O meu ponto de vista

Outubro 07 2021

Nuno Morais Sarmento, ex-ministro e actual dirigente de topo do PSD, Manuel Pinho e Vitalino Canas, ambos ex-governantes de governos PS, foram apanhados no caso Pandora Papers, situação, aliás, muito controversa e pouquíssimo dignificante.

Podem argumentar que, ao utilizarem plataformas offshore sediadas em paraísos fiscais, não cometeram qualquer ilegalidade e, pessoalmente, acredito nesta versão. Contudo, como se costuma dizer, nem tudo o que não é ilegal é curial. Então, no campo da ética e, sobretudo, em termos morais é completamente errado e motivo de forte sanção pelos eleitores.

No aspecto partidário, o PS e o PSD são autênticos lamaçais. Logo que se começa a escavar, e nem é necessário ir muito fundo, surgem logo minhocas. Isto para ser benévolo.

No PS não estranho, Porém, no PSD, Rui Rio prometeu um banho de ética no partido e na forma de fazer política. Está-se mesmo a ver …

Depois queixem-se que os portugueses, principalmente os eleitores, estão cada vez mais dissociados da política e a abstenção aumenta de ano para ano.

publicado por Hernani de J. Pereira às 09:24

Novembro 03 2020

Todos, sem excepção, em cada instante temos uma posição mais ou menos conhecida, mas de modo algum rigorosa. Sim, uma vez a nossa posição – falo do carácter e da ética - não poder ser medida em centímetros, nem decímetros ou até nem em metros.

É verdade que, e ainda bem, não dispomos uma tecnologia de vanguarda que actualize constantemente os dados relacionados com as “infra-estruturas” humanas que nos rodeiam. Por isso falhamos tantas vezes? Sim e ainda bem. Navegamos à vista e ninguém possui GPS que nos possa guiar, de forma óptima, por esta ou outra via.

Avançamos e recuamos constantemente. Mente quem diz que sempre seguiu o mesmo caminho. Fazemos ziguezagues constantes e muitas das vezes damos um passo è frente para a seguir dar dois passos atrás.

Por outro lado, aquele que diz ter sido sempre coerente ou é santo ou não viveu. Mentir e/ou ser incoerente todos fazemos. O que nos distingue é o grau e mesmo este é relativo.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:17

Novembro 06 2019

Ninguém tem dúvidas. Coisas existem que a maioria dos portugueses adora. Sem intenções de pontuação há exemplos paradigmáticos: fuga aos impostos/taxas, gabarem-se do que não são ou de algo que jamais imaginaram fazer, queixarem-se, na grande maioria dos casos sem razão, da falta de dinheiro e excesso de trabalho, faltar ao trabalhar sem motivo, e, acima de tudo, “furar” uma fila de gente, i.e., fazendo de todos os outros autênticos totós. Este último, sem sombra para dúvidas, dá-lhe um gozo bem acima da média, algo extraordinário, talvez só comparado a um extremo orgasmo.

Escrevo estas palavras por algo concreto. Anteontem fui, ao lagar da Pena (Cantanhede), fazer o azeite proveniente da azeitona que durante as duas/três semanas anteriores apanhei. Aliás, como todos sabem alguns dias debaixo de chuva, pois não houve alternativa. A entrega estava marcada para as 15h00, pelo que, previdente, cheguei cerca de uma hora antes. Logo após a chegada avisaram-me que havia um atraso à volta de três horas, sem mais explicações, por muito que tenham sido solicitadas. Indagados sobre quem estava à minha frente, responderam-me que a lista não era pública. Logo entendi, e, com toda a certeza, os meus caros leitores também, do porquê. Espero, espero e desespero! Entretanto, eu e muitos outros - muito dos quais falam imenso pela calada, mas à frente encolhem o rabo – começamos a verificar que pessoas chegadas recentemente despejavam a sua azeitona e iam à sua vida com um largo sorriso. Recordem-se das palavras introdutórias deste texto!

Passam-se as aludidas três horas e mais outras e – bem me conhecem – expludo. Digo tudo o que me vai na alma! Alguns ainda me acompanham na justa queixa. Todavia, a maioria cala-se. Resultado, a minha azeitona, das melhores que naquele lagar entrou, se é certo que não rendeu mal, ao que me disseram muitos outros, foi menos que das deles.

