O meu ponto de vista

Julho 09 2019

Há oito anos, tanto na Grécia como em Portugal, os socialistas levaram os respectivos paises à bancarrota. É um dado adquirido e irrefutável. Ponto final. Com raríssimas excepções, como é o caso do actual governo português, sobretudo pelo constante pé no travão do Centeno, os socialistas são uns mãos largas a distribuir dividendos, para depois recuarem à socapa, deixando a outros atarefa de se virarem com sucessivos planos de resgate, já que a inexistência e a sua não aplicação implicaria não ter sequer pão para a boca.

O certo é que, tanto num país como no outro, os governos que suportaram e implementaram, pela força das circunstâncias, austeridade sofreram em eleições seguintes pesadas derrotas. Em Portugal, Sócrates elevou o país ao pináculo da imperfeição. Sucedeu-lhe Passos Coelho que redimiu, à custa de imensos sacrifícios, o país, para logo a seguir perder o governo. Não as eleições que é coisa distinta. Na Grécia, os socialistas do PAZOK conseguiram que este atingisse a degradação total. Sucedeu-lhes o Syriza, como salvador da pátria. Prometeu mundos e fundos para, logo a seguir, acabar vergado ao peso dos credores. Claro que quem necessita de dinheiro, amocha. Agora, perdeu em toda a linha para a direita.

Como corolário: em tempos de vacas magras – leia-se ausência de pilim – jamais queiras governar. É que corres o sério risco de salvar o país, mas acabar afogado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:08

Julho 09 2015

Os mais atentos sabem muito bem do porquê de António Costa, desde que o Syrisa tomou o poder na Grécia e, sobretudo, nos últimos meses, apelar constantemente para que o governo português não se constitua como obstáculo a um acordo para resolver a gravíssima situação económica-financeira naquele país, mas sim que contribua para a solução.

Ora, como a solução, de acordo com o governo grego e, principalmente, tendo em conta o mandato que recentemente recebeu por via do referendo, passa pelo fim da austeridade, o que, na prática, consubstancia senão um perdão da maior parte da dívida, pelo menos o reescalonamento da mesma.

Assim, caso esta solução vá adiante, os socialistas - e não só – viriam de imediato reclamar contra as medidas de austeridade imposta por Pedro Passos Coelho nos últimos anos, afirmando que se este tivesse a mesma atitude de Tsipras os portugueses teriam vivido estes quatro anos regalados e sem preocupações. Relembro o que disse esse grande político, agora reduzido à cela 44 da Prisão de Évora: “é estupidez pensar que a dívida dos estados se paga. Esta apenas se deve gerir”.

Como é óbvio, o actual governo, pelo contrário, anseia pela derrocada total da Grécia - e já agora a maioria dos portugueses -, por muito que diga o contrário, já que apenas deste modo pensa conseguir convencer que as duras provas que obrigou o povo português a passar tiveram sentido.

Uma coisa é certa: estamos numa situação muito diferente da Grécia e isso é excelente. Já imaginaram a vidinha que levaríamos com os nossos bancos fechados há tantos dias?

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:36

Junho 29 2015

O Verão aperta e nós queremos é praia ou um refresco à sombra da bananeira. Aliás, desde sempre ou quase sempre marcámos esta época por um grande despreendimento, olhando para o quotidiano com algum humanismo e, sobretudo, livre pensamento. O calor obligè!

Por exemplo, a Grécia é um desaforo e não há mais pachorra para ver, dia após dia, os avanços e recuos de parte a parte – leia-se Syriza-CE/BCE/FMI -, mais parecendo brincadeiras de garotos do que conversações entre gente madura e com enormíssimas responsabilidades.

Por outro lado, ou melhor, por estas bandas mais de cem polícias foram alvo de processos disciplinares por trocarem passes de transportes públicos – pagos por todos nós, entenda-se - por dinheiro. Contudo, o sindicato que os representa afirma que os vai defender. Bem, não me atrevo a classificar tal opção.

A terminar, conto-vos a melhor anedota do início desta semana: “a direcção do PS diz que os políticos não são todos iguais e que vai demonstrar isso”. Com as pessoas que rodeiam António Costa e que este privilegia, as quais já conhecemos de ginjeira e de muitos outros carnavais, é caso para dizer, parafraseando um actor brasileiro, «só contaram para você, né?»

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:50

Fevereiro 03 2015

Quem tem acompanhado as primeiras medidas do novo governo grego, comando por esse timoneiro e, no dizer da nossa extrema-esquerda, novo pai dos pobres, Alexis Tsipras, pensará que foram descobertas minas de ouro ou apareceu petróleo no mar da Grécia.

