O meu ponto de vista

Maio 28 2019

Depois da prosa sobre o dia das eleições, vamos a assuntos sérios. A minha análise sobre os resultados do passado domingo. Vale o que vale, mas não quero deixar de a fazer. Já todos disseram que o grande vencedor foi a abstenção. E já ontem e hoje ouvi algumas pessoas, as quais nem um passo deram para tal, queixarem-se disto e daquilo. Dizer-lhes que eles são grandes culpados é, na maior parte das vezes, como bater com a cabeça contra a parede. Puro exercício inútil.

Por outro lado, (re)afirmar que o PSD e o CDS, isto quanto ao espectro mais à direita, foram grandes perdedores é como chover no molhado. Não sei se foi a luta dos professores que profanou estes resultados ou a falta de liderança/estratégia. Deixo isso a quem de direito, apesar de saber, de antemão, que não ajudou em nada.

Tal e qual como dizer que os grandes vencedores foram o PS (a conjuntura económica favoreceu-o) e o BE (o voto de protesto é ainda uma arma). Quanto ao PCP é um case study, uma vez que em plenos bastiões dos comunistas, como é exemplo o Barreiro, estes perderam em toda a linha. Já agora, os Verdes não ajudam em nada. Bem pelo contrário.

Resta o PAN, uma vez que os outros pequenos partidos nada contam. Bem sei que hoje-em-dia é politicamente incorrecto enunciar que existem pessoas que gostam mais dos animais do que das pessoas. É o presente caso, o qual reputo de moda e, por isso, passageira. Posso estar enganado, mas muito rapidamente entrará em autofagia. Aliás, não é por acaso que António Costa, numa espécie de abraço de urso, vem congratular-se com o resultado extremamente positivo deste partido – claro, foram roubar votos a muitos dos seus adversário -, acrescentando que quer reforçar, no futuro, os laços entre os socialistas e este partido.

Entretanto, vamos de férias e aguardamos por novo confronto em Outubro próximo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:26

Maio 27 2019

Hora do almoço. Ora uns, ora outros, lá fomos comer alguma coisa. No espaço de uma hora, contando com as viagens, não há tempo para digerir muito. E logo hoje que havia almoço comunitário no Centro dos Banhos, algo que merece sempre uma estadia demorada. Hoje foi … comendo e andando. O que tem de ser tem muita força.

Entretanto, chegam as 15h00 e a votação subiu para os 16,4 %. A previsão, na melhor das hipóteses, chegará aos 25 %, o que quer dizer, sem margem para dúvidas, que a esmagadora maioria das pessoas nada quis saber desta eleição. Culpados? Existem muitos, a começar pelos políticos. Porém, ninguém está isento de culpas. Fácil, fácil é atirar pedras. Desculparem-se com os políticos é o mais usual. E dá sempre jeito. Todavia, não deixa de ser menos verdade que aqueles não se auto-elegeram. Isto não os desculpa, bem pelo contrário. Quando os elegemos fizemo-lo tendo presente o sentido ético e plenamente convictos da sua dignidade. Abastardaram-se? Então castigamo-los votando diferente. Jamais a abstenção serviu o fim mais curial.

Uma hora passou. A percentagem dos votantes situa-se nos 18,5. E nunca mais chegam as 19h00. Vão valendo as águas das “pedras” que atenuam a sede, bem como a ânsia do término desta tortura.

Engraçado - ou talvez não – é que quando vamos à pastelaria, situada mesmo ao lado, encontramo-la cheia, com imensas pessoas que não se dignaram andar mais uma dúzia de passos para votar. Ainda sugeri mudar a mesa de voto para aquele local com vista a diminuir a abstenção, mas por falta de espaço naquele local tal ideia foi abandonada.

Salva-nos alguns sentimentos positivos. A aspereza não tem aqui lugar. A simpatia e o contar de estórias, fundamentalmente entre os mais velhos, é o lugar-comum.

Ufa, finalmente o relógio bate as 19h00. A contagem dos votos, bem como o preenchimento de mil e um documentos levam quase duas horas. A abstenção, afinal, situa-se em pouco mais que os 70 %. Bem bom!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:24

Junho 05 2014

Anda um homem uma vida inteira a preparar-se e, sobretudo, a “sonhar” em ascender à mais alta figura da governação do burgo e, mesmo depois de duas vitórias, ainda que a última tenha sido muito ténue, qual vitória de Pirro – o termo, como sabem, não é meu – e zás, eis que lhe tiram o pão da boca quando esta já se encontrava mais que aberta. Sinceramente, não há direito!

Há coisas que não se fazem a um homem. Ele que até apresentou oitenta medidas – sim, é verdade, foram mesmo oitenta (!!!), apesar de muito poucos recordarem uma única – como estratégia para salvar o país e, deste modo, não dizerem que não tinha planos para as tão desejadas reformas geradoras de crescimento e de emprego e, de repente, pumba. Passam-lhe uma rasteira de tal monta que tenho dúvidas que se consiga levantar nos tempos mais próximos.

