O meu ponto de vista

Setembro 19 2017

Dizer que foi o governo actual que retirou o país do lixo é, para além de absolutamente falso, revoltantemente desmemoriado.

Falso uma vez que senão fossem as medidas extraordinariamente restritivas implementadas – a falta de dinheiro assim o exigia – por Passos Coelho, fazendo cair a inflação de 10 para 3%, tal não seria alcançado.

Desmemoriado por esquecer que quem colocou Portugal no lixo foi o governo do PS, chefiado por José Sócrates.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:15

Março 07 2013

Sinceramente, quem me tira, seja ao almoço ou ao jantar, uma subida ou descida de rating protagonizada pelas afamadas agências, tira-me tudo. Isto de saber que a economia X possui triplo A e a do vizinho ao lado é menos que lixo dá outro realce à refeição. É certo que, na maioria das vezes, não percebemos porquê nem como chegaram a tais conclusões, mas isso para o caso pouco ou nada importa. De realçar é o modo como colocam em cima ou em baixo uma empresa ou um país.

Como tudo na vida, existem os poderosos, para os quais, por muitas vicissitudes que passem, o tal rating jamais desce, enquanto, por outro lado, existem os coitados que, por muito que façam pela vida, andam sempre pelas ruas da amargura e, por isso, jamais passarão de BBB/CCC, com muitos menos à mistura. E “viva o velho”, como se costuma dizer.

Por exemplo, é sabido que dificilmente os EUA honrarão a enorme dívida que contraíram, incluindo a que está mais próxima de vencer. Contudo, estranha-se que as “moodys” continuem ignorar este facto e prefiram penalizar um pequeno país europeu que, apesar de fortemente endividado, tem mostrado uma coragem indomável, sacrificando-se até ao limite das suas forças, para dignificar os seus compromissos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:26

Julho 09 2011

O meu penúltimo texto, intitulado “Essa é que é essa”, levantou um turbilhão de comentários e interrogações, levando-me, mesmo sem ser meu hábito, a voltar ao assunto de modo a esclarecer alguns pontos.

A primeira constatação obriga a dizer que nos colocamos bem a jeito para nos malharem (e com força), pois quem muito deve e pouco ou nada faz, na prática, para inverter a situação não pode vir depois chorar … lágrimas de crocodilo. Não tivéssemos uma dívida tão grande e queríamos lá saber de agências de notação financeira.

A segunda prende-se com a leitura do relatório da Moody’s. Quantos comentadores – somos todos ou quase – já se deram ao trabalho de o ler? E dos poucos que o leram, quantos o fizeram de forma desapaixonada? Continuamos a discutir os assuntos pela rama, concentrando-nos mais na espuma do que nas ondas propriamente ditas. É que se o lessem veriam que, independentemente da boa gestão governamental que, estou certo, haverá, necessitamos, senão em 2012, pelo menos em 2013 de novo empréstimo internacional. Todavia, o problema crucial não reside somente aí, uma vez que a futura ida ao mercado financeiro, e consequentemente novo acordo, advirá de não conseguirmos honrar os nossos compromissos, entretanto assumidos, servindo, sim, para saldar os anteriores. Ora, isto é uma autêntica bola de neve e de nada vale esconder a cabeça na areia como a avestruz.

Por isso, sabedores que a situação não contém nada de novo, só existem dois caminhos: a mudança radical da nossa forma de ser e estar e uma forte intervenção política da União Europeia, a qual, como dizia Henrique Monteiro no “Expresso” de hoje, tem de deixar de ser um conjunto diversos de interesses e políticas com uma mesma moeda, para passar a ser um interesse comum com uma moeda única.

Em abono da verdade, existe uma terceira via, isto é, a apregoada pelo PC e BE: a saída do euro e, de seguida, da Comunidade Europeia. Porém, estou certo que a esmagadora maioria dos portugueses não advoga esta estratégia, pelo que nem um segundo perderei com esta alternativa.

Já agora, de todos os que bradam - somos a maioria, sem dúvida alguma - contra as citadas agências sabem que o nosso país (governos central e regionais, câmaras e grandes empresas portuguesas) lhes paga e bem(!!!) para que analisem as nossas contas e emitam os respectivos ratings? Aposto que muito poucos. E acham que somos masoquistas? Não, uma vez necessitarmos dos seus pareceres, mesmo quando nos são tão nefastos, como foi o recente caso, pois os mercados internacionais não emprestam nem um cêntimo sem primeiro os observarem (e muito bem). É aquilo que se pode chamar “pescadinha com rabo na boca”. Odiamo-las mas não podemos viver sem elas. É a vida, como dizia o outro.

