O meu ponto de vista

Janeiro 01 2024

Foram exactamente quinze, os dias em que, de dia e de noite, tomei conta da minha neta. A Laurinha, uma menina, pelo menos para mim, encantadora, começa a manifestar a sua personalidade. Possuindo uma identidade forte, atravessa a primeira fase em que denota com alguma robustez o seu querer. Ao mesmo tempo que demonstra uma enorme ternura, igualmente é capaz de bater o pé para (re)afirmar o seu sim e/ou não.

Veio com diarreia, tosse e muito constipada, algo natural nos tempos que correm. Com extrema paciência e muito cuidado tudo curei. Bem, os grelhados e o peixe cozido na hora, assim como tisanas caseiras também ajudaram.

Para além de ajudar nos muitos TPC, uma coisa é certa: nestes dias, ora frios, ora chuvosos, próprios da época, fiquei a conhecer a imensa série de desenhos animados. De entre muitos, destaco o Bluey, os Teen Titans Go, o SpongeBob e, sobretudo, o Incrível Mundo de Gumball.

Já agora, alguém consegue resolver este problema que vem no caderno de actividades de Matemática do terceiro ano? Eu não e vários amigos, docentes desta disciplina do secundário, também não.

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publicado por Hernani de J. Pereira às 18:11

Dezembro 04 2019

Ontem foram dados à estampa os resultados da edição 2018 do, em tradução livre, Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). E, tal como se suspeitava, deu jeito para tudo e, sobretudo, para todos. Tendo sido o penúltimo realizado em 2015, este, de certo modo, versa sobre a implementação das políticas educativas do anterior governo (2015-2019), já que o actual, apesar de ser mais do mesmo, ainda não produziu nada.

Que continuamos numa curva ascendente ninguém tem dúvidas. Todavia, há um senão. No que concerne às Ciências, estas denotam um decréscimo nos respectivos resultados. Se até aqui nada de alarmante há a registar, o caso muda de figura quando nos deparamos com as declarações do (não)ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

O ainda ME, desenvergonhadamente, mas sem reivindicar o contínuo êxito em Matemática e Literacia – era o que mais faltava -, não se conteve de remeter o insucesso de Ciências à acção governativa de Nuno Crato. É de bradar aos céus.

Como se sabe o ex-ME implementou uma política de rigor, essencialmente a nível de Matemática e Português, com a introdução de exames, nestas disciplinas e noutras, em todos os finais de ciclo. Daí não nos admirarmos do sucesso nestas. Se continuasse a governar, a maioria das pessoas está convencida que a ascensão de todas as áreas seria possível, uma vez que os exames se estenderiam à generalidade das disciplinas.

E o que fez o actual ME? Acabou, pura e simplesmente, com os exames, com excepção do 9º ano. E mesmo neste será para acabar com a intenção de transitar todos os alunos. Oxalá esteja enganado, mas com esta política facilitista, onde a preocupação economicista é premente, os resultados em 2021 serão bem piores.

Finalmente uma palavra para quem merece. Independentemente dos políticos ou da ausência deles, o certo é que tais resultados se devem aos alunos, mas também aos professores que, por muito que seja maltratados – o actual e anterior governo PS é o paradigma disso mesmo - não desistem.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:39

Julho 10 2015

Foram ontem publicados os resultados das provas finais de Português e Matemática do 9º ano. Destes ressalta, relativamente a 2014, a subida em Português em três pontos percentuais e o mesmo valor, mas em sentido inverso, no respeitante a Matemática, originando nesta última uma média inferior a 50%, isto para não falar dos 1600 discentes que tiveram zero pontos, i.e., nem 0,1 conseguiram. É obra!

Os motivos para tal hecatombe são muitos e há-os para todos os gostos. Desde o pouco investimento que o 1º CEB faz nesta matéria, passando pelos pais cuja colaboração senão é nula é quase, passando pelo deficiente esforço por parte dos alunos, pelo tipo de prova e terminando nas erradas estratégias aplicadas por muitos docentes.

Contudo, o que sei é que não é dando mais do mesmo que se encontra a solução. Por exemplo, a larga maioria dos docentes de Matemática, por sua pressão e pela demissão/omissão de orientações próprias dos conselhos pedagógicos e com a conivência das direcções, usa as suas horas de componente não lectiva como apoios aos alunos com dificuldades, ou seja, repito, dando mais do mesmo até à exaustão.

