O meu ponto de vista

Março 07 2021

Vivemos tempos de algum constrangimento. Não me refiro propriamente à questão do confinamento, mas de algumas tentativas de cerceamento da liberdade. A comprovar atente-se no manifesto subscrito por uma série de “personalidades”, as quais se revoltam com o facto dos jornalistas das televisões generalistas se centrarem “apenas” nos casos negativos da pandemia, de relatarem os aspectos menos claros da vacinação contra o Covid-19, em suma de denegrirem constantemente a acção do PS e, sobretudo, do governo.

É evidente que existe no PS e não só, por muito que apregoem o extremo amor à liberdade, gente que ainda tem uma costela salazarista. Nada de números de infectados e/ou mortos, excluam-se as filmagens sobre as filas de ambulâncias às portas dos hospitais, bem como a pré-rotura destes, chegando a necessitar de ajuda estrangeiro, etc., etc. Somente notícias cor-de-rosa como, por exemplo, a excelente governação proporcionada por António Costa.

Tem muita razão Cavaco Silva quando vem criticar esta tentativa de amordaçamento da democracia. Não quer dizer que esteja isento de erros, bem pelo contrário. Contudo, tal como tinham razão quando em tempos lhos apontarem, ele, agora, tem todo o direito de os indicar. Como seria de esperar os “cães” de fila do PS – leia-se PCP e BE – vieram, de imediato, amesquinhá-lo, chegando ao cúmulo de Jerónimo de Sousa dizer que se tinha de lhe dar um desconto pois estava velho. É caso para dizer: Olha quem fala! Logo ele que é um poço de juventude.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:29

Novembro 25 2019

Se o 25 de Abril é mais importante que o 25 de Novembro? Não sei, pois tenho muitas dúvidas. Uma coisa é evidente, sem o 25 de Abril a segunda data, tal como a comemoramos, não teria existido. Mais: no primeiro evento ninguém morreu, enquanto na segunda efeméride foram cobardemente assassinados dois militares (comandos).

Para os mais novos, em 1975 vivíamos uma deriva totalitária, comandada sobretudo pelo PCP, a qual pretendia estabelecer, neste rectangulo à beira-mar plantado, uma Cuba europeia. Daí a importância capital do acontecimento que hoje se comemora. A ele devemos a liberdade que hoje tanto proclamamos. A verdadeira reposição dos ideais de Abril foi efectuada há 45 anos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:13

Abril 25 2019

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Adoro o 25 de Abril. Todavia, não gosto menos do 25 de Novembro. Vivi intensamente as duas datas e, por isso, sei do que falo.

Se um nos deu a liberdade, o outro devolveu a democracia.

Viva PORTUGAL.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:23

Fevereiro 22 2019

No Verão quente de 75 e seguintes acompanhei - adorei até - a luta entre o MRPP e o PCP, aquele encabeçado pelo grande educador da classe operária, hoje falecido, Arnaldo Matos, e o segundo chefiado por Álvaro Cunhal. Então, as disputas – estou a ser meigo na linguagem – entre as respectivas juventudes estudantis nas assembleias do ensino superior raiavam o surreal, sendo ainda hoje contadas como piadas verdadeiramente dignas de antologia. Um dia destes narrarei algumas, sobretudo uma a que pessoalmente assisti no Jardim da Sereia, em Coimbra.

Lamento a morte de Arnaldo Matos, fundamentalmente pelo combate incessante que fez aos comunistas, a quem acusava de revisionistas. Agora afirmar, como Marcelo Rebelo de Sousa o fez, que aquele “foi um ardente defensor da liberdade” é demais, é ultrapassar o inexplicável. É conveniente recordar que Arnaldo de Matos era um convicto marxista-leninista e, sobretudo, maoista, o que, desde logo, o classificava como um seguro defensor da ditadura do proletariado, algo totalmente contrário à liberdade.

