O meu ponto de vista

Novembro 24 2020

É por demais sabido e todos já compreendemos que legalmente o PCP tem todo o direito de efectuar o seu congresso, juntando centenas de pessoas, senão milhares, no mesmo espaço. Ponto final parágrafo.

Todavia, uma coisa é a legalidade outra é a ética. Não é por acaso que também é do conhecimento geral que nem tudo o que é legal deve ser feito. Momentos, situações existem que levam a que o bom senso nos obrigue a não realizar ou adiar isto ou aquilo. É a experiência de vida que nos ensina tal.

Depois há a questão do exemplo. Quando a esmagadora maioria dos portugueses não pode sair de casa, existem uns tantos e quantos privilegiados que se podem movimentar, do Minho até às ilhas, a caminho de Loures. É evidente que o PS também não sai bem desta história. Se legalmente nada pode fazer, em privado (e não só) poderia e deveria dizer algo. No entanto, a aprovação do Orçamento de Estado falou mais alto. Não é verdade? Mas que parece, parece. E em política o que parece é!

Com isto procuro transmitir que não bato nem baterei no “ceguinho”. O PCP acha que deve realizar o dito evento? Que o faça e com bom proveito. A única atitude que exijo aos comunistas é o de arcar com todas e quaisquer responsabilidades, tanto mais que se trata de realizar um evento num dos concelhos com risco muito elevado, repito, muito elevado, de transmissão do Covid-19.

Façamos, agora, o seguinte exercício, a título meramente exemplificativo: A Igreja Católica decidia marcar uma celebração em Fátima onde eventualmente estariam o mesmo número de pessoas que irão encontrar-se em Loures, apesar de garantir, tal como aquela força política, as mesmas regras de sanidade pública. Uma coisa seria certa: cairia o Carmo e a Trindade. Não haveria jornalista/comentador e achista de vão-de-escada que não proclamasse aos quatro ventos cobras e lagartos, aludindo à inexistência de sentido de responsabilidade.

Por fim, o Chega!. Pode e tem alguma razão em determinados temas que aborda. O mais idiota dos homens, uma ou outra vez, é capaz de dizer uma verdade ou, vá lá, uma meia-verdade. Porém, neste campo é pleno populismo e completo aproveitamento político. Ainda há pouco tempo – não foi há meses, foi há poucas semanas - realizou um encontro/jantar (político) num hotel (de luxo) no Porto, onde estavam todos sem máscara e em pleno convívio social, portanto bem mais perigoso, em termos de contágio, que o próximo congresso do PCP. Quem tem telhados de vidro não atira pedras.

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:59

Setembro 15 2020

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O que se passou em Fátima no p.p. domingo foi deveras lamentável. A enorme enchente de pessoas, algumas delas a não cumprirem as regras básicas sanitárias em termos de Covid-19, foi uma má imagem para a Igreja e, sobretudo, para Fátima.

Bem sei que os responsáveis do Santuário estavam a léguas de imaginar o mar de gente que se concentraria nesse dia na Cova de Santa Iria, tanto mais que a peregrinação aniversária de Setembro não tem por hábito tal ajuntamento. Todavia, penso que era possível ter dado outra imagem. Bastava impedir mais cedo a entrada de tantos peregrinos - houve falta de monotorização - e dispor os seus cerca de trezentos colaboradores a controlarem aqueles, impondo máscara e não permitindo os ajuntamentos.

Descredibilizou-se sem necessidade. Como poderemos nós crentes – foi o meu caso – criticar a Festa do Avante, promovida pelos comunistas?

Não tenho a certeza absoluta, mas ao que consta pelos media e pelo que se passou no domingo é verdade: anda algum desnorte pela administração do Santuário de Fátima. A sua profissionalização, já de si questionável, por este e outros exemplos anda pelas ruas da amargura, jogando dia sim, dia sim os “burros na água”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:42

Setembro 17 2019

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No p.p. dia 8 de Setembro, a Irmã Maria Antónia, de 61 anos, desde os 21 ao serviço da Igreja Católica, e bem conhecida em São João da Madeira pelo seu perfil bem-disposto e bondoso, foi barbaramente assassinada e o carrasco, não contente com tal acto, violou-a já depois de morta.

Notícia que praticamente passou despercebida, sem que os principais meios de comunicação social lhe desse o devido valor. Por isso não admira a reacção do bispo do Porto. Este criticou o facto de ainda não ter visto "nenhum político, nenhum (e nenhuma...) deputado desses radicais, nenhum organismo que diz defender os direitos humanos, nenhuma feminista veio condenar o acto. Nenhum e nenhuma! Porquê? Porventura porque, para elas (e para eles...) as vidas perdem valor se se tratar de pessoas afectas à Igreja. Sumamente, se defenderem a sua honra."

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:05

Fevereiro 28 2019

De modo algum desvalorizo a questão dos abusos sexuais de menores ocorridos, fundamentalmente, no interior de instituições ligadas à Igreja Católica. Sim, porque também acontecem em outras confissões e credos religiosos. Acho-os repugnantes a todo o título e quem os praticou deve ser punido exemplarmente pela justiça secular, uma vez estar plenamente convencido que a divina os julgou severamente desde o cometimento de tais actos. Os caminhos do Inferno, aliás, encontram-se atapetados com as respectivas cabeleiras. Acredito no perdão, mas também afianço a existência do Averno.

