O meu ponto de vista

Março 07 2021

Vivemos tempos de algum constrangimento. Não me refiro propriamente à questão do confinamento, mas de algumas tentativas de cerceamento da liberdade. A comprovar atente-se no manifesto subscrito por uma série de “personalidades”, as quais se revoltam com o facto dos jornalistas das televisões generalistas se centrarem “apenas” nos casos negativos da pandemia, de relatarem os aspectos menos claros da vacinação contra o Covid-19, em suma de denegrirem constantemente a acção do PS e, sobretudo, do governo.

É evidente que existe no PS e não só, por muito que apregoem o extremo amor à liberdade, gente que ainda tem uma costela salazarista. Nada de números de infectados e/ou mortos, excluam-se as filmagens sobre as filas de ambulâncias às portas dos hospitais, bem como a pré-rotura destes, chegando a necessitar de ajuda estrangeiro, etc., etc. Somente notícias cor-de-rosa como, por exemplo, a excelente governação proporcionada por António Costa.

Tem muita razão Cavaco Silva quando vem criticar esta tentativa de amordaçamento da democracia. Não quer dizer que esteja isento de erros, bem pelo contrário. Contudo, tal como tinham razão quando em tempos lhos apontarem, ele, agora, tem todo o direito de os indicar. Como seria de esperar os “cães” de fila do PS – leia-se PCP e BE – vieram, de imediato, amesquinhá-lo, chegando ao cúmulo de Jerónimo de Sousa dizer que se tinha de lhe dar um desconto pois estava velho. É caso para dizer: Olha quem fala! Logo ele que é um poço de juventude.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:29

Fevereiro 17 2018

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A capa da revista do Expresso de hoje é, por demais, demonstrativa do que se passa no PSD. Cada um para o seu lado, cuidando de si.

Naquela vemos Cavaco Silva, descontraidamente só, sublinho só, encostado a uma parede amarela - não é por acaso que não é laranja, verde, azul, cor-de-rosa ou vermelha - com ar de superioridade, como querendo dizer que os tempos presentes, relativamente aos sociais-democratas, são complexos – estou a ser benévolo – em contraponto ao seu tempo.

O que verdadeiramente quer afirmar é que falta ao PSD quem tenho pulso firme e, sobretudo, que dê um murro na mesa ou mesmo até virá-la. No fundo, tenta transmitir que está cansado de falinhas mansas e falsas concórdias.

Aliás, nas entrelinhas da sua cuidadosa entrevista, outras ideias se podem descortinar. Atrevo-me até a imaginar o que na sua mente trespassa, mas, por dever de contenção, não se atreve a dizer, i.e., “ai se tivesse menos 20 ou 30 anos e veriam o que era bom e bonito”.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:01

Março 10 2016

Ontem, o país, de certo modo, enamorado de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS), assistiu à sua entronização como Presidente da República. Muitas aclamações foram feitas, muitos encómios foram produzidos, muita charlatanice foi dita, sobretudo por parte dos jornalistas que ao longo do dia cobriram exaustivamente a cerimónia, e muitas esperanças foram erguidas. Enfim, mais parecia uma coroação que uma tomada de posse de um presidente de uma república laica e multipartidária. E como tudo o que é demais …

Apoiante de MRS desde a primeira hora, ao contrário dos recentes e oportunisticamente convertidos, não levanto as mãos aos Céus à espera de um milagre. Com os pés bem assentes na terra, de uma forma pragmática, apenas espero que seja fiel aos seus desígnios. Para quem pouco espera, tudo o que vier a mais é óptimo. Governar em estado de graça é fácil. O difícil há-de chegar e será nessa altura que se verá a fibra do agora empossado.

A sua bonomia, a sua constante boa disposição, o seu ar familiar e terno são óptimos para afagar o nosso ego. Todavia, todos sabemos que, por muito que as crispações políticas se atenuem, isso não coloca pão na mesa dos portugueses.

Os que hoje lhe sorriem prazenteiramente, bem o sabemos, serão os primeiros a espetar-lhe a faca na primeira oportunidade.