Nunca teve poder, por força das fraquíssimas votações nas sucessivas eleições, mas se, por mal dos nossos pecados, o tivesse tido, hoje seríamos uma segunda Coreia do Norte ou algo semelhante. Comparar isto com liberdade é, no mínimo, para não lhe chamar um nome feio, excesso de simpatia, o que o Presidente da República tem como registo contínuo, mas por vezes de uma forma exageradíssima.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:41

Março 20 2018

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O primeiro-ministro considerou na semana passada, a propósito dos incêndios, que um dos maiores problemas do país é a "péssima qualidade" da sua informação, dizendo que apenas desperta para os problemas no meio das tragédias, esquecendo-se da prevenção.

Críticas proferidas por António Costa na parte final do debate quinzenal, na Assembleia da República, após uma intervenção do deputado socialista José Miguel Medeiros sobre medidas em curso para a prevenção e combate aos incêndios florestais.

Antes, aquele deputado e ex-secretário de Estado tinha defendido a acção do Governo em matéria de prevenção e combate aos fogos, numa intervenção em que sustentou que a prioridade "tem de ser dada à reforma da floresta".

Agora, imaginem o homem como primeiro-ministro de um governo maioritário. Um segundo Sócrates, mas muito mais sagaz. Aliás, não foi por acaso que foi excelso delfim no governo deste. Recordam-se?

Igualmente para os mais esquecidos, relembro que o ex-primeiro-ministro, face a uma comunicação social independente, também tinha um plano para a controlar, começando pela aquisição abusiva da TVI.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:08

Janeiro 31 2018

Somos um país de corruptos? É lógico que não. Se parecemos ser? É verdade. Porém, como bem sabemos, nem tudo o que parece é. Aliás, não tenho a menor dúvida que a grande maioria dos portugueses é honesta, séria, trabalhadora e preservante dos bons costumes – atenção, nada de conotações com o antigo regime.

Já escrevi e volto a afirmar: corrupção sempre houve, há e haverá. Faz parte, infelizmente da natureza humana. Que hoje parece haver mais? Não nego. Tal se deve ao clima de total liberdade dos media. Numa sociedade emudecida a degradação de alguns igualmente existe e com o mesmo pendor. Todavia, poucos ou nenhuns têm conhecimento de tal por via do silêncio superiormente imposto. Por isso, prefiro a democracia, tal como ocidentalmente a concebemos, apesar da descoberta de tantos e tantos prevaricadores.

No meio disto tudo, há quem veja o copo meio vazio e outros existem que o vêm meio cheio. Prefiro este último estado, i.e., são as instâncias a exercer o seu múnus, sem olhar a quem, quando e como.

Ontem, quase parecia o dia do Juízo Final. Nas redes sociais, onde toda a porcaria desagua e de modo exponencialmente amplificado, havia imensa gente a indagar se alguém escaparia, sinónimo da enorme razia registada, quer politicamente, judicialmente ou ainda desportivamente.

Como não podia deixar de ser, logo surgiram umas virgens púdicas a gritar aqui d’el-rei. Afirmam tratar-se da judicialização da política, que o Ministério Público coloca tudo no mesmo saco, que se trata de uma vendetta por parte dos maiores responsáveis da PGR, etc. e tal. É claro que altas figuras da actual governação e seus apêndices não estavam costumados a tal. Bem gostariam de voltar aos tempos de um tal ingenheiro onde tudo ou quase tudo era silenciado. Olhem, tenham paciência. É a vida. E esta não volta para trás.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:37

Abril 25 2017

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Não andei de cravo vermelho, nem na lapela nem na mão, mas colhi, no meu quintal, uma bela alface para acompanhar o almoço. Sim, passei o dia inteiro na agricultura, uma vez que nas zonas rurais este é um dia de trabalho como foi o de ontem e como será o de amanhã. Com esta atitude não pretendo criticar quem optou por passar o Dia da Liberdade em manifestações públicas. Cada um comemora conforme muito bem entende. É a Liberdade!

Neste dia fico sempre chocado por constatar termos conseguido o mais difícil – a conquista da Liberdade -, falhando, porém, na construção de um enquadramento propício ao seu aproveitamento, ou seja, um ambiente em que do ponto de vista fiscal, jurídico, económico, entre outros, todos pudéssemos prosperar de forma saudável, acolhendo e beneficiando do activo que representou a geração pós-25 de Abril.

