O meu ponto de vista

Julho 23 2019

O fogo lavrou durante 70 horas em Vila de Rei e Mação. Foram momentos, muitos momentos mesmo, de verdadeira angústia e até terror que as populações destes concelhos viveram. Praticamente não existe vegetação verde nestes locais. Por exemplo, em Mação as chamas consumiram o pouco que restava dos grandes fogos de 2017, chegando a atingir uma área de 95 %.

Contudo o ministro da Administração Interna afirmou hoje que tudo de correu conforme as previsões e não se registara quaisquer anomalias. Inclusive o afamado SIRESP não apresentou qualquer falha. Oh meu Deus, quanta arrogância e falta de sensibilidade, para não dizer falta de pudor! Então, o fogo lavra desde sábado, tendo somente hoje sido controlado, e tudo correu conforme o previsto? As pessoas choravam e gritavam por ajuda só por seu belo prazer? De acordo com o governo, aquelas pessoas que vimos nos directos das televisões são masoquistas.

Já, antes, o primeiro-ministro tinha passado culpas para os autarcas. Sem qualquer pingo de decoro tentou aligeirar as suas culpas. Apenas um exemplo: falemos da Protecção Civil? Não é esta instituição que unicamente tem o poder de requisitar os meios aéreos e coordenar os serviços de bombeiros? E não é unicamente o governo que tem poder sobre aquela?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:40

Março 20 2018

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O primeiro-ministro considerou na semana passada, a propósito dos incêndios, que um dos maiores problemas do país é a "péssima qualidade" da sua informação, dizendo que apenas desperta para os problemas no meio das tragédias, esquecendo-se da prevenção.

Críticas proferidas por António Costa na parte final do debate quinzenal, na Assembleia da República, após uma intervenção do deputado socialista José Miguel Medeiros sobre medidas em curso para a prevenção e combate aos incêndios florestais.

Antes, aquele deputado e ex-secretário de Estado tinha defendido a acção do Governo em matéria de prevenção e combate aos fogos, numa intervenção em que sustentou que a prioridade "tem de ser dada à reforma da floresta".

Agora, imaginem o homem como primeiro-ministro de um governo maioritário. Um segundo Sócrates, mas muito mais sagaz. Aliás, não foi por acaso que foi excelso delfim no governo deste. Recordam-se?

Igualmente para os mais esquecidos, relembro que o ex-primeiro-ministro, face a uma comunicação social independente, também tinha um plano para a controlar, começando pela aquisição abusiva da TVI.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:08

Janeiro 24 2018

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O reclamar é comum a todas as pessoas. Justa ou injustamente, mas reclamamos. É certo e indesmentível. Todavia, a esmagadora maioria, por muito que reclame, acata, cumpre e/ou paga.

Não é, porém, o que se passa com muitas entidades que gravitam na esfera do Estado, como sejam, por exemplo, as câmaras municipais. Estas, tantas vezes injustificadamente, exigem que os respectivos munícipes cumpram rigorosamente as determinações que emanam. E qual de nós não conhece resoluções camarárias, para além de iníquas e imorais, são completamente aprovadas à revelia do que é um Estado de direito? Mais: não tenho a menor dúvida que algumas são inconstitucionais ou roçam a inconstitucionalidade e apenas continuam uma vez que os atingidos são desconhecedores destas nuances ou, então, não estão para se ralar.

De acordo com a legislação, “os proprietários privados têm até 15 de Março para limpar as áreas envolventes às casas isoladas, aldeias e estradas e, se não o fizeram, os municípios terão até ao final de Maio para proceder a essa limpeza”. Ora, é nesta parte final que, como se diz, a porca torce o rabo. Os municípios estão, neste momento, a afirmar que não vão substituir-se aos proprietários e, por isso, não procederão à limpeza das aludidas áreas envolventes de casas, aldeias e estradas, por muito que possam imputar, como é óbvio, os custos àqueles.

Por muito que o governo tenha disponibilizado, em termos de OE, uma verba de 50 milhões de euros para este fim, as câmaras afirmam, alto e em bom som, que irão recusar-se a cumprir o estipulado em lei. Em suma, quando é para “mamar” do OE sem que daí possa advir qualquer responsabilidade direta, tudo bem; quando há que cumprir normas que implicam custos e planeamento, está quieto ó meu. E são as autarquias as primeiras responsáveis pela protecção civil. Olhem se não fossem!

