O meu ponto de vista

Junho 30 2020

Existem momentos na vida de uma pessoa, os quais só quem os vive sabe devidamente apreciá-los. São dias, semanas, por vezes meses, em que a vida parece suspensa. Tudo sabe a pouco, muito e/ou mesmo nada. Não se caminha autonomamente, é-se conduzido qual co-piloto ou pendura, quase sem vontade própria. No fundo, atreveria a dizer que não se vive, sobrevive-se apenas.

Como se consegue ultrapassar tal estado? Não vale a pena aludir àquela frase chavão, apesar de verdadeira, i.e., fazendo das tripas coração, mas sim com a ajuda do Altíssimo, isto para os crentes. Para os restantes, o recurso a forças positivas, a karma radioso ou a forças yin vs yang, com toda certeza que ajudam.

Perguntarão: e a família e os amigos? Primeiro há família e família, tal como existem amigos e amigos. Nem todos os familiares são determinantes, o mesmo se passando com os amigos. Como se costuma dizer, familiares e amigos conhecidos há muitos, confiantes há poucos. Mais: existem aqueles que apenas respiram para sugar o esforço alheio e, ainda por cima, falar mal.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:08

Maio 10 2020

Vivemos tempos de incerteza. Ora, perante os desafios impostos pelo impacto de uma pandemia que está a colocar obstáculos inauditos à vida de todos os cidadãos e à sobrevivência de empresas e famílias, são principalmente estas últimas que se dispõem na linha da frente da batalha que nos une a todos, assegurando - muitas vezes fazendo das tripas coração e fazendo-se de cego, surdo e mudo - o funcionamento da rede mais intrínseca das comunidades, de modo a que o país não pare.

As famílias procuraram e procuram ajustar-se e ainda sem certezas sobre o que as espera ao longo do caminho, seguem em frente, empenhadas em dar o seu contributo para que todos ultrapassem da melhor forma as dificuldades que a conjuntura impõe.

Numa altura em que, em Portugal, decorre ainda a fase preambular de uma crise cuja exacta dimensão é impossível de prever a esta distância, o núcleo familiar, contra tudo e contra todos, encontra-se a afinar estratégias para poder acompanhar as demandas de uma sociedade em mudança. Todos temos consciência de que existem poucas certezas. Não obstante, há sinais de confiança que não devem ser ignorados.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:27

Março 11 2020

Uma pessoa já não sabe do que falar a não ser do coronavírus. Por muito que queira, todas as conversas e assuntos descambam para este tema. Por um lado, cansa-me, por outro é irresistível. Ainda agora a minha filha, que vive em Coimbra, me disse que se for decretado o encerramento temporário do jardim-escola da minha neta virá para os Banhos, uma vez que o contacto com as pessoas é muito menor.

Uma verdade é certa: por princípio, não necessito de ir ao supermercado. Tenho carne de frango, de porco e outras, bem como batatas, couves, entre outros produtos. Por isso, morrer de fome não temo. De qualquer modo quanto aos produtos de higiene vou abastecer hoje mesmo a dispensa, sem açambarcar, desde já digo.

De repente lembrei-me que a porca que tenho para matar em meados de Abril próximo, irá ser abatida – espero que o PAN não me esteja a ouvir - já esta semana, não vá o Diabo tecê-las.

Já agora, por mera hipótese, imaginemos que as aulas serão interrompidas e quando reatadas serão prolongadas pelo igual tempo. As aulas/exames prolongar-se-ão por Agosto dentro? E as férias? Nada de mal, com excepção dos alunos e respectivos EE. É que, por lei, apenas podemos exigir, no mínimo, o gozo de dez dias de férias por ano. O resto dos dias acumulará para os anos seguintes.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:04

Dezembro 05 2019

Época natalícia. Tempo de amor por excelência. Infelizmente, também altura para muita e muita hipocrisia. Pessoas existem que apenas se lembram dos mais carenciados por estes dias. A única doação que fazem, tanto de si como o de que possuem, é momentânea, exterior, sem lastro na alma, não chegando a ser sequer como o relógio parado, já que este duas vezes ao dia dá horas certas.

Natal e família ligam muito bem. Porém, não poderá haver união destas apenas por ocasião da consoada. Dir-me-ão que mais vale uma vez por ano que nenhuma. Sim, é verdade. Todavia, não deixa de ser uma contradição, já que o conceito de família se deve exercer, senão todos os dias, muitas vezes ao ano e não apenas pela Natividade de Jesus, por festas e funerais.

