O meu ponto de vista

Janeiro 18 2017

A questão do emprego é daqueles assuntos em que abordagem deve ser a mais sensível possível, já que afecta milhares e milhares de pessoas. Uma das formas de olhar para a questão é admitir que Portugal e os seus “patrões” não estavam, até há poucos anos, preparados para a produção, distribuição e exportação de bens, o que tem vindo a exigir um enorme esforço de adaptação e de aprendizagem à custa, infelizmente, de muitas falências.

A renovação do emprego constitui o mais grave problema social de uma geração na qual centenas de milhares de desempregados de longa duração dificilmente terão possibilidade de regressar a um mercado de emprego, onde os postos de trabalho desaparecidos na voragem da crise não serão compensados pelos novos empregos surgidos em áreas e sectores para os quais não estão habilitados.

A grave crise que em 2011 nos bateu à porta promoveu o encerramento massivo de empresas e a ausência de investimentos atiraram para o desemprego mais de 600 mil trabalhadores nas áreas da construção civil, restauração, comércio e indústria.

Apesar de se ter registado, nos últimos tempos, uma diminuição do desemprego, tal deve-se fundamentalmente a algumas pequenas e médias empresas que, pela reduzida capacidade de investimento, estão longe de constituir uma solução global e duradoura.

Nesta ordem de ideias, a redução, no ano passado, em 16,5% no investimento público em analogia com 2015, para além de ser um contrassenso relativamente ao programa do PS, é um mau augúrio em termos de políticas de promoção de emprego. Ora, como diz Vital Moreira, o fim antecipado da austeridade nos rendimentos – do funcionalismo público, acrescento eu - foi conseguido à custa de uma severa austeridade no investimento público. O tempo dirá se foi a opção certa...”

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:32

Dezembro 15 2016

As previsões, principalmente as macroeconómicas, apresentam, apesar da intensa propaganda e da docilidade dos media, um cariz marcadamente restritivo. Muitos até dirão que este governo não nos consegue oferecer uma visão de futuro, qualquer que ela seja. Praticamente, a não ser os ideologicamente formatados, ninguém consegue vislumbrar a mínima réstia de luz ao fundo do túnel.

A tentativa de implementação de acções para angariação de investimento nacional e estrangeiro não tem vindo a compensar a retracção do mercado, sendo ainda insuficientes eficazes as medidas (avulsas) anunciadas.

Os fracos resultados das exportações são bastante desanimadores e a conquista de novos mercados com produtos inovadores ainda não se fez notar. A crise da baixa do petróleo, o Brexit, a eleição de Trump, a exponencial – e perigosa – importância da extrema-direita na Europa, entre outros casos, a isso obrigam. Ora, a instabilidade e a incerteza produtiva prejudicam a contratação e fomentam a precariedade laboral, estou certo, apesar dos indicadores em sentido contrário. Sendo um optimista nato, sempre quero ver quem tem razão.

O financiamento público deveria estar a ser, por isso, canalizado para a criação de emprego e apoio ao desenvolvimento tecnológico e empresarial, funcionando como motor da engrenagem económica, e nunca para o sorvedouro dos “buracos” financeiros das empresas públicas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:34

Outubro 31 2016

Os Orçamentos de Estado, deste e do próximo ano, assentam, essencialmente, em duas vertentes: tirar mais dinheiro dos bolsos da maioria dos portugueses para os entregar a uma minoria, i.e., àqueles que vivem à custa do Estado: pensionistas, funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas. É uma análise redutora, mas não deixa de ser verdadeira. Ponto final parágrafo!

Sem dúvida que a proposta de Orçamento de Estado para 2017 se foca acima de tudo na redução do défice, não indo, porém, suficientemente longe no que concerne a medidas de incentivo à retoma e consequente crescimento económico. A elevada carga fiscal torna as empresas pouco competitivas a nível internacional e se há algo que os empresários necessitam é de uma redução de custos fixos para poderem expandir os respectivos negócios e contratar novos colaboradores. Já agora, de acordo com os especialistas, é muito estranho que o crescimento económico ande pelas ruas da amargura e, no entanto, o desemprego decresça. Um dia destes ainda havemos de encontrar explicação para tão grande fenómeno. Será milagre? A ser verdade, é um case study.

A proposta em causa mantém variantes que continuam a protelar o crescimento económico – elevada dívida pública, fortes taxas de IRS e IVA, aumento e surgimento de novos impostos indirectos -, sendo que a política orçamental deveria apostar no forte investimento (público e privado) de modo a desbloquear algumas decisões estratégicas nacionais.

