O meu ponto de vista

Março 07 2021

Vivemos tempos de algum constrangimento. Não me refiro propriamente à questão do confinamento, mas de algumas tentativas de cerceamento da liberdade. A comprovar atente-se no manifesto subscrito por uma série de “personalidades”, as quais se revoltam com o facto dos jornalistas das televisões generalistas se centrarem “apenas” nos casos negativos da pandemia, de relatarem os aspectos menos claros da vacinação contra o Covid-19, em suma de denegrirem constantemente a acção do PS e, sobretudo, do governo.

É evidente que existe no PS e não só, por muito que apregoem o extremo amor à liberdade, gente que ainda tem uma costela salazarista. Nada de números de infectados e/ou mortos, excluam-se as filmagens sobre as filas de ambulâncias às portas dos hospitais, bem como a pré-rotura destes, chegando a necessitar de ajuda estrangeiro, etc., etc. Somente notícias cor-de-rosa como, por exemplo, a excelente governação proporcionada por António Costa.

Tem muita razão Cavaco Silva quando vem criticar esta tentativa de amordaçamento da democracia. Não quer dizer que esteja isento de erros, bem pelo contrário. Contudo, tal como tinham razão quando em tempos lhos apontarem, ele, agora, tem todo o direito de os indicar. Como seria de esperar os “cães” de fila do PS – leia-se PCP e BE – vieram, de imediato, amesquinhá-lo, chegando ao cúmulo de Jerónimo de Sousa dizer que se tinha de lhe dar um desconto pois estava velho. É caso para dizer: Olha quem fala! Logo ele que é um poço de juventude.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:29

Dezembro 30 2018

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Estamos a um passo do final do ano. E, por isso, nada melhor que pensar no que fazer - senão na totalidade durante 2019 - nos próximos anos. O texto que vos deixo chegou-me, o outro dia, via email, tendo feito apenas algumas alterações. Eis, pois, o que falta fazer:

- Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros atestados, motoristas, etc.) dos ex-Presidentes da República.

- Redução do número de deputados da Assembleia da República, bem como reforma das mordomias na Assembleia da República.

- Acabar com muitos dos institutos públicos e fundações Públicas, as quais não servem para nada a não ser ter funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

- Acabar com as empresas municipais, com administradores a auferir milhares de euros/mês que servem apenas para acumular funções nos municípios.

- Reduzir drasticamente o número de câmaras municipais, assembleias municipais e juntas de freguesia, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.

- Acabar com o financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

- Acabar com a distribuição de carros a presidentes, vereadores, assessores, etc., das câmaras, juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo país.

- Reduzir fortemente a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores.

- Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir, de modo algum, que carros oficiais façam serviço particular, tal como levar e trazer familiares e filhos às escolas, ir às compras, etc.

- Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

- Colocar fim nas várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

- Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

- Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

- Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:31

Janeiro 31 2018

Somos um país de corruptos? É lógico que não. Se parecemos ser? É verdade. Porém, como bem sabemos, nem tudo o que parece é. Aliás, não tenho a menor dúvida que a grande maioria dos portugueses é honesta, séria, trabalhadora e preservante dos bons costumes – atenção, nada de conotações com o antigo regime.

Já escrevi e volto a afirmar: corrupção sempre houve, há e haverá. Faz parte, infelizmente da natureza humana. Que hoje parece haver mais? Não nego. Tal se deve ao clima de total liberdade dos media. Numa sociedade emudecida a degradação de alguns igualmente existe e com o mesmo pendor. Todavia, poucos ou nenhuns têm conhecimento de tal por via do silêncio superiormente imposto. Por isso, prefiro a democracia, tal como ocidentalmente a concebemos, apesar da descoberta de tantos e tantos prevaricadores.

No meio disto tudo, há quem veja o copo meio vazio e outros existem que o vêm meio cheio. Prefiro este último estado, i.e., são as instâncias a exercer o seu múnus, sem olhar a quem, quando e como.

Ontem, quase parecia o dia do Juízo Final. Nas redes sociais, onde toda a porcaria desagua e de modo exponencialmente amplificado, havia imensa gente a indagar se alguém escaparia, sinónimo da enorme razia registada, quer politicamente, judicialmente ou ainda desportivamente.

