O meu ponto de vista

Junho 08 2020

Comemorações do 25 de Abril com quase 200 pessoas? Sim. E então? A esquerda quer, pode e manda. Todas as outras pessoas não puderam sequer sair das suas casa já que vivíamos em tempos de emergência.

Manifestação do 1º de Maio? Sim. E não houve problema algum já que foi promovido pela bendita CGTP-In. Claro que o 13 de Maio, em Fátima, jamais poderia ter ocorrido uma vez que os cristãos, relativamente ao novo coronavírus, são todos sintomáticos, enquanto os militantes daquela central sindical são completamente imunes. Todos sabemos que a ideologia marxista-leninista é um autêntico antídoto contra qualquer doença.

Espectáculo de Bruno Nogueira no Campo Pequeno, com cerca de 2000 pessoas, incluindo vergonhosamente com a presença do PM e do PR? Sim. E qual a dúvida? Todos os espectadores eram da mais fina elite e, por isso, jamais se podem comparar com os que gostam de touradas ou de outros eventos ainda interditos.

Manifestações contra o racismo? Sim e venham muitas. Aliás, pouco importa o distanciamento social, tanto mais que, quando estão em causa valores tão elevados, não à Covid-19 que resista. Procissões religiosas? Isso é que era bom. Era a continuação do alastrar desmesurado da pandemia que tanto mal nos tem causado. Missas? Muito cuidado, pois os frequentadores das igrejas são os actuais leprosos de antigamente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:53

Fevereiro 27 2019

Os enfermeiros encetam, através de um seu dirigente sindical, greve de fome, a qual, aliás, diga-se em abono da verdade, termina vinte e quatro horas depois. Os professores, tal como ontem referi, promovem, igualmente por meio dos “seus” sindicalistas, abaixo-assinados e manifestações grandiosas. Pelo seu lado, o governo, não querendo ficar-se atrás em termos de exteriorizações públicas, vai propor um dia de luto nacional contra a violência doméstica, essa enorme praga social dos dias de ontem, de hoje e talvez de amanhã.

Como bem sabemos, e estamos cansados de ouvir, muito fácil é falar. Mudar mentalidades e, sobretudo, alterar atitudes e procedimentos é algo substancialmente diferente.

Perguntar-me-ão se estas medidas não são convenientes. Direi que são meros postremeiros, uma vez que a fonte do mal se encontra noutros âmbitos, sobre os quais são raros aqueles, independentemente do credo, raça ou ideologia, se querem debruçar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:27

Maio 30 2018

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Num tempo em que de manhã é Outono, à tarde quase Verão e à noite Inverno, sem que se vislumbre a Primavera, não admira suspirarmos por outros ares. Assim, impõem-se as saudades do Verão, de modo a que, ainda que subjectivamente, possamos apreciarmos tudo o que de bom a vida nos tem para dar.

E proclamar nostalgias do Verão, que nunca mais chega, é falar do campo e mar, de ruralidade - com as suas festividades e manifestações mais ou menos naïfs -, sem esquecer o urbanismo citadino que também nos atrai e tem o seu encanto.

Já agora, a melancolia que este tempo nos dá leva-nos para longe do cosmopolitismo e do romantismo. Porém, como o contraditório é uma marca indelével no nosso quotidiano, tal também nos traz a reflexão sobre o realismo, a história e a modernidade, a tradição e a inovação.

Residentes ou simplesmente de passagem por este “canto” importa possuir uma faceta multifacetada e cativante de modo a ver o óptimo onde a maioria observa o péssimo. Por isso, é sempre possível deixar-se seduzir por tudo o que nos rodeia e simultaneamente fazer história a cada esquina que dobramos, renovando, deste modo, a paisagem a cada passo, mesmo que entre vales e colinas não consigamos enxergar o mar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:59

Novembro 24 2016

É costume afirmar-se que isto já não é o que era. Que dantes é que era bom. Não é sinónimo de velhice, tanto mais que não falo em termos etários. Agora que tudo isto mudou de há um ano para cá, mudou. E mudou substancialmente.

Os telejornais já não são o mesmo. As nossas ruas, sobretudo às sextas-feiras, deixaram de ter o encanto de outrora. São, salvo as devidas excepções, uma autêntica pachorra. Desde que o PCP e BE se aliaram ao PS, para suportarem o actual governo, não há diariamente o Arménio Carlos, a Ana Avoila e, muito menos, o Mário Nogueira a entrar pelas nossas casas adentro ameaçando-nos com o fogo do Inferno. Que saudades e, sem cair em contradição, que alegria. Que bom esta paz. Sem querer ofender quem quer que seja, parece Deus com os anjos.

