O meu ponto de vista

Dezembro 17 2019

Há quem continue a afirmar que a felicidade de cada um só depende do próprio. O seu grau de maturidade, a sua condição de “bom”, bem como os resultados palpáveis alcançados chegarão para alcançar o “el dorado “, o pináculo do nirvana constante. Aliás, defendem também que o granjear deste “prémio” decorre naturalmente do sucesso interno efectivo, e não da implementação de um conjunto de dogmas, os quais nos foram inculcados simplesmente com o fim único de apenas alguns atingirem tal estado.

É claro que esta forma de pensar é extremamente individualista, algo que não admira nos dias de hoje. Aliás, não foi e não é por acaso que foram e continuam a ser criados mecanismos para “premiar e reconhecer” para o exterior, repito, para o exterior, as pessoas que lograram executar estes modelos com “sucesso”.

O que importa a família, o próximo, o que acredita e intrinsecamente possui outra forma de pensar? Absolutamente nada. Acima de tudo está tu. Hoje-em-dia, num contexto económico em que cada um de nós se vê forçado, cada vez mais, a racionalizar recursos, a analisar cuidadosamente as suas finanças e de preferência no recanto mais rebuscado da nossa vivência, a obter ganhos em períodos cada vez mais curtos, dificilmente a partilha e a solidariedade subsistem.

Por outro lado, caso persista em implementar outro modo de existência com o fito de obter visibilidade, não diante dos homens, mas perante em quem acredita, é vilipendiado, senão mesmo crucificado na árvore mais alta que encontrem.

É altura de dizer que a nossa vida é feita de alegrias, tristezas e, algumas vezes, de lágrimas, bem como de ranger de dentes. Cada um terá que diariamente carregar a sua cruz. Não a carguejar é viver na mentira.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:30

Outubro 03 2018

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O grau de exigência crescente dos cidadãos deve ser considerado como a razão principal para que as instituições sejam estimuladas a responder eficazmente às expectativas e necessidades dos usuários.

Assim, a resposta das instituições, sobretudo as públicas, deve, pois, ser entendida como uma capacidade que estas devem ter no sentido de ir ao encontro, superando, se possível, as necessidades e expectativas que os cidadãos desenvolvem, felizmente cada vez maiores, relativamente a anteriores episódios de contacto com a realidade.

Contudo, este conceito deverá integrar também a capacidade de satisfazer as expectativas das organizações e da população residente, i.e., o meio envolvente, minimizando todo o tipo de impactos negativos que possam surgir ao longo do processo de desenvolvimento.

O anteriormente exposto, no meu modesto entendimento, assenta que nem uma luva na actual luta dos professores. Não basta encetar formas de luta para alcançar objectivos mais que justos. Há também, sem margem para dúvidas, que esclarecer a opinião pública e essencialmente a publicada – uma condiciona a outra e vice-versa - sobre os porquês de tal desiderato. Caso contrário, a derrota será, à priori, mais que certa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:26

Julho 12 2018

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Não me canso de repetir. Nesta era em que vivemos, o acréscimo de vantagem competitiva implica decisões de investimento em lutas, algumas, é certo, impopulares e/ou inglórias, mas sem as quais, de modo algum, se pode superar as justas expectativas decorrentes da mutação da vida política-profissional.

Todo o capital de conhecimento, bem como de justiça social, terá, assim, de ser partilhado e desenvolvido colectivamente pelos “actores” organizacionais, cujos perfis de actuação são fulcrais para os objectivos subjacentes àquela luta. Pressupõe-se, pois, que esta reacção de classe sirva todos os membros e que, através da intervenção proactiva, criativa e intelectual dos respectivos agentes, sejam introduzidas novas fórmulas de melhoria.

Contudo, há quem pense, infelizmente, que este é um “circuito fechado”. Os de baixo elegem os de cima e estes no alto da sua elevação são únicos a traduzirem a riqueza e a vantagem perante toda a concorrência. A gradação é instalada, sendo considerada sigilosa toda a informação relativa à estrutura e gestão. Aliás, são de opinião, e não se escusam de se vangloriar disso, que a disseminação indevida desta informação representa um risco real de desvantagem estratégica extremamente lesiva dos colaboradores.

