O meu ponto de vista

Maio 09 2016

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Ontem, ao visualizar, novamente, umas fotos tiradas há seis anos, recordei-me de uma visita inolvidável pelo Nordeste Transmontano. Sei que foi nos finais de Setembro, numa época em que o calor ainda se fazia sentir com alguma intensidade. Dizem os entendidos que esta é a melhor altura para visitar a região. A luz varia muito durante o dia, permitindo observações diferentes, mas sempre maravilhosas.

Relembrei paisagens deslumbrantes, onde o rio até atordoa, pelo declive das margens e as curvas apertadas que se sucedem. Cravado nas montanhas, é o terceiro maior da península Ibérica. Nas encostas a pique, que marcam indelevelmente a paisagem, encontramos as uvas mais preciosas, ou seja, nas vinhas em socalco, entre o xisto omnipresente. É o petróleo daquela terra: o Vinho do Porto, um dos melhores do mundo.

Por mais barragens e auto-estradas, este continua a ser um meio rural, que entra em rebuliço na época das vindimas, e de rituais, como as romarias. Território de gente franca e generosa, que vive em comunhão com a terra e a natureza. Assim é o Douro.

Rememorei, também, alguma da excelente gastronomia. Por exemplo, n’O Castas & Pratos, localizado junto dos antigos armazéns da CP de Peso da Régua, jantámos num dos dias. Degustámos um bacalhau em crosta de amêndoa de Vila Flor e presunto de Lamego, sobre brandade de bacalhau e camarão. Simplesmente delicioso. A acompanhar, de entre 700 escolhas – autêntica carta do Deus Dionísio -, veio D. Carla, tinto Douro, selecção de 2006.

E tu, que foste companheira, amante e amiga, o que sentes quando tudo isto perpassa pela tua mente?

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:40

Setembro 27 2015

Com uma simplicidade encantadora e um gracioso sorriso estampado no rosto, ela respondeu afirmativamente.

Ele, ao mesmo tempo que puxava a cadeira para se sentar, retorquiu:

- Podes não acreditar, mas é a primeira vez que tomo a liberdade de pedir a uma senhora, que não conheço, autorização para me sentar à sua mesa. Estou a dar esta explicação, uma vez não querer que fiques com má impressão a meu respeito e, sobretudo, pretendo que tenhas a certeza absoluta que não sou um conquistador de vão-de-escada ou que pretendo um flirt ocasional, ditado pelas circunstâncias de uma eventual solidão mútua.

Pelo seu lado, ela, continuando com um sorriso estonteante, afirmou:

- Não te preocupes, pois são raras as vezes que me engano - em termos de maus predicados, como é óbvio - sobre quem, pela primeira vez, dou autorização para se abeirar da minha mesa. E, mesmo que, mais tarde, venha a enxergar um acidental erro, podes crer que sou mulher que sabe ocupar muito bem o seu lugar e, nomeadamente, obrigar os outros a ocuparem devidamente o seu. Por outro lado, não te esqueças que, em qualquer momento, sou completamente livre de me levantar e, assim, acabar com a conversa se a mesma rumar por um caminho que não me agrade. Aliás, este raciocínio também o podes colocar a ti próprio!

Cada vez mais gosto desta garota, pensei para comigo próprio. Ainda por cima é muito gira. Possui um modo próprio de pensar e não pede autorização a quem que seja para dizer o que cogita.

E continuou:

- Também não deixa de ser verdade que nada de mal estamos a fazer e, presumo que tanto tu como eu, apenas, friso, apenas necessitamos de conversar com alguém.

Nesse momento, uma sensação de bem-estar inundou-me. O soutien via-se, agora, com mais nitidez, realçando o rego do belíssimo peito. Caramba, era extraordinariamente difícil não olhar. E, bem sei, que uma ou outra vez notou perfeitamente para onde se dirigia o meu olhar, sem que fizesse, porém, algo para que tal não voltasse a acontecer. Raio, até parecia que gostava de me provocar!

