O meu ponto de vista

Janeiro 30 2019

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Nos últimos dias muito se tem falado sobre o Bairro da Jamaica. Contudo, também, em tempos, se falou do Bairro da Boavista e dos Chícharos, bem como se já falou e continua a falar de muitos e muitos outros. Porém, por ser politicamente incorrecto, acrescido de uma imprensa ainda presa a determinados conceitos, não se tem referido que, senão todos, a larga maioria destes bairros problemáticos situam-se – aqui para nós, não é por acaso - em concelhos cujas autarquias são dominadas pelo PCP.

Tais aglomerados populacionais, vergonhosamente engavetados em guetos miseráveis e deploráveis, mas tacitamente aceites pelo poder político local, o qual jamais teve, por muito que as carpideiras do costume venham, agora e/ou quando convém, dizer o contrário, alguma intenção de resolver parcialmente o problema. Falar da erradicação total do mesmo, então nem é bom falar.

Sobre esta problemática recordo sempre aquela máxima marxista: é totalmente contraproducente exercer a caridade, independentemente do modo que se possa revestir, uma vez que tal, na certa, impedirá o surgimento e, sobretudo, a proliferação de um revolucionário.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:23

Outubro 16 2014

Costuma-se dizer que de entre mortos e feridos alguns escaparão. E sendo certo que, nos últimos anos, os sucessivos governos têm procurado receitas por todas as formas e feitios possíveis, sem que se veja um real e efectivo corte na despesa do Estado, alguns, mesmo assim, conseguem passar por entre os pingos da chuva, isto para usar uma metáfora que faz jus à meteorologia.

E, em boa verdade, deste aumento de receitas à custa de um brutal aumento de impostos alguns escapam, isto a ver pelas notícias que dizem existir, neste momento, 76 mil portugueses milionários, i.e., cuja riqueza é superior a um milhão de dólares, o equivalente a cerca de 790 mil euros.

Mesmo assim, não conseguimos colocarmo-nos a par, por exemplo, da Grécia e da Irlanda, países também intervencionados pela troyka, os quais têm percentualmente um número de milionários superior ao nosso.

De qualquer modo, aquele número assusta-me pois denota que aumentou o fosso entre os que mais e os que menos têm. Por outro lado, com a destruição da classe da média, fruto da crise que afetou a Europa, e de forma muito especial Portugal, aumentou quase exponencialmente a incidência nos que tinham capacidade de compra e que deixaram de ter, o que não deixa de ser enormemente preocupante.

Todas estas questões nos abalam a confiança e sem esta, podemos apresentar bases para um crescimento – como hoje-em-dia se diz - sustentado, eixos de actuação e medidas-chave conceptualmente muito bem concebidas, embora em nada originais, que não chegaremos a lado nenhum.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:21

Dezembro 22 2013

Época natalícia, tempo de paz, amor e generosidade. Período em que as pessoas se sentem mais pródigas e que a mesa ocupa um lugar central. Contudo, nesta quadra, que se pretende festiva para todos, há um lado menos prazenteiro que é necessário observar e tomar consciência.

Falo, concretamente, da fome. E, para muitas pessoas, a fome e a subnutrição são problemas distantes, que mais não passam de imagens que, por vezes, vêem na televisão, as quais mostram umas crianças com barrigas inchadas, costelas à flor da pele, bem como uns grandes olhos interrogativos e rodeadas.

Geralmente, para essas pessoas, a luta é contra a obesidade, a qual lhes confere uma má imagem, nada atraente para a marketing. E daí a frequência com que persistem em pedalar em health clubs ou correndo pelos passeios e/ou parques até ganharem as linhas exibidas pelas estrelas ou astros das telenovelas.

E, engraçado ou talvez nem tanto, essas mesmas pessoas, quando à mesa, comportam-se como gente civilizada, i.e., deixam sempre um remanescente do bife e das batatas fritas por comer, com o fim de mostrarem que são pessoas bem-educadas. Jamais raspam o prato como vulgares glutões, sôfregos da última migalha ou do derradeiro pingo de molho. E, deste modo, vão desperdiçando comida.

Estas pessoas, normalmente gente bem pensante, olham, com um certo distanciamento, para aquelas que trabalham a terra, produzindo os nossos alimentos, os quais os distribuidores, tão brilhantemente, dispõem nas prateleiras dos supermercados. Pensam sempre que não passam de homens de cara gretada e queimada pelo Sol, de mãos calosas e sujas, algo rudes no trato, sem saber falar correctamente e muito menos conseguindo alinhavar os termos de um discurso mediano.

Por isso, desejo que, neste mundo de Cristo - daqui a três dias comemoramos o Seu (re)nascimento -, possamos olhar serenamente para todas estas incongruências, mesmo que hajam alguns, quais devotos “sacerdotes” de uma pretensa “vaca sagrada”, que proclamem que os alimentos não chegam para todos. Não é verdade, uma vez que se o repartirmos bem e, sobretudo, tivermos consideração por quem os produz, aqueles chegam e sobram.

É necessário fazer funcionar o princípio da subsidiariedade. Não apenas no Natal, mas durante todo o ano.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:17

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
hernani.pereira@sapo.pt
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