O consumismo associado ao Natal é outra das chagas que nos devassa e corrói. Para que servem prendas e prendas, dadas a todos e a tudo o que mexe, sobretudo às crianças? No dia seguinte, uma parte substancial é esquecida, votada ao abandono, olvidada no canto mais obscuro de qualquer armário ou sótão. Não digo metade, mas bastava que uma pequena parte deste dinheiro fosse canalizado para quem passa fome, frio ou vive na solidão, para que o Menino Jesus voltasse a sorrir, hoje, amanhã e além.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:19

Agosto 02 2019

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Sim, bem sei que não vos disse nada. Sim, confirmo que já estou de férias e por isso, de certa forma, vos abandonei. Mais: aviso, desde já, que assim vou continuar. Para alguns de vós será um alívio, enquanto para outros – poucos é certo – chorarão lágrimas de crocodilo por não terem de ler o que tanto mal-escrevo. Estou a ser modesto, mas hoje e sempre assim fui!

Já agora, a que propósito tinha de vos dizer que ia de férias? Acham que não tenho mais nada que fazer? Por amor da santa, já sou bem crescidinho para não dar satisfações a ninguém.

Aliás, pouco ou nada tenho a dizer. Dir-me-ão que é sempre assim! Peço-vos, porém, que não afiem já as facas. Ter a família e os amigos por perto – abro um parêntese para dizer que os inimigos ainda mais -, ter o contacto com a natureza, dizer não ao que costumo dizer sim e sobretudo procurar nas memórias de infância a paixão e dedicar mais tempo aos meus hobbies preferidos é o resumo. Por outras palavras, o descanso e bom trato, bem como a procura da felicidade estão assegurados.

Todos temos um jeito para sermos felizes. É só necessário aproveitar cada bocadinho da vida e olhar para o lado positivo, mesmo nas ocasiões em que não se vê a ponta dum c…

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:29

Junho 16 2019

O tema só é controverso para alguns. A larga maioria defende - e bem - que a formação de família é seu maior propósito. Cada vez mais, infelizmente, tal é adiado para idades mais tardias. As razões podem ser sociais, económicas ou de estabilidade amorosa e o mais frequente entre os jovens casais portugueses é ter o primeiro filho depois dos 30 anos.

O que todos bem sabemos – sim, eu sei que é algo à Lá Palisse – é que sem filhos não existem netos. E, como é óbvio, sem netos não existem avós. Falo, de um forma simples, mas igualmente muito interiorizada, por saber o quanto é bom ser avô e também por possuir igual certeza da imensa felicidade que os netos sentem quando têm os pais dos progenitores por perto.

Os avós não são apenas pais duas vezes e muito menos aqueles que tudo fazem para comprazer aos netos. Eles são, do mais profundo do seu coração, o elo que faz a ponte entre a autoridade natural dos pais e a benignidade e o carinho que as crianças, pelo menos os da mais tenra idade, necessitam para sobreviver no dia-a-dia, tantas vezes abespinhado. Sempre assim foi e ai daqueles que colocam esta verdade irrefutável em causa. Jamais se lamente o amor que os avós dedicam aos netos. O que se deve verdadeiramente deplorar são aqueles que, por um ou outro motivo, não usufruem deste importantíssimo calor filiar.

Não está apenas em causa uma relação familiar, tanto mais que por muito que ame a minha filha, adoro muito mais a minha neta. Há quem queira à luz da Ciência dilucidar tal fenómeno. Ora, jamais a Ciência pode explicar a relação entre netos e avós, tantas vezes incompreendida até pelos próprios pais. Aquela, aliás, não pode ser para aqui chamada uma vez que perante uma nova vida, por muito que a possa explicar, nunca alcançará o dom que possa traduzir por palavras o amor que une filhos e pais e, sobretudo, avós e netos.

Finalizo com um voto para a minha adorada neta. No dia do teu 4º aniversário um beijo do tamanho do mundo deste avô que te adora mais que tudo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:04

Março 28 2019

A dor, o sofrimento, a tristeza e a preocupação são sintomas virtualmente impossíveis de calcular e jamais podem ser colocados em pratos de balança para determinara um custo. Qualquer um de nós, directa ou indirectamente envolvido por aqueles indícios ou sinais, quer mesmo a família, os amigos e os colegas de trabalho, sem esquecer as organizações onde estamos inseridos, é afectado pela situação.

Muitas destas ocorrências afectam a vida quase para sempre, sendo que algumas delas se carregam até à cova. Os resultados são realmente graves, não só pelo efeito em si, mas também pelo estigma que acaba por se desenvolver em toda a latitude vivencial, deteriorando relações, cultura e imagem.

O grau de (in)consciencialização dos implicados aumenta e daí a forte pressão no sentido de lhes ser garantido elevados padrões de protecção, obrigando ao repensamento e melhoria das práticas existentes.