E as nossas ruas à sexta-feira à tarde? Recordam-se como era há dois e mais anos atrás? As manifestações sucediam-se e o trânsito, já de si caótico, tornava-se insuportável. Agora? É vê-lo correr. Senão fossem as obras nas ruas e a fraquíssima prestação dos transportes públicos e todos fluiríamos como se fosse fim-de-semana ou férias.

Bom, não há nada como estar comprometido até à medula com a governação, apesar de, por vezes, numa tentativa de enganar o pagode, digam o contrário, chegando a anunciar uma ou outra crítica. Engolem sapos, elefantes até, mas tudo bem. É em prol da classe trabalhadora (!!!)

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:00

Fevereiro 20 2013

Costuma-se dizer que a nossa liberdade acaba quando a dos outros inicia. Evidentemente que a democracia nos trouxe a liberdade, mas não a libertinagem, algo que muitas pessoas continuam a confundir e a colocar no mesmo saco.

Todos temos direito, e a Constituição consagra-o, sem margem para dúvidas, à manifestação e, dentro de um espírito de urbanidade, a gritar a nossa indignação, se necessário até à exaustão. No entanto, não se queira ganhar nas ruas e/ou em manifestações de meia-dúzia de pessoas, o que se perdeu nas urnas. Se o poder assenta no povo, este expressa-se, de modo inequívoco, no voto. A democracia tem as suas regras e há que as respeitar. Caso contrário, a selva instala-se e exercerá o poder quem gritar mais alto ou quem mobilizar mais pessoas, independentemente destas serem uma minoria em relação aos silenciosos.

O anteriormente exposto vem a propósito das últimas manifestações – designá-las deste modo é um eufemismo, uma vez que as mesmas não passam de um pequeno número de pessoas – as quais tem impedido o livre direito dos governantes de exporem as suas opiniões, independentemente de se gostar ou não.

Imagine-se o que seria se o PSD mobilizasse os seus militantes, o qual, com toda a certeza, os tem que chegam e sobram para tal efeito, e interrompesse e/ou impedisse qualquer manifestação dos “Indignados”, dos “Que se lixe a troyka”, ou de outros mini-movimentos? Evidentemente que “caía a o Carmo e a Trindade”, para não dizer que seria o “Deus nos acuda”, pois querem-nos coartar os mais legítimos direitos de liberdade.

Sem querer ser muito crítico, não me resta outra alternativa senão repudiar estes actos e considerar que as forças de segurança têm de exercer a sua autoridade contra estes desmandos, sem receio de serem apelidadas de forças de repressão ou mesmo de fascistas.

A democracia assim o exige.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:32

Novembro 15 2012

Fomos, ontem, testemunhas do que grupos radicais, profissionais da desordem, podem fazer de mal. Durante mais de uma hora a polícia foi literalmente apedrejada, sofreu estoicamente e até se conteve perante o arremesso de bombas e petardos. Todavia os desordeiros, já que os manifestantes – honra seja feita à CGTP – há muito tinham desmobilizado, mantiveram o braço de ferro com as autoridades e mesmo depois de, várias vezes, avisados de que tais acontecimentos teriam de ter um fim, fizeram ouvidos de mercador.

Depois, quando a polícia carregou – eu não teria aguentado tanto, confesso –, foi o “ai Jesus”. Que as forças de segurança usaram de extrema violência e não tiveram em conta os legítimos direitos do “povo” à indignação, como esta, alguma vez, passasse pelos actos de pura selvajaria que as televisões amplamente mostraram.

Como é evidente, houve dezenas de feridos de ambos os lados, o que se lamenta, sobretudo por parte dos polícias, os quais apenas actuaram no estrito cumprimento do seu dever, como aliás foi reconhecido pelas principais forças políticas e pelo mais alto magistrado da nação. E, como não podia deixar de ser, houve indivíduos detidos, os quais, depois de ouvidos nas esquadras, serão presentes às devidas autoridades judiciais.

Importa, porém, reter as palavras de alguns destes últimos, i.e., aqueles que se atreveram a dar entrevistas aos órgãos de comunicação social. Ora, segundo estes, "apenas passeavam por ali ou iam de visita a um amigo ou familiar e jamais pensaram, quanto mais fazerem, algo de ilegal". Resumindo, ninguém atirou qualquer pedra, rebentou petardo, derrubou grades, incendiou mobiliário urbano e de higiene ou feriu quem quer que seja. Mais: as imagens que todos vimos, e que correram mundo, foram completamente forjadas pelos jornalistas que, neste caso, como não podia deixar de ser, estiveram ao serviço do Estado repressor e policial.

E viva a Revolução Mundial, abaixo a troyka e quem a apoiar. Ou, como dizia um cartaz, “Passos Coelho faz-me feliz, demite-te”. Isto sim é que é democracia (!!!). O voto nas urnas que se lixe, pois não tem qualquer valor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:28

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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