O meu ponto de vista

Abril 27 2018

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É verdade. Não tenho tido muita disponibilidade para escrever neste espaço. As ocupações profissionais, bem como fazer frente a outras lides que tanto me são queridas, têm reduzido, de uma forma exponencial, o já pouco tempo livre que dispunha. Como um dia disse alguém “é a vida”.

Vêm feriados, sucedem-se fins-de-semana, e por isto ou por aquilo, o tempo não estica e também não deixa de ser menos verdade que não caminho para novo.

Resta-me a consolação do dever cumprido. E, já agora, que o FC do Porto seja campeão.

Bem sei que irão dizer que para escrever isto mais valia estar quietinho. Pensam bem. Porém, recordem-se que “quem diz a verdade não merece castigo”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:09

Novembro 25 2014

Isto de escrever apenas pelo prazer de ver algo no papel ou no ecrã, sem que de tal provenha quaisquer proventos, por vezes é de uma incongruência atroz, para não dizer inconsistência feroz – rima mas não quer dizer nada.

A agravar a situação regista-se um momento em que o interior nos absorve as palavras e o exterior as repele, tudo contribuindo para a excisão do eu por mais intrincado que seja.

Depois há considerar que em determinadas alturas poucos haverá que queiram saber algo mais que o facto mediático que exponencia a atenção da larga maioria. Que fazer então?

Dar também voz à sanha persecutória que anima os minutos e as horas dos nossos miseráveis dias, animando demagogicamente as conversas de sentido único que giram incessantemente à nossa volta? Ou paramos, reflectimos e tentamos analisar friamente, i.e., tendo em linha de conta a história e, sobretudo, os deveres e direitos, independentemente do muito pouco que vemos, mas que ouvimos demais? Ou, ainda, inclinarmo-nos para o que anima o mais recôndito do nosso ser?

Bem, acabei por escrever algo. Porém, tenho a nítida sensação de que não disse nada! Paciência, amanhã é outro dia.

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:27

Março 18 2014

Um tema ou um livro pode estar, parágrafo a parágrafo, página a página, cronologicamente muito bem exposto, mas se não revelar as radiografias das personagens, a textura das imagens e, principalmente, a descrição nua e crua, bela ou macabra dos factos, é conveniente, então, que o autor dedique o seu tempo a outra coisa qualquer.

Saber “vender” um texto/livro é desnudar a alma e despojar-se dos talentos. É, em suma, mostrar o lado mais obscuro, não no sentido negativo do termo, mas no eu não descoberto. As palavras escritas devem levar o leitor a testar as suas certezas, a colocar em causa os seus usos e costumes, a procurar se o relatado se adapta ou não a si e se as oportunidades efectivas se coadunam com o seu perfil.

Um autor que não desmistifique o que escreve, colocando na(s) personagem(s) muito de si, não entende a essência da escrita e, acima de tudo, não percebe que terá de haver uma simbiose quase que perfeita entre si e o leitor. Não são estes que apenas se têm de adaptar à forma e estilo daquele, pois há que reduzir as barreiras, sem, no entanto, se aniquilar e muito menos abastardar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:08

Março 14 2014

Escrever um texto, mas sobretudo um livro, não um qualquer, não é para arranjar emprego, aumentar o ego e muito para menos para dar nas vistas, bem pelo contrário. Um texto, e muito mais um livro, é para usufruir, levar o leitor a rever-se no seu conteúdo e forma de escrita. Serve, especialmente, para avaliar se aquele, efectivamente, embarca no mesmo destino.

O objectivo âncora deve estar no centro do texto/livro e reunir uma experiência vivida ou ficcionada. A maior ou menor proximidade, semanticamente falando, é claro, muitas vezes não é suficiente para nos cativar. Tudo gira à volta do enredo e suas variadíssimas nuances. Os desafios da escrita, o que fica por dizer, os subentendidos enrolados no emaranhado das palavras, a meta que nos é pré-anunciada deve visar o evento final, exigindo preparação e persistência para ultrapassar os obstáculos, ao mesmo tempo que deve surgir de forma doseada.

Um texto/livro, tal como um filho, deve nascer e crescer pouco a pouco, prosperar os saberes e, simultaneamente, unir os leitores, promovendo a partilha de práticas e informações. A sua estruturação, verdadeira espinha dorsal, pode começar de forma improvisada. Todavia, ou rapidamente ganha corpo e consistência, revisitando este, aquele e aqueloutro lugar, relatando as mais latas vivências, ou enquista e perde o interesse. O seu fim dita o seu início, e vice-versa, por muito paradoxal que tal nos pareça.

(Continua)

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:11

Julho 29 2011

Conhecedora do terreno, pouco a pouco, foi construindo a vida em diferentes geometrias, de modo que fossem simultaneamente contrastantes com a paisagem algo inóspita que a circundava.

A sensação de liberdade, transmitida à nascença, nunca a abandonou. Por isso, desde tenra idade toda a sua vivência teve uma organização que se pode classificar como tudo menos linear. Procurando a materialização do anti-paradigma de uma agricultura pobre, pouco mais de subsistência, cedo demandou outras paragens. Contudo, em momento algum se sentiu “desligada” da terra que a viu nascer, mesmo quando imersa nas muitas responsabilidades – profissionais e familiares - que sempre teve.

