O meu ponto de vista

Junho 09 2020

Afinal também melhores, segundo alguns, abandonam o barco. O “Ronaldo das Finanças", vulgo Mário Centeno, demitiu-se. Depois dos elogios bacocos, levado ao colo por insistentes apoiantes, admitido por outros como obrigados a engolir autênticos sapos vivos – leia-se PCP e BE -, o certo é que se cansou de ultimamente levar pontapés e, sobretudo, chapadas daqueles que em tempos recentes o levavam aos píncaros.

Demagogia pura. Governou, de acordo com os apaniguados cor-de-rosa, muito bem. Todavia recordamos que foi em tempos de vacas gordas. Quando o cinto começa a apertar – a Covid-19 oblige – sai de cena.

Hoje, aquando da despedida, foi patética a cena. Todos os intervenientes – antigo e novo ministro das finanças, bem como o primeiro-ministro – limitaram-se a ler os papéis que, antecipadamente, alguém lhes tinha escrito, não fosse a boca fugir-lhes para a verdade. Foi, sem dúvida, um perfeito acto de hipocrisia, o qual ficou bem patente nos elogios mútuos, quando todos estavam com amargos de boca bem visíveis.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:35

Dezembro 05 2019

Época natalícia. Tempo de amor por excelência. Infelizmente, também altura para muita e muita hipocrisia. Pessoas existem que apenas se lembram dos mais carenciados por estes dias. A única doação que fazem, tanto de si como o de que possuem, é momentânea, exterior, sem lastro na alma, não chegando a ser sequer como o relógio parado, já que este duas vezes ao dia dá horas certas.

Natal e família ligam muito bem. Porém, não poderá haver união destas apenas por ocasião da consoada. Dir-me-ão que mais vale uma vez por ano que nenhuma. Sim, é verdade. Todavia, não deixa de ser uma contradição, já que o conceito de família se deve exercer, senão todos os dias, muitas vezes ao ano e não apenas pela Natividade de Jesus, por festas e funerais.

O consumismo associado ao Natal é outra das chagas que nos devassa e corrói. Para que servem prendas e prendas, dadas a todos e a tudo o que mexe, sobretudo às crianças? No dia seguinte, uma parte substancial é esquecida, votada ao abandono, olvidada no canto mais obscuro de qualquer armário ou sótão. Não digo metade, mas bastava que uma pequena parte deste dinheiro fosse canalizado para quem passa fome, frio ou vive na solidão, para que o Menino Jesus voltasse a sorrir, hoje, amanhã e além.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:19

Dezembro 03 2019

Ufa! Até que enfim! A Greta chegou ao Cais de Santo Amaro, em Lisboa. Eram muitos os "fiéis" e mais ainda os meios de comunicação social de todo o mundo que aguardavam a activista sueca. Isto sem falar das forças de segurança e dos políticos, os quais, sem um pingo de vergonha, se aproveitam de alguém que tem uma catarse contra os humanos. Só o CO2 libertado por todas estas pessoas dá a medida certa de como estas acções têm um fundo hipócrita.

Sim, bem sei que estou a remar contra a corrente, mas não gosto de jovens de má cara, a gritar com os adultos e a "lutar" contra os privilégios que possuem, quando no fundo não prescindem dos mesmos. Das pessoas que rejubilaram, fundamentalmente os jovens, com a chegada da Greta ao nosso país, quais não utilizam carro, telemóvel, casa aquecida, viagem em avião, de entre muitas outras nunances da vida moderna, e que tanto contribuem para o aquecimento global?

Estou perfeitamente consciente que não podemos continuar a ter o mesmo estilo de vida que temos tido até aqui. Importa, porém, saber qual de nós está preparado para não possuir carro próprio, telemóveis, computadores, energia eléctrica a toda a hora, vestuário a perder de vista, consumo liberalizado, alimentação permanente e com recurso a gases de estufa, etc.?

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:03

Novembro 12 2019

Devo ter uma costela estranha, já que me sinto um tanto e quanto diferente daqueles e daquelas, muito mais estas, como é óbvio, que diariamente me acompanham na árdua tarefa de ensinar. Ouço amiúde que não têm tempo para filhos, para passear, para ir ao cinema ou simplesmente para ver televisão. Depois de dar aulas apenas lhes sobram momentos para preparar novas aulas e testes, corrigir estes, preencher mil e umas grelhas, entre múltiplas outras tarefas. Aliás, quem estiver mesmo atento ficará convicto que nem dormem.

