O meu ponto de vista

Julho 17 2018

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Ainda que tímido – estou a ser benéfico na apreciação – o Verão chegou e com ele o sol. É lógico que depois de um ano inteiro a trabalhar a esmagadora maioria esteja ávida de férias. E quando se fala de férias, fala-se de pouco ou nada fazer, passear, apreciar a gastronomia, disfrutar da companhia daqueles que mais gostamos e, sobretudo, para aqueles que apreciam, de praia.

Então, para aqueles que, como eu, o final de ano lectivo tem sido uma verdadeira maratona em termos de trabalho – somente os que são ou foram directores de um curso profissional a nível do 12º ano conseguem dizer de sua justiça -, as férias até parece que nunca mais chegam.

Ora, tanto quanto me é dado a saber, em termos de praia, este ano, somente o Algarve satisfaz minimamente. Por este motivo, mas também por hábito, lá para o final deste mês rumarei a sul. Serão apenas quinze dias, mas estou certo de que virei com as baterias carregadas. Pelo menos assim espero.

Comer bom peixe, ler diariamente o jornal, estar horas e horas na praia sem quaisquer preocupações, saborear uma cerveja ao final da tarde, passear por trilhos, percorrer salinas, conviver com a família e amigos, muito haverá por descobrir em terras algarvias.

Por tudo isto, não embarco em loucuras de levar a greve dos professores até às últimas consequências. Fiz greve, colaborei na luta, mas agora chega. Estou cansado e, nessa ordem de ideias, quero colocar um ponto final nas actividades escolares do presente ano. Mereço e principalmente a minha família e amigos têm direito a granjearem da minha companhia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:51

Junho 26 2013

Já lá diz o ditado e é bem verdade, “não existe fome que não dê em fartura”. Assim é com o tempo, meteorologicamente falando, é claro. Ainda há poucos dias nos queixávamos de que nem Privamera tínhamos, uma vez que o Verão, esse, então, nem vê-lo. Andávamos com frio e chuva, agasalhados até mais não e, como é óbvio, acostumados, desde sempre, a que o clima mudasse conforme o andar das estações, tal reflectia-se no nosso bem-estar, enfim, na disposição com que nos apresentávamos dia após dia. O ar acabrunhado e um quase “humor de cão” era o pão-nosso de cada dia.

E, sem aviso, de um dia para o outro, as coisas mudam. Alteram-se e passam, como o nosso bom povo costuma dizer, do oito para o oitenta. Quando ainda há meia dúzia de dias ansiávamos por calor, eis-nos agora a suspirar por um ar refrescante. O frio que nos obrigou a acender as lareiras para além de meados de Junho, bem como a conservar os edredões nas camas, de um momento para o outro deu lugar à excessiva transpiração, ao não conseguir dormir por causa do calor desmesurado e à vontade de nada fazer, pois o mais pequeno esforço é uma canseira.

Todavia, não foi só o tempo que mudou bruscamente. Vejam a luta de professores: cerca de três semanas de greve às avaliações e um dia de greve geral, em que os nervos estiveram quase sempre à flor da pele, para, num ápice, obtermos uma mão cheia de nada. Para quê tanta verborreia, tanta reivindicação sem sentido, tanto “braço de ferro” mantido de parte a parte, tanta corda esticada até ao máximo, quase em risco de partir, para se obter, quanto muito, uma vitória igual à de Pirro? Como demonstra um inquérito promovido por um jornal diário, nesta luta quase fratricida, ninguém saiu vencedor, isto é, nem o MEC, nem os sindicatos podem cantar de galo. E olhem que perdedores existem muitos: a começar pelos professores que perderam muito dinheiro – abro um parêntesis para dizer que os sindicalistas não fizeram uma única greve às avaliações -, a terminar nos alunos e respectivas famílias que viram a sua vida transtornada quase por completo.

Atenção que jamais direi que a luta dos professores não era e é justa. Repito aquilo que aqui e noutros locais escrevi: subscrevo, desde o início, as verdadeiras reclamações de uma classe importantíssima para o futuro do país e que nos últimos anos tanto tem sido enxovalhada pelo poder político. Porém, uma coisa são as legítimas aspirações, outra bem diferente é a sua instrumentalização e a colocação dos seus ideais ao serviço de uma agenda política bem patente, mas nunca declaradamente assumida.

Acima de tudo, não suporto esforços em vão e, por muito que digam o contrário, autênticas traições, factos que, aliás, já não é a primeira vez que se registam.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:47

Junho 17 2013

Hoje foi dia de greve geral dos professores, data em que estava marcado o exame de Português do 12º ano, o qual, como é do conhecimento geral, mais discentes do ensino secundário movimenta e, por isso, mais “mossa” podia fazer.

Como habitualmente, existem números para todos os gostos, para todas as tendências, i.e., para ambos os lados da barricada. Se a Fenprof avança com 90% dos docentes em greve, o ME não lhe fica atrás e diz que 70% dos alunos efectuaram os respectivos exames. Como é evidente, e todos bem sabemos, ambos exageram. A experiência ensina-nos que bastava a presença de cerca de 10% dos 100 000 professores convocados para que a aludida prova se realizasse, donde se pode concluir que, nestas condições, se tratou de uma grande vitória dos docentes.

