O meu ponto de vista

Abril 19 2021

Duas notas que assinalam o dia de hoje:

- o desconfinamento geral. Todavia, no que refere aos centros comerciais registaram-se filas à porta destes. Ora, tal leva-nos à conclusão que jamais aprendemos mesmo com os erros recentes. Um dia destes voltamos à estaca zero e, nessa altura, queixar-nos-emos de tudo e de todos menos de cada um.

- Carlos César. Como proeminente dirigente dos socialistas, cuja família directa e indirecta está toda ela ligada a cargos governamentais, decidiu afirmar ser necessário destacar o papel do PS no combate à corrupção. Depois do caso Sócrates é nitidamente brincar connosco.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:00

Janeiro 28 2020

Só os ingénuos alguma vez acreditaram que o “Futebol Leeks” derrubasse o que quer que seja no mundo do futebol. Tal como o “Panama Papers” pouco ou nada alterou no mundo da política e, sobretudo, na roda da alta finança, também a divulgação das enormes fugas ao fisco por parte daqueles documentos em muito pouco alterou a prática ligada à corrupção que passeia impunemente no munto do futebol dos milhares de milhões.

Agora surgiu o “Luanda Leeks”, hoje sabido que foi fruto de Rui Pinto. Ao princípio, a esmagadora maioria das pessoas escandalizou-se, tendo sido alvo de intensas conversas de censura, algo que vergonhosamente não tinha acontecido quando o caso se reduzia, quase e exclusivamente, ao caso de “toupeiras” do Benfica. Todavia, a poeira começa a assentar e, nessa ordem de ideias, as figuras de sempre – leiam-se advogados, magistrados, uma ou outra figura política, bem como este ou aquele empresário, todos com os rabos entrilhados – começam a dizer que a difusão dos aludidos documentos, por muito que sejam verdadeiros, foi ilegal e, assim sendo, não servem como prova para condenar quem quer que seja.

Resumindo, neste país, só se os corruptos divulgarem ou confessarem de motu próprio os elementos que os podem comprometer é que poderão ser acusados e pagarem por tais crimes. Ora, como tal jamais irá acontecer …

Apostam comigo que todos eles vão sair incólumes e passar literalmente entre os pingos da chuva?

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:32

Janeiro 31 2019

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Muito se tem falado e continuará a falar sobre a má gestão da CGD e dos respectivos prejuízos, os quais, aliás, não pagamos com língua de palmo, mas sim com língua de palmo e meio. Deixem-me, porém, dizer desde já que, apesar de sabermos bem quem foram os culpados directos e indirectos, não acredito que qualquer um deles seja condenado.

Infelizmente, haverá sempre um modo de fugir à aplicação de qualquer sanção. Os argumentos poderão ser muitos, mas basear-se-ão nas seguintes premissas: por um lado, os eventuais, sublinho eventuais crimes já prescreveram ou, por outro, devido a que qualquer investimento – os empréstimos estão dentro desta categoria – tem riscos, i.e., tanto pode dar certo e obterem-se lucros, como correr mal e originar prejuízos.

Uma coisa é certa. Evitam de nos atirar areia para os olhos, dizendo que querem apurar, até às últimas consequências, quem são e, sobretudo, condená-los. É que se o queriam fazer, então, em tempo útil, teriam acabado com o desmando, uma vez que tal ocorre desde o ano 2000 e era conhecido por todos os responsáveis políticos. Bem pelo contrário, deixaram correr o marfim já que a maioria mamava da mesma teta.

publicado por Hernani de J. Pereira às 10:40

Janeiro 29 2019

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De acordo com a imprensa de hoje, no debate de instrução do processo relativo à Operação Marquês, perante o juiz Ivo Rosa, a filha de ex-ministro Armando Vara contou que Caixa Geral de Depósitos lhe emprestou 231 mil e paga pouco mais de duzentos euros por mês.

Para além de outras declarações a raiar o absurdo, importa reter esta questão do empréstimo. Ora, para além de questionar o empréstimo de tão elevada quantia a uma jovem – sim, era muito nova à altura dos factos -, interrogo-me como é possível tal não suceder comigo ou com os meus familiares. Na verdade, tenho familiares directos com um empréstimo cujo montante é menos de metade daquela importância e a pagar o dobro.

Já agora, relembro que Armando Vara foi nomeado administrador da CGD pelo seu amigo e protector José Sócrates.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:05

Janeiro 07 2019

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Em tempos não muito distantes, o governo socialista – vamos dar nome aos bois, foi na época de J. Sócrates – encomendaram-se propositadamente relatórios à OCDE, especialmente no que concerne à educação, os quais não passavam de propaganda mal disfarçada, tanto mais que aqueles eventuais estudos não passavam de consulta a meia dúzia de escolas previamente escolhidas e com entrevistas a docentes devidamente aclimatados. Todavia, até se descobrir a tramoia, eram fidedignos e registos de toda a glória.

