O meu ponto de vista

Junho 20 2019

Como todos bem sabemos, a informação é poder. O conhecimento, como algo verdadeiro e intrinsecamente diferente da informação, é, porém e infelizmente, o parente pobre daquela, apesar de sabermos, de antemão, que é muito mais relevante. Por exemplo, um vizinho inculto, autêntico alarve e verídico carroceiro, mas com uma informação crucial sobre quem o rodeia é, sem sombra para dúvidas, muito mais perigoso que um catedrático, ao qual nada lhe diz o que socialmente se passa à sua volta.

Ora, sobre tal matéria, realmente, não há vantagem em inventar o já inventado, quer por perda de tempo e de recursos, quer mesmo porque não resultaria nisso qualquer direito. Pelo contrário, digo que a partilha de afectos pode e deve gerar uma dinâmica aceleradora nos processos de repartição e na transferência de boas vontades, pela própria evolução da humanidade, assegurando-se um processo evolutivo da espécie em detrimento de um somatório de conhecimentos.

Um factor imprescindível, interna e externamente, i.e., para garantir a eficiência da determinação da novidade e para estimular a criatividade e a inovação por parte dos agentes (!!!) envolvidos, é o propósito genuíno. Só este, com eficiência e, principalmente, com a abertura ao outro será, pois, objecto de alcance “rápido”. Trata-se tão só de assegurar que o relacionamento indisponível, no que concerne ao homem no seu todo, é algo inútil.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:07

Outubro 31 2018

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Muito se tem falado das fake news e estou em crer que ainda muito se irá falar. Já tinham sido importantes na eleição de Trump, bem como no referendo do Brexit, mas agora nas eleições brasileiras o patamar foi elevado a um nível excepcional.

As fontes de chegada da informação até nós são inúmeras: rádio, televisão, imprensa e sobretudo a internet, este novo e imenso veículo globalizante. Somos diariamente bombardeados por inúmeras informações, muitas vezes díspares, o que deixa a grande maioria de pessoas completamente baralhada.

O desafio é sermos capazes de selecionar essa mesma informação por forma a que ela se transforme em conhecimento que possamos utilizar racionalmente. Contudo, as opções são tantas e tão diversificadas que a selecção não é nada fácil. Escolher entre o produto A ou o produto B, entre o candidato X ou o candidato Y, entre a estratégia P ou a estratégia T, quando o invólucro é extraordinariamente apelativo, é muito difícil.

É nas escolas que se gera o conhecimento, mas se não houver qualquer forma de monitorizar a qualidade com que este é transmitido, nunca saberemos se estamos a enveredar pelo caminho certo. Todavia, há quem, com argumentos muito válidos, defenda que a não supervisão de tal é, em si, uma mais-valia, uma vez que, entre outras vantagens, potencia a abertura para a procura do discernimento.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:01

Abril 17 2018

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Há décadas que tanto ouvimos falar em fraca produtividade e em tudo o que consequentemente acarreta, sobretudo a nível da competitividade. Com muita frequência continuamos a deparar-nos com a tendência nacional de sempre culpar terceiros, por muitas das nossas “aclimatações” de decisão.

Todos estamos de acordo que deve ser o governo a liderar a maioria das acções de reforma estrutural que permitam inverter a actual propensão. Todavia, também é da mais salutar curialidade dizer que é responsabilidade pessoal de quem gere, tanto publicamente como privadamente, liderar a mudança necessária no dia-a-dia das instituições, introduzindo métodos inovadores na constituição de processos e, essencialmente, na produção de conteúdos que acompanham e fazem parte integrante dos bens e/ou serviços produzidos.

Costuma-se dizer que tudo tem um custo. Aliás, digo imensas vezes que não existem almoços grátis. Assim, o valor final de uma infraestrutura ou serviço depende cada vez mais da qualidade da informação que se entrega, a qual serve de base fundamental para produzir mais e melhor. Ora, esse valor cada vez mais depende da facilidade de comercialização, bem como dos custos inerentes ao futuro da nossa privacidade.

Por isso, é que se começa hoje a colocar com muita acuidade a questão da informação que disponibilizamos. Todos, sem excepção, queremos serviços e produtos “prontos a vestir” a cada um de nós. A individualização, no modo de ser e estar, reflecte-se neste âmbito de forma muito premente. Porém, se queremos, à imagem de cada um de nós, tais benefícios, também não deixa de ser verdade que isso só é possível com a “dádiva” de muitos dos nossos dados, os quais, mais cedo que tarde, observamos que igualmente são usados para efeitos que, nem de longe nem de perto, alguma vez imaginávamos que, para efeito, fossem utilizados.

O exemplo dos dados que disponibilizamos diariamente no Facebook são disso exemplo flagrante.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:13

Abril 26 2011

Regressa-se quinze dias depois e tudo está na mesma. Na mesma não: observou-se a afixação de uma convocatória para uma reunião do conselho pedagógico. Chega-se ao cúmulo de nada se divulgar quando está a decorrer um concurso de professores. Querem saber? Leiam os jornais e, fundamentalmente, pesquisem na Net.

Dizem-nos também que esta semana haverá uma reunião do conselho geral transitório, do qual, à semelhança das anteriores, não se vislumbra convocatória. Não admira! Ainda hoje estamos para ver afixado, nas diversas escolas, cópia dos resultados da respectiva eleição. Para irmos colocar o “quadradito” somos informados, para saber os resultados … vamos à escola-sede e é se queremos!

