O meu ponto de vista

Junho 09 2020

Afinal também melhores, segundo alguns, abandonam o barco. O “Ronaldo das Finanças", vulgo Mário Centeno, demitiu-se. Depois dos elogios bacocos, levado ao colo por insistentes apoiantes, admitido por outros como obrigados a engolir autênticos sapos vivos – leia-se PCP e BE -, o certo é que se cansou de ultimamente levar pontapés e, sobretudo, chapadas daqueles que em tempos recentes o levavam aos píncaros.

Demagogia pura. Governou, de acordo com os apaniguados cor-de-rosa, muito bem. Todavia recordamos que foi em tempos de vacas gordas. Quando o cinto começa a apertar – a Covid-19 oblige – sai de cena.

Hoje, aquando da despedida, foi patética a cena. Todos os intervenientes – antigo e novo ministro das finanças, bem como o primeiro-ministro – limitaram-se a ler os papéis que, antecipadamente, alguém lhes tinha escrito, não fosse a boca fugir-lhes para a verdade. Foi, sem dúvida, um perfeito acto de hipocrisia, o qual ficou bem patente nos elogios mútuos, quando todos estavam com amargos de boca bem visíveis.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:35

Março 21 2018

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Mário Centeno pediu, por várias vezes, bilhetes ao Benfica, clube que tem um vastíssimo contencioso com as finanças, para assistir, de camarote, aos jogos deste. Argumenta que face à figura que é, com os riscos de segurança inerentes a tal função, não pode ir para o meio do people. Lá saberá porque é que o comum dos mortais o tem em tão má estima. Por exemplo, o Marcelo Rebelo de Sousa não teria problema algum. Até adoraria e seria adorado.

Soube-se agora que António Costa também solicitou bilhetes para o Estádio da Luz. Só que foi para os filhos. E ninguém se revolta com esta promiscuidade? Há direito de usar um cargo para favorecimento da família?

O que diriam se fosse o Passos Coelho?

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:36

Janeiro 05 2018

Não costume abordar neste espaço questões relacionadas com o futebol. Contam-se pelos dedos de uma mão os casos em que o fiz durante os treze anos de vigência deste blogue. No entanto, como se costuma dizer, toda a regra admite excepção. Hoje é um desses dias.

O conhecimento dos amigos certos, bem como a “obrigatória” disponibilidade futura demonstrada por estes, a dívida contraída, a qual por muita magnanimidade denotada, jamais é esquecida e mais cedo ou mais tarde será sempre cobrada, assim como a criação líquida de uma reserva mais ou menos fortificada de afectividade pelos laços entretanto criados, são sinónimos de maior ou menor corrupção, por muito que esta nunca venha a ser descoberta ou esteja ensombrada por outras mais-valias que a lei, permeável como sempre, permite e permitirá. O espírito é fraco e a carteira ainda menos.

Vem este articulado a propósito do noticiado pelo Observador, o qual diz que “Mário Centeno pediu ao SL Benfica para que lhe fosse atribuído um lugar na bancada presidencial para assistir ao jogo entre o clube da Luz e o FC Porto, que se disputou a 1 de abril de 2017. O pedido, apurou o Observador, foi feito através do assessor diplomático do ministro das Finanças e incluía um segundo lugar naquela bancada, que seria para o filho de Centeno — um pedido que pode configurar recebimento indevido de vantagem ou colidir com o Código de Conduta do Governo.”

Por outro lado, é bom recordar que o SLBenfica tem um longo e largo litigioso fiscal no valor de milhões de euros. Advinhem a quem, um dia destes, os "mouros" irão recorrer!

É, assim, que sem vergonha podem publicar legislação e mais legislação. Podem rever, repor e reverter leis. Podem até (re)afirmar, bater com os punhos na parede jurando que são os mais honestos deste país. Porém, o importante é que as acções falam por si.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:16

Março 02 2017

Vivemos momentos tumultuosos e, sobretudo, pouco esclarecedores. Ora são os SMS não divulgados de Mário Centeno, ora são as transferências não publicitadas para offshores de Paulo Núncio, ora é Carlos Costa do Banco de Portugal, o qual sabia, um ano antes da crise do BES eclodir, da respectiva bancarrota e duvidosa idoneidade, etc., etc.

