O meu ponto de vista

Novembro 16 2016

Imensas pessoas têm perguntado do porquê de tantas vezes fazer referência ao período que engloba os meses de Julho e Agosto de 2009. É uma época longínqua, é certo, mas que passados sete anos continua extraordinariamente viva na minha memória. Foi um espaço temporal que, quer profissionalmente, quer afectivamente, muito alterou o rumo da minha existência. E sem dúvida para melhor, principalmente no que respeita ao último item.

Quanto custa investir num cargo? Quanto custa investir numa pessoa? Se o talento é tão importante quanto (da boca para fora) afirmamos quais são as nossas respostas e, sobretudo, o nosso modo de ser e estar perante tal? Sinceramente, vi excelentes exemplos, mas também fui confrontado com deploráveis atitudes.

Existe uma velha – não propriamente em termos etários - geração que ainda não percebeu que o mundo mudou. Gente que acredita ainda, por exemplo, que o talento é algo comum a quase todos. O que me choca. Resquícios, sem dúvida, de um igualitarismo sem sentido.

Nesses meses em que a estratégia se baseou no muito e bom, contrariando a máxima de “muito e depressa não há quem”, fiz jus à indagação “quanto queres crescer?”, respondendo “o máximo possível”, mas sem que isso levasse à instabilidade e muito menos destruindo a produtividade.

Foi um tempo prolongado no tempo. É que a dilatação se estendeu pelos meses e anos seguintes. Tempo em que deixei de estabelecer contratos intemporais. Tempo em que a incerteza deixou de existir e o drama (!!!) diário de acordar diferente - em termos geográficos, físicos e emocionais – passou a ser um contributo potencial para o crescimento.

Tempo esse em que recordo determinadas pessoas. Essencialmente no plano afectivo, claro está. Felizmente já “morreram”. Aliás, se viveram mais tempo que o razoável foi porque as “alimentei” com crédito insustentável, como autênticas imparidades. Em boa verdade detinha uma “empresa” cuja actividade arrastei durante anos e anos, a maior parte do tempo com recurso a bónus indevidos, até que finalmente encerrou. Algumas das pessoas que, durante anos e anos, trabalharam comigo estuporaram todas e mais algumas oportunidades, uma vez que pouco ou nada investiram. A destruição nem sempre é desvantajosa. Muitas vezes liberta o caminho para iniciativas saudáveis, de modo a investir em pessoas ganhadoras.

Muitas pessoas conheci posteriormente, dignas de mais-valias. Estes recursos humanos foram e são o que tenho de melhor. Se assim é, então, devo passar a maior parte do meu tempo a olhar para elas e não para o passado.

publicado por Hernani de J. Pereira às 14:41

Dezembro 22 2015

O que é o amor? Há muitas explicações, quer sejam filosóficas, emocionais ou mais ou menos racionais. Há, inclusive, quem não acredite em tal. Manda, porém, a verdade dizer que sem amor ninguém consegue sobreviver. E todos, sem excepção, ansiamos por ele, ou até pelas simples migalhas que caem da mesa onde é servido.

O amor é o espelho da alma, o reflexo das acções, o poder das decisões e, sobretudo, o conjunto das atitudes e comportamentos. O que lemos quando analisamos a afectividade são o resultado dessas decisões e as tendências gerais que, por sua vez, auxiliam o responsável pelos batimentos cardíacos a tomar novas decisões, diminuindo ou aumentando, consoante as circunstâncias, a incerteza desses momentos.

Por isso, quando aprofundamos as análises que fazemos e extraímos leituras da realidade, sabemos que estamos a contribuir com um activo valioso para a nossa vivência relacional.

Os caminhos do amor, à semelhança dos do Senhor, são insondáveis e daí a riqueza dos mesmos. O que sabemos é que umas vezes se cruzam, outras correm paralelos e, amiúde, infelizmente, jamais se encontram, sendo que, para o presente caso, a primeira hipótese seja a mais desejável. Que existe interferência, seja ela directa ou indirecta, isso é indesmentível.

E, naturalmente, é tentador que aquela interferência se faça no sentido de permitir que as pessoas desempenhem plenamente o seu papel estruturante na relação, desde logo criando bem-estar e prazer mútuo.

Sendo certo que também não tenho resposta às muitas questões que a mim próprio coloco, de uma coisa estou convicto: tudo o que sabemos é uma ínfima parte do que sentimos e, por isso, importa que seja muito mais os sentimentos a falar que a mera competição de palavras.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:48

Março 11 2015

Encontrou-se em terras distantes e, de certo modo, desconhecidas, com um porto de abrigo que lhe deu o apoio necessário para se autonomizar. Não era novo para si encarar um ambiente desconhecido e um mundo de oportunidades para agarrar e, podem ter a certeza, que não se tratam de questões de emprego.

É-lhe estimulante e desafiante ter de construir algo a partir do zero. Talvez seja um “descobridor destes tempos”, à semelhança dos descobridores do passado que hoje se designam por empreendedores.

É necessário reconhecer que nem todas as pessoas se adaptam a um desafio desta natureza e abordar tal situação exige muito foco no objectivo pretendido, persistência e jamais admitir a desistência.

O contexto em que se desenvolvem as relações aconselha a um estudo detalhado em termos culturais, sociais e, sobretudo, afectivos, acautelando, deste modo, o conhecimento sólido sobre variáveis como a segurança, habitação e cuidados mútuos.