Hoje, um relatório da mesma organização, produzido por um reputado técnico – infelizmente não tão bom ministro de Passos Coelho quanto isso - de seu nome Álvaro Santos Pereira, que aponta Portugal como um dos países onde a corrupção mais grassa, algo que, infelizmente, até é verdade, merece da parte do actual governo toda a censura, indo ao ponto de ameaçar aquela instituição com sanções.

Combater aquele cancro? Não, nada disso, pois dá muito jeito. O melhor é abafá-lo para que não se fale.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:18

Outubro 08 2018

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Nada destrói tanto a reputação e a credibilidade de alguém como apregoar ser moralmente superior, eticamente inatacável e depois, na prática, fazer ainda pior que aqueles que acusa de não serem da sua família, a tal pura e mui digna. Estão neste campo as pessoas de esquerda, as quais se arvoram de serem os únicos detentores da solidariedade e fraternidade, bem como os eclesiásticos, sendo que estes apregoam diariamente a “verdade” e um constante amor ao próximo.

É, pois, por se “armarem” em ímpares paladinos do bem comum que o povo não lhes perdoa os deslizes, hoje-em-dia, no dizer dos mesmos, coisas corriqueiras, tais como a corrupção, os atropelos à lei, o compadrio, o olhar em primeiro lugar para o umbigo e para a família, quais “capos”, entre tantos outros defeitos. Se um capitalista viaja num carro topo de gama, veste as melhores marcas do mercado, frequenta os hotéis de sete estrelas, o povo não gosta, despreza, mas não se admira de tais atitudes. Agora, um homem de esquerda ou um padre – escuso de apontar nomes, caso contrário seriam necessárias várias páginas – ter os mesmos usos e costumes é que não há perdão.

Daí, os populismos emergentes um pouco por todo o mundo. Desde alguns países do leste europeu, passando pela Áustria, Itália, USA, sem falar no Brasil, eles pululam como pulgas em cão sarnento. Não porque o povo prefira políticos de direita, a maior parte machistas, xenófobos, racistas e ultraconservadores, mas sim porque durante décadas foram governados por elementos de esquerda que lhes prometerem cuidar deles e dos seus em termos económicos e de segurança, e mais não fizerem de que mentir e, acima de tudo, roubar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:46

Junho 27 2018

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Quando se luta contra tudo e contra todos, por norma, não é bom sinal. Os meios materiais e humanos são parcos e bem mais escasso é o tempo. Como tudo na vida - e a natureza que há muito estudamos a isso nos ensina - é necessário ratear, fazer escolhas. Caso contrário, pretendendo atingir todos e mais alguns, do mais pequeno ao maior, acabamos, no final, por a “montanha parir um rato”.

Mais uma vez a PGR investiu hoje contra o inesperado. Os dois maiores partidos, PSD e PS, receberam a visita dos inspectores da PJ, comandados por magistrados do MP, tal como ontem o Benfica foi “bafejado” com tal sorte, isto para não falar de outros clubes. Ah, a autarquia da capital também não escapou.

De modo algum estou contra tais investigações. Receio, porém, que com tanta dispersão de meios, o peixe graúdo acabe por escapar e, no final, a culpa recaia sobre a empregada de limpeza ou sobre o electricista, por muita consideração que tenha por estas profissões.

Por outro lado, esta legislação que obriga a investigar toda e qualquer denúncia, seja anónima ou não, tem o seu quê de perverso. Sim, bem sei, que se não fosse o anonimato muito do que hoje se sabe jamais surgiria à luz do dia. Porém, o reverso da medalha está que a coberto do anonimato se coloca, muitas vezes, pelas ruas da amargura gente honrada, bem como se coloca na lama ou abaixo dela instituições mui dignas – principalmente quem as dirige – só porque alguém ressabiado - sabe-se lá porquê – decide, após uma noite de insónia, escrever cobras e lagartos, muitas vezes apenas fruto de um delírio.

 

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:56

Maio 12 2018

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Tal como, hoje em dia, comumente se afirma, é um dado adquirido que aquilo que se passou entre 2005 e 2011 não foi apenas um caso ou outro de corrupção, uns mais graves que outros, é certo. Foi, na realidade, muito mais que isso. Houve, efectivamente, um assalto ao poder, uma tentativa do dominar o Estado, ainda que sub-repticiamente. Colocou-se - e as provas estão à vista de todos – em causa o regime.

