O meu ponto de vista

Fevereiro 12 2020

No próximo dia 20, a Assembleia da República (AR) irá, em princípio, aprovar do direito à eutanásia. Digo em princípio, uma vez que a esquerda e extrema-esquerda, hoje maioritária na Parlamento, já disseram que eram esses os seus propósitos. Para início de conversa, direi que não concordo com esta posição, uma vez que, senão toda a esquerda, pelo menos o PS não o declarou explicita nem implicitamente no seu programa eleitoral tal desiderato. Ora, caso o tivesse feito, i.e., de fora clara e concisa, sem tergiversações, estou perfeitamente convencido que o resultado eleitoral tinha sido diferente. Não votei PS, como muito bem sabem, mas conheço muitos socialistas que jamais teriam convertido o seu voto em cor-de-rosa caso soubessem destas nefastas intenções.

Se AR é soberana? Claro que sim. Isso é indiscutível. O problema é os deputados terem sido eleitos de acordo com um programa e, posteriormente exercerem o seu múnus em algo a que legitimamente não lhes foi dado mandato. Esclareço, desde já, que incluo neste rol o PSD, o qual, segundo as últimas notícias vindas a público, se prepara para dar liberdade de voto aos seus deputados, argumentando que se trata de uma questão de consciência. Votei PSD e, como militante li atentamente o respectivo programa - tanto mais que propaganda/aliciamento fiz – e nada vi escrito sobre tal tema.

Como católico e, sobretudo, cristão, acredito que apenas Deus é dono da vida humana, Assim, enquanto pensar deste modo, jamais imaginarei alguém, por muitos sacrifícios/dores que possa estar sujeita, a colocar fim à vida ou a solicitar a outros que o façam. O padecimento é algo, não fruto da criação Divina, mas dos males que o Mundo enferma. Como tal deve servir, independentemente do credo/situação, como expiação. Nascemos a sofrer e, na generalidade, da mesma forma havemos de perecer. No intermédio muitas alegrias temos, tendo sempre presente que estas são bem maiores que aqueles, e, como é lógico, as quais servirão de equilíbrio aos padecimentos. Quando quisermos uma vida apenas provida de felicidade então o nascimento é desnecessário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:29

Outubro 06 2019

Pois é. As previsões confirmaram-se. Não na sua totalidade, uma vez que os socialistas não conseguiram a maioria absoluta, mas na sua maioria estão plasmados nas primeiras projecções.

É evidente que António Costa reeditará uma geringonça 2.0, sem o BE, mas com o PCP, o qual continua numa curva descendente até ao seu aniquilamento total. Alguém terá dúvida que o PS – força política que contribuiu enormemente para a acentuada queda dos comunistas - lhe continuará a dar o abraço de urso?

Já o PSD, no momento em que escrevo estas linhas, é uma incógnita. Se ficar pelos 24% dificilmente Rui Rio terá condições para permanecer no lugar. Todavia, se se situar perto dos 30% então tem todo um caminho livre, que não risonho, pela sua frente.

Uma última palavra para o desastre chamado CDS. Simplesmente lamentável. É caso para dizer que ultimamente nunca se encontrou e em tudo se perdeu.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:45

Maio 28 2019

Depois da prosa sobre o dia das eleições, vamos a assuntos sérios. A minha análise sobre os resultados do passado domingo. Vale o que vale, mas não quero deixar de a fazer. Já todos disseram que o grande vencedor foi a abstenção. E já ontem e hoje ouvi algumas pessoas, as quais nem um passo deram para tal, queixarem-se disto e daquilo. Dizer-lhes que eles são grandes culpados é, na maior parte das vezes, como bater com a cabeça contra a parede. Puro exercício inútil.

Por outro lado, (re)afirmar que o PSD e o CDS, isto quanto ao espectro mais à direita, foram grandes perdedores é como chover no molhado. Não sei se foi a luta dos professores que profanou estes resultados ou a falta de liderança/estratégia. Deixo isso a quem de direito, apesar de saber, de antemão, que não ajudou em nada.

Tal e qual como dizer que os grandes vencedores foram o PS (a conjuntura económica favoreceu-o) e o BE (o voto de protesto é ainda uma arma). Quanto ao PCP é um case study, uma vez que em plenos bastiões dos comunistas, como é exemplo o Barreiro, estes perderam em toda a linha. Já agora, os Verdes não ajudam em nada. Bem pelo contrário.

