O meu ponto de vista

Junho 04 2019

A esmagadora maioria dos docentes do ensino superior teve excelente na sua avaliação de desempenho. Isto nas instituições que se dignaram divulgar a avaliação interna, uma vez que – pasme-se (!!!) – outras houve que se recusaram divulgar tal. Adivinho que seja devido a que 100 % dos seus professores foram classificados como excelentes.

Ora, tal desiderato quer dizer que a larguíssima maioria dos professores daquela área de ensino plasmaram nos mais diversos itens avaliativos, sem margem para dúvidas, dominar completamente o saber técnico, científico e, sobretudo, pedagógico. Acompanharam, sem falhas, os alunos e todas e quaisquer iniciativas promovidas pela sua instituição, promovendo a total interligação ensino/investigação e comunidade local.

Por mais de uma vez tive oportunidade de ouvir quem frequenta o ensino superior – também por lá andei e fui testemunha de muita coisa -, a propósito de alguns problemas existentes, a seguinte expressão “Ai se os alunos e a comunidade falassem …”

Ao terminar, apetece-me também dizer: Ai se qualidade do ensino superior falasse. Infelizmente não fala, ou se fala é muito baixinho e pelos cantos. Todavia, cabe a todos os interessados por estas questões que, de uma forma ou de outra, falam ou agem em nome da aludida qualidade, contribuir para que esta não passe de moda.

publicado por Hernani de J. Pereira às 17:23

Novembro 16 2017

Tal como afirmei, ontem fiz greve. Acção maduramente pensada, com intuitos nobres, a pensar muito mais nos meus alunos que propriamente na subida imediata de escalão. Tanto mais que, apesar de me ser descontado um dia no vencimento, vou ter de repor as aulas dadas, porquanto se trata do 12º ano profissional.

Todavia, não é esse o assunto primordial que me trás à colação. O que me preocupa, em face das múltiplas declarações proferidas na hora, depois e até já no dia de hoje, é que esta justíssima luta parece não surtir o principal objectivo, uma vez que a mesma deixou de estar no plano sindical, para ser colocada a nível político. Ora, quando o PCP e o BE, assobiam para o lado, como se estas reivindicações não lhes dissessem nada, quando têm modos mais que suficientes para obrigar o governo a ceder, estamos falados.

Será que estas jornadas político-sindicais servem essencialmente para a sobrevivência de Mário’s e Silva’s? Não nos podemos esquecer que já em tempos, aliás não muitos recuados, foram os primeiros a quebrar, quase se podendo dizer que, nas costas da classe docente, cravaram bem funda uma longa faca.

Já agora, salvo raras e honrosas excepções, a maioria dos jornalistas fez um enorme favor ao governo e seus parceiros geringonciais, tanta foi a falsidade transmitida. Dou apenas um exemplo: todos os funcionários públicos são avaliados, enquanto os docentes progridem apenas por contagem de serviço, i.e., não são avaliados anualmente.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:37

Fevereiro 20 2017

Os homens erram e isso é inevitável. É também evidente que a capacidade de decisão dos recursos humanos tem falhas e não são assim tão poucas quanto isso. Ora, esta capacidade analítica, ou melhor a inexistência ou deficiência dela, afecta a vida das organizações e, como é óbvio, subsequentemente a nossa vida.

Agora imaginem, por exemplo, que era possível a criação de um sistema analítico que permitisse antever necessidades de recrutamento e de formação, de produtividade e, ainda por cima, cruzasse rápida e eficazmente dados dos colaboradores? Metaforicamente falando seria comparável a um big brother informático, o que ninguém deseja.

Importante mesmo, é sair do estado de “ponto morto” e ganhar tracção. Necessitamos de algo que não implique avultados investimentos em sistemas de informação, que seja o mais simples e eficaz possível, mesmo que o ponto de partida seja uma simples folha de Excel.

A avaliação, análise, não importando a designação, do dia-a-dia do trabalhador é fundamental em qualquer sector. Esta demanda, à qual a esquerda “bem pensante” foge como o Diabo da Cruz, tem que voltar à ordem do dia. Sem tabus nem preconceitos e muito menos com receios.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:57

Dezembro 19 2013

Independentemente de concordar ou não – divirjo mais do que aceito, (re)afirmo desde já -, o sector público atravessa uma forte reestruturação, o que implica um impacto inevitável na educação, intensificando a dificuldade de contratação de professores.

Não podemos culpar o sector público pela incapacidade de absorver a totalidade dos profissionais que se licenciam todos os anos em cursos relacionados com a educação. Perante esta impossibilidade, que alternativas podem encontrar os professores? Por um lado, podem posicionar-se no sector privado, apesar de se saber que também aqui as vagas não abundam. Por outro lado, existe sempre o além-fronteiras, à semelhança do que acontece com outros profissionais. Por último, resta a reconversão profissional, sabendo-se que este caminho pode ser desafiante, sobretudo para as pessoas que, durante toda a sua carreira, nunca se colocaram em lugares de conforto.