Todavia, gostaria de chamar a atenção para uma notícia, a qual a maior parte dos media não deu particular realce, em que, e passo a citar, “houve mais de 5.800 queixas de abuso sexual contra menores afastados dos pais enquanto sob custódia dos EUA entre 2014 e 2018

A revelação foi feita pelo democrata Ted Deutch, que falava terça-feira numa audiência sobre a política de "tolerância zero" da Administração Trump, que resultou na separação de milhares de crianças dos pais na fronteira. O congressista adiantou que às 4.500 queixas de abuso sexual que chegaram ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, juntam-se mais 1.300 apresentadas ao Departamento de Justiça durante o mesmo período”.

Chegados aqui, é conveniente frisar a dualidade de critérios. Se, de repente, há a denúncia de um padre abusador, não há órgão de comunicação social que não dê a primeira página a tal novidade. Se o caso se passa numa qualquer instituição pública tal é secundarizado, senão mesmo não noticiado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:15

Março 10 2017

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Então não é que a Cáritas de Lisboa tem reservas de 2,4 milhões de euros e uma quantidade enorme de imóveis devolutos, i.e., sem renderem o que quer que seja? Uma IPSS, e ainda por cima ligada directamente à Igreja Católica, com um procedimento destes não é admissível. Que tenha o seu pé-de-meia para uma emergência, todos lobrigamos. Mas tanto? E com tanta miséria à sua porta? O que Cristo diria e, sobretudo, faria se viesse à Terra? Sorte a deles, pois seriam corridos tal como foram os vendilhões do templo.

A agravar a situação, a prestação de contas que, por Lei, é obrigatória, bem como a respectiva publicitação, só o foram porque o Público assim o exigiu em tribunal. Lindo exemplo! Não é só na política que estamos mal servidos. Muitos lugares na Igreja existem a necessitar urgentemente de uma varredela.

Deixo, desde já, a minha declaração de interesses. Como contribuinte líquido para a Igreja Católica, da qual me honro de fazer parte, imponho duas coisas: uma explicação cabal destas situações e o fim imediato das mesmas. Ah, já agora, Fátima, ao contrário do que ouço por aí, não é a mesma coisa, já que não se trata de uma IPSS, tendo apenas por obrigação prestar contas a quem de direito, ou seja, à Conferência Episcopal Portuguesa.

Atenção, porém, que o caso da Cáritas de Lisboa não é único. Segundo informações vindas a público, Coimbra e Setúbal andam pelos mesmos caminhos. Infelizmente não pelos do Senhor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:00

Outubro 15 2014

Durante a semana passada e a presente a Igreja discute, em sínodo reunido no Vaticano, as questões da família, entre as quais se destacam, pela importância que os media lhe dão, o acolhimento dos recasados e dos homossexuais.

A iniciativa, sendo tardia, é louvável, mas a sua eficácia depende da verificação de vários pressupostos. Como sabemos a Igreja Católica, com os seus dois mil anos de história, especializou-se em escrever nas entrelinhas e, sobretudo, em não alinhar em modismos de ocasião e muito menos deixar-se secularizar.

Vamos, porém, ao cerne das questões. Desde logo, a efectiva reforma tão desejada por uns é liminarmente rejeitada por muitos outros, pelo que o perigo de um novo cisma não poderá, de modo algum, ser colocado de lado. Ainda está bem presente na memória daqueles que mais se encontram ligados à prática cristã todo o processo Lefèvre, personalidade polémica e controversa e um dos promotores do movimento tradicionalista católico, o qual, como é do conhecimento público, rejeitava a reforma litúrgica colocada em prática pelo Concílio Vaticano II.

Como tal, os passos que os bispos recomendarão a Francisco não serão de gigante, como muitos anseiam, mas mais de criança que começa a caminhar por terrenos desconhecidos e, ainda por cima, pantanosos.

Tenho para mim, que o acesso dos recasados à confissão e à comunhão, de certo modo, é pacífico, tanto mais que, como diz D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, “a eucaristia (...) não é sacramento dos perfeitos mas dos que estão a caminho”. Porém, a aceitação plena da orientação sexual dos crentes não creio que tenha, para já, pernas para andar e a Igreja estará, por certo, muito longe de aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanto muito estará na disposição de acolher todos, sem indagar se é gay ou heterossexual, i.e., desde que os primeiros ostensivamente não demonstrem que “saíram do armário”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:03

Março 13 2013

Por muito pecadores que sejam os seus servidores, incluindo o Sumo Pontífice, pois é constituída por homens e, por isso, sujeitos a errar, a Igreja possui um potencial tremendo que não lhe advém apenas da elite cardinalícia, mas da acção do Espírito Santo.

As ideias que defende, a atitude que tem perante a vida e a criatividade que, apesar do seu pseudo-conservadorismo, denota perante os problemas de hoje, fazem dela um refúgio para todos.

Acreditando que a união faz a força, junto-me, apesar do pouco valor que em mim se encerra, ao novo Papa, de modo a que também possa contribuir para o encontrar de soluções para os males deste tempo.

Independentemente da sua nacionalidade e idade, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, o qual, a partir de agora, será designado por Francisco, será o meu Papa, o sucessor de Pedro. A Ele presto homenagem e humildemente afirmo a minha obediência, pois conforme disse o seu antecessor, Bento XVI, a “barca” não é do Primeiro Pastor, nem dos fiéis, por mais santos que sejam, mas sim de Cristo.

Como católico praticante, rezo de modo que Deus ilumine Francisco I, conhecedor como poucos dos males que a Cúria Romana padece, e, deste modo, possa ser o reformador que a Igreja Católica tanto necessita.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:57

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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