Se a solidão é, hoje-em-dia, a sua companhia quase diária isso deve-se à reclusão que, por opção, a si própria impôs. Todavia, não é menos feliz. O enfoque quotidiano não está tanto nas comodidades, mas, sobretudo, no impacto das pequenas coisas que vai construindo, assim como na sua pequena biblioteca onde escreve, lê, medita e descansa.

Aprendeu a viver de coisas simples, tirando proveito da multidisciplinaridade à sua volta disponível. A interactividade que imprime ao seu dia-a-dia tem sempre como tema a beleza, ao mesmo tempo frágil e poderosa.

Desiludam-se, porém, aqueles que pensam que tal recolhimento lhe retirou a capacidade analítica e o acompanhamento do que se passa à sua volta. Portadora de uma alma grande, mantém-se atenta ao mundo exterior, contemplando-o e acreditando na sua renovação.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:55

Julho 12 2011

Se prazeres tenho na vida, há dois que se destacam de forma indelével: a leitura e a escrita. Como é evidente leio mais do que escrevo, apesar de ler, cada vez mais, textos que de escrita só têm o nome. Tendo consciência de que, infelizmente, é o que mais abunda, haja esperanças que um dia …

Como qualquer outro que deixa a sua matriz no papel ou no “ecrã” do computador, desejo que a marca, a pisada indissipável, para além de ficar para sempre registada, contenha utilidade concreta, através de uma funcionalidade distinta, mas sem jamais olvidar a estética e a arquitectura que a palavra deve conter.

Por isso, é constante, apesar de nem sempre o conseguir, a pretensão de desedificar o designado establishment, não receando, de modo algum, romper com o politicamente correcto. Com toda a sinceridade, (re)afirmo que aprecio deveras construir um texto virado do avesso.

Não prescindindo de resguardar invariavelmente a privacidade das fontes ou o carácter mais intimista deste vosso escriba, procuro, porém, oferecer pontos particulares da minha visão, a qual, conforme já, por diversas vezes, referi, não tem pretensão de ser independente, tanto mais que não acredito na existência destes.

Alocando-me, sempre que possível, aos acontecimentos que preocupam a maioria daqueles que se dá ao trabalho de diariamente me ler, procuro fugir da opacidade e do cinzentismo como o Diabo da Cruz. Sendo certo, por incapacidade minha, que não escrevo com a beleza de um arco-íris, também não deixa de ser verdade, que demando com paciência, coragem e entusiasmo persistir nesta nobre tarefa. Paciência para compreender as exigências dos leitores, umas com razão, outras sem fundamento. Coragem em aceitar e enfrentar, quase diariamente, o repto – horas em frente do computador, a alterar e a retocar frases, com avanços e recuos, em suma, o processo normal de alguém que busca a máxima perfeição em tudo. Entusiasmo, sentimento comum a quem escreve com gosto, que indaga em cada palavra, por vezes insegura, encontrar a segurança necessária para continuar.

Tentando desnudar-me do revestimento que, amiúde, me querem colocar, procuro insistentemente a coerência. O que hoje, para mim, é assim, não é assado amanhã. De modo algum aceito tudo, pois se pouco tenho para deixar aos meus vindouros, pelo menos que esse pouco seja de alguém para quem os actos e as palavras têm peso de ouro. Bem sei que está em desuso, mas continuo a ter incessantemente presente que os fins não podem justificar todos os meios.

Cada “escavação” para a divulgação dos factos provoca um acontecimento no espaço envolvente. Todavia, é, bem o sei, desta forma e a partir daqui que todas as áreas se articulam, sendo, por isso, um ponto central da formação do eu e uma forma de estar na vida.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:44

Setembro 08 2010

A escrita tornou-se numa actividade cada vez mais procurada, pois os promotores, quer sejam institucionais, quer sejam particulares, aperceberam-se da grande importância que aquela tem na qualidade de vida. Houve, sem dúvida, uma alteração de mentalidades, pois nota-se gradualmente numa necessidade e preocupação com as diferentes formas de escrita, as quais têm de ser correctas, funcionais e atraentes.

A escrita em geral tornou-se numa actividade mais reconhecida em todo o mundo e, habitualmente, é vista como uma mais-valia no quotidiano e bem-estar das pessoas. À internet, diga-se em abono da verdade, se deve muito deste esforço.

Escrever hoje não é mais fácil, nem mais difícil que antigamente. Simplesmente é diferente. Criar um projecto de escrita – blog, crónica jornalística, livro, entre outras – implica, contudo, que satisfaça, para além de si próprio, quem o lê ou, como hoje-em-dia se costuma dizer, que agrade aos utilizadores. Por isso, deve integrar como envolvente uma estória, nas suas componentes arquitectónica, paisagística e social, bem como os seres humanos ou não que, obrigatoriamente, interagem entre si, de modo a que todas estas tipologias se integrem harmoniosamente – aqui se encontra o busílis – no citado projecto.

Os momentos mais marcantes da escrita - falo fundamentalmente da minha, como é óbvio - são aqueles em que o feedback cria, em circunstâncias mais ou menos difíceis, um movimento social de intervenção no menor espaço de tempo possível. Os restantes, sem lhes querer tirar importância, pouco mais são do que algo que serve essencialmente para satisfazer o próprio ego.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:51
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Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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