O meu ponto de vista

Dezembro 13 2019

Com toda a franqueza estou extasiado com tanta fartança. Imaginem que o governo quer dar 0,3% de aumento aos funcionários públicos. Digo-vos que me caiu a alma aos pés quando constatei a enorme quantidade de tanto dinheiro que, em 2020, irei receber a mais. Não chega para comprar meio papo-seco por dia, mas não ver o enorme esforço financeiro por parte do Ronaldo das Finanças é ser muito ingrato.

Agora a sério. Não lhes digo para enfiarem o dito aumento num sítio que eu sei, porque os meus pais me ensinaram boas maneiras. Depois de não ser aumentado desde 2009, e após ter sido decretado, por António Costa, o fim da austeridade, sempre direi: o gozo tem hora e limite.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:37

Julho 09 2019

Há oito anos, tanto na Grécia como em Portugal, os socialistas levaram os respectivos paises à bancarrota. É um dado adquirido e irrefutável. Ponto final. Com raríssimas excepções, como é o caso do actual governo português, sobretudo pelo constante pé no travão do Centeno, os socialistas são uns mãos largas a distribuir dividendos, para depois recuarem à socapa, deixando a outros atarefa de se virarem com sucessivos planos de resgate, já que a inexistência e a sua não aplicação implicaria não ter sequer pão para a boca.

O certo é que, tanto num país como no outro, os governos que suportaram e implementaram, pela força das circunstâncias, austeridade sofreram em eleições seguintes pesadas derrotas. Em Portugal, Sócrates elevou o país ao pináculo da imperfeição. Sucedeu-lhe Passos Coelho que redimiu, à custa de imensos sacrifícios, o país, para logo a seguir perder o governo. Não as eleições que é coisa distinta. Na Grécia, os socialistas do PAZOK conseguiram que este atingisse a degradação total. Sucedeu-lhes o Syriza, como salvador da pátria. Prometeu mundos e fundos para, logo a seguir, acabar vergado ao peso dos credores. Claro que quem necessita de dinheiro, amocha. Agora, perdeu em toda a linha para a direita.

Como corolário: em tempos de vacas magras – leia-se ausência de pilim – jamais queiras governar. É que corres o sério risco de salvar o país, mas acabar afogado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:08

Junho 09 2018

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Afinal a austeridade não terminou. Se nos convencemos disso é porque nos deixámos embalar pela cantiga do governo e também porque ansiávamos há muito por alguém que nos viesse dizer isso mesmo. A frase dita, esta semana na AR, pelo primeiro-ministro de que não há dinheiro é bem sintoma disso.

Com os juros da dívida a não descerem, a crise nalguns países europeus – por exemplo, Itália e Espanha -, perspectiva de diminuição de crescimento, o qual já se vem fazendo sentir, aliado ao decréscimo das exportações, bem como uma perda dos auxílios por parte da CE, o governo viu que não havia volta a dar e, como mais vale prevenir do remediar, toca de travar. Ainda não a fundo, mas para lá caminharemos.

Nesta ordem de ideias, não estranha que o próximo ano não será ainda o ano de nova austeridade, uma vez ser ano de eleições e os votos … Todavia, é sabido que os portugueses, a curto prazo, irão ser novamente chamados a ajudar a equilibrar as contas públicas. Os cortes serão esperados, a subida de impostos também.

Consciente de que este esforço irá ter efeitos práticos nefastos no bem-estar e na vida dos portugueses, recordo da conveniência em (re)estruturar o nosso modo de estar a nível financeiro e, sobretudo, no âmbito da gestão do orçamento familiar.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:51

Setembro 13 2016

O que mais por aí há são inverdades. Também não gosto de austeridade – haverá quem goste? -, nem de sacrifício, contenção e prudência, entre tantos outros conceitos semelhantes que hoje-em-dia fazem parte do nosso léxico quotidiano. Todavia, uma coisa é não gostar, outra, bem diferente, é afirmar que nada quero com tais.

Pelo andar da carruagem o ano vai acabar muito longe da nova dinâmica prometida. É verdade que o tempo não volta para trás e, por norma, sou um optimista inveterado quanto ao futuro. Porém, com os indícios que me são oferecidos diariamente só acreditando em milagres é que me posso convencer em amanhãs que cantam.

Uma coisa é certa: é importante conhecer a verdade. Saber com o que contamos é fundamental para ultrapassar adversidades. É que homem prevenido vale por dois!

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:07

Maio 18 2016

As decisões que o Colégio de Comissários da CE hoje tomou relativamente a Portugal não apanharam ninguém de surpresa. Todos sabíamos que iriam e irão ser necessários ajustes ao nosso modo de viver quotidiano. O Presidente da República, na continuação de muitos outros comentadores, incluindo este vosso pobre escriba, ontem mesmo, começou a desbravar o terreno. De mansinho, docemente, se vai preparando o “Zé Povinho” para o aumento da dureza do nosso viver.