O que é certo é que quando estão em sala de alunos, de tarefas, de apoio, de disciplina, só para citar alguns dos locais onde preenchem a componente não lectiva a nível de estabelecimento, não fazem outra coisa que não seja corrigir testes e preparar novas aulas. Não o(a)s vejo perguntar o que quer que seja e/ou levantar o rabo da cadeira para atender um aluno que necessita de algo.

Mundo de hipocrisia. Se o fazem na escola não fazem em casa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:10

Outubro 09 2019

Queremos combustíveis o mais baratos, se possível ao preço da chuva – bem, talvez não seja o melhor exemplo, já que esta, ultimamente, está pelas ruas da amargura -, pois de outro modo as nossas deslocações diárias são extremamente onerosas. Contudo, nada de explorar petróleo em qualquer zona – terrestre ou marítima – já que poderá contribuir para a desfiguração da nossa paisagem.

Igualmente ansiamos por conduzir veículos eléctricos, mais ecológicos e, a longo prazo, mais económicos, mas jamais explorar o lítio neste rectângulo à beira-mar plantado, algo fundamental para o aumento da duração das baterias daqueles, bem como dos telemóveis, tablets e afins. É que as paisagens protegidas, assim como os nossos montes e vales, lobos, caracóis e minhocas, seriam dizimado(a)s.

Todavia, senão somos nós, alguém o terá de fazer, i.e., continuar a explorar as jazidas petrolíferas, bem como a extração do lítio das entranhas terrestres, na maior parte das vezes em muito piores condições ambientais que aquelas que poderíamos oferecer.

Responderão: tudo bem, desde que seja longe do nosso belo e amado país. Fazem-me lembrar a velha questão da reciclagem dos resíduos tóxicos do tempo de Sócrates. Todos estavam a favor desde que não fosse perto do seu quintal.

No fundo, aqueles que mais lutam contra esta evolução da economia, são os hipócritas que jamais prescindem do seu carro e dos bens materiais adquiridos nas lojas mais finas. Autênticos comilões de caviar com discursos de ingestão de batata cozida com pele

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:05

Outubro 02 2019

A questão de consumo de carne e, sobretudo da de vaca, entrou na ordem do dia e não existe pessoa, mais ou menos informada, que não tenha opinião sobre tal. A pegada ecológica que todos os animais deixam, essencialmente os ruminantes, i.e., os de carne vermelha, é de tal ordem que os abolicionistas acham que tem toda a razão.

Por outro lado, uma investigação internacional sobre consumo de carnes vermelhas e processadas concluiu que os estudos que durante décadas apontaram o perigo destes produtos para a saúde não têm fundamento suficiente.

Os investigadores, que publicaram o seu trabalho na Annals of Internal Medicine, concluíram que os benefícios para a saúde de reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas são poucos e não suficientes para dizer às pessoas para deixarem de consumir este tipo de carne.

Independentemente do anteriormente exposto ser verdadeiro ou não, a pergunta que se impõe é: em vez de carne o que comer, então? Peixe? Todos sabemos que as espécimes marinhas são cada vez mais escassas. De aquacultura? De que forma e que por meios são criadas? Vamos passara ser todos vegetarianos? Mas, os espécimes vegetais também não são todos seres vivos? E mesmo se passássemos a consumir apenas estes como sobreviveríamos? Apenas, com cultura biológica? Se hoje-em-dia, muito mercê da enorme parte egoísta em que estamos formatados, se passa fome, então com estas soluções o que será?

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:10

Janeiro 16 2019

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O popularucho, algo, por agora, diferente do popularismo, mas que é meio caminho andado para tal, está em alta. Os programas de entretenimento, pelo menos os preferentemente vistos, mais ou menos disfarçados de informativos, parecendo gato com rabo de fora, sempre foi um brilho que atraiu os líderes partidários, e não só, à semelhança da luz que constantemente alicia as melgas em pleno Verão.

