O meu ponto de vista

Junho 25 2018

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Estejam descansados os meus detractores, pois não é por acaso que, hoje-em-dia, escrevo muito mais sobre o que se passa nas escolas. Não falo de educação, pelos motivos há muito explicitados, mas sim do ensino e da gestão do mesmo.

Já agora, confirmo ter recebido alguns comentários na respectiva caixa de correio, textos aliás impublicáveis. É que os leitores que comigo comungam opiniões semelhantes, como sempre, preferem não dar a cara. Pelo telefone e/ou de viva voz lá vão dando palmadinhas nas costas, todavia dar a cara... E quanto aos primeiros não surgem de imediato publicados – recordam-se de 2008/09 e o gozo que tal dava? – uma vez ter imprimido a moderação aos mesmos. Temos que aprender com os erros.

Vamos, porém, a mais uma crónica sobre o que se passa em algumas escolas. Não digo a maioria, mas para muitos de nós, que passamos anos e anos na mesma escola, não nos apercebemos do que se passa e como se gerem as outras. Felizmente, tenho tido a sorte de, com estabilidade e, sobretudo, com aprendizagem de novos ditames, apreender outras realidades. Nunca é tarde para se instruir mesmo quando já se tem 60 ou mais anos.

Uma das coisas que gosto é de ser tratado por colega, expressão que sempre usei, em vez de “caro(a) professor(a)/educador(a)”. Por muito que digam que não são directores, mas estão no lugar de tal, o certo é que os “tiques” estão lá e a todo o momento são realçados. Aliás, tal e qual como o ME e/ou os seus braços mais directos fazem. Por exemplo, recordam-se da carta que o Tiago Brandão Rodrigues nos dirigiu no início do presente ano lectivo? Também começava do mesmo modo. Em resumo, uns e outros não são nossos colegas. Ah, pouco importa que no final de cada comunicação esta termine com uma frase muito “queriducha.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:15

Março 03 2017

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Em termos de ensino fala-se, hoje-em-dia, muito em reforma curricular, ainda que lhe queiram dar outra designação. E quem fala em nova revisão curricular fala em disciplinas. Umas que (re)nascem, outras que morrem, outras que aumentam o número de tempos e, como é óbvio, outras ainda que diminuem a sua carga horária semanal.

Ora, por muito que se fale, pelo menos publicamente, em disciplinas, o que todos notamos é a indisciplina. E se ela grassa pelas nossas escolas! É só escutar os docentes e não docentes que diariamente metem a mão na massa, i.e., que dia após dia se engajam na luta diária – sim, não tenhamos medo da palavra – nas escolas e ouvirão “não se aguentam”, “não têm educação nenhuma”, “não sabem estar sequer sentados, quanto mais ouvir o que dizemos”, “perco mais de metade das aulas a mandar calar e a repreender este, aquele e o aqueloutro”, “não largou o telemóvel durante toda a aula e recusou entregar-mo quando lhe pedi”, “fui insultada e não quis pedir desculpa”, entre tantas e tantas outras pérolas, as quais constituiriam uma enorme inapetência se as enumerasse.

Uma coisa se sabe: onde impera a indisciplina não existe aprendizagem. Mais: os indisciplinados, que são efectivamente uma minoria, impedem todos os outros que querem aprender de o conseguir. E isto tem de terminar. Ponto final parágrafo. E não me venham cá com a treta da escola inclusiva. A Escola é para todos, repito para todos os que querem aprender.

Poucas são as escolas que enfrentam o problema de frente, ou sejam, tomam consciência da sua existência, procuram soluções e colocam-nas em prática. Começo por cima. O ME diz que a resolução desta problemática está nas escolas uma vez que dispõem de mecanismos legais para actuar. Todavia, dá-lhe imenso jeito que nada se faça, uma vez que tal fica bem nas estatísticas. Depois, a nível da escola, o director quer e não quer. Primeiro, muitas sanções também não lhe fica bem e dá muito trabalho. Segundo, a legislação aplicável é demasiado burocrática e exige, para além de participações, quem instrua o respectivo processo disciplinar (PD). E, chegados aqui, falando até por experiência própria, são muito poucos o que sabem do métier. Os docentes ou não docentes querem sanções disciplinares? Quanto a isso não há dúvida. A resposta é um sim unívoco. Acontece, porém, que a maior parte das situações irregulares não são participadas. Motivo: afirma-se que não vale a pena, pois jamais será instaurado o competente PD. Tipo pescadinha com o rabo na boca. Sem papéis não há processo. Sem processo não há sanção disciplinar. Mas suponhamos que há papéis. Quem quer ou sabe instruir o dito PD? O “coitado” do director de turma, o qual já se encontra assoberbado de tantas fichas, actas, relatórios, grelhas de faltas, comunicações para E.E., etc., etc.? Um outro docente? Andamos todos tão ocupados e não pode ser qualquer um, na medida em que um PD defeituosamente instruído é anulado, caso o E.E. assim o pretenda, por qualquer advogado estagiário de quinta categoria.

Para além da pouca vontade ou da inexistência de quem queira assumir a instrução do PD, escolas existem que avançaram com a ideia peregrina do Gabinete do Aluno, nome pomposo e que fica muito bem na ombreira da respectiva porta. Geralmente ocupado por docentes amigos da direcção, já que se trata de uma prateleira dourada, e por um psicólogo, limitam-se a dar bons conselhos aos discentes, género “porta-te bem, pois é o teu futuro que está em jogo”, “olha a vergonha dos teus familiares se vieres a ser suspenso”, “se não te portares bem ninguém, mais tarde, te irá dar emprego”, blá, blá, blá.

Agora, direcções que saiam dos seus gabinetes, bem almofadados e melhor alcatifados, para enfrentarem o toiro pelos cornos? Direcções que estejam, cinco dias por semana, desde a abertura até ao seu encerramento da escola? Direcções que visitem os diversos estabelecimentos escolares? Direcções que estejam presentes e envolvam a comunidade escolar e não apenas a autarquia que sustenta o seu lugar? Onde estão? Onde estão, pergunto novamente? Não é de somenos importância considerar que muitos dos profissionais do ensino falam, refilam e comentam, mas verdadeiramente gostam deste estado. É que quem muito se movimenta - e não podendo passar por invisual - vê-se na contingência de incomodar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:45

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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