O meu ponto de vista

Maio 11 2021

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(a ruína do país)

 

Pessoas existem que não têm um pingo de vergonha na cara. Ontem, na AR, o segundo maior devedor ao Novo Banco – para cima de 500 milhões de euros -, de seu nome Luís Filipe Vieira, também presidente do S. L. e Benfica, declarou, sem corar, que “tem negócios, uma boa reforma e vive bem”.

Pudera! Enquanto nós, os totós dos contribuintes, continuarmos a injectar milhares de milhões de euros, com vista a regularizar a situação financeira daquele banco, ele está muito bem. Acredito  que até cante todos os dias no chuveiro.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:47

Março 17 2017

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Imaginem que eram donos de uma empresa e tinham determinado número de motoristas. Firma que, devido à conjuntura e algo comum à maioria das suas congéneres, passava por certas, para não dizer muitas, dificuldades financeiras. Até aqui, nada de inexplicável ou, como costumo amiúde dizer, a “oeste nada de novo”, roubando o título a um famoso livro do já falecido Erich Maria Remarque.

A incompreensão, porém, surge quando, por exemplo, diz a um dos seus motoristas:

- Zé, hoje de manhã, como o número de entregas não justifica a saída, vai limpar e lavar a carrinha.

E, este, com toda ou sem nenhuma bonomia estampada no seu rosto, responde:

- Desculpe, mas sou motorista e não lavador de carros. Por isso, se quiser que faça este serviço terá de me pagar, mensalmente, um subsídio de 43 euros.

Acrescentando, sem o deixar sequer abrir a boca, logo a seguir:

- Aliás, não estou a pedir nada de mais. Veja o caso dos motoristas do Estado. Por acaso, não leu a notícia que vem no Público de hoje?

O desenrolar do resto da história deixo ao critério dos meus caros leitores. Todavia, faço notar que não custa imaginar o seu “the end”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:00

Novembro 22 2016

Nas últimas semanas surgiram, ainda que timidamente, algumas boas notícias nos meios de comunicação social. Por um lado, os indicadores de clima económico e de confiança dos consumidores recuperaram ligeiramente. Por outro, registou-se nova queda do desemprego. É certo que são dados relativos ao terceiro trimestre do corrente ano, i.e., meses de forte tendência turística, em que, sobretudo, a área dos serviços se sente fortemente favorecida.

Todavia, é triste ver como determinadas pessoas embandeiram em arco, fazendo a festa, deitando os foguetes e ainda apanhando as canas. Esquecem-se de que todos estes factores, positivos é certo, necessitam de ser consolidados e não é por um trimestre positivo que o saldo do ano irá ser esplendoroso.

Num ano em que Portugal irá atingir – as previsões para isso apontam – os objectivos do défice, não deixa de ser caricato – estou a ser benévolo - que a dívida pública atinja limites nunca antes alcançados, ou seja, superior a 133% do PIB. Para os mais leigos, isto quer dizer que mesmo que conseguíssemos juntar toda riqueza que o país produz num ano, não gastando o que quer que seja (salários, bens e serviços), vivendo literalmente e na prática do ar, não conseguiríamos pagar a totalidade da dívida, uma vez que ficariam ainda 33% por pagar. Ora, numa altura em que os nossos juros continuam a crescer a olhos vistos – já vão quase nos 4% - em vez de diminuirmos a dívida, aumentamo-la. Assim, não admira termos a segunda maior dívida da EU.

É evidente que a maioria anda contente, para não dizer um tanto e quanto eufórica. Pudera! Têm mais dinheiro e sentem o ambiente político mais desprendido. Por isso, não admira que até assobiem para o ar. Aliás, já lá diz o ditado “tristezas não pagam dívidas”. Alegrias também não, mas que importa, “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”.

