O meu ponto de vista

Maio 26 2017

Conheço muito bem Vagos, tanto mais que a minha avó paterna era daquele concelho. Terra pacata, cheia de gente valorosa, misto de agricultores e pescadores. Simultaneamente, terra muito afeiçoada a certos rituais e tradicionalismos que, segundo parece, já não são de agora. Infelizmente para uns, felizmente para outros. Sinais dos tempos!

Gente que sempre votou à direita e, por isso, não é por acaso que esta polémica se instala. Por mão de quem? Do Bloco de Esquerda (BE), claro está. Não possui qualquer representatividade junto daquela, mas, ao menor sinal, ei-los que saltam para a ribalta como primeiros defensores, não dos bons costumes – seja lá o que cada um entender por tal -, mas sim de uma progressividade que há milénios fez cair Roma e o mesmo há-de acontecer connosco agora.

O caso conta-se em meia-dúzia de palavras. Duas alunas da Secundária de Vagos, onde também estudam discentes desde o sétimo ano, ou seja, com doze ou treze anos, beijaram-se prolongadamente no recreio, provocando a indignação de alguns dos presentes. Vai daí a direcção da Escola chamou as aludidas intervenientes e disse-lhes que tal conduta não era a mais apropriada àquele local.

Como está bem de se ver, mal o BE teve conhecimento do caso logo o empolou e “toca” de chamar a comunicação social, a qual, como todos bem sabemos, se pela por qualquer caso de lana caprina, independentemente do sentir da esmagadora maioria dos vaguenses. Isto faz lembrar outros tempos em que não se podia dizer o que quer que fosse a um negro pois era, de imediato, apelidado de racista. No fundo, no fundo, o que se pretende é uma escola com todos e mais alguns direitos e sem, repito, sem deveres de qualquer espécie.

O caldo, como é óbvio, entornou-se e a direcção vê-se em palpos de aranha para explicar um caso cuja importância, senão é nula, é extremamente reduzida. Uma coisa é certa: não invejo o actual papel do Hugo Martinho.  Já por lá passei e sei o quanto é fácil, para os “profissionais” do costume, fazer a maior tempestade num simples copo de água. Uma achega à questão: sempre fui contra as manifestações de afecto mais íntimo no interior do espaço escolar, independentemente da orientação sexual. E penso que é aqui que bate o cerne da questão.

Entretanto, o Ministério da Educação (ME) afirmou que “repudia actos de discriminação e vai agir no sentido de apurar o que aconteceu naquela Escola. O ME teve, esta quarta-feira, conhecimento do referido caso, pelo que vai agir no sentido do apuramento dos alegados factos”.

Em declarações ao Jornal de Notícias, o director da Escola, Hugo Martinho, explicou que “não houve qualquer repreensão ou crítica à orientação sexual das alunas”, mas que lhes pediu “alguma contenção”. Um elemento da direcção falou com uma das alunas, num local reservado, pedindo alguma moderação, no sentido de as proteger”, disse Hugo Martinho.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:14

Abril 01 2016

A vida não está nada fácil. Pelo menos para alguns. Já bastavam as observações/indicações da IGE, as quais têm deixado a maior parte das pessoas com a cabeça à roda, para agora, agravando a situação, os docentes se recusarem a apresentar lista ao Conselho Geral (CG).

É evidente, e não é necessário ser um expert no âmbito do ensino, que todos sabem onde está o cerne da questão. Por muito que ambas as partes – direcção escolar e câmara municipal - tentem desvalorizar e até esconder, o certo é que a municipalização, sobretudo o modo como a mesma foi operacionalizada, foi uma série de facadas dadas nas costas dos professores.

Manda a verdade dizer que tudo foi feito à revelia da posição largamente exposta pelos docentes e não docentes. Aliás, eu e outros ouvimos o vereador responsável pelo sector afirmar, na sala de professores, que o processo jamais avançaria se os docentes manifestassem vontade contrária. Viu-se!