Séneca dizia “não nasci destinado a nenhum lugar: a minha pátria é o mundo inteiro”. Todavia, estou certo, que se referia a outra dimensão humana.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:44

Janeiro 10 2017

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 (Imagem do debate televisivo, em 1975, com Álvaro Cunhal, em que ficou célebre a frase deste "olhe que não, Sr. Dr., olhe que não"

 

Quero apenas recordar o estadista que agora nos deixou pelos factos ocorridos em 1975, bem como a adesão à, então, CEE, dez anos mais tarde. Relembro a sua luta, no auge do PREC, contra a unicidade sindical, combatendo denodamento pela liberdade, implantando a democracia, i.e., aquando da deriva totalitarista do PCP, o qual queria fazer deste país uma Cuba europeia, tal como lembro a batalha que travou a fim de acabar com a perpetuação do regime militarista protagonizada por uma ala mais esquerdista do MFA.

Foi um homem extraordinário, tanto para o bem como para o mal. Contudo, tenho por princípio não falar mal de quem morreu. Por isso, tudo o resto deixo à consideração dos leitores.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:11

Novembro 25 2016

Comemora-se hoje o 41º aniversário do “25 de Novembro”. Para quem não é desse tempo ou preferiu esquecer recordo que nesse longínquo ano de 1975 caminhávamos, por iniciativa do PCP e grupelhos adjacentes, onde pontificava, entre outros, o ex-MES, para um modelo bolchevique de organização do regime, autoritário, fortemente repressivo, baseado num modelo de partido único e sem liberdade de expressão.

Relembro que nesses tempos – hoje ainda, mas de um modo mais suave e rebuscado – O PCP lutava contra a tradição democrática parlamentar e a pluralidade partidária, sindical e associativa. Estava liminarmente contra a Comunidade Económica Europeia e a NATO. Lutava, apesar dos seus apenas 15% de votos, encarniçadamente a favor da apropriação colectiva dos meios de produção, do controlo operário e da nacionalização das empresas e grupos económicos. A livre iniciativa privada e o mercado eram constantemente colocados em causa, bem como a propriedade privada dos meios de comunicação social.

O golpe militar, comandado pela ala moderada dos militares, onde pontuava Ramalho Eanes, Melo Antunes, Victor Alves, Jaime Neves, entre muitos outros, foi a resposta democrática à deriva iniciada com o “11 de Março” cujas «conquistas» foram ilegítimas, ilegais, forçadas e por vezes violentas.

Por fim, é conveniente não olvidar que o “25 de Novembro” evitou uma guerra civil já que o rumo do país contrariava totalmente os resultados das eleições e, por isso, certamente que as populações, a maior parte dos militares e as instituições teriam reagido fortemente, como aliás já havia sinais claros.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:10

Julho 15 2016

O terrorismo fere? Claro que sim! Ninguém coloca isso em causa. Todavia, o verdadeiro problema coloca-se noutro campo, i.e., no âmbito de o combater. É sabido que o mundo ocidental, a partir de certa altura, tomou a luta ao terrorismo como caminho inevitável, sob pena de males muito maiores.

No aludido combate, misturado embora com um agudo sentimento de revolta contra os seus autores, entrou muita resignação e resiliência, que foram fazendo o seu caminho, até porque a culpa, sendo imputável a agentes mais ou menos definidos, se diluía em parte naquela fatia de colectividade que tinha assumido um certo de modo de vida.

Hoje – o atentado de Nice aí está, mais uma vez, a prová-lo – sabe-se que o batalha que se tem travado contra os jihadistas não tem tido, de todo, o resultado que se esperava. Por isso, a questão assenta noutros pilares, sobre os quais teremos de reflectir de modo conciso e assertivo. E um desses pilares consiste em uma maior informação, a qual colide com a liberdade e, sobretudo, com a privacidade de cada um de nós.

Eis o cerne da questão. Estamos nós dispostos a uma menor privacidade - matéria extremamente sensível e delicada – em favor de uma maior segurança? Se sim, ganharemos tal guerra. Caso contrário esqueçam.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:21

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