais que não se podem comprar em qualquer farmácia.

Ora, sabendo que não vêm com livro de instruções, que cada uma é um ser especial, i.e., que de estandardização não têm nada, que se acham o centro do mundo, por esta pequena amostra se vê que é tarefa ingrata aquela que espera o homem.

Não há milagres, nem fórmulas de sucesso. Há, sim, muito trabalho e dedicação, abundante investimento de tempo e de espera. A empresa americana de pesquisa, Stanton Chase, identifica que a escolha da mulher certa implica considerar sempre, pelo menos, o conhecimento de 40 possibilidades. Desafortunado de mim, pois nem à quarta parte cheguei. Bem, como dizia em tempos alguém, “não é coisa de que me deva orgulhar”!!!

Por outro lado, as boas competências reveladas por um homem, “técnicas” e comportamentais, são relevantes, mas o fundamental é que saiba manter-se atractivo aos olhos dela. Dito de outo modo: não basta ter low prolife, mas sim com o ser reconhecido entre pares, ter consolidado prestígio em áreas de intervenção paralelas, como a responsabilidade social e possuir o “saber estar e ser” em qualquer circunstância. Sublinho qualquer circunstância!

Finalizo com uma máxima: um homem se tem razão deve calar-se; se não tem deve pedir desculpa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:58

Novembro 17 2015

Cada vez mais começo frases e/ou diálogos com “não entendo…” Sinais dos tempos ou de velhice. Bem, venha o Diabo e escolha!

De uma coisa estou certo: ou os tempos mudaram muito e eu, que sempre pretendi acompanhar os respectivos sinais, não fiz os trabalhos de casa, ou, então, estou a entrar numa sintomatologia de esclerosamento, esperando, caso seja essa a verdade, apenas que seja passageira.

Bem sei que, na vida, nem tudo é branco ou preto. Todavia, quando se pergunta algo relativo a uma questão simples cuja resposta se espera ser “sim” ou “não”, raríssima é a pessoa que retorque deste modo, uma vez que, por hábito ou fuga em frente, inicia os seus esclarecimentos com circundantes e solilóquios.

No fundo, ouve-se pouco e fala-se demais. Bem, quando digo que se fala demais, estou a referir-me a determinadas circunstâncias: ao calculismo das respostas que originam as redondilhas e os entretantos, ao falar por falar, não dizendo nada, como forma de ganhar tempo, ao “chutar para canto” de modo a não se comprometer, entre outras causas. Isto porque, há determinadas circunstâncias e lugares, como é, por exemplo, na família, onde nitidamente se fala de menos.

Como bem sabemos, desde a velha Grécia, a retórica sempre foi uma arte. E pessoas existem que continuam a exercê-la magistralmente!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:38

Dezembro 24 2014

Noite de alegria uma vez que está preste a nascer o Salvador do Mundo.

Todavia, tal como ontem escrevi, simultaneamente começa, ou melhor, reinicia-se o sofrimento do Homem, devido à desordem do aludido Mundo por causa dos homens.

Os dicotómicos desenvolvimento/miséria, poder/escravidão, bem-estar/dor, abundância/pobreza, para não falar do mais comum, alegria/ tristeza, fazem-nos pensar nas enormes contradições deste nosso viver terreno.

Que Deus Menino nos faça reflectir e, sobretudo, impeça que nos escondamos, ainda que involuntariamente, atrás das luzes desta consoada.

 

Postal de Natal 2014.jpg

 

FELIZ NATAL

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:33

Dezembro 23 2014

A correria louca – pelo que vejo na TV - que alguns, senão a maioria, andam nestes dias, numa azáfama quase a raiar a loucura, correndo de loja em loja, de shopping em shopping, numa tentativa (vã) de agradar a este, àquele ou aqueloutro, acabando por ficar sem tempo para pensar no mais importante, dá-me oportunidade para reflectir nesse grande milagre que é a diversidade da vida.

Sim, porque o dia-a-dia a que me tenho votado ultimamente, isto é, a solidão do campo, consubstanciada na poda das vinhas, dá-me tempo suficiente para cogitar no âmago deste tempo que, por definição, deveria ser, numa palavra, de simplicidade. Na verdade no nascimento somos todos iguais, apesar de, infelizmente, nos momentos seguintes começarmos a diferenciar-nos.

Nas longas horas do dia, sem necessidade de citações, sou eu e a minha circunstância, sou eu, o lavrador, e a natureza. Ou será apenas suor, sangue e lágrimas? Pouco importa! O relevante é o sentir telúrico da mãe-terra e a aquiescência para o que a vida nos reserva.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:26

Outubro 31 2014

A liberdade de falar e de escrever, como a generalidade das pessoas bem sabem, é algo que se reconquistou à quarenta anos e está prescrito como direito constitucional. Contudo, algumas existem que, quer os outros escrevam ficção ou não, e por muito que seja efectuado dentro dos limites da urbanidade, acham que tal direito deve ser coartado, apesar de serem as primeiras -  farisaicamente, entenda-se – a defender a plenos pulmões, i.e., publicamente, a liberdade total.

O saber falar e, neste caso, escrever, é um dom e como tal deve ser exercitado diariamente. Não estou a afirmar que possuo este, bem pelo contrário, mas somente a constatar um facto. Esta qualidade, a maior parte das vezes inata, mas que também se melhora através de uma dedicação e empenho aturado, deve ser colocada em prática o mais comumente possível, à semelhança de outras faculdades, na defesa honesta do modo de pensar, ser e estar, na crítica construtiva, na apresentação constante de alternativas credíveis, mas tendo sempre como objectivo final o serviço ao outro.

Aquilo que genuinamente somos em contraste com a imagem que os outros constroem sobre de nós depende e muito do que, como e quando fazemos, seja de que índole for. Daí o risco de quem, quase diariamente e há tantos anos, escreve. Expõe-se, desnudando-se por vezes até, o que acarreta incompreensões e, sobretudo, incómodos. É o preço a pagar.

Como é óbvio, muito menos apoquentado estaria senão escrevesse e dissesse o que penso. De algo tenho a certeza: analiso e discuto ideias, jamais pessoas.

 

Adenda: este é um texto a quem não dou qualquer liberdade - sim, bem sei que me vão acusar de incoerência -  para o lerem como algo justificativo do que quer que tenha dito ou escrito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:05

Setembro 12 2014

Neste local, praticamente vazio, olho em redor e nada sinto! A ausência de sensações é um sinal, um timbre que ecoa pelo silêncio ensurdecedor que me cerca e ressalta nas minhas memórias, pronunciando um, ainda que ligeiro, amargo da boca.

Não que tenha vivido mal ou desperdiçado os sonhos de uma vida. Alguns sim, é verdade. Todavia, quem poderá dizer que tudo aproveitou?

É sabido que me sobram sonhos e começam a faltar anos. Igualmente sei que já não tenho muito tempo e este jamais voltará atrás. E, conforme diz o poema cantado pela Marisa, se “não vou pedir ao tempo que me dê mais tempo”, prometo que irei amar e viver mais – perdoem-me a redundância.

Tendo consciência de que ser feliz não é obrigatoriamente sinónimo de estar numa relação com alguém, mas também acreditando que o velho ditado “mais vale só que mal acompanhado” não ilustra verdadeiramente a essência do Homem, enquanto ser gregário, resta-me a consolação de que, de certo modo, faço o que quero, como quero e quando quero. Ou, pelo menos, quase!

Ora, para muitos, isto já é ser feliz.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:56

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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