Não quero ser ave de mau agoiro e muito menos proclamar aos quatro ventos que vem aí o Diabo. Mas que o tempo da “porrada” há-de chegar não tenho a menor dúvida. Não há almoços grátis. Não se pode distribuir aquilo que não se criou. Dar e abundantemente aquilo que se vai continuamente pedir lá fora, não é estratégia inteligente, é estupidez, a qual mais cedo que tarde, havemos de pagar. Com ou sem novo resgate logo se verá. Mas que pagaremos, pagaremos e, mais uma vez, com língua de palmo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:42

Fevereiro 03 2015

Quem tem acompanhado as primeiras medidas do novo governo grego, comando por esse timoneiro e, no dizer da nossa extrema-esquerda, novo pai dos pobres, Alexis Tsipras, pensará que foram descobertas minas de ouro ou apareceu petróleo no mar da Grécia.

Aumento do salário mínimo em mais de 200 euros, luz e saúde grátis para todos os desempregados, subsídio social para os mais carenciados, os quais não são assim tão poucos como isso, reintegração na função pública de milhares de pessoas, independentemente da sua necessidade, fim das privatizações, são algumas das medidas já tomadas. Ora, como se sabe, estas e outras medidas de igual teor custam dinheiro, algo que aquele país não tem. Por alguma coisa apresenta uma dívida descomunal, apesar de já ter sido contemplado com dois perdões.

Altos ordenados e emprego total é a pedra filosofal, o Santo Graal, de qualquer governo. Todavia, em democracia, tal como o ocidente a preconiza, e, sobretudo, nos dias de hoje, é uma quimera, isto porque as máquinas cada vez mais substituem o homem. Veja-se que mesmo em ditadura, como é o exemplo de Cuba, o desemprego é uma realidade.

De qualquer modo, estamos todos ansiosos para ver como terminará tal caminho. Uns na esperança que o novo governo grego “dê com os burros na água”, outros, porém, torcendo para que a sua política obtenha êxito. A ver vamos!

Uma questão é certa: as declarações dos governantes gregos têm vindo, como já se esperava, a suavizarem-se. Por exemplo, já não falam de perdão de dívida, mas de pagar em função do crescimento do PIB. Faz lembrar a entrada de leão de José Sócrates, quando assumiu a governação do nosso país em 2005: prometeu atacar todas as corporações – farmácias, obras públicas, etc. – e outros interesses instalados, como os juízes, que viviam à sombra do Estado e dele retiravam grandes regalias. Bem, foi o que se viu: enorme saída de sendeiro!

As circunstâncias actuais não contribuem para que haja um debate sereno e, por isso, os objectivos são vistos através de lentes embaciadas. Tanto para uns, como para outros. Num país pobre, onde existem enormes desigualdades, onde a evasão fiscal atinge 70% dos gregos – e não os 100% porque os restantes são desempregados - arriscam-se, citando Mia Couto, a continuar a produzir ricos em vez de criar riqueza. É que os ricos acabarão sempre por sair por cima! Ou para o estrangeiro!

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:43

Outubro 06 2014

Somos um país de excelência, onde o mérito e a qualidade determinam as contratações e fazem evoluir os profissionais. Um país cada vez mais aliciante, onde procuramos oportunidades de carreira e, por isso, sem necessidade de recorrer para além das fronteiras.

Um país em crescimento e a justificá-lo está o engrandecimento assente numa sólida politica de natalidade e que incentiva os casais a terem filhos. Aliás, oportunidades não faltam a começar pela engenharia, passando pela saúde, educação, restauração e em funções mais técnicas como canalizadores, soldadores, mecânicos, camionistas, trabalhadores da indústria metalúrgica, cozinheiros, padeiros e até cabeleiros.

Os políticos são sérios e a corrupção é quimérica ou, quanto muito, residual. Por isso, o desenvolvimento da vida profissional e pessoal dos cidadãos, bem como a integração na sociedade é quase plena.

O custo de vida é diminuto, pelo que viver no país é relativamente fácil, tanto mais que os ordenados e as pensões/reformas são elevadas. Bem, também não admira uma vez que a produtividade é elevada e a dívida externa praticamente inexistente.