Desde o “5 para a meia-noite”, da RTP, por onde passaram quase, repito quase, todos os líderes políticos – recordo António Costa, Assunção Cristas, Catarina Martins, entre outros menores -, vem agora o “Programa da Cristina”, da SIC, o qual, para além do telefonema em directo do PR, logo na primeira edição, contou hoje – não que o visse, felizmente – com a primeira figura do CDS-PP. Esta, segundo rezam as crónicas, para além de falar e falar, espalhar sorrisos e mais sorrisos, até fez um arroz com atum. De lata, como é lógico. Se os políticos de hoje são todos descartáveis e, sobretudo, de rápida dissolução, porque é que a comida também não há-de ser de igual tom?

São sinais dos tempos, dir-me-ão alguns. Tudo bem. Como não tenho outra hipótese tenho de aceitar. Gostar é que não, com toda a certeza que me é possível garantir. Todavia, a continuar assim, um dia destes temos o líder do PS, CDS, BE e outros em qualquer rua/largo a comer um frango de cabidela ou, então, em qualquer casa portuguesa, pelo menos aquelas que ainda têm dinheiro para tal, isto para não falar de matança do porco, uma vez que o PAN começa a ter alguma influência.

Uma coisa é ser solidário para com todos e, principalmente, para com os mais humildes. Outra coisa, porém, é querer, a todo o custo, ser igual a todos. Isso é hipocrisia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:39

Fevereiro 07 2018

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Todos os anos digo o mesmo e acerto sempre. Confesso estar cansado de ter razão antes do tempo. Pessoas existem que nunca mais aprendem. Basta colocar-lhes um microfone à frente e toca de debitar sound bites. A coerência que vá às malvas. Importante, importante é dar nas vistas e realçar o melhor, ainda que não seja directamente da sua lavra, e varrer para debaixo do tapete o pior.

A propósito de quê vem esta prosa? Passarei a explicar. Então, não é que anda a circular pelas redes sociais um vídeo retirado de uma reportagem efectuada pelo CM, onde se alude aos bons resultados registados por uma escola pertencente a um agrupamento de escolas aqui bem perto. Naquele pode ver-se um excerto de uma aula – não foi por acaso a escolha -, assim como alunos, dirigentes intermédios e quase máximos a dizer do porquê de tal sucesso.

Se até aqui nada a obstar, apesar do referido ser de há muito uma realidade concreta – bem, em abono da verdade, diga-se que, nessa altura, os mesmos criticavam ferozmente quem aludisse a tal -, o espanto aumento exponencialmente quando não são capazes de mencionar as razões porque as outras unidades educativas do mesmo agrupamento têm francamente piores resultados, incluindo a escola-sede. Será que a liderança não é a mesma?

Ai se hipocrisia matasse!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:29

Setembro 02 2015

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 Sem palavras!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:37

Fevereiro 09 2015

Cada cabeça sua sentença, diz a sabedoria popular. Contudo, há limites para tudo e o sentido de responsabilidade deve imperar sempre. Abandonar os outros à sua sorte, não fazendo uso dos poderes que o cargo lhe confere, é indigno, por muito que haja ou tenha havido erros em todo o processo.

O exercício de uma acção é sempre um risco e fazê-lo com assertividade nem sempre é possível. Mas a não actuação, a omissão, o cruzar de braços é um sinal inequívoco definidor do carácter de uma pessoa. De longe é preferível agir, mesmo que posteriormente se demonstre que o modo foi errado, do que fingir ou olhar para o lado.

Os nossos ditames não podem ser guiados exclusivamente pelos riscos. Fazer algo quando se vê ou sabe que daí advirão apenas vantagens é pura hipocrisia.

Meter as “mãos na massa”, enfrentar o “toiro pelos cornos”, pelo que se vê, não é para todos. É para quem, como diz o nosso povo, os “tem no sítio”.

A realidade de hoje é muito diferente da que era há dez, quinze ou vinte anos. E, por isso, as estratégias para enfrentar os problemas têm forçosamente de ser diferentes. Não compreender isto é não saber ocupar o lugar. A reorganização da sociedade e as suas implicações em todas as instituições exige profissionais que proporcionem segurança e, sobretudo, uma rectaguarda de confiança.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:47

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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