O meu ponto de vista

Junho 18 2023

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Soube-se por estes dias que até 2025 a Suécia vai afastar todos os sistemas informáticos das suas escolas. Ou melhor: retira-os aos alunos, desde o primeiro ciclo até ao secundário. Este país, pioneiro na digitalização do ensino, tendo arredado das escolas por completo os livros em papel, chegou à conclusão que os seus jovens sofrem de uma forma acentuada de iliteracia, i.e., não sabem ler e muito menos escrever manualmente.

Nós, ao contrário, acentuamos cada vez mais a dependência da nossa juventude pelos meios digitais, como é exemplo gritante, pela sua extraordinária aberração, as provas de aferição do 2º ano. Quando estes discentes ainda se encontram numa fase em que o exercício contínuo da sua manualidade é fundamental, o que faz o Ministério da Educação? Oferece-lhes computadores e obriga-os a fazer provas em formato digital.

Já agora uma pergunta: qual a razão por se ter acabado com as cópias e os ditados no 1º ciclo? E a questão dos significados e respectiva consulta do dicionário?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:21

Maio 08 2023

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A minha neta, com apenas sete anos, começa amanhã as provas de aferição neste ano lectivo. Como é evidente tem andado perturbada, chorando e manifestando imenso receio. Por muito que a mãe e eu a tentamos acalmar, o certo é que, em determinados momentos, o sistema nervoso activa-se e surge a instabilidade. A pergunta sacramental é sempre a mesma: “se eu não conseguir responder a tudo e de forma positiva, vou reprovar?”

Ora, se não se justificam quaisquer provas de aferição, pela sua nula utilidade, aplicá-las em crianças em idade tão precoce é um crime. E em computador, quando nesta idade se deve exigir, a todo o custo, o manuseamento da escrita manual?

Todavia, com o (des)governo como actualmente temos não admira estes e muitos outros atropelos ao bom senso. Não se justificam em termos pedagógicos e muito menos em demarcações científicas.

Reafirmo o que sempre declarei, inclusive quando tinha poderes direcionais, ou seja: as provas de aferição são uma fraude e apenas servem para acrescentar ao já imenso trabalho das escolas mais burocracia.

Exames? Sim, no final do 2º e 3º CEB e Secundário, com uma majoração mínima de 50 %.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:28

Dezembro 13 2022

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O Ministério da Educação recentemente divulgou os resultados das provas de aferição realizadas no final do ano lectivo transacto. E, pasme-se, apesar destas provas se realizarem após dois anos em que os alunos, pelo menos durante algum tempo, estiveram em casa, i.e., tiveram ensino à distância, a performance académica destes aumentou. É caso para repetir “só contaram para você”!

Ora, das duas uma, ou melhor, das duas, duas: ou as provas foram extraordinariamente fáceis e/ou os critérios de correcção eram tão latos que a ordem deveria ter sido para aproveitar tudo e mais alguma coisa.

É evidente que houve também uma imperiosidade em transmitir uma leitura política da situação. A primeira prende-se com o facto de não ter sido fundamental a ausência, durante praticamente o ano inteiro, de docentes nas escolas; a outra pretende dar a entender que os professores e os alunos estarem na escola – no sentido físico – é despiciendo.

Já gora, com resultados tão bons, o porquê de se ter dado ordem às escolas para organizarem estratégias de recuperação de matérias dadas nestes dois anos em durou a pandemia?

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:49

Outubro 06 2017

Ontem, como é do conhecimento público, foram dados à estampa os resultados das Provas de Aferição (PA) realizadas durante o ano lectivo transacto. E os demagogos e irrealistas da 5 de Outubro gritaram, a plenos pulmões, aqui d’El Rei e que, como tinham previsto, o ME sempre teve e tem razão. Como de costume, nas entrelinhas, não deixaram de apontar os culpados de sempre, i.e., os professores. Aliás, não é por acaso que proclamaram que iriam proporcionar aos docentes mais formação, ou, por outras palavras, o mesmo é dizer que estes não se encontram devidamente preparados para ensinar adequadamente segundo a nova cartilha de Brandão, Leitão e Costa.

Não afirmo que toda a realização das provas de aferição siga esta linha, mas quem pisa o terreno diariamente e há muitos anos anda sofregamente a lutar por mais e melhor ensino, sabe que quanto maior é a idade dos alunos menor é a sua ligação afectiva com as ditas provas. Aquelas, como se sabe, foram importadas pela famigerada dupla MLR/Sócrates da Finlândia – arre, ainda continua a ser o suprassumo – e pelos seus paupérrimos resultados foram, pouco a pouco, abandonadas.

Ora, tal como há dez anos, também hoje os alunos, sobretudo os do 3º CEB, sabem que esta avaliação externa não conta para nada. Então, não contando para quê o esforço? Como é lógico estão-se marimbando.

Se até a maioria dos adultos só muda de atitude quando sente o peso nas costas ou no bolso, o que esperar de um jovem de 13 ou 14 anos, que frequenta o 8º ano, quando sabe a priori que as PA não o efecta em nada?