Ora, está mais que provado que tal modelo se encontra esgotado e poucas ou nenhumas melhorias acarreta. No entanto, estou plenamente convencido que no próximo ano irão ter ainda mais horas para apoio. Querem apostar?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:52

Junho 13 2014

Como bem noticiou a comunicação social, os resultados dos exames ou provas finais – o nome é redundante, como expliquei em texto publicado oportunamente – do 4º e 6º ano foram uma desilusão a Matemática. Já a Português foram francamente positivos, registando-se, outrossim, uma subida em relação ao ano passado.

Assim, percebe-se a reação da Associação de Professores de Português quando esta, através da sua presidente, considera as provas da língua materna “objectivas, coerentes e adequadas ao nível etário dos alunos”, adiantando, ainda, que “dada a qualidade dos exames, não nos surpreendem os resultados positivos”.

Para Edviges Ferreira, “os resultados das provas espelham o bom estado do ensino do Português e o bom trabalho dos professores”.

Em contraponto, a presidente da Associação de Professores de Matemática afirma que “os exames no 4.º e 6.º ano perturbam a aprendizagem das crianças e introduzem elementos de segregação e selecção. Acrescentou que “os exames nacionais de Matemática foram desequilibrados e tinham demasiado cálculo”. Lurdes Figueiral justificou, desta forma, os resultados negativos nos exames do 4.º e 6.º ano. “Consideramos que as provas têm uma exagerada quantidade de cálculo, nomeadamente no 6º ano, onde 80% da prova avaliava cálculo. Mesmo quando os itens em questão não tinham que ver com cálculo, como em perguntas de escolha múltipla e de resposta directa, eram necessários vários passos de cálculo para se chegar ao resultado”.

Característico, não? Resta dizer que enterrar a cabeça na areia nunca foi solução.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:10

Maio 27 2014

Todos nós já vimos, ouvimos e lemos coisas espantosas. Coisas que os mais antigos, pela enorme admiração que causavam, designavam por “coisas do arco-da-velha”.

Foi o caso de uma notícia que os media deram o devido relevo e que se pode resumir no seguinte parágrafo: João Silva Bento, 12 anos, estudante do 6.º ano na Escola Secundária Manuel Fernandes, em Abrantes, sagrou-se este ano campeão mundial de cálculo mental, entre mais de 36 mil participantes de 61 diferentes países.

Até aqui, indagarão os meus caros leitores: onde está o espanto? Pois bem, a estupefação está que o aludido aluno teve negativa a Matemática no final do segundo período.

Como é óbvio nestes casos, surgem sempre as explicações – algumas delas perfeitamente esfarrapadas – sobre os factos. Assim, a presidente da Associação de Professores de Matemática(APM) defendeu que os maus resultados à disciplina do aluno de Abrantes, que se sagrou campeão mundial de cálculo mental, sublinha a incapacidade da escola em trabalhar com estudantes sobredotados. "Muitas vezes há alunos que têm muitas capacidades, e que até são considerados sobredotados e, por isso mesmo, têm pouca paciência para o trabalho rotineiro que se faz nas salas de aula. Falamos muito do apoio a alunos com dificuldades e esquecemos a importância do apoio àqueles que têm capacidades especiais", disse à Lusa a presidente da APM, Lurdes Figueiral.

Por outro lado, “João Bento tem revelado uma apetência invulgar para o cálculo mental", disse à agência Lusa o seu professor de Matemática, António Percheiro, tendo observado que o jovem campeão do mundo de cálculo mental "é um aluno com dificuldades a Matemática".

Lurdes Figueiral diz que esta situação "não é nada que surpreenda", e que vem apenas sublinhar a incapacidade das escolas e dos professores lidarem com estes casos em contexto de sala de aula.

No entender da professora de Matemática, alunos com muitas capacidades têm a tendência para considerar o trabalho de sala de aula pouco estimulante e desafiante, "tornando-se medíocres, porque se cansam da rotina".

Serão necessárias mais palavras? Tenho a certeza que não.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:31

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