Aumento do salário mínimo em mais de 200 euros, luz e saúde grátis para todos os desempregados, subsídio social para os mais carenciados, os quais não são assim tão poucos como isso, reintegração na função pública de milhares de pessoas, independentemente da sua necessidade, fim das privatizações, são algumas das medidas já tomadas. Ora, como se sabe, estas e outras medidas de igual teor custam dinheiro, algo que aquele país não tem. Por alguma coisa apresenta uma dívida descomunal, apesar de já ter sido contemplado com dois perdões.

Altos ordenados e emprego total é a pedra filosofal, o Santo Graal, de qualquer governo. Todavia, em democracia, tal como o ocidente a preconiza, e, sobretudo, nos dias de hoje, é uma quimera, isto porque as máquinas cada vez mais substituem o homem. Veja-se que mesmo em ditadura, como é o exemplo de Cuba, o desemprego é uma realidade.

De qualquer modo, estamos todos ansiosos para ver como terminará tal caminho. Uns na esperança que o novo governo grego “dê com os burros na água”, outros, porém, torcendo para que a sua política obtenha êxito. A ver vamos!

Uma questão é certa: as declarações dos governantes gregos têm vindo, como já se esperava, a suavizarem-se. Por exemplo, já não falam de perdão de dívida, mas de pagar em função do crescimento do PIB. Faz lembrar a entrada de leão de José Sócrates, quando assumiu a governação do nosso país em 2005: prometeu atacar todas as corporações – farmácias, obras públicas, etc. – e outros interesses instalados, como os juízes, que viviam à sombra do Estado e dele retiravam grandes regalias. Bem, foi o que se viu: enorme saída de sendeiro!

As circunstâncias actuais não contribuem para que haja um debate sereno e, por isso, os objectivos são vistos através de lentes embaciadas. Tanto para uns, como para outros. Num país pobre, onde existem enormes desigualdades, onde a evasão fiscal atinge 70% dos gregos – e não os 100% porque os restantes são desempregados - arriscam-se, citando Mia Couto, a continuar a produzir ricos em vez de criar riqueza. É que os ricos acabarão sempre por sair por cima! Ou para o estrangeiro!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:43

Janeiro 26 2015

As eleições, na Grécia, foram ontem, mas continuarão a ditar a actualidade por muito e – espero – bom tempo. Os gregos pagarão a dívida ou não? Os credores aceitarão renegociar a aludida dívida e em que moldes? Os alemães – atenção que neste âmbito não estão sozinhos – aceitarão, de um pé para a mão, os novos ditames que surgirão com a subida do Syriza ao poder? Ou será que este partido, quando confrontado com a exigência da governação e o estado caótico económico-financeiro em que se encontra a Grécia, arrepiará caminho, enfiando a viola da contestação no saco – já não será a primeira e, com toda a certeza, não será a última -, submetendo-se aos desejos de quem tem o capital de que tanto necessitam? Uma coisa, todos bem sabemos, é estar na oposição, sem responsabilidade de gerir o que quer que seja e, por isso, agitando as massas, num histerismo populista sem precedentes, outra, bem diferente, é governar de modo a corresponder às expectativas entretanto criadas por promessas, muitas vezes, demagógicas, mas também há muito ansiadas.

E a saída da zona euro? Concretizar-se-á? E quais as consequências para os restantes países. Bom, se assim acontecer estou certo que o impacto será muito menor que há três anos.

Como se vê, dúvidas existem muitas e certezas há poucas. A não ser que chegou a acordo com a direita independente do ANEL. Caramba, à primeira vista até parece mau presságio: vão-se ver anelados, que é como quem diz apertados de tal modo que até se vão ver gregos.

A mudança já começou e já existem muitas pessoas da extrema-esquerda que ontem deitaram foguetes e hoje começam a torcer … a orelha!

A finalizar, uma palavra sobre as declarações de António Costa. Afirmou este que o povo grego votou pela mudança e que em Portugal assim também terá de ser. Esqueceu-se, de propósito, sem dúvida, de fazer uma alusão ao partido irmão grego, o PASOK, o qual quase desapareceu da cena política daquele país, fruto de anos e anos de corrupção e desvario político. Países distintos, atitudes …

 

Adenda: Por falar na Grécia, morreu hoje o cantor Demis Roussos, referência musical dos meus vinte anos. Em jeito de homenagem aqui vos deixo um dos muitos e muitos êxitos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:22

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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