O PS não pode lavar as mãos como Pilatos e simplesmente distanciar-se de uma ou outra figura de proa daquele período de governação, tanto mais que muitos de hoje estiveram e defenderem acerrimamente aqueles anos. Recordam-se das palavras de um ministro da altura e hoje segunda figura do actual governo afirmar, alto e em bom som, que “quem se mete com o PS leva”?

Os socialistas não podem continuar a refugiar-se na ética republicana – seja lá o que isso seja -, que superiormente reclamam como sua e, por isso, se auto-isentarem constantemente de culpas. Não são melhores nem piores que os outros. Todavia, refugiando-se numa moral superior, pensam que podem fazer tudo e mais alguma coisa pois a sua condição distinta os eleva a patamares que os comuns dos restantes mortais não têm condições de julgar.

Nesta ordem de ideias, enquanto o PS, como há muito clama Ana Gomes, da qual discordo tantas vezes, não efectuar a análise de que não é a porta divina do reino de tudo o que é bom, ao contrário de todos os outros que, segundo a sua distorcida óptica, não passam de uns malfeitores, a democracia corre perigo. E não é pouco. 

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:09

Maio 09 2018

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O caso Sócrates ainda vai fazer correr muita tinta. Como se costuma dizer, sobre este assunto “a procissão ainda só vai no adro”. O animal feroz, apesar de muito ferido, não morreu, bem pelo contrário. Ainda o veremos a ranger os dentes, trucidando este e comendo aquele. Muito me engano ou muitos estragos surgirão para os lados do “Largo do Rato”. Quando começarem a surgir nomes e nomes, conversas e conversas gravadas é que vão ser elas. Muita gente que está actualmente no governo ou passeia os “Armani” pelos corredores de S. Bento deve rezar diariamente a todos os santos para que o ex-primeiro-ministro não coloque m€rdꜳ na ventoinha.

Todavia, o assunto desta crónica tem a ver com aqueles que se dizem enganados. Refiro-me, evidentemente, aos políticos, pois no caso da ex-namorada, Fernanda Câncio, apesar de grave, pois muito escreveu publicamente sobre tal assunto, influenciando muita gente, considero-o do foro privado. Afirmar que não se apercebeu de nada, que não viu nada, é como ir ao barbeiro, cortar a farta cabeleira e dizer não ter sentido nada.

Dizem, a pés juntos, que, a ser verdade – ainda têm dúvidas? -, foram completamente ludibriados. E mesmo que assim tivesse sido, não tiram daí quaisquer consequências? É que tanto é ladrão o que vai à vinha como aquele que fica a guardar a cancela. O dinheiro em causa é de tal monta que o assunto só pode ser considerado corrupção ao mais alto nível do Estado. Ora, se não intervieram directamente, pelo menos foram coniventes, i.e., fecharam os olhos ou assobiaram para o lado. Será que nem uma única vez tiveram vontade de questionar os negócios da Venezuela, do Grupo Lena, da Parque Escolar, do TGV, das ligações Sócrates-Ricardo Salgado, das relações perigosas entre BES-PT, quando o Estado detinha poder decisório nesta última, das rendas excessivas proporcionadas à EDP por parte de Manuel Pinho, entre tantos outros casos? O que é que estavam a fazer no Conselho de Ministros, onde tudo era ou devia ser discutido e aprovado?

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:53

Abril 30 2018

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Os números variam ligeiramente, mas as conclusões dos diferentes comentadores convergem num cenário devastador: a corrupção, em Portugal, atingiu máximos históricos durante o período de 2005 a 2011, i.e., durante o consulado de José Sócrates.

A falta de controle, a tentativa de domínio da comunicação social, o clima de “prefiro não ver para não me aborrecer”, aliado à crise económica e financeira na Europa, bem como o risco da dívida pública portuguesa foram alguns dos motivos que se costumam apontar.

Todavia, eu prefiro chamar os bois pelos nomes e, nessa conformidade, afirmo que tal se ficou à falta de vergonha ou, como hoje se costuma dizer, à ausência de ética.

Quem se der ao trabalho de consultar os vários ensaios publicados pelos muitos observadores e estudiosos a operar em Portugal, notará que apesar do valor canalizado para a corrupção não coincidir – talvez devido aos diferentes critérios de análise utilizados –, os números apurados são, sem sombra para dúvidas, os piores alguma vez verificados em território nacional.

Já não nos bastava o escândalo do ex-primeiro-ministro, do caso BPN e quejandos, para agora também vir a lume o caso de Manuel Pinho. Um dia destes, por muito que queiramos, não conseguiremos abrir mais a boca de espanto.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:37

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