Resta o PAN, uma vez que os outros pequenos partidos nada contam. Bem sei que hoje-em-dia é politicamente incorrecto enunciar que existem pessoas que gostam mais dos animais do que das pessoas. É o presente caso, o qual reputo de moda e, por isso, passageira. Posso estar enganado, mas muito rapidamente entrará em autofagia. Aliás, não é por acaso que António Costa, numa espécie de abraço de urso, vem congratular-se com o resultado extremamente positivo deste partido – claro, foram roubar votos a muitos dos seus adversário -, acrescentando que quer reforçar, no futuro, os laços entre os socialistas e este partido.

Entretanto, vamos de férias e aguardamos por novo confronto em Outubro próximo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:26

Maio 24 2019

De cada vez que se aproxima uma eleição, os “profissionais” da política alertam-nos todos os dias para o perigo da abstenção. Tendo votado sempre, concordo com o apelo, mas … Este mas, porém, tem a ver, sinceramente, com o comportamento daqueles. Sim, sem margem para dúvidas, são aqueles que têm levado a que, de forma esmagadora, os abstencionistas tenham aumentado para além do surgimento de forças radicais e incontroláveis. Podem acusar-me de populismo, mas a verdade é irrefutável.

Bem sei que nem todos os que se dedicam à política são maus. Felizmente ainda existem, infelizmente poucos, homens e mulheres aí exercendo o seu múnus e que são honestos, lutando, por conseguinte, pelo melhor dos seus concidadãos. Todavia, é só ver a TV ou ler os jornais para ver a “cáfila” que geralmente nos governa.

E não se pense que apenas isto se passa a nível governamental ou no escalão das cúpulas partidárias. A questão estende-se ao mais nível mais baixo, sem que esteja a depreciar a categoria das bases. Também aqui o amadorismo, a falta de ética, o incumprimento da palavra, bem como as desculpas mais esfarrapadas são o pão-nosso de cada dia.

Depois queixam-se que, hoje-em-dia, poucas ou nenhumas pessoas queiram militar partidariamente. Com o que vemos, não admira.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:25

Dezembro 27 2017

Malhar, para utilizar um verbo comum a altos dirigentes dos socialistas, nos partidos é muito popular e até dá muito crédito. Todavia, é uma verdade plena que estes aproveitam todas as ocasiões para se por a jeito de levar nas costas.

Todos sabemos que a ainda lei de financiamento, actulmente em vigor, dos partidos sofria de inconstitucionalidade. Aliás, tal era demasiado evidente, que me escuso a referir os respectivos argumentos neste espaço.

Assim, era obrigatório rectificar a dia lei. Porém, à boleia da mesma introduzir alterações tão substanciais que envergonham qualquer português é de escarnecer e enjoar.

Senão vejamos. Não haver limites ao financiamento dos partidos, sabendo que tal é das maiores medidas para a incentivar a corrupção, bem como isentar os partidos de qualquer pagamento de IVA é escabroso e intenta com os mais legítimos direitos dos contribuintes.

Imaginamos uma sede concelhia, distrital, ou até nacional, de um partido qualquer que, diariamente, serve uns cafés, umas cervejolas acompanhadas de uns amendoins e tremoços, ou, melhor ainda, estabelece um género de tasca, servindo umas fêveras no pão ou um bitoque no prato, tal como outro estabelecimento comercial do género, e no final do ano solicita a devolução do IVA entretanto pago, é para além de desleal para com todos os congéneres, um atentado aos nossos impostos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:58

Maio 05 2016

Estamos num tempo de relaxamento. Podem vir as piores notícias, sejam elas do âmbito social ou outro, as desmelhoras sobre os principais indicadores económicos – défice, crescimento, dívida, só para citar alguns – que a grande maioria das pessoas não se importa. A crispação, algum estado irritadiço que se sentia, no dizer de alguns comentadores, deu lugar à lassidão, senão mesmo à flacidez. Faz-me lembrar aquela velha anedota: um indivíduo tinha sintomas de soltura intestinal e, nessa conformidade, borrava-se – é o termo – amiúde. Foi ao médico e este em vez de lhe receitar um anti-laxante, medicou-o com um anti-depressivo. Resultado: borrava-se na mesma, mas andava feliz uma vez não se importar com tal.