De uma vez para sempre, deixem-se de malabarismos - eduquês de trazer por casa - e reponham o ensino à séria.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:15

Abril 03 2017

Nos inícios de Maio próximo, mais concretamente de 2 a 9, todos os alunos do 2º ano vão prestar provas de aferição a Educação Física (EF). Quase que podermos dizer: olha para o que estávamos guardados! As associações do sector andam eufóricas e dizem que tamanho feito já ultrapassa fronteiras em termos de entusiasmo e inovação.

Que a educação física é indispensável é um dado adquirido e ponto final parágrafo. Mas não exageremos! Já calcularam a logística que é necessária para promover tal avaliação? É que não basta uma sala, papel, caneta e lápis e, como é óbvio, respectivos vigilantes. Local apropriado – gimnodesportivo devidamente equipado -, deslocação de docentes provenientes de outras escolas para vigiar e avaliar, transporte de alunos, alimentação e mais “um sei lá” de burocracias. Ah, o pessoal auxiliar também irá, já que nestas idades a autonomia não chega para tanto. É que se trata fundamentalmente de provas práticas.

Entretanto, como uma parte substancial das escolas deste nível de ensino não se encontra minimamente apetrechada para a prática da EF, as autarquias, uma vez que por lei se encontrarem incumbidas de as equipar, estão, a toda a pressa, a adquirir algum material ou, então, a pedi-lo emprestado. Em qualquer dos casos os discentes irão prestar provas com equipamentos que jamais tiveram qualquer contacto. Boa malha!

Bem, com este ME a ideia de inovar é tal que não se olha a meios. Vão ser dez dias em que, na prática, o primeiro ciclo parará por completo. E o ensino das outras crianças?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:30

Março 17 2016

Acaba de ser conhecida a nota de imprensa, divulgada pelo ME, a propósito das provas de aferição do 2º, 5º e 8º ano, onde, para além as datas – ufa, até que enfim! -, se pode ler que a execução destes instrumentos de avaliação são, neste ano lectivo, uma decisão do director do agrupamento, depois de ouvido o conselho pedagógico.

Com este calendário, diga-se com toda a franqueza, outra coisa não seria de esperar. Resta saber quantas escolas no país levarão à prática as aludidas provas. Aposto singelo contra dobrado que deverão ser muito poucas, não ultrapassando 20%. Todavia, cá estarei para vos dar conta do número. Aliás, no final de Abril o ME já saberá quantas escolas admitem realizá-las, uma vez que estas terão de comunicar a sua resolução até ao final daquele mês.

Em suma, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:45

Janeiro 08 2016

Na área do Ensino este governo, cedendo em toda a linha aos seus actuais compangons de route, leia-se PCP e BE, entrou numa onda de revogacionite e/ou suspensionite. Em pouco mais de um mês, repito um mês, já terminou com o exame para os alunos do 4º ano – nunca teve esse nome, mas sim prova de avaliação final de ciclo -, prova de admissão para professores, fazendo, agora, o mesmo relativamente ao 6º, bem como ao exame de Inglês do 9º ano, este da responsabilidade da Universidade de Cambridge. Ah, também a Bolsa de Contratação de Escola, vulgo BCE, e instrumento de escolha dos docentes, também vai ao ar. Acrescento, em abono da verdade que relativamente a este último item até nem estou em total desacordo, face aos problemas que, em tempos não muito distantes, originou. Porém, uma coisa é reformular, inserindo-lhe factores que melhorem a ferramenta, outra, totalmente distinta, é pura e simples terminar com ela. Esta medida, pelos motivos óbvios, apenas serve os professores carreiristas, os quais se limitam, ano após ano, a somar tempo de serviço.

Está em curso, entretanto, a suspensão das metas curriculares de Português e Matemática, pelo menos a nível do 1º ciclo, aguardando-se, para breve, igual “sorte” para as dos restantes ciclos do ensino básico.

E lá anda o Ensino, sector estratégico em qualquer país, pelo menos é o que os políticos apregoam constantemente, aos avanços e recuos, sem uma linha orientadora para, já não peço mais, uma década. Faz que a seguir desfaço e vira o disco … Que importa que existam uns bobos, quais contorcionistas, que ora ensinam deste modo, ora tentam atingir determinados patamares, para logo a seguir, a meio do jogo, lhes mudarem as regras? E os discentes, submetidos a autênticas experiências, quais ratos de laboratório, contam para algo? É evidente que não. Tanto estes, os mais importantes, como aqueles não passam de peças de um puzzle que se monta e desmonta consoante os ventos. Se existe área onde é imprescindível um acordo de regime é no Ensino. E ontem já era tarde!

A concluir, uma referência ao regresso das famosas provas de aferição. Tal como aqui, aqui e aqui escrevi, quem esteve no “terreno” e observou a realização de tais instrumentos de avaliação, bem como analisou o resultado dos mesmos, tem a absoluta certeza que ninguém quer saber daquelas, principalmente os alunos mais velhos, uma vez saberem que não contam para a classificação final. Regressar a algo que provou ser totalmente ineficaz é apenas satisfazer a agenda político-sindical e dar azo às queixas das escolas que se situam sistematicamente no fundo da tabela.

Numa altura em que todos exigimos o acesso a uma informação, estatisticamente o mais fiável possível, no caso do Ensino regredimos para o pântano.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:31

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