Qualquer um destes assuntos dava um enredo para um filme de terceira categoria mas, simultaneamente, de primeira apanha no que respeita à credibilidade dos políticos.

Quando virá o tempo em que não seremos atormentados por más notícias? Será, tal como diz o ditado, por muito que mudamos de moleiro não mudamos de ladrão?

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:07

Fevereiro 14 2017

Há uma expressão muito portuguesa que diz “palavra dada é palavra honrada”, algo que António Costa, por tudo e por nada, gosta imenso de proferir. Bem, no caso do seu ministro das Finanças, Mário Centeno, não é assim. E, já agora, para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também não.

Se não há documento escrito a provar isto e aquilo, nada vale o que se disse. Em suma, a palavra, sobretudo de um político, que já andava pelas ruas da amargura, nos dias de hoje vale exactamente zero.

Portanto, meus caros amigos, a partir deste momento, sobre tudo o que eu disse e o seu contrário não me venham solicitar contas. Se me apresentam um papel assinado tudo bem; caso contrário nada feito. Ponto final parágrafo. Sabem que não será assim, já que sou um homem de palavra honrada, mas que poderia ter o mesmo procedimento é verdade.

Estamos carecas de saber que entre Mário Centeno e o ex-presidente da CGD, António Domingues, houve conversas e acordo acerca da não entrega da declaração de rendimentos por parte da administração daquele banco público. Se houve documento escrito ou não pouco importa, uma vez que entre homens de palavra, esta sobrepõe-se a tudo o resto.

Contudo, muito mais que estas questões, que não são de lana-caprina, é importante saber quem pagou ao escritório de advogados para conceberem uma lei à medida do freguês – leia-se António Domingues. Este, a CGD ou o Ministério das Finanças?

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:00

Fevereiro 08 2017

Mário Centeno prometeu o que não tinha condições para cumprir. Ponto final parágrafo. E o governo, pela voz de António Costa, mentiu, quando afirmou que nada tinha sido acordado com António Domingues que contrariasse a Lei. Pois, hoje sabe-se que o ex-presidente da CGD acordou mesmo com Mário Centeno que estaria dispensado de apresentar a sua declaração de rendimentos junto do Tribunal Constitucional, segundo correspondência trocada entre os dois e hoje divulgada.

Isto de governar a qualquer preço, desdizer hoje o que se disse ontem, gerir a coisa pública com sorrisos para a direita e para a esquerda, não ter palavra e em que, salvo raras e honrosas excepções, a única política é a fuga para a frente ou varrendo o lixo para debaixo do tapete é o que dá.

Ainda ontem, na apresentação de um relatório da OCDE, estiveram bacocamente presentes seis ministros, o que levou o secretário-geral daquela organização a dizer publicamente uma graçola que os deixou com um sorriso amarelo: “pelo que vejo, hoje, não se trabalha neste país!”.

Actualmente, os países diferenciadores são aqueles que possuem uma estratégia de gestão, essencialmente no que concerne à credibilidade, bem definida, onde as suas políticas e práticas se baseiam no argumento de que o desempenho do país depende fortemente da contribuição dos cidadãos, bem como da forma como se organizam, se estimulam e se capacitam.

Ora, o exemplo acima descrito ilustra bem tudo aquilo que não deve ser seguido. Que expectativas e motivações, de modo a que as pessoas se sintam plenamente integradas e comprometidas, se podem incutir com tais práticas?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:19

Abril 26 2016

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Nos primeiros três meses do corrente ano a despesa pública aumentou 0,8% enquanto as receitas se quedaram por uns mero 0,2%. Como consequência, o défice aumentou e o desequilíbrio orçamental na administração pública já vai em 824 milhões de euros.

Perante estes dados, i.e., a despesa a aumentar e a receita a diminuir, o governo, através do seu sempre sorridente Ministro das Finanças, Mário Centeno, diz que tudo está sobre controlo e que a execução orçamental está a decorrer segundo o previsto.

Bem, porquê a admiração? Já vimos este filme e não há muito. Quem vier atrás que feche a porta e, já agora, que (a)pague a luz.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:42

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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