Por isso, ou pelas suas palavras, senti necessidade de intervir:

- Bem, quanto ao que me diz respeito, não é bem assim. É verdade que adoro conversar, mas…

 

(Continua num livro brevemente à venda numa livraria próxima de si)

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:17

Julho 15 2014

O guia esclareceu-nos, ainda que de forma breve, o objectivo da viagem. Antes, porém, ainda deambulámos pelas estreitas ruas da única cidade da ilha. Contudo, à medida que avançámos o casario vai-se tornando escasso.

O trilho vai acentuando a dificuldade da caminhada, mercê de elevações e vales que se sucedem a um ritmo que julgávamos não existir. Por vezes o verde intenso é rasgado pelo negro do basalto.

Contornamos a ilha da direita para a esquerda, isto é, em sentido contrário ao do outro grupo. Algures haveríamos de nos cruzar. Logo a seguir atravessamos uma ribeira cavada no negro e pontiagudo basalto. A água, não sendo muito abundante, corre por entre as rochas e a vegetação frondosa, o que nos fez, de certo modo, lembrar um recanto qualquer de Gerez.

Lá longe descobrimos um outro grupo de exploradores-caminhantes. Reduzidos a pontos minúsculos, por via da distância que nos separa, observamos que vão equipados tal como nós. As fotos continuam a um ritmo muito intenso, o que obriga amiúde à troca dos respectivos rolos.

Avançamos a uma boa velocidade por entre e por baixo de uma manto vegetal verde. O Sol, parecendo querer brincar connosco, aparece e desaparece por entre as ramagens das árvores centenárias. Viramos à esquerda e tornamos à direita. O guia dirige-nos por uma estreita estrada de saibro escuro e diz-nos orgulhoso que, dentro de momentos, iremos desfrutar da mais espectacular paisagem do mundo. Com toda a certeza que exagera, mas a ver vamos.

O silêncio é total.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:32

Julho 08 2014

À nossa frente surgia uma outra ilha, esta completamente diferente de todas as outras que compõem o arquipélago. A aridez que caracteriza a maioria das ilhas dava lugar a um chão húmido proveniente de uma vegetação que, não sendo densa, era, em comparação, luxuriante. Daí o genuíno espanto de todos.

A manhã estava calma e clara naquela nova ilha. A luz do Sol reflectia-se nos vales e encostas verdejantes. A temperatura, mais amena, era afagada por uma brisa serena.

Após atracarmos num pequeno e modesto molhe, reentramos em cena com um autêntico ataque ao almoço. A cachupa, prato tradicional à base de milho, carnes e enchidos de porco, algo que se pode comparar à nossa feijoada, foi a refeição servida, a qual foi completada com papaia acabada de colher. A cerveja, por sinal bem fresca, foi a bebida que ajudou a digestão. Teríamos preferido vinho, mas …

Findo repasto, eis-nos a verificar o nosso equipamento, pois o reconhecimento desta ilha esperava-nos. Um resguardo, algumas bolachas e, sobretudo, água, tudo foi convenientemente acomodado na pequena e leve mochila de cada um.

Desta vez o cenário confunde-se com o palco. É a ilha de Santo Antão em todo o seu esplendor. Dividimo-nos em dois pequenos grupos de quatro pessoas cada. A missão do primeiro é a exploração da região ocidental da ilha. Já o segundo tinha como objectivo a parte oriental. Calhou-me este último.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:35

Julho 07 2014

Há quem defenda que com o avançar da idade as memórias se avivam. Talvez seja verdade. Todavia, mito ou realidade, o que importa são as recordações que assaltam os meus dias neste Verão tristonho e propício à meditação.

O palco era azul do mais intenso que já tinhamos visto. Estávamos a meio caminho entre o continente africano e o americano. Para trás tinha ficado o cenário majestoso de uma ilha esculpida por vulcões milenares. O agreste dos penhascos contracenava com a paisagem rude, de um amarelo ocre constante, mesmo nos vales mais profundos.

Entramos em cena, quais novos exploradores, armados de máquinas fotográficas – ainda de rolo, entenda-se – e com um único propósito de viver a natureza, conhecendo-a e preservando-a. Há uns bons minutos que somos escoltados por um numeroso grupo de acrobatas e brincalhões cetáceos que nos desafiam com os seus saltos e repentinas mudanças de velocidade.

