O meu ponto de vista

Novembro 14 2018

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De tempos a tempos algo acontece que até parece que todo o mundo depende de nós ou, então, desaba sobre as nossas cabeças. Os afazeres são tantos, originando um ritmo tão avassalador que, à mais pequena faísca, há um desencadear de “incêndios” de proporções dantescas. A paciência esgota-se e os amigos e familiares largam-nos, e com razão, de mão. Culpa de quem? Não sabemos, mas temos raiva a quem sabe.

Não admira, por isso, que nos últimos dias tenha sido involuntariamente bombardeado por uma temática preocupante, i.e., os riscos psicossociais relacionados com o trabalho (intra e extra profissão). O caso não novo, os números é que teimam em crescer e as consequências a tornarem-se cada vez mais irreparáveis.

E quando a mente adoece o corpo é que o paga, com a nítida sensação de perda de produtividade, bem como do correspondente potencial de competitividade. Com o agravante de tal fenómeno surtir como o efeito de uma autêntica bola de neve.

É como se, na prática, todo o trabalho a modos que fosse transferido apenas por uma via sem vasos comunicantes, resultando, sem nos apercebermos, de um enorme stress e um desgaste cumulativo antes, durante e depois de longos dias de trabalho. Assim, não nos admira que Portugal tenha uma das mais elevadas taxas de absentismo por doença e stress laboral, sendo responsável por mais de um terço de todos os novos casos de problemas de saúde.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:10

Novembro 20 2014

Com toda a sinceridade deveria escrever sobre algo relacionado com o dia-a-dia da governação deste país, como, por exemplo, o caso do PSD e do PS terem aprovado hoje, no Parlamento, o regresso das pensões vitalícias aos ex-políticos, i.e., o retorno de um autêntico privilégio, mas face a uma intrincada circunstância que ultimamente me tem colocado – bem, não estou sozinho neste caminho – em enorme preocupação, desviei a minha atenção para outra via.

Não admira, por isso, que os dedos sobre o teclado do computador me tenham conduzido para a reflexão sobre como garantir a produtividade. Antes, porém, um aviso à navegação: não tenho a certeza absoluta que as soluções propostas obtenham os melhores resultados. No entanto, uma coisa é certa: não cogitar sobre os sintomas e, sobretudo, não prescrever qualquer “remédio” ou não o tomar é que nada resolverá.

Assim, antes de mais é preciso dar o exemplo, já que sabemos para onde estão focados os olhares. Em segundo, é necessário reforçar a importância do trabalho, levantando a dicotomia, infelizmente há muito esquecida, entre a labuta e a alimentação. Depois há que analisar as causas do absentismo, relacionando este como um abuso por parte de quem não é assíduo. Em quarto, há que denotar uma inflexibilidade a nível de atitudes e comportamentos. O dizer uma coisa e fazer outra é – todos o sabemos – o pior para quem tem obrigação de deixar constantemente uma marca indelével. A seguir, é forçoso aproveitar todas as oportunidades e mesmo admitindo que sejam escassas, algumas devem existir em que se possa exigir o compromisso para alcançar este ou aquele objectivo. Por fim – esta ordem não é cronológica –, há que construir uma reputação, conhecedor que esta nos irá acompanhar durante toda a vida.

Ajudei? Não sei. Unicamente sei que tentei e isso já é algo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:47

Outubro 06 2014

Somos um país de excelência, onde o mérito e a qualidade determinam as contratações e fazem evoluir os profissionais. Um país cada vez mais aliciante, onde procuramos oportunidades de carreira e, por isso, sem necessidade de recorrer para além das fronteiras.

Um país em crescimento e a justificá-lo está o engrandecimento assente numa sólida politica de natalidade e que incentiva os casais a terem filhos. Aliás, oportunidades não faltam a começar pela engenharia, passando pela saúde, educação, restauração e em funções mais técnicas como canalizadores, soldadores, mecânicos, camionistas, trabalhadores da indústria metalúrgica, cozinheiros, padeiros e até cabeleiros.

Os políticos são sérios e a corrupção é quimérica ou, quanto muito, residual. Por isso, o desenvolvimento da vida profissional e pessoal dos cidadãos, bem como a integração na sociedade é quase plena.