Não menos importante foi obter a máxima informação sobre tudo o que os rodeiam, os gostos, o modo de ser e estar, bem como outros dados para uma melhor gestão da relação, nomeadamente se a oportunidade em cima da mesa pressupõe um novo projecto de vida e num um curto assignment de curto prazo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:30

Novembro 24 2014

Apesar de a conjuntura continuar adversa existe, de norte a sul do país, ainda uma forte capacidade instalada no respeita às relações afectivas que se torna imperioso maximizar em termos de eficiência. Não fora a resiliência em termos de amizade e, sobretudo, a nível familiar e esta nação, independentemente dos seus oito séculos de história, já seria tudo menos isso.

E como tudo na vida as relações afectivas também são mutáveis, reinventando-se e imprimindo um conceito novo que não raras vezes abala os alicerces da nossa sustentabilidade. Que há necessidade de acompanhar os tempos que correm poucos contestam e raramente se encontra quem se oponha a tal de forma radical.

O que, em muitos, causa perplexidade, para não dizer mesmo incompreensão, é a tentativa constante de inverter a pirâmide social, essencialmente no que concerne ao ambiente familiar. Parafraseando alguém, estou-me lixando para o facto de me poderem chamar machista, uma vez que não será por isso que deixo de (re)afirmar o que sempre defendi. É óptimo quando as as partes dialogam, dialogam, dialogam até chegar ao consenso. Assim, deve acontecer sempre.

No entanto, mesmo que haja uma constante concordância de modo algum deve, em termos públicos, o homem ser menorizado e em caso de desacerto nas medidas a tomar, não digo sempre, mas por norma deve prevalecer a vontade masculina. Sim, eu sei o que vão dizer, mas paciência … pois quem não consegue enfrentar a onda, mais cedo ou mais tarde, acaba por ser avassalada por ela.

O que, hoje, contudo, se verifica imenso é precisamente o contrário, i.e., a mulher querer, por todos os meios, impor a sua vontade, naquela lógica há muito sabida em que ao homem só resta uma das duas opções: “se tens razão cala-te, se não tens pede desculpa”.

E não venham com a lógica que ambos têm que cantar a mesma canção, uma vez que até a podem cantar, nem que seja de costas voltadas. O importante é, como dizia outro político, por estes dias detido, que “para dançar o tango são precisos dois”. Ora, numa situação em que um deles não sabe ou não quer dançar, não pode haver acordo possível.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:35

Outubro 10 2014

As palavras não podem resumir-se a meros conjuntos de letras com diferentes timbres sonoros. Atender, individual ou colectivamente, às necessidades dos outros é um dever de solidariedade. Contribuir de forma altruísta, para mitigar os efeitos de uma doença ou de outra qualquer situação adversa é o que se espera de gente civilizada.

Não é novidade e muito menos é dramático, mas, com toda a sinceridade, era previsível a atitude de certas pessoas. No fundo, é consequência de uma quase ausência de valores e, por isso, posso dizer que outras alternativas não deveriam esperadas.

Poderá, para estas, tudo ser aceitável se vislumbrarem momentaneamente um horizonte de bonança. No entanto, no âmbito das decisões concretas continuam sem possuírem uma estruturação interna que não vá para além da retórica que contrarie a evidência de que “na mesma” significa cada vez pior.

De uma coisa tenho a certeza: vou continuar a deixar que “chovam no molhado”! Resistirei de modo a manter o equilíbrio afectivo e a coesão, mesmo que os tempos sejam conturbados. Para isso, talvez venha a propósito recordar que os direitos adquiridos formam parte essencial da realidade quotidiana e, ao contrário dos deveres, podem perder-se, limitar-se, que a vida, melhor ou pior, continua.

A quem compete decidir, cabe dar prova da vitalidade enquanto unidade de algo intrínseco, traduzindo a consciência de que não procede do instinto básico de sobrevivência nem do puro proveito económico, já que tal poderia gerar, não diria barbárie, mas, com toda a certeza, desagregação.

Os modos de ser e estar vêm de longe – Roma, Atenas e Jerusalém (se quisermos tratar os valores pelos nomes) – enfim, de gente civilizada. Querer uma união contra a ordem natural é o caminho seguro para a fragmentação.

publicado por Hernani de J. Pereira às 22:24

Março 13 2014

Pouco a pouco vou descobrindo novos caminhos, deixando-me levar por eles, enfrentando outros desafios numa conjuntura adversa. Uma grande parte da sociedade reduz a sua actividade para atacar o insucesso profissional e, sobretudo, afectivo, fazendo-o com prejuízo de si própria, esquecendo uma lição básica: as pessoas vivem das relações e não fundamentalmente do dinheiro, por muito que este esteja mais ou menos interligado com aquelas.

Por isso, todos necessitamos de demonstrar capacidade de adaptação, mas principalmente de aceitação dos outros. Alguém com idade para ser considerado pessoa já madura, por muito que tente demonstrar que ainda é teenager, deve possuir conhecimentos actualizados, experiência obtida pela prática e pelo (in)sucesso no dia-a-dia, uma vez que, presume-se, já tenha resolvido grande parte dos seus problemas existenciais e construído soluções, individualmente ou, de preferência, colectivamente.

A eventual rede de contactos que possui é, sem dúvida, uma arma poderosa. Todavia, a mesma é desprezível se não for partilhada, dando fim à sua estanquicidade. É necessário desmistificar que a dificuldade está no outro, quando o foco deve ser colocado no contributo objectivo de cada um.

Ao contrário das pessoas com vista curta, de paixões tipo fósforo, é preciso encontrar, especialmente nestes tempos de crise, outros que, pelo seu contributo assente na experiência e partilha de vida, possuam uma nova postura de estar na vida.

Há que acreditar que, apesar do número de anos aumentar - a lei da vida oblige -, o nosso interesse pela vida e particularmente pelos outros não diminui.

É uma verdade que nem sempre recebemos o que damos. Contudo, não deixa de ser menos verdade que quando nada damos, pouco ou nada recebemos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:46

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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