É fundamental desenvolver um processo de consolidação do crescimento económico nacional. Lembrando John F. Kennedy também afirmo que “esforços e coragem não são suficientes sem propósito e direcção”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:41

Setembro 22 2016

O desemprego, felizmente, tem vindo a decrescer desde 2014. Ainda é grande – basta haver uma só pessoa sem trabalho para ser intolerável – mas, o certo, é que tem vindo a diminuir. Também é verdade que à custa de algum trabalho temporário. Mas só quem não sentiu os malefícios do desemprego pode desdenhar de um emprego a termo certo. Como o nosso bom povo costuma dizer “mais vale um pássaro na mão que dois a voar”.

Para que este caminho continue há também que mudar mentalidades. Empresas, trabalhadores e candidatos enfrentam este desafio dando primazia à geração de valor acrescentado e rentabilidade. Por outro, ultrapassando o estigma do trabalho temporário e do outsourcing, focando-se sim em acrescentar valor, enriquecer a sua experiência e até reinventarem-se para o mercado.

Ora, o BE – qual, senão este grupo político? – propõe fortes limitações ao trabalho temporário. A ideia do Bloco, secundado pelo Governo – podia ser de outra forma? -, é criar um limite para o número de renovações, assemelhando estes contratos aos contratos de trabalho a termo. Se no final do período estipulado, a empresa decidir manter o trabalhador ao seu serviço, então o funcionário entra para os quadros.

À primeira vista, a ideia até é simpática. Todavia, sabendo como está a nossa economia, qualquer empresa vai conter-se na contratação de trabalhadores, pois sabe que, senão o fizer, mais cedo que tarde, terá de passar estes para os seus quadros, situação por todos sabida como incomportável.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:23

Junho 02 2016

Hoje em dia, por tudo e por nada, é costume encher-se a boca com a bonita expressão “as pessoas não são números”. Porém, apesar de não devermos confundir a árvore com a floresta, é conveniente atentarmos naqueles.

O número de desempregados, ainda que nos últimos tenha vindo a decrescer – hoje, parece que a tendência se inverteu -, é avassalador. Só alguém muito distraído não se apercebe dos milhares de pessoas que integram a fileira de desempregados não empregáveis e que, permanecem, ano após ano, desenquadrados de qualquer subsídio.

Por isso não estranhamos (!!!) quando se afirma que se passa fome em Portugal. E são muitos os que entram nesta estatística.

Mas como as pessoas não são números, tal como dizia no início desta crónica, não me apetece analisar números mas sim o grande problema social que se passa na porta ao lado da nossa. Enquanto os políticos digladiam sobre a quantificação de tal flagelo, sem o resolverem, há que destacar o papel de entidades como a Cáritas, o Banco Alimentar, a Comunidade Vida e Paz, a Serve the City, entre tantas outras, que têm, quase anonimamente, feito o que nos foi dito “dai-lhes vós de comer”! Bebamos, então, estas palavras em vez dos números.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:57

Janeiro 18 2016

Muitas vezes, neste e noutros locais, escrevi sobre o desemprego e quanto esta ferida afecta a moral de qualquer pessoa e contagia a respectiva família. Hoje, mercê de pessoa amiga estar a passar por tal trauma, volto ao assunto.

À semelhança do que, historicamente, aconteceu noutras regiões e noutras épocas, a emergência de novos sistemas económicos leva inevitavelmente a que, por falta de qualificações ou razões etárias, um número significativo de trabalhadores não consiga fazer a transição para realidades tecnologicamente mais evoluídas. Os mais jovens por ausência ou habilitações a mais. Os mais velhos - é o caso em questão – porque náufragos de sectores económicos que desapareceram na voragem da obsolescência, também não reúnem – presume-se por princípio(!!!) - as competências necessárias para responder aos novos desafios da empregabilidade.

Daí, não admirar, que o desemprego de longa duração se tenha tornado em Portugal, tal como nos países da Europa do Sul, uma fatalidade social que o crescimento económico dificilmente resolverá.

A ti, caro amigo, resta a consolação de que não morrerás de fome. Tens força e terra não te falta para a alimentação essencial. Bem sei que muita gente não verá com bons olhos esta minha última consideração. Porém, como ontem falávamos, há que recomeçar num ponto qualquer de modo que a inflexão tão esperada seja, quanto antes, retomada.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:14

Agosto 06 2015

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Não é uma questão de cartazes ou de não acertarem uma, pois a verdade impele-os no sentido da realidade, i.e., a questão do desemprego já vem do tempo de Sócrates.

Ah, já agora não despeçam os publicitários. Olhem o desemprego!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:54

Junho 15 2015

Os mais atentos sabem que a taxa de desemprego em Portugal atingiu, nos inícios de 2013, o recorde de 17,8%. No entanto, daí para cá e, sobretudo, nos últimos meses, tem vindo a registar uma ligeira mas constante descida, de tal modo que, presentemente, se situa na ordem dos 13%. Ainda é alta, é certo, mas registe-se o decréscimo.