Estamos todos com os olhos postos no mar explorando o azul oceânico até à linha de horizonte. O experimentado mestre do Mãe Negra, Nho Nilita, vai dando algumas informações - usando uma mistura de português e crioulo - sobre a navegação, enquanto o Sol vai mostrando, cada vez mais, a inclemência própria dos trópicos, brilhando na fraca ondulação.

Cruzamos as ondas suaves. A pouca distância avistamos um outro barco, desta vez com turistas holandeses. Parado e envolto por um conjunto de golfinhos e de improvisados mergulhadores que com eles nadam e trocam afectos. Acenam-nos radiantes como que a convidarem-nos para partilhar uma experiência que é seguramente fantástica e inolvidável.

Pouco tempo depois, de súbito, a nossa marcha é interrompida. O silêncio repentino é apenas cortado pelo bater das pequenas ondas no casco do barco. Em surdina, Nho Nilita aponta o objectivo.

 

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:21

Junho 15 2014

O piano toca a melodia imortalizada pelo filme Casablanca, naquela cena em que Humphrey Bogart e Ingrid Bergman se despedem, e não te ouço, ou melhor, sei que dizes algo mas, sinceramente, não sei o quê, numa recusa obstinada de ouvir as tuas palavras sem sentido. E, afianço, que não se trata de uma arma de arremesso mas de um sentir muito profundo.

O que queres? O que quero? Questões, não meramente semânticas, que a música, maravilhosamente interpretada pelo pianista, naquele lugar que tão bem conhecemos, não responde. Perguntarás, então, e muito propriamente: quem possui a resposta crucial? Neste canto, recolhido no sofá que me alberga, enquanto o conhaque arrefece no balão pré-aquecido, sinto que também não tenho resposta àquilo que ambos pretendemos saber.

Todavia, deixa-me igualmente indagar: o que pensas tu, ouvindo, senão a mesma música, outra parecida e tocada pelo mesmo intérprete e no mesmo palco, tendo adorado – as palavras são tuas – de um certo aggiornamento? Não te esqueças do que canta Rui Veloso “não se ama alguém que não ouve a mesmo canção”.

Situação estranha. O pianista, constipado, pois assim indica o seu perseverante tossir, insiste em tocar, não aquela música maluca- novamente “O anel de rubi” (!) -, mas sim o prelúdio do fim de um percurso de alguns anos. Bem, de que nos podemos admirar já que, como se costuma dizer, tudo tem um princípio e um fim?

A sala iluminada a meia-luz, por candeeiros de pé-alto, a determinada altura, brilha intensamente para um, enquanto para o outro não são mais que fogos-fátuos, tremelicantes até. Dilema? Sim e não! Trata-se, tão-somente, de simples constatação de interesses divergentes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:29

Agosto 04 2013

Todos sabiam o seu fascínio pela recuperação de edifícios antigos. Tanto melhor! Hoje, Fernando, pensava para consigo próprio, daria a conhecer, a alguém muito especial, um deles que recentemente tinha tido o agrado, como convidado, de visitar e pernoitar.

O centro histórico da vila de Alcobrado, geograficamente pertencente ao Parque Natural da Peneda-Gerês, tem dezenas de edifícios devolutos ou mal aproveitados. O edifício era mais um – decrépito, por dentro e por fora, quase deserto de vida. Adquirido recentemente por um seu amigo, com visão e olho para estas coisas, ganhou vida nova ao converter-se numa bela mansão.

A obra demorou mais de um ano a concretizar-se. Respeitar a memória do edifício com todo o seu historial de intervenções ao longo de dois séculos foi algo assumido desde o início, como aquele lhe relatou: “este edifício é muito interessante porque desde a sua construção até hoje sofreu numerosas alterações, quer no século XIX, quer no século XX. Quando comecei a pensar que estratégia seguir, decidi que seria interessante manter todas as alterações feitas ao longo do tempo e adicionar apenas uma, a qual teria ser necessariamente contemporânea, i.e., a climatização das muitas divisões”.

O chão de madeira nórdica foi mantido e os «remendos» necessários para reestruturar o pavimento foram assumidos como tal, o que, por vezes, dá um jogo cromático muito interessante. Os tectos, as portadas, as clarabóias, a pedra lioz, bem como os azulejos – removidos e depois repostos – são originais.