O Partido Socialista e, sobretudo, António Costa durante a campanha eleitoral para as eleições legislativas, as quais perdeu escandalosamente, e mesmo depois de formar este governo espúrio, prometeram um tempo novo, livre de austeridade, com crescimento económico acima da média, diminuição da dívida pública, etc. Ora, levando em conta o que dizem as principais instituições que monitorizam as contas do nosso país, as promessas estão a sair todas furadas.

A pergunta que se impõe: alguém se revolta e dá dois murros na mesa? Ninguém, é a resposta. Começando pelo Presidente da República que anda numa de afectos, terminando nos partidos da oposição, os quais, com excepção de algumas iniciativas meritórias do CDS, ainda procuram o seu caminho entre os escolhos de quem tudo perdeu e com nada ficou, ninguém aponta o dedo e é capaz de dizer “o Rei vai nu”. Os sindicatos, essencialmente os afectos à CGTP, antes tão activos, quais lobos esfaimados, agora parecem simples cordeiros que unicamente querem mamar na teta (do Estado, claro está).

Resta o cidadão comum. Por agora, quer apenas que venha o Verão e gozar uns bons dias à beira-mar deitado. Depois logo se verá!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:26

Outubro 05 2015

As eleições, felizmente, não são um jogo, mas se fossem era um fartote de riso, um regozijo constante para todos os contendores. É um sucesso completo! E os fãs, inteiramente convertidos, aplaudem e cantam hossanas. Em todos os jogos existem vencedores e perdedores. Neste não: ganham todos. Também não é para admirar, pois mesmo antes daquelas se realizarem já sabíamos que tal iria acontecer.

Ontem, a regra cumpriu-se. A coligação PSD/CDS cantou vitória, já que, apesar de terem perdido cerca de 700 mil eleitores, foi a mais votada; o PS, embora não tenha alcançado os seus objectivos, leia-se ser o partido mais votado, também se sentiu satisfeito por retirar a maioria absolução à PàF; o BE, para mim, de longe, o único vencedor da noite, estava, e com toda a razão, eufórico, já que passou a ser terceira força política no Parlamento e mais que duplicou o número de deputados; por último, o PCP também se alegrou, conquanto ter sido ultrapassado pelos bloquistas, segurou o seu eleitorado e, pasme-se, até conseguiu mais um deputado.

E agora? Costa viabiliza um governo minoritário do PSD/CDS ou nem sequer tem tempo para isso, uma vez que, alguns dos seus compagnons de route, são muito bem capazes de, dentro de dias, lhe tirarem o tapete debaixo dos pés. E, aqui para nós, se isso acontecer é bem feito. Quem com ferros mata, com ferros morre.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:39

Maio 17 2013

Temos assistido, nos últimos tempos, a permanentes manifestações, um pouco por todo o país. Algumas, sem margem para dúvidas, muito grandiosas e para ouvirmos, vermos e, sobretudo, não ficarmos mudos, i.e., reflectirmos; outras, porém, manifestamente industrializadas e cujo pêndulo advêm de uma agenda oculta, vulgo sindicalismo radical, cuja tónica pressupõe, nem mais nem menos, correias de transmissão de ideologias que o povo português livremente, ao longo de trinta e nove anos, rejeitou de forma inequívoca.

As primeiras, apartidárias e cujos organizadores não possuem rosto, não podem ser apropriadas por quem que sejam. Vão muito para além da política de contestação governamental e elevam os seus protestos contra todos os políticos e forças partidárias. Basta, para justificar tal, recordarmo-nos dos muitos cartazes que diziam “abaixo os partidos”, “estamos fartos de todos os políticos, pois são uns ladrões”, “os políticos são todos a mesma coisa, pois o que querem é o tacho”, “os políticos querem é poleiro e quando lá se encontram rapidamente esquecem as promessas”, entre tantos outros “mimos”.

Ora, os políticos a que tais cartazes aludiam não diziam apenas aos que exercem funções governamentais. Por isso, é lamentável ver os dirigentes do PC, BE e, por vezes, também o PS, para além de integrarem as ditas manifestações, ver como enviesadamente leem aquelas legítimas manifestações. Mas pior, bem pior, é acharem que tais manifestações lhes dão inteira razão. Aliás, não é por acaso que, as aludidas forças partidárias, sobretudo as primeiras, dias após as eleições, senão no próprio dia, aí estão a pedir novas eleições e a proclamar, aos quatro ventos, que o governo legitimado nas urnas no próprio dia ou dias antes já não tem as mínimas condições para governar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:22

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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