Não é, pois, de estranhar que se questione a sustentabilidade desta descida. Em matéria tão estruturante na sociedade e com tamanho impacto na vida das pessoas importaria, para além de tudo, a verdade. Enquanto o governo enfatiza a descida, incluindo uma conferência de imprensa de Paulo Portas, primeiro-ministro para o mini-governo CDS-PP, e defende a sua sustentabilidade – termo muito em voga ultimamente -, a oposição, a começar pelo PS, ou não lhe dá relevo ou até chega ao cúmulo de negar a sua existência.

Creio, pessoalmente, que a verdade se encontra algures no meio, aliás como sempre. Na verdade, tem-se verificado uma certa reanimação do mercado interno e das exportações, o clima económico e o índice de confiança dos consumidores melhoraram e algumas políticas activas de emprego tiveram impacto.

Isto explica alguma absorção do desemprego, mas convenhamos o seguinte: a saída de mão-de-obra jovem para o estrangeiro irá continuar; muitos trabalhadores encontram-se empregados em tempo parcial; outros desistiram de procurar emprego; outros, ainda, foram as próprias estatísticas, refazendo os respectivos critérios, que os eliminaram.

Uma coisa é certa: a redução sustentada do desemprego será sempre ancorada no investimento e crescimento económico, sobretudo privado, apoiada na formação e requalificação, com benefícios decorrentes de uma mutação da gestão organizacional das nossas empresas.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:08

Abril 14 2015

Com algum alívio profético, nos anos 70 do século passado, Alvin Toffler fez alusão ao que iria acontecer. Assim, penso que pela primeira vez, referiu que futuramente a instabilidade, a transitoriedade e os limites da adaptabilidade seriam uma constante.

Pois, esses tempos chegaram, uma vez que, paulatinamente, assistimos à concretização desses conceitos. Tomámos como garantidos hábitos que nos eram agradáveis ao mesmo tempo que quisemos mudar, sem qualquer razão, as coisas em nosso redor: as referências, os valores, as necessidades, entre outras.

A tudo isto, em Portugal, acrescentámos inúmeras Reformas Educativas – quase tantas como o número de governos pós-74 – que, sucessivamente têm formado pessoas para o desemprego, fundamentalmente na última década, pelo seu desajuste face às necessidades do país.

A grande questão que se coloca é que as coisas mudaram: tornámo-nos impermanentes, cada vez mais transitórios e, ainda por cima, a nossa capacidade de adaptação, de certo modo, atingiu o limite.

Numa sociedade doente e, por isso, enfraquecida, o maior perigo assenta nos milhares e milhares de portugueses sem emprego. Para agravar, a maioria é constituída por pessoas com qualificações que já não são necessárias e, de certo modo, inconvertíveis. Assim, não admira ouvir dizer que a crise é principalmente social e esta é infinitamente mais preocupante que a económica.

Que alternativas? Infelizmente não tenho nenhuma varinha de condão. Mas quem sabe, em vez de vermos sempre o problema nos outros, começássemos pelo debate com a palavra “nós”?

publicado por Hernani de J. Pereira às 23:36

Outubro 24 2014

Um dos maiores flagelos do nosso tempo é o desemprego. É daquelas verdades tão evidentes que, com toda a franqueza, até dá dó só de escrever. Por isso, tudo o que seja feito para minorar tal chaga sabe sempre a pouco.

Assim, por mais bem-intencionados que sejam os incentivos ao relançamento do emprego eles constituem, quase sempre, uma terapia sintomática cuja atractividade das medidas de apoio não conseguem colmatar a estagnação da economia.

Nem os estímulos à criação de empregos, nem o alargamento dos prazos dos subsídios constituem solução para este problema. A recolocação dos desempregados tão-pouco depende da boa vontade dos empregadores. É que por mais que as medidas de incentivo à contratação sejam apelativas, os empregadores só conseguirão criar novos postos de trabalho na altura em que o aumento do PIB entrar numa faixa de crescimento económico sustentável.

São as medidas de redução do IRC, a aposta séria na formação e qualificação, a promoção da internacionalização, i.e., o incremento das exportações, a segurança jurídica dos investimentos, a competitividade fiscal e o financiamento das PME que podem despoletar os factores que promovem o emprego.

Bem sei que, de certo modo, é “chover no molhado”, mas há a referir que os incentivos à empregabilidade medram mais e melhor numa economia em crescimento do que numa em luta pela sobrevivência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:21

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