Não tinha generais nem barões? Concordo que não, mas tinha, pelo menos, meia dúzia de soldados fiéis, mesmo que não fossem brilhantes - ainda que tenha um Brilhante, de nome próprio Eurico, como um dos mais próximos colaboradores - que lhe proporcionava umas vitórias ainda que fraquinhas. Bem, de nada lhe valeram.

A este propósito, como devem estar recordados, escrevi, em devida altura, que a dúvida estava em saber qual a diferença de votos entre o PS e a coligação PSD/CDS-PP nas eleições europeias e que se aquela não fosse substancial António José Seguro, de quem tenho vindo a falar, como é óbvio, estava tramado. Bem dito, bem feito.

E logo agora, quando o país necessitava de alguma serenidade, eis que o principal partido da oposição e candidato a governar Portugal na próxima legislatura se transforma num saco de gatos, senão mesmo num autêntico enxame de abelhas.

Estão redondamente enganados aqueles que julgam que a perpetuação do actual secretário-geral do PS será solução de todos os problemas. O homem nunca convenceu ninguém, pois senão é feito de borracha, parece, tais os contorcionismos de que é capaz, e, principalmente, o discurso fácil, mas vazio de conteúdo, deita-o a perder constantemente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:54

Maio 26 2014

Hoje, é inevitável falar de eleições europeias. E, apesar de haver um vencedor, o PS, uma vez ser este o partido que mais votos teve, o certo é que, em termos reais, praticamente se pode afirmar que não houve vitoriosos nem derrotados. Isto, claro, nos partidos do designado arco do poder.

A explicação é simples. Nem o PS obteve uma vitória estrondosa que tanto anunciou e que estava à espera, como a coligação PSD/CDS-PP não ficou muito aquém daquele. A divergência, em termos de votos, foi de 3,74%, o que não permite a António José Seguro pedir, com segurança, eleições antecipadas, ao mesmo tempo que dá alguma tranquilidade ao governo para “navegar” - mas à vista (!) - até às legislativas do próximo ano. Recordo que ainda há meia dúzia de meses, aquando das eleições autárquicas, o PS obteve cerca de 36 % dos votos, o que quer dizer que os autarcas socialistas valem muito mais que Seguro e Assis juntos. Em suma, foi aquilo que alguém, e muito bem, já designou por “vitória amarga, derrota doce”.

Enquanto o BE, conforme as minhas previsões, vai caminhando inexoravelmente para a extinção, o PCP mercê, por um lado, do espírito fervoroso dos seus militantes e, por outro, do descontentamento que lavra na população, catapultou, sem margem para dúvidas, a sua votação.

A grande surpresa foi, sem dúvida, Marinho Pinto. Homem anti-sistema, pessoa, como gosta de se afirmar, acima das tricas e baldrocas partidárias, senhor de um discurso populista, mas dando a entender – honra lhe seja feita - o contrário, venceu em toda a linha. No “terreno” conseguirá levar o barco a bom porto? O dom de palavra, rasando muitas vezes a verborreia, talvez não chegue a tanto. A ver vamos!

Uma chamada de atenção para a subida, na generalidade dos países europeus, da extrema direita – na Grécia passou-se exactamente o contrário -, naturalmente considerada anti-europeia, o que, para além de ser um contra-senso, deve levar à reflexão de todos, mas sobretudo da esquerda por força da aplicação das suas práticas políticas-sindicais, como é exemplo paradigmático o caso francês.

Por último, notar que abstenção, essa sim a grande vencedora, juntamente com os votos brancos e nulos chegou aos 75%, o que quer dizer que três em cada quatro portugueses não se revêm em qualquer movimento político. Sintomático!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:26

Maio 19 2014

Aí estão eles em plena campanha eleitoral, desde que o sol nasce até que caia a noite. E muitos, mesmo durante a noite, ainda dão um pezinho num ou noutro jantar. Campanha sensaborona, sem despertar, quase que me atreveria a dizer, qualquer interesse, onde os candidatos se limitam a debitar sound bites retransmitidos pelas televisões mas que os portugueses se alheiam por completo.

A maioria dos portugueses está perfeitamente convicta que os vinte e um deputados nacionais no PE pouco ou nada valem. No fundo, o sentimento geral é que os candidatos querem o excelente lugar, uma vez ser primorosamente bem pago. Quanto muito existe algo que desperta a atenção: saber qual a percentagem do PS e da coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) e se António José Seguro se segura - desculpem-me o quase trocadilho – em função da vantagem que presumivelmente irá ter. Uma derrota – nada provável – ou uma vitória tangencial e lá irá o To Zé às malvas. Bem, existe outro motivo de interesse, mas este para os mais politizados, i.e., se o BE desaparece de vez da cena europeia.

O Paulo Rangel, apesar de quase cadavérico, lá vai dizendo qualquer coisa, trazendo para a ribalta, mas de modo excepcional, um ou outro dichote espicaçante. Pelo seu lado, o cabeça de lista do PS, Francisco Assis, discursa bem – e sem necessitar de cábula, acrescento eu -, como aliás sempre foi seu timbre, mas falta-lhe substância que “agarre” os eleitores às suas palavras.

E, assim, vamos nós neste marasmo, gastando rios de dinheiro e tempo que não possuímos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:46

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