O meu ponto de vista

Dezembro 27 2019

Não existe associação, grupo de ajuda, organização mais ou menos caritativa ou de benemerência que nos dias que correm não venham para os meios de comunicação social, preferencialmente a televisão, vangloriando-se da ajuda, essencialmente a nível de ceias de Natal, que prestam aos desprovidos da sorte da vida. Aliás, por esta época abre sempre a “caça” aos pobrezinhos, de tal modo que alguns não chegam para as “encomendas”.

Já agora, seria também muito interessante que, não digo todas, pelo menos algumas pensassem em oferecer aos aludidos desafortunados uma arca frigorífica e um micro-ondas, com ligação, por exemplo, ao abastecimento dos carros eléctricos, de modo a que tivessem alimentação durante mais umas semanas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:38

Março 24 2014

Quem é que, geralmente, entra numa discussão e não quer levar a sua avante? Em boa verdade, os portugueses têm um velho preconceito do a favor e do contra, do certo e do errado. Contudo, raramente fazem um esforço sério no sentido de, com justiça e equidade, verificar o que deve merecer o apoio ou a oposição, onde está o correcto e o equívoco. E, como é óbvio, muitas vezes,infelizmente, também assim procedo.

Tenho afirmado, por variadíssimas vezes, que em Portugal se trabalha pouco – não confundir com estar muitas horas no serviço – e, sobretudo, se produz pouco e mal. No entanto, também não deixa de ser verdade que muitos de nós trabalhamos pouco porque não nos valorizam o suficiente - não tem forçosamente a ver com remuneração - e, principalmente, pagam-nos mal e tardiamente.

Ora, o capítulo 24, versículos 14 e 15, do Livro do Deuteronómio, versa sobre o baixo salário dos pobres: Não oprimirás o trabalhador pobre e necessitado, seja ele de teus irmãos ou seja dos estrangeiros que estão na tua terra e dentro das tuas portas. No mesmo dia lhe pagarás o salário e isso antes que o sol se ponha; (…) para que não clame contra ti o Senhor.

Contrariar esta lei ou ir contra ela é considerado, pela tradição, um dos maiores pecados. Não consta, em qualquer era da história, que tenha havido uma civilização feliz e fecunda a espremer os mais pobres, tal como tenho a certeza que para Portugal possa ser actualmente a receita ideal.

Todos conhecemos quadros de topo e sem ser de topo que ganham ao nível dos países mais prósperos. Sabemos igualmente que os salários mais baixos foram sempre mais baixos que os de alguns países mais pobres da Europa. Por isso, tenho a certeza de que não é certamente baixando ainda mais os salários baixos, aumentando consequentemente o leque diferencial, que a economia e o emprego vão florescer.

Não é utopia, é antes coerência, afirmar que alguns salários altos, pelo contrário, deviam baixar. Neste tempo de Quaresma, em que uma lufada de misericórdia deve varrer o mundo, os valores humanos devem sobrepor-se aos princípios económicos. Tanto mais que apenas o amor permanece. O resto tudo passa!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:54

Setembro 05 2011

De alguns anos a esta parte, as mudanças vêm em diferentes formatos e tamanhos. De algumas apercebemo-nos – e (in)felizmente muito bem -, enquanto outras passam quase despercebidas, mas, mesmo assim, com tanto ou mais impacto que as primeiras. O certo é que as mudanças são o que são e sem elas o nosso mundo, na maior parte das vezes, seria um lugar muito aborrecido.

Contudo, em muitas áreas parece que nada acontece. Por exemplo, se tomarmos em linha de conta o que se passa no nosso modo de ser e estar observamos que não existe muita coisa que possamos qualificar de melhoria e muito menos de “inteligente”.

Já agora reparem o que acontecia, até muito recentemente, no chamado mundo da pobreza. Não querendo, de modo algum, ofender as almas de boa vontade, a verdade é que, para muitos portugueses, era de toda a conveniência não ter emprego, tudo fazer para desbaratar os poucos recursos que estavam ao alcance da sua mão, enfim, não lutar por melhorar o respectivo nível de vida e dos seus, uma vez que sabiam que o designado Estado Social(ista), através do Rendimento de Inserção Social e demais quejandos auxílios, ano após ano, lhes valia. Por isso, era perfeitamente normal(!!!) não existir qualquer ralação com o que quer que fosse, uma vez que o dinheirinho no final do mês era certo.

Veja-se, porém, o que presentemente se passa. Hoje em dia, com a recente imposição de um imposto sobre os mais ricos, isto é, aqueles que auferem rendimentos anuais superiores a 153 000,00 euros, e apesar do eventual paradoxo, todos adoraríamos que houvessem muitos e muitos ricos, já que se assim acontecesse o país estaria salvo. O nosso problema, infelizmente, é que, de acordo com os rendimentos declarados, o seu número é tão reduzido que a receita a arrecadar, através deste imposto especial de solidariedade, não irá além de uns míseros cem milhões de euros, no fundo, uma gota de água no imenso oceano das nossas necessidades.

E, ainda por cima, alguns dos mais ricos – leia-se, por exemplo, Américo Amorim – não passam de meros trabalhadores. Caramba, até nisto temos azar!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:52

Julho 04 2011

É inevitável. Por muito que digamos o contrário, a verdade é que o modo como nos avaliamos e avaliamos os nossos amigos, e, sobretudo, os juízos de valor que fazemos sobre os outros, é quase totalmente diferente. A imparcialidade é algo que, na realidade, não existe.

O chamado mercado de valores pode ser considerado como uma espécie de enorme casa de penhores onde achamos que as nossas jóias valem este e o outro mundo, enquanto os prestamistas avaliam, sempre por baixo, as garantias dadas para obtenção do empréstimo, espreitando a hipóteses da falência do cliente, como, aliás, fazemos no que concerne ao valor dos que não nos são próximos. E daqueles que não gostamos, então nem é bom falar!

E alguns têm-se em tão grande conta que pretendem que o “investimento” feito, para além de, presentemente, já lhes render acima do razoável, ainda lhes garanta uma série de privilégios capaz de assegurar, no futuro, toda uma série de sortilégios e prebendas.

Que os “prestamistas” (de trazer por casa) queiram que os respectivos “investimentos” tenham o máximo de privilégios, que aquilo que “dão” não passe de uma esmola hipócrita, a qual só é concedida se puder determinar a vontade do pedinte, entende-se. Mas que seja o próprio pedinte a humilhar-se perante o “benfeitor”, já é menos inteligível, isto para não dizer que não é de todo compreensível.

Ah, como os conhecemos e como nos rodeiam! Estes “investidores” que vivem nestes “mercados”, mais parecendo especuladores encartados, são como certos “beneméritos”, tão bons e tão generosos que acabam, um dia, por mandar construir asilos para os pobres. Mas, claro, depois de nos terem feito pobres.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:25

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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