O meu ponto de vista

Fevereiro 01 2017

Dizia ele: «Eh pá, o emprego até não é mau de todo e o salário é compensador. Porém, o grande bico-de-obra é o ambiente de trabalho. Existem lá uns colegas, mais elas que eles, que complicam o que é simples e com os quais é quase impossível de trabalhar».

Este é, em boa verdade, o cenário mais comum na vida de muitas instituições e particularmente em determinadas escolas, com resultados que, por vezes, se traduzem num ambiente de trabalho “de cortar à faca” e na consequente desmotivação de muitos e bons profissionais.

É claro que não vou apontar nomes, mas que os tenho debaixo da língua é uma grande verdade. Tal e qual como se pensam que me estou a referir ao meu actual local de trabalho tirem o “cavalinho da chuva”. O certo é que existem estudos que evidenciam claramente a existência de indícios de stress moderado ou até severo como resultado da prática de trabalho com colegas “difíceis”.

É reconhecido que estes elementos tóxicos apresentam vários tipos distúrbios de personalidade e constituem um desvio ao foco dos restantes profissionais. Mas como lidar com eles? Os especialistas dividem-se. Uns sugerem que se use comunicação transparente, frontal e honesta. Outros advogam que é fundamental saber gerir as expectativas. Outros ainda admitem que se deve ter permanentemente a consciência de que uma equipa de trabalho é composta por vários elementos distintos, com personalidades diferenciadas, sendo necessária uma boa vontade extra para alcançar o equilíbrio. Por último há os que defendem o evitamento de julgamentos prévios e de presunções.

Tenho dúvidas. A morte ou despedimento não é solução. Seguir aquelas regras pode ajudar, mas serão sempre cuidados paliativos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:08

Setembro 28 2016

O outro dia, num consultório médico, folheando uma revista - não do género cor-de-rosa, felizmente -, da qual não retive o nome, deparei-me com uma pequena notícia em que narrava mais ou menos isto e cito de cor: uma determinada empresa instalou junto à porta de saída um pequeno aparelho com uma tecla verde e outra vermelha, tendo por baixo uma simples questão: como correu o seu dia?

O aludido sistema tinha e tem, pois presumo que ainda esteja em funcionamento, como objectivo principal coligir, em tempo real e de forma acessível, a informação dos colaboradores que, voluntariamente e no final de um dia de trabalho, clicam nos botões, quanto ao seu grau de (in)satisfação e bem-estar durante a sua jornada laboral.

Bem sabemos que a necessidade de uma cultura de gestão cognitiva e instrumental, traduzida em objectivos, procedimentos e resultados, é inquestionável. Todavia, é importante recordar que o sucesso da organização/instituição depende não só dos comportamentos mas sobretudo da cultura emocional destas, i.e., dos sentimentos e afectos que suscitam nos funcionários.

Imaginem, caros leitores, tal aparelhómetro instalado à saída de cada uma das nossas escolas. Pelos últimos estudos vindos a público – vide http://www.cnedu.pt/pt/noticias/cne/1153-estado-de-educacao-2015, só para citar um – o resultado, na larguíssima maioria, seria uma autêntica onda encarnada.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:15

Fevereiro 16 2016

Para uma parte substancial dos portugueses ter um horário de trabalho das 09.00 às 17.00 já se tornou um mito. Quantas horas trabalha por dia? Na verdade, são cada vez mais aqueles que não sabem responder. O conceito de horário de trabalho mudou, na mesma proporção em que mudaram as exigências do mundo laboral.

Muitos portugueses respondem a um horário de trabalho fixo que só o é no papel. Na prática diariamente “fora de horas”. Fazem-no ao telefone, de auricular ou bluetooh, quando conduzem para chegar ao trabalho e no regresso a casa. Fazem-no em casa, de computador em punho a dar resposta aos e-mails que, entretanto, durante o dia lhes foram enviados. Fazem-no em muitas outras situações, as quais seria fastidioso estar a aqui a enumerar.

Os especialistas afirmam que as alterações nos padrões de trabalho estão a aumentar a pressão sobre os profissionais. Aliás, existe um número significativo de trabalhadores que consideram que os seus empregos se intrometem fortemente no seu tempo livre e, mais concretamente, afectam o relacionamento familiar.

Um estudo global conduzido pela empresa Regus, especialista em soluções de trabalho flexíveis, mostra que as pressões (directas e/ou indirectas) de trabalho são normalmente responsáveis pela interrupção de tarefas importantes, distraindo os profissionais, por exemplo, enquanto estão a conduzir. A este propósito, a citada análise demonstra que “dois em cada cinco inquiridos estão preocupados com o trabalho enquanto deviam estar concentrados na estrada, o que significa menos atenção e maior perigo”.

Importa dizer, finalmente, que os estudos apontam para que a pressão excessiva no trabalho conduz a uma quebra de produtividade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:09

Outubro 19 2011

Bem pior que a inimizade entre o bom e o óptimo é o calculismo que se pode instalar entre inimigos íntimos que disputam os mesmos amores, sejam eles os favores do eleitorado, sejam eles a compreensão dos aliados mais bem posicionados e poderosos. Aliás, como bem nota, em “Último Volume”, Miguel Esteves Cardoso: é com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.

Ora, apesar de saber que, muitas vezes, prego no deserto, só posso acrescentar que a tentação de “curvatura” é incompatível com o superior interesse ético do Homem, enquanto ser íntegro e vertical. Aliás, não há proveito que deva prevalecer mesmo quando, por questões de conveniência pessoal, se reconheça que o bom deve ser alterado, como acontece tantas vezes por simples capricho.

Por outro lado, manda também o bom senso e as melhores práticas, que a urgência na aceitação dos consensos alcançados, deve impor-se, em nome das soluções possíveis, pelo menos em matéria de sustentabilidade, venham elas de onde vierem, mas mais ainda quando os motivos diferenciadores são insignificantes face ao que realmente importa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:02

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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