Ainda no respeitante às estatísticas e, sobretudo, quem tem ou não razão, consultando os principais blogues ligados à educação, os números rondam os 50% de alunos que fizeram exames, cifra que, pessoalmente, acho que não andará muito longe da verdade, isto tendo, aliás, em linha de conta a média entre os valores anteriormente descritos.

Uma pergunta deixo no ar: no próximo dia 27, dia da greve geral de todos os trabalhadores portugueses, data em que igualmente estão marcados exames – Matemática do 6º e 9º ano - o ME voltará a solicitar a convocação de todos os professores? Espero e faço votos para que, desta vez, haja o mínimo de bom senso “na 5 de Outubro”.

ADENDA - A posição do PS e principalmente a de José Sócartes manifestando a sua solidariedade para com a luta dos professores é, no mínimo, a maior hipocrisia de que tenho memória. Será que acham que não nos recordamos dos ataques mais que soezes contra os professores,  promovidos pelo governo chefiado por este político, agora armado em comentador género "fada do lar"?

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:49

Junho 08 2013

Uma coisa é a justa reivindicação dos trabalhadores dos mais diversos sectores de actvidade. Outra coisa, porém, aliás bem diferente, é a agenda política que, na grande maioria das vezes, comanda, na rectaguarda, as forças sindicais. Estas, por vezes, claramente afirmam, sem rebuço, a ilegitimidade do governo, outras, encapotadamente, afirmam nas suas dissertações, bem como nas ruas, aquilo que apenas nas urnas se deve apurar se tal é ou não legal.

Assim, tendo como acertada e assertiva a actual luta dos docentes, i.e., contra o despedimento - agora denominado requalificação -, eventual colocação a centenas de quilómetros por decisão unilateral da administração educativa, sem ter em conta a família, os interesses pessoais e económicos dos profissionais de ensino, como se estes fossem descartáveis e, sobretudo, pudessem ser deslocados como máquinas se tratassem, também não deixo de vituperar certas formas de atingir determinados fins.

É que alguns sindicalistas tentam levar os professores – outro dia ouvi, de viva voz, um dirigente de topo da Fenprof a dizer, sem qualquer embuço, que a luta também passava por derrubar este governo – a patamares que a maioria, cerca de 85%, dos portugueses, por imensas vezes, já rejeitaram, ou seja, para uma ditadura do proletariado. Observe-se que, desde Vasco Gonçalves, a CGTP e, por consequente, a Fenprof rejeitam qualquer medida proveniente dos governos institucionalmente investidos.

Por isso, apesar de apoiar incondicionalmente o combate que todos nós, actualmente, travamos, independentemente dos incómodos que causamos a A, B, C ou D – as greves sem esse objectivo não teriam qualquer sentido – também declaro, sem pejo de ser acusado de desmobilizador e/ou governamentalista, não estar disposto a matar a ferro e a fogo por objectivos ocultos.

Nesta ordem de ideias comungo da ideia da FNE de não prolongar indefinidamente a actual luta dos professores, tanto mais que arriscamos a que se vire contra nós uma série de sectores importantes da sociedade, a saber: alunos, pais e parte substancial da população. Há primeiro que avaliar este impacto- como dizia ontem, e confirmou-se, é fortíssimo – e depois observar o melhor caminho.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:26

Junho 06 2013

Greve de professores. Tempo de angústia e de indefinição para muitos. A começar pelos professores, a continuar nos pais e a terminar nos alunos. Só o governo, em geral, e o ME, em particular, parecem não se incomodar, ou melhor, até parecem querer incomodar todo o mundo.

Os sindicatos, alguns com uma postura mais responsável que outros – veja-se o exemplo da Fenprof, a qual não se limita apenas a dar voz às justas reivindicações dos docentes, como também a pedir a todo o momento a queda do actual governo, qual correia de transmissão do partido que sempre a comandou –, leia-se PCP, também não ajudam muito. Umas vezes por afirmarem aquilo que não devem, outras por omitirem informações da mais cabal importância para quem está dia-a-dia nas escolas, i.e., como se costuma dizer, no terreno, e é confrontado com posições diferentes de hora para hora.

Também é verdade que a grande maioria dos nossos sindicalistas, em boa verdade, se encontra dissociada do que se passa diariamente nas escolas, por muito que afirmem o contrário, uma vez não saberem, há dezenas de anos, o que é dar aulas.

No entanto, o que, neste momento, importa realçar é a pressão exercida pelos órgãos de gestão, ou seus apaniguados, sobre os docentes para que as reuniões de avaliação se efectuem. São os recados, são as meias-palavras ditas por portas travessas, é o silêncio, a maior parte das vezes ensurdecedor, é a invocação de legislação inexistente, ou pior ainda, a argumentação de que deliberações de estruturas educativas intermédias têm poder determinativo que não se encontra em qualquer lei, isto para falar da ameaça de processo disciplinar, por tudo ou por nada.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:46

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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