O meu ponto de vista

Abril 16 2015

É raro o dia em que numa cidade ou noutra, ou, simultaneamente, em várias, não se realizem manifestações de antigos depositantes do ex-GES. Estão no seu direito, lutando pelos seus interesses e contra tal facto não existem contra-argumentos.

Outra coisa porém, é como enviesam a sua forma de luta. Jamais os vemos dizer o quer que seja do oligarca Ricardo Salgado e respectiva família, os quais, como está amplamente demonstrado, geriram aquele grupo financeiro como fossem a Máfia, exceptuando o assassinato.

Ouvimo-los e vemo-los, principalmente à hora dos telejornais, gritar contra o governador do Banco de Portugal (BP), como fosse este o destruidor do ex-BES. Não digo que Carlos Costa não tenha culpas no cartório, mas de modo algum, se pode comparar à família Espírito Santo.

Por outro lado, salvo raras e honrosas excepções, a maioria dos depositantes e detentores do designado papel comercial não me convencem com o fundamento de que foram espoliados das poupanças de uma vida face às declarações do governador do BP, proferidas dias antes da divisão do BES em banco bom (Novo Banco) e banco mau, porquanto tais depósitos o tinham sido há muitos dias, senão meses ou anos.

Durante esse tempo, em que tais depósitos renderam bem acima do que era plausível e curial – só não desconfiou quem hipocritamente não quis -, estiveram calados e contentes, pois estava-lhes a correr bem a vida! Aliás, tal situação faz-me lembrar o “jogo da pirâmide” ou a “D. Branca”. Enquanto se ganha ninguém se queixa. Quando a bancarrota se instala, lá pedem e acham que todos os outros devem pagar as suas perdas!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:22

Janeiro 06 2015

No que concerne ao âmbito nacional, não contando a ordem cronológica, distingo

  • A prisão de José Sócrates pelo que representou e ainda representa no panorama político-partidário. Não haja dúvida que este caso deu brado e continua a dar que falar, uma vez que a sua repercussão é uma espécie de espada de Dâmocles constantemente colocada sobre a cabeça do PS. A ver vamos quem vence: se o ex-primeiro-ministro ou se a justiça, a qual, após o PS ter chumbado a proposta de lei do enriquecimento ilícito, tem que provar se houve ou não iniquidade por parte daquele. Todavia, mesmo que acabe ilibado por não se provar a(s) ilegalidade(s), aos olhos da maioria dos portugueses já é culpado. Eu sei que não deveria ser assim, mas é a vida!
  • O caso BES pelo terramoto que provocou naquele que era o maior banco privado português e, sobretudo, por acabar com o mito de que os banqueiros portugueses eram algo acima de qualquer suspeita. Afinal, não passam de uns vigaristas de meia-tigela, os quais sempre estiveram nas tintas para quem confiava neles. Mais: agora até parecem ratos em navio a afundar-se, pois é triste vê-los abandonarem familiares e velhas amizades, através das quais usufruíram, durante décadas, milhões e milhões, sem assumir culpas do que quer que seja. Ainda acabaremos por ver que os culpados da derrocada deste grupo financeiro foram o recepcionista e a mulher de limpeza!
  • O juiz Carlos Alexandre pela coragem e, principalmente, por dar uma réstia de esperança aos portugueses, fazendo-os crer que ainda há quem procure fazer justiça neste país, merece, sem dúvida, o devido realce. O magistrado que mandou prender Ricardo Salgado e José Sócrates demonstrou que ninguém está acima da lei e já é, para a uma larga fatia dos portugueses, um herói. Espero que não tenha pés de barro e muito menos rabos-de-palha.
  • A corrupção pela sua extensão e, particularmente, pela sua percepção. Hoje-em-dia os portugueses sabem que, deste a autarquia mais pequena, passando pelo serviço público mais insignificante, até chegar à cúpula da governance política-financeira, a corrupção estende-se mais depressa que o pior vírus que, de vez em quando, por aí ataca. Aliás, não é por acaso que corrupção foi escolhida pelos portugueses como a palavra do ano.
publicado por Hernani de J. Pereira às 19:21

Dezembro 10 2014

A audição de Ricardo Salgado, o ex-DDT, que é como quem diz Dono Disto Tudo, na Comissão Parlamentar que investiga a gestão e queda do Grupo Espírito Santo(GES), de que fazia parte, de entre outros, o ex-BES, hoje Novo Banco, é - literalmente – de rir até às lágrimas.