Esquecem-se, porém, que, por muito que lhes custe, nos dias que correm, de facto, geramos e gerimos informação. Uma cultura e políticas claras sobre a gestão de informação são o primeiro passo para mais e melhores colaboradores.

Adenda: qualquer semelhança entre este texto e a luta dos professores, bem como o papel que os respectivos sindicatos desempenham junto da tutela, não é mera coincidência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:46

Julho 04 2018

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Sim, bem sei que quando se começa a falar muito do passado é, segundo dizem, porque se está inexoravelmente a caminhar para velho. Contudo, pergunto inocentemente(!): não é o que acontece com todos?

Assim sendo, volto, de certo modo, aos idos mais ou menos recentes, concretamente ao assunto que agora que está na ordem do dia – já esteve mais, admito –, i.e., a justa reivindicação dos docentes para que, faseadamente, repito faseadamente, lhes sejam contadom os 9 anos, 4 meses e 2 dias, em que a sua progressão esteve congelada.

Como sabem aqueles que mais directamente se encontram ligados ao sector do Ensino, há cerca de um mês realizou-se uma manifestação de professores, em Lisboa, convocada pela Plataforma de Sindicatos. Foi muita gente - não tanta como em 2008 -, mas algo muito substancial. Acontece, porém, que alguns – um dia chamarei os bois pelos respectivos nomes – que, outrora foram extraordinariamente reivindicativos, tanto interna como externamente, apresentam-se, neste momento, não digo com simples cordeiros, mas imensamente distantes da designação de lobos que ostentavam. E, atenção: os motivos de luta não são menos relevantes, bem pelo contrário. O que mudou, entretanto? As personagens e, sobretudo, os principais “guerrilheiros” terem “o rabo entrilhado”.

Estou a recordar-me, por exemplo, de uma senhora(!!!) que, em tempos idos, fazia gala da sua sobranceria, denotando gozo em não cumprir o que regularmente estava estipulado. Hoje-em-dia, porém, cumpre religiosamente o que a tutela emana sem que da sua boca se ouça o menor queixume. Relembro também uma outra colega que, em contraponto, por aquelas alturas, lutava pela prossecução da razão, fazendo a ligação efectiva ao que era a sua ideologia e o que a prática vivencial na Escola lhe ditava. Nos dias que correm, no entanto, é não sei o quê a nível sindical e político.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:39

Fevereiro 17 2017

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O governo aprovou uma proposta de lei que “estabelece o quadro de transferência de competências para as autarquias locais e para as entidades intermunicipais, concretizando os princípios da subsidiariedade, da descentralização administrativa e da autonomia do poder local”.

Neste âmbito e, sobretudo, no que concerne à Educação, irão ser transferidas para todos os municípios as competências relativas ao pessoal não docente e gestão dos estabelecimentos escolares de todos os graus de ensino. Assim, a experiência iniciada em treze autarquias, em que o ensino secundário não estava contemplado, irá estender-se a todo o país e num campo de acção mais lato.

A referida municipalização do ensino, tantas vezes por mim criticada – ver aqui, ali e acolá, só para citar alguns casos -, irá dar, não tenho a menor dúvida, uma nova e decisiva machadada na autonomia das escolas. Bem sei que a tutela dos docentes – por agora - irá permanecer no Ministério da Educação. Mas esperem e vão ver. Ao governo interessa ter cada vez menos responsabilidades. As autarquias, pelo seu lado, há muito que, de forma clara ou encapotada, desejam exercer o seu poder, na maior parte verdadeiramente autocrático, sobre os professores. Pelo que juntando o útil ao agradável …

E, a talhe de foice, não vos apetece perguntar: onde andam os sindicatos, principalmente a Fenprof? Recordam-se que, em tempos não muito distantes, lançaram uma luta encarniçada contra a aludida experiência, a qual a maioria dos docentes aplaudiu? Então, e agora? Pois é, quando se tem o rabinho entalado na acção governativa ficamos … tolhidos. Isto para não utilizar uma expressão vernácula que não fica bem neste local.

Por último e a quem interessar, deixo a adaptação, efectuada por Martin Niemöller, de um célebre poema de Vladimir Maiakovski

 "Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:41

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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