De repente acordei e, infelizmente, notei que estávamos em Portugal. Afinal, não tinha passado de um sonho, belo é certo, mas sonho.

publicado por Hernani de J. Pereira às 18:50

Setembro 16 2011

Como o nosso bom povo costuma dizer, tudo o que é de mais é impossível de aguentar. É o que se passa com a Região Autónoma da Madeira, onde novo “buraco” financeiro foi descoberto, ou seja, para além dos 568 milhões de euros em dívida anteriormente sabida, relativa ao ano corrente, soube-se hoje que, afinal, o calote contempla mais 1113 milhões de euros concernentes aos anos de 2008 a 2010, obrigando a rever os valores dos respectivos défices, conforme divulgado pelo INE e Banco de Portugal. E se ficarmos só por aqui!!!

Irra, já basta de tanto desconchavo. Já não chegava a imprensa internacional dizer, recentemente, tanto mal de José Sócrates – e com razão – para agora ouvir o mesmo do PSD-Madeira?

Ora, se quem não deve não teme, também não é menos verdade de que quem deve cada vez mais, quem fura todas as normas e regulamentações, para além de se colocar fora da lei, é perigoso e indigno de confiança, quando ainda por cima o faz uma, duas, três … contínuas vezes.

Se ninguém pode acusar Alberto João Jardim se aboletar de qualquer importância, o certo é que é fácil para qualquer um fazer obras, por muito caras e ostentosas que sejam, se houver alguém que, mais cedo ou mais tarde, as pague, ou seja, no dizer daquele político, os cubanos do continente.

Por isso, o actual governo só tem uma hipótese: não pactuar com mais este grave dislate e, assim sendo, deve colocar, de uma vez para sempre, a Madeira na ordem. Caso não queira submeter-se à legalidade, deixando para sempre de ultrajar todos os restantes portugueses, só veja uma solução: peçam a independência. Por minha vontade há muito tempo que a tinham.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:22

Novembro 16 2010

Ele, em tempos, bem o afirmou. Todos se lembram, apesar de alguns contraporem de que não tinha passado de um lapsus linguae. Outros, porém, leram, naquela expressão, um rasgo de verdade, asseverando que tinha sido a única vez que o homem tinha falado verdade, apesar de reconhecerem que não era bem aquilo que queria dizer. É que, fundamentalmente, sem querer, tinha-lhe fugido a boca para a verdade.

E, chegados a este momento, eis a verdade nua e crua, em tempos, pelo senhor engenheiro, anunciada: transformou-nos, efectivamente, num país pobre, cada vez mais paupérrimo. Já em tempos, desgraçadamente andámos de mão estendida, mas como hoje nunca se viu. Mais pobre que isto jamais fomos. Chegámos ao cúmulo de até Timor-Leste, um país pobre de entre os mais pobres, uma nação que tanto ajudámos e continuamos a ajudar – e ainda bem - declarar estar disposto a comprar alguma da nossa dívida.

Já agora atentem neste pedaço de prosa escrita, em 17.12.1870, no jornal A Lanterna: O governo português anda mendigando em Londres um novo empréstimo. Os nossos charlatães financeiros não sabem senão estes dois métodos de governo: empréstimo e impostos (…) É dinheiro emprestado e dinheiro espoliado. (…) E, por fim, não é dinheiro aplicado a nenhum melhoramento público; é só dinheiro para pagar juros da dívida e endividar-nos cada vez mais! (…) É a dívida a multiplicar-se para não faltar à corte, banquetes, festas, caçadas e folias!

Tirando a parte monárquica e o local do endividamento, podemos perguntar: qual a diferença com os dias de hoje?

Imagino as voltas no túmulo que os nossos antepassados - aqueles que deram mundos ao mundo, por quem os nossos corações se enternecem e imploram a sua bênção e por quem cantamos hinos de louvor - não devem dar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:10

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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