Uma palavra para Aníbal Cavaco Silva. Sou daqueles que também afirma que podia ter acabado a sua carreira política de uma forma menos sofrível. Contudo, por experiência própria, sei que “atrás de mim virá quem bem de mim dirá”. Ditado muito antigo, mas muito certeiro. É ainda muito cedo para julgamentos históricos e, por isso, há que deixar que o tempo consolide a sua memória. Então, quando o distanciamento o permitir, escreva-se o que por bem se entender. Uma coisa é certa: poucos políticos portugueses se podem orgulhar de ter marcado na nossa história contemporânea tal como ele o fez.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:00

Novembro 19 2015

Há limites para tudo, como se costuma afirmar. Todavia, imensos agentes políticos de topo, hoje-em-dia, principalmente os designados “jovens turcos”, mercê da sua ânsia de mostrar serviço e fundamentalmente de darem a conhecer a sua extrema fidelidade ao (querido) líder, esquecem-se dessa regra de ouro.

O último exemplo conhecido veio do deputado do PS, Tiago Barbosa Ribeiro, o qual apelidou Cavaco de Silva de "gangster", só porque este, no uso pleno dos seus poderes constitucionais, não indigita, de imediato, António Costa para formar um novo governo

É bom referir que aquele membro (indigno) do Parlamento apresentou, posteriormente, um pedido de desculpas através do Twitter. Todavia, uma vez cavalgadura, jamais será cavaleiro.

Todos sabemos a urgência que a maioria do PS, bem como os seus actuais compagnons de route, leia-se PCP e BE, tem de ir para o governo. Não pelas melhores razões, é certo, mas que denotam um frenesim e um nervosinho não muito miúdo, isso é verdade.

Uma coisa, porém, é querem tomar de assalto o poder, outra, bem diferente, é quererem-no a qualquer preço. E pior ainda é, para quem não lhes faz a vontade, ser insultado com os impropérios mais soezes.

Que os boys estão impacientes pelo saque, assim como outras corporações, todos temos consciência disso. Todavia, algum bom senso é necessário.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:33

Abril 11 2011

É com plena consciência das dificuldades que o país atravessa que penso ser possível inverter a tendência para o abismo e, ao mesmo tempo, desenvolver políticas que nos permitam entrar numa nova fase de crescimento económico, com criação de riqueza e emprego.

Na verdade, mais do que a difícil conjuntura económica que estamos a viver, o que penaliza Portugal e o impede de ser competitivo e de garantir um lugar entre as nações mais desenvolvidas da Europa é a ausência de uma visão estratégica, de planificação e de definição de objectivos, isto é, de não possuirmos uma linha de rumo coerente. É, por isso, que é essencial não apenas ultrapassar a actual crise mas, também, construir um país com novas ambições.

Ora, isso faz-se principalmente com gestos e atitudes que os maiores responsáveis pelo país têm de tomar. Por exemplo, de modo algum, se pode “dar o ouro ao bandido” ou, então, permitir que “raposa entre no galinheiro”, uma vez que desmobiliza os agentes e, sobretudo, descredibiliza - será possível ainda mais? - os agentes políticos.

Mas, o certo é que foi exactamente isso que Cavaco Silva fez ao enviar a resolução da Assembleia da República que terminava com a ADD nos moldes em que está - – anacrónicos, diga-se em abono da verdade, isto, por muito que nos apetecesse, para não adjectivar em termos mais gravosos – para o Tribunal Constitucional. No fundo, a quem tanto o desrespeitou e até – não tenhamos medo das palavras – achincalhou, o Presidente da República faz agora um favor. Mais grave ainda: tal como nas vésperas das eleições legislativas de 2009 tirou o “tapete” à Manuela Ferreira Leite, então candidata a primeiro-ministra, também agora procedeu de igual modo para com o “seu” partido e que, ainda recentemente, tanto contribuiu para a sua reeleição.

Bem sabemos que a palavra gratidão não existe no dicionário da política, mas, que diabo, há limites para tudo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:53

Janeiro 22 2011

Como os portugueses já vaticinaram, através de todas as sondagens, amanhã à noite confirmar-se-á que vamos continuar com o mesmo presidente. Felizmente, acrescentará a maioria de nós.

Contudo, apesar desta expectativa nos alegrar, a verdade é que continuaremos com a mesma crise, os mesmos cortes salariais, os mesmos aumentos dos produtos essenciais e o mesmo desemprego, entre tantas outras desgraças.

Ora, se o anteriormente descrito já é mau, péssimo mesmo é, infelizmente, continuarmos com o mesmo governo. Isto, sim, é que é o azar dos azares.

P.S. - Como é evidente, amanhã, com toda a honra e sem quaisquer dúvidas, vou votar CAVACO SILVA.

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:43

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