Aliás, quem somos nós, simplérrimos professores, para termos a pretensão de conhecer quando aquele órgão reúne e o que analisam tão distintos e ilustres membros da nossa comunidade educativa? É bem feito! Que nos reduzamos à nossa insignificância. E, ainda por cima, há quem se ache no direito de conhecer, no mínimo, as minutas do aí debatido. Era o que mais faltava! Votámos e a partir daí … nada, pois os iluminados hão-de cuidar do nosso futuro.

E ainda nos lamentamos dos nossos políticos, aqueles que pululam a capital – bem, de vez em quando, visitam-nos, tais como os primos afastados o fazem em determinadas ocasiões, principalmente, quando necessitam - e que também elegemos? Aqueles, ao menos, pessoalmente não os conhecemos. Agora estes? Uma parte substancial – aquela que mais responsabilidade tem - está connosco diariamente na escola. Será que não têm vergonha do papel que fazem? Ou será que tudo não passa de uma mera passerelle? Se assim é, bom será não esquecer que, na feira das vaidades, o iluminismo que pensam possuir se esfumará num ápice.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:41

Novembro 17 2010

Há cerca de um mês publiquei aqui um texto sobre a questão da ausência gritante de informação nas diversas salas de professores do agrupamento. Não porque pessoalmente isso me causasse grande mossa, tanto mais que, até, de um modo mais expedito, consigo ter acesso àquela, mas, essencialmente, por causa dos colegas que, por falta de conhecimento das pessoas certas e/ou apedeutismo dos locais de pesquisa, a ela não tinham a devida aproximação.

Felizmente fui lido e o meu reparo, pelo menos em parte, não caiu em saco roto. Apesar de saber de alguma informação que ainda não é divulgada, e outra que o é de forma não atempada, estou, no entanto, convencido de que estamos no bom caminho e que, com um esforço acrescido, chegaremos a bom porto. Nem tudo, graças a Deus, são más notícias.

Contudo, tal como na vida, não há bela sem senão. E, aqui, o senão passa pela “limpeza” do(s) placar(es),pois não é admissível vermos afixada legislação – alguma de Julho p.p. – e convocatórias de reuniões oito ou quinze dias após a sua realização.

Caramba, entre tanta gente com horas para o gabinete X, grupo Y e missão Z, isto para não falar de assessorias para isto e para aquilo, tempo que não se vislumbra, ressalvando as devidas excepções, aliás por todos reconhecidas, qual a utilidade, não se encontra ninguém para, semanalmente, fazer a aludida “limpeza”?

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:39

Outubro 26 2010

Em tempos que já lá vão era importante passar aos filhos uma “enxada”, isto é, uma ferramenta, um utensílio de trabalho, que permitisse a autonomia de vida, a realização pessoal através do ganha-pão e, de algum modo, uma forma de estabilidade.

Hoje há pais, felizmente uma minoria, que não têm os mesmos objectivos. E, para todos, é claro que o número de jovens que também comungam destes infaustos ideais é, nos tempos que correm, muito maior. Já lá dizia o poeta: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,/Muda-se o ser, muda-se a confiança;/Todo o mundo é composto de mudança,/Tomando sempre novas qualidades.

Todavia, não são apenas os maus exemplos transmitidos de pais para filhos que, infelizmente, vigoram hoje-em-dia, pois uma parte substancial dos nossos governantes e chefias dão, constantemente, um espectáculo pouco digno.

Veja-se, por exemplo, o que se passa nos designados mega-agrupamentos em que as unidades de ensino, por estarem mais ou menos afastadas do “poder” central, vivem numa espécie de limbo, quase em permanente auto-gestão, não recebendo instruções – e quando as recebem é tarde e a más horas - e sem que lhes seja dada qualquer autoridade de decisão. O placard da sala de professores, outrora constantemente a abarrotar de tanta informação, chegando ao cúmulo de se retirar alguma antes de decorridos os oito dias de afixação para que nova coubesse, agora passam-se semanas, meses e … nada. Nada também não é bem assim, pois as convocatórias para as reuniões lá vão aparecendo. Será que não chega qualquer informação relevante à sede do mega-agrupamento que seja do interesse de todos os docentes? Ou será que apenas é afixada na sede, obrigando, os que não exercem funções nesta, a deslocarem-se aí? Se assim é que o digam abertamente. De entre muitos, outro exemplo: quantas vezes o conselho pedagógico já reuniu? Das respectivas minutas apenas foi afixada a primeira, datada dos inícios de Setembro p.p., a qual, aliás, já tem barbas, não se cumprindo, deste modo, o estipulado no respectivo regimento interno. A quem interessa o desconhecimento? Ou será que apenas os excelsos e mui dignos membros daquele órgão possuem a suprema sabedoria para terem conhecimento de tão elevados assuntos?

Será que tais erros e incúrias se deverão à falta de pessoal? Não, não pode ser. Para quem “herdou” funcionários de três serviços administrativos não se pode queixar de falta de recursos humanos. O defeito está noutro lado …

Voltando ao tema inicial desta crónica, concluirei que, actualmente, para além de não se dar qualquer “enxada”, esconde-se – vá-se lá saber porquê - o modo como se cava.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:31

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