O custo de vida é diminuto, pelo que viver no país é relativamente fácil, tanto mais que os ordenados e as pensões/reformas são elevadas. Bem, também não admira uma vez que a produtividade é elevada e a dívida externa praticamente inexistente.

De repente acordei e, infelizmente, notei que estávamos em Portugal. Afinal, não tinha passado de um sonho, belo é certo, mas sonho.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:50

Maio 28 2014

A questão dos salários baixos volta e meia vem à baila. E não é por acaso, apesar de tal assunto ser muito relativo: ganhar 500 euros pode ser muito para alguns, enquanto para outros 5000 é pouco. A defesa ou a rejeição do modelo de “salários baixos” e do seu impacto na economia e no desemprego não passa, muitas vezes, de pura retórica.

Lamentável é, sem dúvida, que os defensores do modelo de “salários baixos” ou do seu contrário frequentemente o façam por preconceito, opção ideológica ou puro interesse egoísta, sobrepondo-os ao primado da razão, da justiça e do bom senso e sentido da realidade.

O certo é que numa verdadeira economia de mercado, os salários não devem, de modo algum, ser fixados por via administrativa, tendo sido, aliás, esse um dos grandes erros da Europa: tudo regular, tudo normalizar, muitas vezes até ao cúmulo do absurdo.

Pelo contrário, a tónica deve ser colocada na produtividade, a qual, obviamente, não depende apenas da mão-de-obra, mas também de muitos outros factores. A tecnologia, a inovação, a criatividade, a marca, a qualidade, entre outros, possuem aqui uma influência decisiva.

Contudo, o salário tem um limite abaixo do qual as unidades produtivas deixam de ter condições de sobrevivência e a dignidade da pessoa humana é colocada em causa. Ora, este limite deve impor-se como valor natural que qualquer sociedade tem a obrigação de preservar.

No entanto, para além disso, há que atender à rentabilidade do sector, da empresa ou da unidade produtiva. E aqui as instituições do mercado de trabalho desempenham um papel fundamental: concertação social, negociação colectiva e/ou individual e, sobretudo, flexibilidade mútua.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:16

Maio 12 2014

É irrefutável que Portugal continua a ser um dos países com uma das médias salariais mais baixa da EU e a política de contenção salarial parece ser, por enquanto, o melhor cenário com que os portugueses podem contar a médio prazo.

Controvérsias à parte, e tendo em conta que a melhoria de indicadores como o desemprego, apesar de contínua ainda é ténue, o facto é que nos próximos tempos teremos de permanecer nesta desditosa “crise” que teima em não nos deixar. Aliás, no que a mim me diz respeito, já solicitei, por mais de uma vez, o “divórcio”, mas ela insiste em continuar a viver comigo, atazanando-me a cabeça diariamente.

Perante esta situação económica que infelizmente continua instável, seguimos um processo complexo de (re)adaptação que tem exigido aos portugueses muitos sacrifícios na gestão do seu, cada vez mais magro, orçamento familiar.

Por outro lado, o sector empresarial tem feito todos os esforços para mudar de rumo, procurando reinventar-se: seja através de processos de internacionalização, potenciando exportações, ou reajustando os seus quadros numa lógica de optimização de recursos.

Todavia, o esforço colectivo continua a ser essencial para que possamos encontrar o caminho e consigamos ser mais objectivos e estratégicos nas metas do nosso país. Temos, sem dúvida, de apostar, cada vez mais, na qualificação e inovação dos recursos, se queremos tornar-nos realmente produtivos e competitivos. Aquela velha ideia, aliás muito portuguesa, de que não vale a pena esforçarmo-nos, i.e., se aceitarem que assim seja, muito bem, caso contrário, não comam ou deixem de lado, tem de ser arredada. Há que, de uma vez para sempre, em todo o lugar e em quaisquer circunstâncias, dar em cada dia o nosso melhor. Já lá diz o ditado: só não mudam os burros e nunca é tarde para mudar!

Naturalmente, as questões salariais, afectivas e emocionais terão o seu impacto na reconstrução desta Nação de oito séculos. É que uma política de baixos salários, desconforto no lar e no trabalho, bem como a ausência de lazer, origina um mal-estar permanente e, por isso, altamente desfavorável à produtividade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:24

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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