Todos o sabem, mas ninguém o quer afirmar de viva voz e muito menos em bom som. Aliás, em artigo anterior já referi que o governo tem algo preparado e pronto para levar à acção. Bem sabemos que a culpa jamais será assumida por este (des)governo, fruto das suas medidas inapropriadas, mas sim da má conjuntura internacional, das condições impostas pela CE, da meteorologia, etc., etc.

Ah, já agora, de nada vale António Costa dizer que não vai aplicar as medidas hoje preconizadas por Bruxelas. Ai vai, vai!

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:47

Julho 09 2015

Os mais atentos sabem muito bem do porquê de António Costa, desde que o Syrisa tomou o poder na Grécia e, sobretudo, nos últimos meses, apelar constantemente para que o governo português não se constitua como obstáculo a um acordo para resolver a gravíssima situação económica-financeira naquele país, mas sim que contribua para a solução.

Ora, como a solução, de acordo com o governo grego e, principalmente, tendo em conta o mandato que recentemente recebeu por via do referendo, passa pelo fim da austeridade, o que, na prática, consubstancia senão um perdão da maior parte da dívida, pelo menos o reescalonamento da mesma.

Assim, caso esta solução vá adiante, os socialistas - e não só – viriam de imediato reclamar contra as medidas de austeridade imposta por Pedro Passos Coelho nos últimos anos, afirmando que se este tivesse a mesma atitude de Tsipras os portugueses teriam vivido estes quatro anos regalados e sem preocupações. Relembro o que disse esse grande político, agora reduzido à cela 44 da Prisão de Évora: “é estupidez pensar que a dívida dos estados se paga. Esta apenas se deve gerir”.

Como é óbvio, o actual governo, pelo contrário, anseia pela derrocada total da Grécia - e já agora a maioria dos portugueses -, por muito que diga o contrário, já que apenas deste modo pensa conseguir convencer que as duras provas que obrigou o povo português a passar tiveram sentido.

Uma coisa é certa: estamos numa situação muito diferente da Grécia e isso é excelente. Já imaginaram a vidinha que levaríamos com os nossos bancos fechados há tantos dias?

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:36

Dezembro 04 2014

Antes de mais, para os menos experimentados nesta questão de gestão de serviços públicos, esclareço que a designada tolerância de ponto na administração pública não quer dizer, de modo algum, que os serviços, a que os funcionários pertencem, encerrem nos dias que tal lhes seja concedido. O que quer dizer, sim, é que os serviços trabalharão a “meio-gás”, já que uns estarão ao serviço enquanto outros estarão de folga. Depois, noutro dia, inverter-se-á a situação. Por exemplo, e até aqui, enquanto uns descansavam no dia 24, os restantes estavam ao serviço. No dia 26 a posição trocava.

Vamos, porém, ao cerne da questão, i.e., o que me levou a escrever estas linhas. Na época natalícia é habitual, o governo em exercício, dar um dia de tolerância de ponto aos funcionários públicos. Ora, este ano, em que a grande maioria das condições de austeridade se mantém, incluindo o corte de salários, subsídios e suplementos remuneratórios, assim como o congelamento de progressão de carreira, é muito estranho a “dádiva” de dois dias.

Como tal medida extravasa a minha compreensão, apenas posso sugerir que a mesma é fruto antecipado de um ano eleitoralista. Assim, não vale!

Adianto, desde já, que se tentarem levar o povo como um bando de totós o resultado será mesmo “ que se lixem as eleições”!

Já agora, vale a pena perguntar: quanto vale o dia de trabalho de um funcionário público? Como é fácil de calcular, dou a resposta como sabida, uma vez que o importante é saber o que cada um daqueles prefere: um dia de descanso ou o seu montante em cachet? Aqui, não tenho a menor dúvida que preferem este último.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:15

Junho 18 2014

Todos conhecemos muito bem o estado paupérrimo das finanças públicas portuguesas. Daí termos sofrido, senão todos, pelo menos a larga maioria, os cortes nos salários, nas pensões e nos subsídios por efeitos da austeridade que nos foi imposta.

Um dos casos que mais contribuiu para a enorme dívida, que levou à intervenção da troyka, foi o “buraco” da Madeira, fruto do delírio do megalómano Alberto João Jardim. Assim, face à ocultação dos tais sete mil milhões de euros, tem tido as suas contas – e muito bem – controladas ferreamente por parte do governo da República.