Se o assunto não fosse tão sério e se não estivessem em causa tantas e tantas famílias que, de um momento para o outro, perderam as poupanças de uma vida, assim como a fuga e a lavagem de capitais, bem podia ser objecto de um filme cómico.

Como ontem se viu, e hoje se confirmou, Ricardo Salgado(RS) durante todos anos de crise e sobretudo durante os largos meses que levaram à falência do GES nada viu, ouviu e disse. Já agora, como aliás também ficou patente, teve raiva a quem viu, ouviu e disse.

De acordo com as declarações de RS, este sempre foi estranho em tudo o que aconteceu nas múltiplas empresas financeiras e/ou bancárias do GES. A culpa foi sempre dos outros. No BESI e na ESFI foi do contabilista. No BESA foi de Álvaro Sobrinho. No BES foi do Banco de Portugal, da CVMM, da crise e do governo. E por aí adiante.

Numa direcção fortemente centralizada, em que a peça chave, como todos bem sabemos, era RS, este vir afirmar que tudo passou à sua margem, é gozar com os portugueses e fazer de todos nós autênticos totós. O papel de vítima assenta-lhe muito mal.

É evidente que esta Comissão Parlamentar, tal como qualquer outra, não tem quaisquer poderes criminais e, por isso, a minha esperança é que a justiça venha, mais cedo ou mais tarde, a funcionar.

Antigamente, essencialmente nos livros e/ou filmes policiais, o principal suspeito era sempre o mordomo. Ora, num tempo em que estes são praticamente inexistentes, temo que a culpa de todas estas falcatruas acabe por recair, quanto muito, no porteiro, já que sobre o motorista(!!!) estamos falados.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:24

Julho 01 2014

Sim, confesso que, ultimamente, ando deprimido e não é pouco. Têm de concordar que o caso não é para menos, pois não há direito de, dia após dia, perder milhares sobre milhares de euros. Tudo por causa da crise do Banco Espírito Santo (BES) e do muito dinheiro que, em acções, aí investi.

Sempre fui amigo da família Espírito Santo, apesar de nunca ter passado férias conjuntamente com o Ricardo, tal como aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa, ou de alguma vez ter estado casado com um membro daquela ilustre família – com toda a certeza, culpa minha – como sucedeu com Miguel Sousa Tavares. Porém, isso, de modo algum, diminui a consideração que sinto por aqueles e eles por mim. Já agora, uma interrupção: compreende-se a escolha extremamente cuidadosa das palavras sobre este caso destes dois pesos pesados da comentação política-económica.

Pelo exposto, não admira que tenha adquirido milhares de acções daquela instituição bancária. Se por um lado o BES era um banco com mais de 150 anos de existência e uma credibilidade inatacável – lembro-me de alguns episódios menos dignificantes, mas não se fala mal dos amigos em público -, por outro, o excesso de liquidez monetária que desde há muito apresento, levou-me a apostar quase tudo no mesmo “cavalo”.

Se foi errado? É fácil dizer hoje que sim. Mas quem previa tal? Agora ando a tentar “apagar fogos” em vez de ter antecipado os problemas. Só me apetece gritar e comer ameixas verdes!

Ironias à parte, há muito que deviam estar incorporadas as medidas que actualmente parecem estar acordadas, bem como outras que aqui não posso – novamente os laços de amizade a impedir-me a imparcialidade (!!!) – enunciar. Ou seja: o acordo que Banco de Portugal quer implementar no BES, sendo positivo, é tardio e, quase me atreveria a dizer, imperfeito. Não podemos estranhar, pois geralmente é sempre assim quando se negoceia sobre pressão.

Mais: estão enganados os que pensam que as mexidas na direcção do BES vão ter um grande impacto na resolução da sua crise. A ajuda será efectiva mas diminuta e a prová-lo aí estão as agências de rating a baixar o respectivo valor, isto para não falar do preço das respectivas acções.

Uma revolução neste banco é urgente, uma vez que o contágio a outros não é algo descartável. Para observar que este é um problema sério, indago: quem em Portugal não depende do sistema bancário?

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:45

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