Impressionou-o, sinceramente, a luminosidade em todos os espaços. Não existe divisão sem luz natural, incluindo as casas de banho, o que nestes dias de imenso sol e face ao tom vetusto dos móveis recuperados lhe dá um ar acobreado.

Foi, neste edifício apalaçado que novamente se encontrou com Teresa. Tendo-a esperado na estação de caminho-de-ferro, mal a vislumbrou ao longe, e apesar dos longos meses de separação, reconheceu-a de imediato. O seu vestido simples de linho branco, deixando ver as suas belas pernas bem torneadas e o busto firme, tornava-a inconfundível. Quando desceu do comboio, a luz matinal realçou a leve transparência do tecido, obrigando-o a desviar o olhar para o além, com vista a concentrar-se no que naquele momento era essencial, a não demonstração de quanto ansiava aquele momento.

O beijo trocado ao de leve, bem como o abraço subsequente, nada disseram sobre aquilo que ambos, no fundo, por um lado temiam, por outro tanto desejavam …

 

(continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:52

Maio 27 2013

A escassos minutos da Candiosa, tendo a ria a unir as duas margens, Embicados é um território que possui as melhores vistas sobre aquela cidade. É na extensa frente ribeirinha, situada a norte, que, sob uma extensa escarpa, se sucedem os miradouros, abrindo-se a vila ao mar e à ria.

Chegados a Embicados, dois elementos se destacam logo à partida. Junto à Praia do Molhe, o ancestral farol, o qual simboliza a importância estratégica que aquele local teve para a navegação da Ria Nova. Mais à frente, uma velha fragata ancorada permite, através de uma visita ao seu interior, conhecer a vida dos bacalhoeiros.

Depois, subindo pelas estreitas e planas ruas de Embicados, toma-se contacto com um centro histórico em mudança, marcado pelas casas simples e antigas, pelos pátios e recantos, pelos mais diversos canais da ria a espreitarem a cada esquina. Um território também ele marcado pela excelente gastronomia e qualificada restauração.

Uma outra imensa frente natural, por outro lado, se abre a sul. São mais de 1500 hectares de área florestal protegida, assumindo-se como um excelente destino para o turismo de/na natureza. Por entre a vegetação densa e rica, espreitando a imensidão do Oceano Atlântico e os muitos quilómetros de praia contínua é possível aproveitar ao máximo esta beleza natural.

Foi, pois, em Embicados que, mais uma vez, nos encontrámos. Bem sei que foi aqui que, pela primeira vez, nos conhecemos e, por isso, sempre foi e será a nossa praia. Foste igual a ti própria, frágil no belo corpo e simultaneamente forte nas convicções. O frio que se fazia sentir, uma vez o céu, neste domingo, na sua maior parte se carregar de nuvens, fez-te chegar a mim e, assim, abraçados percorremos a alameda que ladeia o longo areal.

O diálogo, diga-se em abono da verdade, não foi muito loquaz. Também não era necessário e, como todos bem sabem, nem sempre estamos dispostos a falar muito. O frio apertava e acentuou-se com o chegar do fim da tarde. Assim, abandonámos Embicados, acabando por lanchar, algo já meio ajantarado, à saída da vila, no “Solar dos Embicados”, onde petiscámos as celebérrimas enguias fritas, acompanhadas do vinho branco seco “Borba”.

O resto fica para contar … um dia!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:03

Maio 06 2013

Ele esperava-a na esplanada, lendo o jornal e bebendo um café. Como assim, havia que matar o tempo com algo. Ao fundo via-se o areal e, mais além, o mar. As gaivotas sobrevoavam os céus, grasnando como que estivessem a chamar por ela. A necessidade em manter a continuidade visual ditou a escolha do local. O magnífico sol que iluminava aquela manhã de sábado, ainda primaveril, é certo, mas já a cheirar a Verão, conferia ao sítio o melhor de dois mundos: de um lado o ambiente cosmopolita da cidade, do outro o telurismo do jardim, simultaneamente sossegado e recatado tanto quanto possível.