Eram mais ou menos 22h00 quando saio do lagar. Chovia que Deus a dava. Em cima do tractor lá fiz o caminho até casa, com o lamento de não ter levado óculos com limpa pára-brisas. Caramba, em determinada altura, não via a ponto dum c… Guiava-me apenas pela lista branca lateral da estrada. Quase à meia-noite entro em casa. Sem comer, limito-me a tomar banho e dormir.

publicado por Hernani de J. Pereira às 13:41

Outubro 11 2019

Nada em ti exageres ou excluas. Sê tudo quanto és, no mínimo que fazes.

Fernando Pessoa

 

Ah, o Ensino, essa realidade que nos é tão cara. Não sabemos conceber e apreciar a responsabilidade e eficiência nas escolas sem nos interrogarmos sobre a natureza e o processo da tomada de decisão. Decidir é escolher de entre os vários cenários possíveis, aquele que aparece como o mais pertinente para atingir um resultado desejado, dentro de um espaço de tempo possível, utilizando as informações e recursos disponíveis. Ora, de acordo com este pensar o ensino/aprendizagem é uma questão de método, de saber fazer e de estar, ou seja, é um quesito de técnica ou processo. Será?

A resposta é negativa, uma vez aquele raciocínio preponderar a mera transmissão de conhecimentos, desvanecendo a felicidade e o humanismo como filosofia de gestão do esforço diário. Um paradigma a não esquecer assenta no pressuposto em que a ética e a rentabilidade andam de mãos dadas, emergindo desta forma verdadeiros exemplos de sustentabilidade e sucesso. O grande objectivo será, assim, levar a felicidade às pessoas e não às escolas, enquanto instituições, sabendo com toda a certeza que esta também será sinónimo de rentabilidade e de perenidade.

publicado por Hernani de J. Pereira às 21:42

Maio 24 2019

De cada vez que se aproxima uma eleição, os “profissionais” da política alertam-nos todos os dias para o perigo da abstenção. Tendo votado sempre, concordo com o apelo, mas … Este mas, porém, tem a ver, sinceramente, com o comportamento daqueles. Sim, sem margem para dúvidas, são aqueles que têm levado a que, de forma esmagadora, os abstencionistas tenham aumentado para além do surgimento de forças radicais e incontroláveis. Podem acusar-me de populismo, mas a verdade é irrefutável.

Bem sei que nem todos os que se dedicam à política são maus. Felizmente ainda existem, infelizmente poucos, homens e mulheres aí exercendo o seu múnus e que são honestos, lutando, por conseguinte, pelo melhor dos seus concidadãos. Todavia, é só ver a TV ou ler os jornais para ver a “cáfila” que geralmente nos governa.

E não se pense que apenas isto se passa a nível governamental ou no escalão das cúpulas partidárias. A questão estende-se ao mais nível mais baixo, sem que esteja a depreciar a categoria das bases. Também aqui o amadorismo, a falta de ética, o incumprimento da palavra, bem como as desculpas mais esfarrapadas são o pão-nosso de cada dia.

Depois queixam-se que, hoje-em-dia, poucas ou nenhumas pessoas queiram militar partidariamente. Com o que vemos, não admira.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:25

Março 28 2019

A dor, o sofrimento, a tristeza e a preocupação são sintomas virtualmente impossíveis de calcular e jamais podem ser colocados em pratos de balança para determinara um custo. Qualquer um de nós, directa ou indirectamente envolvido por aqueles indícios ou sinais, quer mesmo a família, os amigos e os colegas de trabalho, sem esquecer as organizações onde estamos inseridos, é afectado pela situação.

Muitas destas ocorrências afectam a vida quase para sempre, sendo que algumas delas se carregam até à cova. Os resultados são realmente graves, não só pelo efeito em si, mas também pelo estigma que acaba por se desenvolver em toda a latitude vivencial, deteriorando relações, cultura e imagem.

O grau de (in)consciencialização dos implicados aumenta e daí a forte pressão no sentido de lhes ser garantido elevados padrões de protecção, obrigando ao repensamento e melhoria das práticas existentes.