Como não podia deixar de ser, logo surgiram umas virgens púdicas a gritar aqui d’el-rei. Afirmam tratar-se da judicialização da política, que o Ministério Público coloca tudo no mesmo saco, que se trata de uma vendetta por parte dos maiores responsáveis da PGR, etc. e tal. É claro que altas figuras da actual governação e seus apêndices não estavam costumados a tal. Bem gostariam de voltar aos tempos de um tal ingenheiro onde tudo ou quase tudo era silenciado. Olhem, tenham paciência. É a vida. E esta não volta para trás.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:37

Janeiro 10 2017

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 (Imagem do debate televisivo, em 1975, com Álvaro Cunhal, em que ficou célebre a frase deste "olhe que não, Sr. Dr., olhe que não"

 

Quero apenas recordar o estadista que agora nos deixou pelos factos ocorridos em 1975, bem como a adesão à, então, CEE, dez anos mais tarde. Relembro a sua luta, no auge do PREC, contra a unicidade sindical, combatendo denodamento pela liberdade, implantando a democracia, i.e., aquando da deriva totalitarista do PCP, o qual queria fazer deste país uma Cuba europeia, tal como lembro a batalha que travou a fim de acabar com a perpetuação do regime militarista protagonizada por uma ala mais esquerdista do MFA.

Foi um homem extraordinário, tanto para o bem como para o mal. Contudo, tenho por princípio não falar mal de quem morreu. Por isso, tudo o resto deixo à consideração dos leitores.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 12:11

Fevereiro 15 2016

Todos falamos, uns mais que outros é certo, mas todos, repito, falamos de democracia, apesar da maioria não saber a sua origem. Porém, na generalidade, conhecem o seu significado.

A palavra “cracia”, de origem grega, exprime a noção de governo, de poder. É uma qualificação do poder vigente. Democracia, por isso, significa literalmente “governo do povo”.

Outra palavra muito em voga nos dias de hoje é “ética”. Esta também de origem grega, mais precisamente de ethos – o que pertence ao bom costume, ao costume superior ou portador de carácter – não se traduz na palavra teocracia, que está ligada ao governo da moral, sendo que moral e ética não são extactamente a mesma coisa. Aliás, a moral, infelizmente, anda um tanto e quanto fora de moda e, por seu lado, a ética quase se encontra esgotada nas suas múltiplas definições.

Comummente as pessoas afirmam que a democracia tem a ver com a possibilidade de efectuar, em liberdade, as escolhas que os vários ditames da vida em sociedade ditam. Porém, é necessário perceber que o facto da maioria das pessoas escolherem livremente algo, não faz desse algo o melhor. Para ilustrar tal, veja-se o referendo entre Jesus e Barrabás. Por isso, não sendo o “melhor”, é provavelmente o mais justo.

Posto isto, então, talvez a democracia deva evoluir para uma demo-etocracia, i.e., um governo do povo detido por pessoas portadoras de carácter.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:35

Abril 27 2015

Neste último sábado, dia 25 de Abril, pouquíssimos portugueses - os que ainda têm pachorra para isso - escutaram os mais diversos discursos comemorativos daquela memorável data. E, como sempre, houve-os para todos os gostos e feitios. Na sua larga maioria não passaram de mera retórica, com muita demagogia à mistura, do género “faz como digo, não como faço.”

O povo, na sua vastíssima maioria, apenas lamentou que o mesmo tivesse, por efeitos de calendário, calhado ao sábado, já por si dia de descanso. Assim, fez aquilo que geralmente faz neste dia. Aproveitou para descansar, fazer as compras da semana no hipermercado, dar umas voltas com a família, efectuar umas arrumações em casa e na agricultura trabalhou-se como noutro dia qualquer, marimbando-se para o que os políticos disseram e/ou fizeram.

É o estado a que a nossa democracia chegou! Não que as pessoas não estejam gratas ao que o 25 de Abril trouxe, bem pelo contrário. Fundamentalmente agradecem a liberdade, a descolonização e o deixarmos de estar ”orgulhosamente sós”. Quanto ao resto, i.e., ao incremento do nível de vida, apesar das estatísticas - eu, pessoalmente, acredito que sim – dizerem que aumentou substancialmente, o certo é que o povo descrê e, ainda por cima, admite somente que o nível de corrupção entre a classe política que nos governa aumentou exponencialmente.

A culpa deste estado de coisas: essencialmente dos políticos, os quais, independentemente do seu quadrante, governam-se e não governam. Tirando raras e honrosas excepções, o que, como todos sabemos, confirma a regra.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:19

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