Valha-nos Passos Coelho, para quem pedimos todas as bênçãos e mais algumas. Isto para nosso bem!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:32

Julho 06 2011

Tal como no passado o não fiz, continuo, hoje-em-dia, a não alinhar com o coro de críticas às agências de rating quando estas acham que os países vão entrar em incumprimento, como foi o caso da Moddy’s, a qual, ontem, desceu a nota de Portugal para um nível considerado junk (lixo).

E não alinho porque por muito que cortem nos ordenados e/ou subsídios, aumentem impostos, a verdade é que estes factos continuam a não se fazer sentir, na generalidade da sociedade portuguesa, isto é, persistimos em proceder como sempre procedemos. Em suma, os efeitos da crise e os problemas advenientes da nossa enormíssima dívida, a ver pela lotação das esplanadas, restaurantes e hotéis, fazem pouco sentido para a maioria dos portugueses.

Por isso,

  • enquanto não houver um comportamento distinto, uma atitude diferente no nosso dia-a-dia, quer seja em casa, no emprego ou no lazer;
  • enquanto não mudarmos o nosso modo de ser, não formos mais organizados, profícuos, enfim, mais eficientes, para que em todos os locais possamos aumentar a produtividade e, simultaneamente, promover a poupança;
  • enquanto não nos convencermos de que devemos valorizar o esforço e a dedicação, dentro e fora do local de trabalho e independentemente da tarefa executada, bem como se não mudarmos os nossos hábitos de décadas e décadas de laxismo e, acima de tudo, não abandonarmos a ideia de que o melhor do dia é quando abandonamos o local de trabalho, que o melhor da semana é o seu fim e que não existe nada melhor que as férias;
  • enquanto não arregaçarmos as mangas, identificarmos necessidades, definirmos estratégias, investirmos em laboratórios, empenharmo-nos a fundo na qualidade e implementarmos parcerias, numa sábia conjugação do fazer com o saber;
  • enquanto não envolvermos os fazedores de sonhos, empresas, líderes, técnicos habilitados para dialogar com investigadores e universidades, construtores de equipamentos e de software, ou seja, na aplicação prática dos modelos de sucesso dos diversos clusters,

as forças económicas que, do exterior, nos observam não vão acreditar em nós e bem podemos clamar aos quatro ventos que somos um povo heróico com oito séculos de história, que demos mundos ao mundo, que não convencemos quem nos tem de emprestar dinheiro.

Como é lógico, não culpo, de modo algum, este governo por tal facto, tanto mais que implementou medidas que vão para além do preconizado pela troyka e, assim, sendo compreendo a expressão de Passos Coelho quando afirmou que receber tal notícia foi como tivesse recebido um murro no estômago . E solidário com ele, também eu direi: se mudarmos conseguiremos vencer esta e quaisquer outras adversidades.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:19
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Dezembro 23 2010

Adoro a época natalícia e, por isso, procuro vivê-la na maior harmonia e paz possível. Indo ao encontro dos tempos que correm, demando a contenção e, nessa ordem de ideias, o consumismo, por mim, há muito que já não constava dos dicionários.

Todavia, este estado de espírito não me impede de analisar o que vai pelo mundo e, sobretudo, o que se passa no nosso país.

Assim, é com a maior perplexidade que tomei conhecimento de que a GNR promoveu recentemente cerca de 4000 dos seus militares, enquanto a PSP fez o mesmo com 1200 polícias. Tudo isto com a maior naturalidade, no dizer dos seus responsáveis, os quais adiantaram ainda que o fizeram neste momento, pois em 2011 tal seria impossível.

Entretanto, vendo o desenrolar das nossas contas a agência de notação financeira Fitch cortou, hoje, o rating de Portugal de AA- para A+, justificado com maiores dificuldades de financiamento tanto do Estado como dos bancos. Como é óbvio, para quem tem empréstimos bancários, como, aliás, acontece com a maioria dos portugueses, isso significa maiores prestações mensais.

Assim vai este Natal neste país chamado Portugal.

Sinceramente, se fosse mais novo emigrava. Nunca a desilusão foi tão grande.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:10
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Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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