De repente, ela apareceu, como do nada viesse, subindo as escadas, devagar, mas com a respiração ofegante e as faces rosadas. Por entre o decote do vestido Versace vislumbrou um soutien preto com rendas cor-de-rosa. Quando a cumprimentou sentiu o perfume do Chanel nº 5, aquele que ela bem sabia ser o seu preferido. Apesar de tantos anos, há odores que não se esquecem.

Todavia, o mais importante foi sentir o seu coração bater descompassadamente quando se encostou a ele. Também não era para menos, pois o (re)encontro, ao fim de mais de trinta anos, assim o ditava. Ele, pelo seu lado, bem sabe que demonstrou o contrário, mas a verdade é que a calma que denotou era, no fundo, só aparente.

Perguntou-lhe se queria tomar algo. Respondeu-lhe que não e, face ao adiantado da hora, foram, de imediato, almoçar. O restaurante, situado nas cercanias, de cujas janelas se via o mar “chão”, serviu-lhes sardinhas assadas com pimentos, acompanhados de um D. Ermelinda, aliás um belo vinho tinto alentejano, não escolhido, certamente, ao acaso. O peixe, apesar da frescura, ainda não possuía o tamanho e a gordura suficiente para, como se diz na gíria, pingar no pão. Contudo, a desejo soube-lhes maravilhosamente. A conversa girou à volta dos acasos da vida, dos amores feitos e desfeitos, da família, principalmente dos filhos, dos amigos de então e, sobretudo, das venturas e desventuras, tendo chegado à conclusão, que, muitas vezes, para ambos, a vida foi mais madrasta que mãe.

A tarde prolongou-se com um breve passeio, assegurando, assim, o ambiente propício para dissolver os restos de tensão que ainda pairavam no ar. Foi a meio deste que, passadas mais de três décadas, se voltaram a beijar. Um beijo profundo, longo, levando-os ao êxtase e facilitador de um premissa-base de todo o dia: recuperar o tempo perdido.

O resto da tarde foi para se voltarem a (re)descobrir. Apesar dos anos e dos filhos, o seu corpo continua igual, firme e seguro de si. No entanto, relevante foi a intensidade com que voltaram, mutuamente, a descortinar cada pedaço do corpo do outro. A roupa rapidamente voou desnudando os corpos frementes de desejo, os lençóis foram amarrotados, as bocas uniam-se a cada segundo, os corpos suados pediam mais, até que …

A tarde foi pequena para uma ânsia acumulada por anos e anos de espera.

O sol já se tinha posto quando se despediram. Na linha do horizonte, por força do ocaso, um raiar avermelhado fazia brilhar de uma cor variada o mar, tantas vezes visto e revisto. Naquele dia, porém, diferente!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:53

Abril 23 2013

O outro dia tive um sonho. Sonhei com um destino só nosso, onde o charme de espaços únicos, a harmonia da natureza e o poder regenerador da gastronomia despertavam os sentidos. Não tenho a certeza se era na praia ou no campo, mas para o caso tanto faz. O relevante é que tal local nos oferecia uma verdadeira experiência revigorante baseada em três pilares: passeios, relax e partilha, elegendo a cultura gastronómica como fonte de bem-estar.

O cenário idílico convidava à contemplação de tão extraordinária beleza. As excelentes acessibilidades, o vasto património paisagístico e cultural, a riqueza gastronómica e a hospitalidade tornavam o local um destino surpreendente.

Por outro lado, não podíamos olvidar o rico e arrebatador património etnográfico desta região, onde lendas e tradições se cruzavam com romarias e festividades salpicando-a de acontecimentos únicos e verdadeiramente genuínos.

Um lugar de encanto, que combinava a elegância com a intimidade de um ambiente familiar. Assim, envolvidos por encostas verdejantes, mergulhámos profundamente um no outro, numa atmosfera relaxante e intimista. As tuas linhas curvas modelaram-se na arquitectura das minhas mãos e a imponência do lugar foi dominada pela unicidade dos corpos apagando o desejo que nos encandecia.

Da imaginação à realidade da vida autêntica, por vezes, não vai, por assim dizer, um grande passo. Algumas vezes basta querer. As belezas naturais, a aventura, a tradição e a cultura, bem como um conjunto de serviços disponíveis e actividades complementares, se bem me faço entender (!!!), estão onde menos esperamos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:23
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