O meu ponto de vista

Julho 16 2021

Não tenho a certeza absoluta, mas penso nunca ter tido tanto trabalho no final de um ano como neste. Bem sei que a nossa memória é curta, mas seja pelos já muitos anos de serviço, seja pelo excesso de trabalho, o que sei é que ando numa roda-viva, ou, como hoje se ouve dizer, percorro caminhos de enormíssimo stress.

São reuniões e mais reuniões, algumas delas apenas, segundo nos dizem, por a legislação obrigar, actas e outras actas, relatórios atrás de relatórios, cujo conteúdo repete quase na íntegra o teor daquelas ou vice-versa, são avaliações dos discentes e dos colegas docentes, são os trabalhos finais dos alunos do 12º ano, via profissionalizante, são documentos em suporte de papel e outros, obrigatoriamente, no Google Drive, isto para não falar nos exames.

Somos um país de burocratas e, sobretudo, de uma administração sempre desconfiada com a arraia-miúda. Daí pedir papéis e mais papéis. Tudo tem de ser confirmado e reconfirmado. O aluno efectua a avaliação sobre o professor, este diz de sua justiça sobre aquele e sobre os colegas. A direcção volta a dizer o mesmo, já mil vezes dito e … o mais importante fica para trás. Sim, não se aguenta tudo e o dia só tem 24 horas e há mais vida para além da profissão.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:27

Janeiro 16 2020

Esta coisa da Auditoria está a dar comigo em doido. Para facilitar a vida dos colegas, declarámos em acta que recebemos os documentos que são necessários apresentar. Agora quando, de repente, a visita se anuncia constatamos o que já naquela altura bem sabíamos, ou seja, a maioria dos elementos constituintes do conselho de turma não cumpre com a suas obrigações.

Assim, de um dia para o outro, aqui d’El Rei que não é admissível. Assinámos algo que não correspondia à verdade e, por isso, no presente não podemos admitir externamente que a culpa é dos outros. Lamentável a todos os títulos. É o que dá ser compreensivo e sobretudo compassivo. Resta-nos enviar emails, telefonar e procurar o colega A, B, C e D – isto para não citar mais letras –, solicitando, por favor, que nos enviem os documentos em falta. Ao que isto chegou? Solicitar isto e aquilo a alguém que não cumpre, mas de um modo respeitoso e reverencial.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:35

Dezembro 18 2018

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Muito faz quem não empata ou, por outras palavras, muito produz quem deixa trabalhar. Não quero dizer que não existam regras, mas impor tantas e tão complexas que asfixiam tudo e todos, é pior emenda que o soneto.

O pior que nos pode acontecer, no dia-a-dia, é surgir alguém mais papista que o Papa, i.e., por receio ou excesso de zelo, nos enche de burocracia, não fazendo e/ou não deixando fazer. Podia aqui usar uma linguagem mais hard, mas não convém. É que a qualidade de vida do cidadão é também um padrão comparativo nas sociedades mais desenvolvidas, onde o produto e o respectivo desempenho, bem como os serviços complementares, a segurança e a protecção, sempre aliados a uma constante evolução tecnológica constituem factores que o Homem procura incessantemente alcançar. É esta procura permanente que possibilita um progressivo desenvolvimento de qualquer país.

Para responder aos desafios de mais e melhor autonomia – será? – as escolas na ânsia de agradar à tutela, mas mais com receio de pecar por defeito, tornam o sistema obtuso, numa perspectiva do fomento de novas parcerias e uma menor - deveria o ser o contrário - abertura em geral. No fundo, querem, por um lado, abranger todas as áreas económicas e sociológicas, enquanto, por outro, fecham a porta, sem abrir uma janela sequer, sustentando-se somente em documentação, a qual se preenche por dever de ofício, mas que se sabe, de antemão, que poucos ou nenhuns vão cumprir.