Historicamente as ditas melhorias decorrem da implementação de medidas ligadas a requisitos legais. Porém, não é de legitimidade, no sentido estrito da justiça dos homens, que estamos a falar. É sim de valores morais e éticos, os quais devem ser exercidos proactivamente e não como forma de reacção.

publicado por Hernani de J. Pereira às 11:27

Março 12 2019

Desafiar as adversidades com coragem e, sobretudo, vencê-las com ética é uma arte subtil e nunca fácil. Nasce com a pessoa, ou seja, é nato nalguns, mas aprende-se muito com a prática, optimizando-se com a reflexão inteligente que permite retirar lições da experiência, o que vai muito além de uma demasiado rápida aplicação de novas modas de gestão.

Ao longo dos anos tenho testemunhado o trabalho de outras pessoas, que não aquelas, cujo sucesso decorre de serem hábeis demagogos, de usarem chavões motivacionais que só trazem uma euforia passageira, para não dizer momentânea. Acabam por decepcionar as equipas e assim destruir o valor do capital humano.

Os primeiros, pelo seu lado, podem dar-se ao “luxo” de escolher e questionar corajosamente os seus hábitos e perspectivas. Focalizam-se com o à vontade da sua genuinidade em encontrar novas abordagens e em criar novas práticas. Optam por olhar para o contexto, olvidando a espuma dos dias, renovando a praxis do seu contacto com os outros.

publicado por Hernani de J. Pereira às 19:50

Janeiro 21 2019

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Há quase um ano, mais precisamente nos inícios de Fevereiro, esta notícia, como seria de esperar passou despercebida. Pudera, pois é algo que por terras lusas não se cultiva. Vamos, porém, ao teor daquela. Mencionava “que um secretário de Estado do governo britânico provocou estupefação geral na Câmara dos Lordes ao demitir-se por ter chegado um par de minutos atrasado ao início da sessão em que deveria responder a perguntas colocadas ao Executivo”. Acrescentava ainda que “Michael Bates, secretário de Estado do Departamento para o Desenvolvimento Internacional desde 2016, confessou-se «envergonhado» por não estar no lugar à hora marcada e informou que iria pedir a demissão, saindo da sala enquanto se ouviam gritos de «não» dos outros presentes na sessão, conta o The Guardian”.

Veio-me à memória este episódio quando hoje uma colega chegou meia-hora depois do toque de entrada e ao entrar ainda teve a lata de me perguntar: “o quê? Já cá estás?” Nem lhe respondi!

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:40

Janeiro 09 2019

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Isto de possuir espírito de abertura tem muito que se diga. No plano dos princípios, i.e., à priori, todos o temos. Contudo, a experiência, bem como a prática do dia-a-dia, ensina-nos que temos de tomar posições, senão contrárias, pelo menos colidem em muitos aspectos quem aquele exórdio.

Juntar atributos de valores éticos, assim como entreajuda e solidariedade é a melhor forma de criar um ambiente de segurança e confiança, algo essencial para o sucesso e para a criação de cumprimento de objectivos.

Tudo ou quase falha, porém, quando nos deparamos com injustiças e pirronices, o que leva a não honrar as regras do jogo. Neste âmbito a comunicação das expectativas, algo primordial, torna-se menos clara, impedindo a focagem no mesmo objectivo.

Num ambiente em todos nos sintamos seguros, é fácil focarmo-nos na inovação, na criatividade e na ambição. Como o conseguir sempre é a chave que vale milhões.

publicado por Hernani de J. Pereira às 16:32

Janeiro 11 2018

A ocorrência de situações indignas, tanto profissionalmente como politicamente – atenção que não estou a referir-me à “alta” política, mas àquela que mais de perto nos cerca -, poderá e deverá ser evitada, se, à semelhança de tantas e tantas actividades devidamente regulamentadas por entidades corporativas ou governamentais, passar a ser acautelado o acesso indiscriminado a lugares de gestão a pessoas que, apesar de se colocarem constantemente em bicos dos pés, são desqualificadas, principalmente moralmente.

O bem comum, o serviço público que deve ser prestado em termos de res publica, tal como deve acontecer em muitos outros labores, deve pautar-se por exigência de adjectivalizações positivas, competência técnica e política especializada, mas, sobretudo, o respeito por princípios, valores e códigos éticos inequivocamente definidos.

publicado por Hernani de J. Pereira às 20:24

Análise do quotidiano com a máxima verticalidade e independência possível.
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