Não nos podemos esquecer que somos nós quem tem de se adaptar às oportunidades que o mercado laboral oferece e não os projectos que têm de se adaptar a nós.

Estas palavras servem de introdução à realização da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), a que, ontem, estavam obrigados os docentes contratados com menos de cinco anos de serviço e, sobretudo, a celeuma gerada à volta da mesma.

Sendo o direito à greve inquestionável, também não é menos verdade que este direito não pode coartar o dos outros, seja ao trabalho ou, como é o presente caso, à realização de uma prova. Cordões humanos de modo a impedir a entrada de professores e, fundamentalmente, invasões de escolas - acções promovidas pela Fenprof - não são formas legais de manifestação.

À semelhança da manifestação dos polícias, os quais por pouco não invadiram o Parlamento, e que, por isso, ficaram muito mal na fotografia, também aqui os docentes – é favor não confundir a árvore com a floresta – deram uma péssima imagem da classe, uma vez parecerem mais uns arruaceiros do que educadores e formadores dos homens de amanhã. Que belo exemplo deram aos alunos!

Todos sabemos que existe sempre uma resistência à mudança. Aconteceu com os exames do 12º ano, os quais deram em 1995, data do seu início, mega-manifestações de estudantes, para não dizer tumultos. Hoje, tais exames estendem-se, com toda a normalidade, até ao 4º ano e poucos ou nenhuns os colocam em causa. Sucedeu também com a avaliação dos professores: está implantada no terreno e, por muito que seja injusta, incoerente e fortemente subjectiva, encontra-se aceite, senão interiormente, pelo menos formal e tacitamente.

Já agora, sem querer apontar o dedo a quem quer que seja, causa-me muita estranheza haver docentes que, sem qualquer rebuço, avaliam os colegas, com todas as injustiças que este processo acarreta, mas que se recusam a vigiar/corrigir uma prova deste teor. É caso para dizer que, cada vez mais, necessitamos de coerência.

Em jeito de apêndice, acrescento algo que ultrapassa a minha compreensão. Então não é que o PS, no tempo em que Maria de Lurdes Rodrigues governava a 5 de Outubro, altera o Estatuto da Carreira Docente e, à revelia de tudo e de todos, inscreve a realização da aludida PACC. Agora, quando há alguém que concretiza as suas intenções, “aqui d’El-Rei” que não pode ser. Não se trata apenas de aproveitamento político, mas sim de uma enormíssima falta de pudor.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:06

Novembro 11 2010

Particular destaque merece a ferramenta da experiência, imprescindível para a vida que, através desta, identifica colaborações de elevado potencial, reconhecendo os seus pontos fortes e fracos – aqueles a desenvolver, estes a eliminar – apoiando-os na sua carreira através da concretização de um plano de desenvolvimento estruturado.

Todavia, um projecto, fundamentalmente na sua fase de arranque, para ter sucesso, tem de estar, sem margem para dúvidas, pendente do seu líder. Teoricamente todos somos capazes de idealizar um projecto bem sucedido. No entanto, nem todos possuímos o talento necessário para o liderar.

Como é do conhecimento geral, a nossa missão é a de sustentar a estratégia educativa, garantindo os recursos mais qualificados e integrando-os numa estrutura eficiente, com o objectivo de sermos reconhecidos como factores de mudança.

Então, quais as razões que levam ao insucesso na implementação de um processo de melhoria? A principal razão prende-se com uma má definição da situação ou por não ser bem explicado onde começa e onde acaba a solução do problema. Outra das situações com que nos deparamos são projectos iniciados por aquilo que intitulamos de “curiosos” ou, por outras palavras, de “inexperientes”, e que estão mal implantados do princípio ao fim. No fundo, como já escrevi várias vezes, os projectos de melhoria falham porque são promovidos por entidades ou pessoas pouco credíveis e/ou com pouca experiência.

Por outro lado, também é costume, entre nós, não procedermos à avaliação dos projectos de forma independente e rigorosa. Estes, na sua esmagadora maioria, apenas são objecto de um relatório, feito pelo(s) autor(es), o qual, como é óbvio, alude somente aos frutos alcançados. Mais: a forma como é redigido denota uma espécie de alter-ego exacerbado, um auto-elogio ingénuo, bem como menciona os sucessos que unicamente aquele(s) vê(m).

Voltando ao cerne da questão, ao contrário do que é habitual, a grande primazia deve ir para as aptidões e talento dos promotores, em desfavor da autoria do projecto. Assim, o grande enfoque deve assentar no desenvolvimento de um modelo de avaliação das características e aptidões dos impulsionadores, para que existam garantias mínimas de qualidade final. Por isso, exige-se que os candidatos a promotores sejam capazes de desenvolver um projecto viável e, acima de tudo, que possuam especificidades ideais para o liderarem.

Resumindo, o sucesso alcança-se não por decreto ou porque alguém ordena que tal suceda, mas sim porque se tem talento e, sobretudo, porque se trabalha para isso. Não há qualquer segredo recôndito. É óbvio!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:58

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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