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:58

Dezembro 05 2017

Sinceramente, este país não tem emenda. Então, não é que em plana época de fogos, em que, como é do conhecimento de todos, praticamente o país inteiro era um mar de chamas, houve alguém que se aproveitou de tão enorme desgraça e toca de meter a mão ao bolso, ou melhor, a mão na comida, e roubar naquilo que legitimamente era destinado à alimentação dos bombeiros? E o pior é que, segundo parece, são as próprias associações voluntárias de bombeiros as primeiras a “abotoarem-se” de tal.

Como indaga constantemente uma amiga minha: “não sei como é que num país tão pequeno pode haver tantos ladrões?”

É a comida nas cantinas escolares, onde os milhões se traduzem no prato em míseros tostões, é na alimentação dos bombeiros, onde estes passam com um pão sem nada dentro durante um dia de combate aos incêndios, é nas ajudas aos agricultores, onde os que já têm muito – património e, sobretudo, conhecimentos - são aqueles que mais ajudados são, é as Infraestruturas de Portugal, vulgo empresa pública que cuida das estradas nacionais, que irá gastar 60 000 euros em café em dois meses, entre tantos e tantos outros exemplos.

Por vezes, penso que estaríamos bem melhor se estivéssemos anexados a um outro país, sobretudo se fosse do norte da Europa.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:43

Outubro 19 2017

Admiramo-nos da catástrofe provocada pelos fogos? Com toda a franqueza, estavam à espera de quê? Com as temperaturas altíssimas verificadas, a falta de pluviosidade registada há mais de seis meses, aliado a um governo ineficaz e completamente desorientado, estranhar é que não tenha sido pior.

Quando este (des)governo pensa mais em negociar com os seus parceiros da geringonça, com vista a aplicar uma agenda fracturante – autorização de entrada de animais de companhia nos restaurantes, carta de condução de moto a partir dos catorze anos, divisão de funcionários públicos versus privados, entre outros casos -, do que analisar o sentir do país real e encontrar soluções para os seus problemas, está tudo dito.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:04

Outubro 18 2017

O fogo aparece quando a camada combustível não é destruída pela natureza ao mesmo ritmo que é armazenada, dando-se um aumento do volume das células comburentes. Quando simultaneamente diminuem os líquidos, a matéria inflamável endurece, contrai-se e daí até à ignição é … um instante.

Adicione-se a indústria do fogo – material para os bombeiros, aviões, indústria da celulose, madeireiros, entre outros -, bem como pirómanos, sem esquecer a ineficiência dos boys designados para a protecção civil, e se acrescentar a irresponsabilidade política do governo, dá, sem dúvida, o resultado que nos últimos tempos assistimos.

Agora, a paisagem apresenta a inestética de um cinzento escuro, resultado da acumulação de depósitos de cinza sobre a terra, sob a forma de pequenos nódulos que surgem sobretudo onde o fogo foi mais incisivo.

Pior, muito pior, foram as vidas perdidas. Hoje houve, por parte do governo, um pedido de desculpas. Tardio e forçado, é certo, pelo assertivo discurso de ontem do Presidente da República, não pode, porém, deixar de ser registado.

Todavia, a pergunta mantém-se: será que António Costa tem condições para continuar a liderar o governo? É que constitucionalmente ele é o principal responsável por todo este imbróglio.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Outubro 17 2017

Ouvi ontem, à semelhança de muitos outros, o primeiro-ministro, na sua comunicação ao país, discorrer sobre mais uma catástrofe que se abateu sobre este rectângulo à beira-mar plantado neste último fim-de-semana.

Palavras, palavras e mais palavras. Muitas até dizer chega. Comunicação cheia de promessas até dizer basta. Zero de responsabilização e muito menos em termos de sentido de Estado.

Pelo menos até agora, não existe qualquer assunção de responsabilidade política. Afinal, tudo se deveu a ondas de calor, imponderáveis da natureza, seca extrema, bem como outros adjectivos similares.