Desde manifestações, passando pelas críticas formuladas pelas mais variadas formas, chegando às posições tomadas pelo CG, de nada valeu. O quero, posso e mando falou mais alto!

Como é lógico, após a desconsideração a que foi votado o anterior CG alguém com bom senso aceita fazer parte de um órgão “faz de conta”? A resposta foi dada e por duas vezes!

E não foi por acaso que a recondução da actual direcção escolar foi decidida antes do despoletar da municipalização. Compreendem-se as razões!

 

ADENDA: Já saiu a terceira convocatória para a aludida eleição. E é bem capaz de não ficar por aqui. Inqualificável!

publicado por Hernani de J. Pereira às 00:10

Junho 12 2015

É a lamentação mais amiúde ouvida nas escolas e quem à sua volta gravita, i.e., a comunidade escolar. Refiro-me, concretamente, à indisciplina provocada pela má educação e à desadequada postura dos alunos. Diminuísse esta e, não tenho a menor dúvida que, a questão do número excessivo de “chumbos”, que tanto tem ultimamente preocupado certos políticos e bem pensadores da nossa praça, senão desaparecia de todo, pelo menos atenuava muitíssimo.

Recentemente, li que 78% dos docentes acham que nas suas escolas se vive um ambiente de indisciplina, principalmente dentro da sala de aula, gastando mais de 25% do tempo desta a corrigir a atitude dos alunos, com a consequente perda de tempo para o que é essencial, ou seja, para o ministrar de matéria.

O mesmo estudo apontava que 85% dos professores são de opinião que uma parte do problema assenta na não aplicação das sanções que a lê prevê por parte das direcções. O que nos leva a pensar que tal se fica a dever ao afrouxar do exercício da autoridade, talvez com receio de serem cognominados de autoritárias. E, como este poder não é realmente exercido, tal acarreta, pelos motivos óbvios, que, hierarquicamente, os que estão abaixo se sintam desautorizados e, muitas vezes, também releguem para segundo plano o dever de fazer cumprir as regras básicas de cidadania.

Ainda sobre o autoritarismo, abro um parêntesis para dizer que desde sempre – e ando nesta vida há 38 anos – adoptei um lema para com os meus alunos e para com os que foram e são meus subordinados: prefiro que me chamem mau do que acharem que sou um banana. Ponto final parágrafo!

Todos sabemos, independentemente de sermos ou não professores, que sem modos de ser e estar dentro e fora da sala de aula, não é possível construir uma sociedade de qualidade e/ou, dito por outras palavras, virada para o sucesso. Ora, isso só possível com o estabelecimento de regras claras e aplicação impiedosa da lei desde o primeiro dia que o aluno coloca os pés na escola.

Contudo, é bom relembrar que a escola é, essencialmente, um lugar de ensino. A educação dá-se em casa. Quem não compreender e, sobretudo, não aplicar este preceito não tem quaisquer direitos a falar sobre o presente e, principalmente, sobre o futuro deste país.

Aliás, deixem-me concluir com um desabafo. Como é possível haver pais, alguns até professores, que toleram, em casa e fora dela, aos filhos a recusa em comer este ou aquele prato; admitem um porte esparramado quando se refeiçoa, independentemente de terem ou não visitas; que permitem o telemóvel em cima da mesa quando se está a comer e, além do mais, consentem o atendimento de chamadas; que dizem sempre ou quase sempre sim, já que é muito mais difícil dizer não; que autorizam a permanência em frente do PC ou da TV durante horas e horas ou até imensamente tarde? Estes são apenas alguns exemplos, pois outros há tanto ou mais graves.

Claro que me irão responder que tudo é relativo e que os tempos mudaram. Pois, é com estes e outros argumentos, puramente falaciosos, que chegamos aonde chegámos. Os princípios da boa educação são imutáveis, remato eu.

publicado por Hernani de J. Pereira às 15:46

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