Historicamente as ditas melhorias decorrem da implementação de medidas ligadas a requisitos legais. Porém, não é de legitimidade, no sentido estrito da justiça dos homens, que estamos a falar. É sim de valores morais e éticos, os quais devem ser exercidos proactivamente e não como forma de reacção.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:27

Março 18 2019

Este governo, já o aqui escrevi, mais parece uma coligação familiar do que uma equipa de verdadeiros dirigentes. É ver sentados à mesma mesa governamental pai e filha, marido e mulher, tios e sobrinhos, para não falar de adjuntos. Podem todos ter a máxima competência, mas ninguém pode questionar a dependência hierarquizante que existe entre pai e filha, tio e sobrinha. Mesmo entre marido e mulher há sempre algo que, de vez em quando, não bate certo, quando se trata da “luta” quotidiana, quanto mais quando a política se mete ao meio.

Agora, mais uma polémica. O novo Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, reagiu às notícias que dão conta que a sua mulher é a nova chefe de gabinete da Secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares, afirmando que se trata de uma mulher competente e de modo algum pode ser prejudicada pelo facto de estar casada com ele. Dando de barato esta última afirmação, importa reter a primeira parte. Então não havia de dizer que se trata de uma cidadã muito habilitada e com vasta experiência? Gaba-te cesto que vais para vindima. Seria o bom e o bonito, lá em casa, se ficasse calado ou até afirmasse o contrário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:26

Janeiro 10 2019

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A família! Palavra que de acordo com a Wikipédia “representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições. É formado por pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência (demonstrada ou estipulada) a partir de um ancestral comum, matrimónio ou adoção (...) Dentro de uma família, existe, sempre, algum grau de parentesco. Membros de uma família, geralmente pai, mãe e filhos e seus descendentes, costumam compartilhar do mesmo sobrenome, herdado dos ascendentes diretos. A família é unida por múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida e durante as gerações.”

Ora, nos últimos tempos as conveniências, bem como as solicitações sociais, isto para não falar dos interesses pessoais, levaram a que a família deixasse de ser aquele baluarte onde o refúgio era certo, sabido e seguro.

Assim, não admira que aquela velha máxima “pai/mãe é quem cuida e não quem traz ao mundo”, em muitos casos, já não faça sentido. Os “velhos” valores perderam-se ou andam pelas ruas da amargura. Diariamente somos confrontados com novas formas de ser e estar e ai daquele que não se conforma com tais. No mínimo, é apelidado de bota de elástico ou deixou-se conduzir por um politicamente incorrecto.

O amor, valor principal em que se sustenta a família, passou a ser coisa vã. O esforço, a dedicação e o sacrifício, bem como ainda o cumprimento da palavra, deram lugar às desculpas mais esfarrapadas e inimagináveis. A verborreia impôs-se como forma de esquecer o passado e, num ápice, como num estalar de dedos, efectuar a transição para o futuro.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:21

Julho 17 2018

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Ainda que tímido – estou a ser benéfico na apreciação – o Verão chegou e com ele o sol. É lógico que depois de um ano inteiro a trabalhar a esmagadora maioria esteja ávida de férias. E quando se fala de férias, fala-se de pouco ou nada fazer, passear, apreciar a gastronomia, disfrutar da companhia daqueles que mais gostamos e, sobretudo, para aqueles que apreciam, de praia.

Então, para aqueles que, como eu, o final de ano lectivo tem sido uma verdadeira maratona em termos de trabalho – somente os que são ou foram directores de um curso profissional a nível do 12º ano conseguem dizer de sua justiça -, as férias até parece que nunca mais chegam.

Ora, tanto quanto me é dado a saber, em termos de praia, este ano, somente o Algarve satisfaz minimamente. Por este motivo, mas também por hábito, lá para o final deste mês rumarei a sul. Serão apenas quinze dias, mas estou certo de que virei com as baterias carregadas. Pelo menos assim espero.

Comer bom peixe, ler diariamente o jornal, estar horas e horas na praia sem quaisquer preocupações, saborear uma cerveja ao final da tarde, passear por trilhos, percorrer salinas, conviver com a família e amigos, muito haverá por descobrir em terras algarvias.

Por tudo isto, não embarco em loucuras de levar a greve dos professores até às últimas consequências. Fiz greve, colaborei na luta, mas agora chega. Estou cansado e, nessa ordem de ideias, quero colocar um ponto final nas actividades escolares do presente ano. Mereço e principalmente a minha família e amigos têm direito a granjearem da minha companhia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:51

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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