A demissão da ministra da Administração Interna não resolvia o assunto? De todo não. Mas, pelo menos, havia alguém com espinha dorsal que assumisse o encargo político. Aliás, por muito menos, se demitiu Jorge Coelho, aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, apesar de todos sabermos que não foi ele o culpado técnico e/ou prático por tal desastre.

As contingências do clima não podem ser a fuga e a desculpa para todos os fogos, assim como a não estruturação da floresta, a qual tem décadas de atraso. Por falar nisto, corre pelas redes sociais, com bastante insistência, a ideia peregrina e desculpabilizante de que a desgraça que nos assolou neste Verão é culpa de todos os governos pós-25 de Abril. Com este e outros argumentos análogos, um dia destes ainda vão culpar o Afonso Henriques.

Para este governo e seus correligionários geringonciais tudo o que é bom é da sua inteira lavra. Algo de mau é culpa dos governos anteriores, principalmente do último, ou, então, é fruto das circunstâncias.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:05

Setembro 20 2017

... e a culpa não morra solteira, hoje deixo-vos este fabuloso vídeo feito pelo The Guardian. Apesar da narração ser feita em inglês é pefeitamente compreensível mesmo para aqueles que não dominam este idioma.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:23

Junho 22 2017

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Não há minimamente um ordenamento florestal. Bem pelo contrário, a eucaliptização está maximamente instalada e até, pasme-se, subsidiada. Resultado os fogos sucedem-se anos após ano. Consequências judiciais e, sobretudo, políticas: zero ou menos. O ministro da Agricultura e Florestas, Capoulas Santos, o qual, como é lógico superintende governamental e politicamente esta importância área afirma que não sente minimamente culpado, já que fez tudo o que podia ao seu alcance. Vê-se! Esqueceu-se de dizer que foi o político que mais anos esteve à frente deste ministério.

O Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), que está sob a alçada do Ministério da Administração Interna falhou em toda a linha, tal como falhou o ano passado e em muitas outras ocasiões. Como resultado morreram 47 pessoas na estrada 236, agora designada Estrada da Morte, uma vez que não havia informação sobre o impedimento desta. Contudo, a respectiva ministra, Constança Urbano de Sousa, disse que não se demitia a não ser que António Costa lhe retirasse a confiança política. Mais: reafirmou que fez tudo o que esteve ao seu alcance para que a tragédia de Pedrógão Grande não acontecesse. Notou-se!

Entretanto, a época de Verão vai-se, os fogos terminam e … a malta esquece. Vem o Outono e o Inverno e as encostas devastadas serão reduzidas unicamente a pedras e as cheias hão-de acontecer. O SIRESP voltará a falhar e o ciclo continua.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:21

Junho 19 2017

A fuga dos habitantes do interior, a designada desertificação, é um dos problemas mais graves das economias em desenvolvimento. Inicialmente restrito às carreiras tecnológicas o brain drain alargou-se, entretanto, a todas as áreas do conhecimento, profissões e níveis etários, apesar de se centrar sobretudo nas gerações mais novas. As razões são mais que conhecidas: falta de investimento com a consequente ausência de emprego, a procura de melhores condições de vida e de carreira, a depressão económica e a instabilidade política. Todavia, para as regiões receptoras o brain gain é fabuloso. Estima-se que, de 2010 a 2015, as transferências de recursos humanos tenham rendido às economias dos territórios recebedores um acréscimo de três mil milhões de euros.

Agora acrescente-se a este flagelo, a eucaliptização, a não limpeza de matas, a ilegalidade na reflorestação, aliado à carência de vigilância por parte do Estado e/ou das autarquias, bem como a desresponsabilização por parte da sociedade civil, uma vez preferir assobiar para o lado do que acusar atempadamente, e eis a tragédia na sua exponenciação máxima, a qual temos vindo a assistir nestes últimos dias: os fogos em Pedrogão Grande e concelhos limítrofes. O pior, porém, são as muitas e muitas dezenas de mortes, cuja culpa mais uma vez irá morrer solteira.

Com toda a franqueza, não temos emenda. Todos os anos, Verão sim, Verão não, é sempre o mesmo. Há muito que se sabe que a ausência de pessoas no interior do país e sobretudo a massificação do eucalipto são os principais culpados destas tragédias. No entanto, como a maioria apenas vê cifrões à frente dos olhos, cavamos a nossa sepultura.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:34

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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