Finalmente, deve notar-se que não é suficiente ter qualidade. É necessário ter capacidade para demonstrar de forma credível que essa qualidade existe. Daí decorre a importância de um sistema de demonstração da conformidade entre o que apregoa e o que se pratica.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:27

Novembro 23 2017

A burocracia é uma calamidade em qualquer lado. Neste país, então, é um calvário que leva o melhor intencionado à exasperação, descambando a situação, muitas vezes, não digo na verdadeira má-educação, numa falta de atenção mútua, onde a cordialidade, de início excelente, passa ao nível da cave.

O mais grave é que ao fim de um dia, mais fatigante que andar de manhã à noite de enxada nas mãos, em que ambos os lados ficam em depressão quase absoluta, fica a sensação de desconhecimento do culpado de tal.

A única certeza é que durante um dia inteiro (09H00 - 18H00) o maldito papel, contendo a respectiva autorização, não chegou. Culpa de quem? Ninguém sabe, tanto mais que o verdadeiro responsável se encontrava (???) dentro de um edifício com ar condicionado, a centenas de quilómetros, pouco se importando quem desesperava pelo surgimento daquele.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:05

Dezembro 13 2010

É um dado adquirido e reafirmá-lo é repetir uma verdade lapalaciana: o dinheiro é importante mas, como se costuma dizer, não traz felicidade … No entanto, que ajuda e ajuda muito é algo indesmentível.

Contudo, felizmente, existe uma percentagem apreciável de pessoas dispostas a não pensar unicamente em dinheiro para a sua satisfação, quer seja no âmbito pessoal, quer seja - principalmente aqui – no campo profissional. As aspirações com a sua satisfação pessoal, bem como o usufruto do melhor bem-estar possível encontram-se na primeira linha das suas preocupações.

Bem sabemos que a conjuntura é adversa. Por isso, desafios e projectos aliciantes são objectivos que, tal como a boca necessita de pão, uma vida com qualidade almeja.

Porém, o que diariamente vemos? Para nosso desagrado, observamos, a cada momento, uma ausência de espaço para o essencial, roubando-nos a resiliência para podermos, com deleite, contribuir profissionalmente e familiarmente para a nossa felicidade. E não culpemos apenas os outros. Mais: não apontemos constantemente a responsabilidade às instâncias máximas, quer elas sejam nacionais e/ou regionais, pois muitos dos que nos estão próximos, numa óptica de mais papistas que o próprio Papa, denotam secretos prazeres em nos afogar administrativamente no preenchimento deste e daquele documento, em nos solicitar aquele requisito, em nos exigir a demonstração daqueloutra valência, entre tantas outras provas e testemunhos.

Como é evidente, todas elas ocupam-nos horas e horas, afastando-nos do que é mais importante: o trabalho directo com os alunos e a disponibilidade para nós e para as nossas famílias. E bem sabemos que se esta retaguarda falha, por mais profissionais que sejamos, aquele torna-se ineficaz.

Já não nos chegavam as reuniões intermináveis, onde, em muitas delas, a maior parte do tempo apenas se discute o sexo dos anjos, os mais diversos testes - com cotação (!!!) - que se têm de realizar, as actas de dez ou mais páginas, todas vistas à lupa por alguém que parece não ter mais nada que fazer, relatórios que praticamente ninguém lê e muito menos dá relevo, planificações que, mais tarde, os dias de “tolerância” obrigam a uma “ginástica” extraordinária para cumprir, critérios para isto e para aquilo, requisições, etc., etc., para agora também nos exigirem autoavaliações para tudo e para nada, incluindo as NAC.

Atente-se, por outro lado, que a maior parte desta burocracia não emana do estipulado em forma de lei, mas sim apenas da cabeça de meia dúzia de iluminados, sendo que a maior parte destes, por força dos cargos, estão dispensados de a executar.

O que nos resta, perguntarão os leitores. A resposta só pode ser uma: fazer somente o que a lei determina. Nada mais.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:37

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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