O meu ponto de vista

Setembro 25 2018

Para lá do arcaísmo da linguagem, o cerne do caminho que traço diariamente permanece inalterável nas iniciativas nas áreas do ensino, da solidariedade e da cultura. Esta perpétua operação de rasgar horizontes a que as expressões culturais me conduzem – porque me interpelam, desafiam, comovem, deslumbram e consolam – não é apenas em si mesma uma obra avulsa, mas promove muitas outras.

Não só me faz bem, pelo prazer da experiência de assistir a um concerto ou observar uma tela, mas dota-me de maiores competências para fazer o certo. A passagem do tempo não deitou por terra a sua perene urgência, nem tão-pouco desgastou o seu prazer apaziguador, apenas as moldou às distintas exigências das diferentes épocas.

Uma persistência que funda as suas raízes também na condução do dia-a-dia, na irrevogável certeza de que o ensino nos fornece, a todos sem excepção, as mais valiosas ferramentas para o cumprimento das seculares máximas, como as de “ensinar os simples de coração”, “dar bom conselho” ou “confortar o outro”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:05

Abril 07 2016

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Recordam-se de há cerca de meia dúzia de anos ou nem tanto um então alto dirigente do PS ter afirmado que “quem se mete com o PS leva. Acostumem-se!”? Hoje, um ministro, neste caso o da Cultura, João Soares, também prometeu cumprir uma promessa feita há 17 anos, i.e., dar duas boas bofetadas a dois críticos – Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente -, os quais escrevem regularmente no “Público”. Como se pode depreender tal sintomatologia não vem de agora e, para além disso, prova à saciedade que não cumpre as promessas, algo que todos já sabíamos. Fora a ironia, esperamos, para bem de todos, que, mais uma vez, não cumpra esta.

É um facto indesmentível: alguns socialistas, e não são assim tão poucos como isso, convivem muito mal com a crítica. Adoram que os bajulem, que lhes batam nas costas, enfim, que lhe estendam a passadeira, de preferência vermelha. Quando são criticados é o Diabo. Amuam, proferem os mais sórdidos impropérios e, pior ainda, partem para a ameaça física.

A culpa, porém, não é totalmente dele. Grande parte advém da costela paterna que, a partir do momento em que se convenceu que era o pai da democracia, tudo fez e tudo lhe foi perdoado. Lamento apenas que a saudosa mãe já não esteja entre nós, pois, essa sim, era senhora para lhe dar dois tabefes que só lhe faziam bem.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:03

Dezembro 12 2013

Ontem morreu Nadir Afonso, um dos maiores pintores portugueses do nosso tempo. Licenciado em Arquitectura pela Escola de Belas-Artes do Porto – aliás, onde mais poderia ser? –, cedo rumou ao Brasil, tendo chegado a trabalhar com Óscar Niemeyer. Desencantado com a estética que a arquitectura estava a tomar, abandonou o lápis e pegou no pincel. E em boa hora o fez.

Na verdade, foi aqui que atingiu o apogeu. Homem simples e frugal, sempre arredio dos holofotes da ribalta, ao contrário do que hoje-em-dia se passa, onde a maioria se coloca incessantemente em bicos dos pés, procurou ininterruptamente compreender o que era a arte, tendo morrido sem o saber. A conclusão mais próxima a que chegou – afirmou-o quando recentemente foi condecorado pelo Presidente da República – é que a arte é pura matemática, sendo que esta, pela sua enorme complexidade, nem os mais sábios a conseguem descortinar.

Todavia, no dia em que aquele enorme vulto da cultura portuguesa faleceu, um outro fez 105 anos. Claro que estou a falar de Manoel de Oliveira, cineasta mundialmente conhecido, e ultimamente tão esquecido pela comunicação social, principalmente a partir do momento em que se declarou cristão convicto e sobretudo quando, sem rebuço, encabeçou a grande delegação de intelectuais que recebeu Bento XVI, aquando da visita deste a Portugal.

Os media, dominados, como bem sabemos, por um certo anticlericalismo, fruto de jornalistas da esquerda caviar que enxameiam as redações daqueles, não lhe perdoaram e, de certo modo, ostracizaram-no. A notícia de ontem foi excepção que confirma a regra.

Já agora, em defesa própria, afirmo sentir-me perfeitamente à vontade para escrever estas linhas, uma vez nunca ter sido adepto da filmografia de Manoel de Oliveira. Contudo, uma coisa é não gostar dos trabalhos que faz, outra é não reconhecer o seu extraordinário valor, tanto a nível interno como externo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:13

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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