Todavia, ainda há poucos dias o presidente do governo regional da Madeira esteve em Lisboa a solicitar alguma folga no aludido controle, requerendo um suplemento de 900 milhões de euros, não se sabendo se lhe foi ou não concedido

Ora, estranha-se imenso – para não usar uma linguagem vernácula – que a Assembleia Legislativa da Madeira tenha aprovado, esta terça-feira, a proposta de decreto legislativo regional que mantém em vigor o regime do abono de ajudas de custo e de transporte aos membros do governo regional, abolidas em 2010 a nível nacional, no âmbito das medidas de austeridade.

Com este diploma, apreciado pelos deputados com processo de urgência, o executivo de Alberto João Jardim pretende contornar, com efeitos retroactivos, a recente decisão do Tribunal de Contas que exigiu devolução de verbas ilegalmente pagas aos governantes madeirenses em ajudas de custo e abonos para despesas de representação, apesar de retirados há quatro anos, censurando ainda o governo regional pela opção por hotéis de luxo, nas viagens ao estrangeiro, quando a legislação nacional determina a escolha por hotéis de três estrelas, concluindo que os gabinetes do governo da Madeira custaram 2,6 milhões em 2012.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:30

Maio 23 2014

Ninguém desconhece que o estado social, tal como o conhecemos desde a Segunda Grande Guerra, está a acabar e, não obstante o sentimento de injustiça, uma vez todos termos direito à saúde, à educação e ao trabalho, o certo é que aquele é impossível de continuar. É mesmo assim: “casa onde não há pão …”

Contudo, os nossos parceiros sociais, bem como as principais forças políticas, têm grandes responsabilidades, as quais, aliás podemos considerar históricas. Serão muito poucos aqueles que ficarão para a história como parceiros responsáveis, já que a maioria serão apelidados de inconscientes.

Alguns continuam convencidos de que tudo não passa de um jogo, e farão o papel que conhecem de cor, mesmo que a peça de teatro tenha mudado radicalmente. Por isso, admiro o Prof. Medina Carreira, mas, sinceramente, já não o suporto ouvir, pois tem sempre “carradas” de razão. Nesta ordem de ideias, admito que muitas das medidas são insuficientes e, sobretudo, pecam por ser tardias.

Daqui a uns anos, o tempo que vivemos será um case study, porque quase tudo terá de mudar. Resta-nos antever para quê.

Existe alguma controvérsia sobre a origem da palavra “paciência”. Há os que defendem que vem do latim pat - aguentar, sofrer -, outros, porém, advogam que vem do grego pathe – sentimento -, outros ainda sustentam que deriva do latim pax – paz. Podemos, então, aduzir que paciência designa a ciência da paz!

Independentemente do significado, importa concluir que necessitamos todos de uma enorme dose de paciência.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:37

Maio 06 2014

O meu receio de um descambar económico/financeiro assenta em bases sólidas. Senão vejamos: o governo promete aos funcionários públicos, já em 2015, a retoma de 20% do que perderam, em termos salariais, nestes últimos anos, bem como o descongelamento da progressão de carreiras. Claro que os reformados e pensionistas não ficam esquecidos e aí está a promessa do alívio nos respectivos cortes, o qual será à custa de todos, principalmente dos que se encontram no activo. E não me admira uma baixa do IRS, uma vez que Paulo Portas tal prometeu e tudo fará para levar a sua avante.

Por outro lado, o PS, numa ânsia desmedida de ganhar as eleições, sobretudo as legislativas do próximo ano, promete, como se costuma dizer, o céu e a terra: reabertura de escolas que entretanto fecharam, reposição dos tribunais nas comarcas que os irão perder(!!!), novos centros de saúde, restituição de valências hospitalares, igualar o poder de compra a 2011, diminuição do IVA, principalmente na restauração, descida do IRS, fim do pagamento de portagens nas SCUTs, término da reorganização administrativa das freguesias, aumento da comparticipação do Estado nas autarquias – preparem-se para mais rotundas -, termo do regime semanal das 40 horas, entre outras medidas demagógicas e populistas. Em suma será um autêntico “El Dorado”. Mas todos também sabemos como tal situação irá terminar.

Por último, mas não menos importante, uma palavra sobre o Documento de Estratégia Orçamental (DEO), apresentado nos últimos dias. É um texto com valor, mas muito longe de ser uma reforma do Estado – essa sofre de «malapata» e, por isso, nunca verá a luz do dia - e que projecta alguma esperança, principalmente aos funcionários públicos e pensionistas. Muito afastado do célebre desodorizante com o mesmo nome, pois não cheira tão bem, nem afasta assim tanto os maus odores, contém, porém, na sua essência, ainda que queiram desmentir o mais que evidente, dois aumentos de impostos, quando ainda há quinze dias diziam que jamais o caminho seria esse. O aumento de IVA de 0,25% e da TSU em 0,5%, por muito pequeno que seja, é, na verdade, um aumento da carga fiscal. A matemática, tal como o algodão, não mente.

Entretanto, faço votos para que fiquemos apenas por aqui.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:39

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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